Porto Alegre não tem alternativa decente de transporte

A situação dos porto-alegrenses anda complicada. Sem alternativa mesmo. Este post é para ele(a)s.

Se o cara tem carro, além de ficar preso no trânsito em alguns pontos e horários críticos, ele também tem que conviver com o local em que o grau de competitividade das pessoas está mais exacerbado. É quase um risco de vida, ou por tiro de algum maluco que não conseguiu te ultrapassar ou por infarto.

Mas estou fugindo do assunto. O problema é que, se a pessoa não quer passar por isso e/ou não tem grana para ter carro, ela também está com problemas, e ainda piores. Ciclistas estão tendo que forçar um espaço que a cidade não dá para eles. A Prefeitura não tem planejamento cicloviário de longo prazo, e os motoristas, de um modo geral, ainda não aprenderam que quem está em cima da bicicleta é tão cidadão quanto o que está dentro do carro, só que mais indefeso. Não te esqueças daquilo que eu disse: a competitividade multiplica no trânsito.

Sobra, então, o transporte público, que foi justamente o que me levou a escrever agora. Piada, infelizmente. Juro, além de irritada, fico triste cada vez que vou pegar ônibus. Triste por lembrar de como era no passado, de que não tanto tempo atrás Porto Alegre era referência nesse quesito, de que eu tinha orgulho de dizer que o transporte aqui era bom, que a gente não precisava ter carro, porque o ônibus dava conta e sobrava até. Agora, não.

O T5 é o ônibus que eu pego com mais frequência, e também o que eu pegava para ir pra faculdade, de 2005 a 2009, o que me dá certo parâmetro de comparação. Inegavelmente, ele foi piorando com o passar dos tempos e, nas últimas semanas – depois dos seis meses que eu passei fora da cidade, mais os outros em que eu não fazia esse trajeto –, o impacto foi gigante. No dia do temporal, esperei meia hora na parada e fiquei mais meia hora dentro do ônibus para fazer um trajeto que antes era cumprido em dez, no máximo 15 minutos. Mas ok, naquele dia a cidade parou, não vale.

Então, peguemos um dia normal. Não foi um ou dois em que esperei mais de dez minutos em horário de pico. Não fiz o registro de todos, porque, afinal, eu era só uma passageira irritada, que não pensa em documentar ou reclamar, porque sabe que não adianta. Mas quarta-feira passada, dia 21, eu cheguei na parada às 8h30min, bem na hora em que o André Machado dava a hora na Gaúcha, que eu ouvia pelo fone e que me permitiu gravar os detalhes. O T5 chegou às 8h49min. Ou seja, o intervalo entre um ônibus e outro foi de, no mínimo, 19 minutos. Perguntei pra cobradora qual o intervalo médio para o horário. Uns 9 minutos, achava. Fui conferir: é de 7. Oito minutos é o tempo máximo de espera para o horário, segundo o site da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

Dois dias depois, me chegou a notícia de que a Prefeitura estava comprando 27 novos ônibus para a frota de Porto Alegre. Passada a alegria inicial, murchei. Oito deles vão ser articulados – qualquer um que já pegou um minhocão sabe o quanto eles são desconfortáveis – e só 17 têm ar condicionado. Faz anos, desde quando ainda era governada pelo PT, que a Prefeitura diz que logo logo a frota inteira vai contar com o que, em Porto Alegre, não é comodidade, mas necessidade no verão. E foi num daqueles dias insuportavelmente quentes que peguei um (dos vários que pegaria depois) T2 sem ar condicionado, quase passei mal e, no meio do caminho, passei por um grupo de passageiros que esperavam no sol pela reposição do T4 que quebrara na Terceira Perimetral.

Corrigir esse problemão agora não é fácil. Seria bem mais tranquilo ter investido para manter o alto padrão que tínhamos, mas agora já era.

Quer dizer, o transporte público não só não melhorou como piorou. Mas, mesmo assim, soube encarecer. O que me lembra, aliás, que não falei sobre as lotações. E nem vou falar, simplesmente porque nunca mais peguei uma e não sei se estão cumprindo seus horários, se o conforto está ok e tudo o mais. Não importa tanto, afinal, estão impagáveis nos seus quatro reais.

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Porto Alegre não tem alternativa decente de transporte

Bicicleta não é prioridade em Porto Alegre

Na lista de prioridades da Prefeitura para o trânsito de Porto Alegre não entram ciclovias ou qualquer tipo de planejamento de longo prazo que contemple o uso de bicicletas como meio de transporte. “A prioridade são veículos automotores e pedestres”, disse o coordenador de Projetos de Mobilidade da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Régulo Ferrari.

Apesar disso, algumas ciclovias estão, sim, sendo construídas, fruto de pressão popular. Atualmente, estão em obras a da Ipiranga, de 9,4 km de extensão e realizada com investimentos do Grupo Zaffari e do shopping Praia de Belas, uma na Sertório e outra na Restinga. Por enquanto, a capital tem pouco mais de 7 km de ciclovias, a maior delas para lazer, enquanto o Plano Diretor Cicloviário, lei sancionada em 2009 pelo então prefeito José Fogaça, prevê 495 km de vias para ciclismo.

Não existe uma previsão de quando esse plano vai ser concluído. Não existe sequer um planejamento que preveja a construção de um número cada vez maior de ciclovias ao longo dos próximos anos. Ferrari não sabe ao certo quantos quilômetros vão estar concluídos em 2014, ano de Copa do Mundo e que virou referência de planejamento urbano, como se o país tivesse que estar totalmente acabado e pronto para uso até lá. Ele chuta uns 50 km no total, considerando que ciclovias vão ser implementadas em algumas das vias que vão sofrer alterações até lá, como a Beira-Rio, a Severo Dullius,

“É a típica política de parecer que está fazendo mais para agradar uma opinião pública que desconhece o tema do que fazer efetivamente, é mais um jogo pra torcida”, diz um dos organizadores do Fórum Mundial da Bicicleta, Marcelo Sgarbossa. Ele aponta problemas em duas das ciclovias que estão sendo construídas. A da Ipiranga seria cheia de obstáculos, como postes e árvores que afunilam a passagem, inviabilizando a mão dupla em muitos pontos, já que é construída junto ao Arroio Dilúvio, e não na pista. Além disso, ela não seria prática para o ciclista, pois vai obriga-lo a trocar de lado do arroio cinco vezes durante o trajeto entre o Praia de Belas e a PUC. Já a da Restinga seria um problema por ser construída na calçada e tirar o lugar do pedestre, o que, para o ativista, não é o que se quer.

Ferrari contraargumenta que construir a via para ciclistas na pista colocaria em risco os pouco acostumados a andar de bicicleta no meio do trânsito, e que a ciclovia da Restinga tira um pedaço de uma calçada construída mais larga que o normal prevendo um alargamento da pista no futuro.

Para Sgarbossa, essas questões pontuais são só um reflexo da lógica seguida pela Prefeitura quando trata do tema. “Fazer ali (na Ipiranga) e fazer em cima da calçada revela a política atual do prefeito atual, que é fazer onde não atrapalhe o carro. A lógica sempre é do carro. Enquanto for assim não avança, porque aí vai ter sempre o receio de atrapalhar o motorista”, critica. Ele diz que, para fazer na pista, em muitas ruas e avenidas não seria necessário nem tirar o estacionamento, apenas movê-lo um pouco para o centro e fazer a ciclovia por fora, o que inclusive protegeria o ciclista. Um exemplo citado como caso em que isso seria possível foi o da avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus.

Através do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (Lappus), ele já protocolou um pedido de providências no Ministério Público, que abriu um inquérito pra investigar por que a Prefeitura não está cumprindo a lei municipal que prevê que 20% das multas de trânsito sejam destinadas a construção de ciclovias. O coordenador de Mobilidade Urbana da EPTC não sabe ao certo quanto é este valor e quanto dele está sendo revertido hoje para um sistema cicloviário na capital. Também não tem dados relativos ao custo da ciclovia da Ipiranga, nem como parâmetro de comparação que pudesse servir de base para obras futuras realizadas com investimento público.

O trânsito não pode parar

Régulo Ferrari diz que o principal impedimento para a construção de mais e melhores ciclovias é a fluidez do trânsito, que estaria ameaçada com uma possível diminuição das pistas para carros. Já para os ciclistas, as bicicletas seriam uma opção justamente para combater os problemas de trânsito devido ao excesso de carros nas ruas de Porto Alegre, que só tendem a aumentar. Hoje 93 novos veículos entram em circulação por dia na capital (dados referentes a 2010).

Citei Londres como um exemplo durante a conversa com Ferrari. A capital britânica enfrenta um problema enorme de trânsito, o que a obriga até a medidas mais drásticas, como a cobrança de pedágio para que motoristas entrem no Centro. Apesar das ruas estreitas, no entanto, ela investiu em ciclovias e em sinalização para que o motorista respeite o ciclista. Ele também utiliza as pistas específicas para ônibus. O resultado é um número grande de bicicletas circulando pelas ruas, que acabam sendo respeitadas inclusive onde não há espaço para colocar ciclovia. E quem não tem a sua própria bicicleta pode alugar uma em decks espalhados por toda a região central, patrocinados por um banco inglês.

Ferrari respondeu que Porto Alegre é muito complicada, que o trânsito já está ruim e que a solução é o motorista respeitar mais o ciclista. Para Sgarbossa, esse respeito começa a ser adquirido na medida em que as bicicletas vão ganhando as ruas, o que precisa de investimento público para que aconteça, com a construção de ciclovias sempre que for possível. Ou seja, nos 495 km apurados pelo estudo que está anexado ao Plano Diretor Cicloviário de 2009.

Hoje, segundo o ciclista, “o pessoal só não anda porque tem medo de ser atropelado”. Uma pesquisa, realizada pela consultoria Logit em 2006 e presente no Resumo Executivo do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre, aponta os fatores que atrapalham o uso da bicicleta. Medo de acidentes e falta de lugar seguro para deixar a bicicleta, os dois fatores sobre os quais o poder público pode atuar, somam 54% e encabeçam a lista, seguidos por medo de assalto, relevo, clima e tempo de viagem elevado. Os dados reforçam a tese de que o número de bicicletas nas ruas só vai aumentar mesmo quando o ciclista se sentir respeitado, o que acontece quando a bicicleta está presente no trânsito. “(O motorista) começa a ver o ciclista, né. Aí o neto dele começa a andar, o filho, o tio, o primo, e aí tu começa a respeitar. É que nem eu digo, meus pais dificilmente vão atropelar um ciclista, a não ser que seja um descuido, até do próprio ciclista, mas eles quando olham um ciclista eles me veem ali.” Para quebrar o círculo, é preciso investimento.

Bicicleta não é prioridade em Porto Alegre

“A magrela é um estilo de vida”

Um ano e 25 dias em cima de uma bicicleta, percorrendo 150 a 170 km por dia, sozinho. Miguel Lawisch estava empolgado contando sua história para quem quisesse ouvir durante o Fórum Mundial da Bicicleta, que terminou hoje, domingo (26), em Porto Alegre. Já faz 20 anos que o ciclista de Santa Cruz do Sul percorreu os 18.250 km até Los Angeles, nos Estados Unidos. Aos 46 anos, mostra-se nostálgico e saudoso de um tempo “romântico”: “naquela época a gente não tinha muita estrutura, mas podia dormir em posto de gasolina, na rua. Hoje não dá”.

Lawisch nunca mais fez uma viagem longa como aquela em cima da magrela, “mas é meu meio de transporte até hoje”, afirma, orgulhoso de nunca ter tido carro nem moto. Falta patrocínio para embarcar mais uma vez, segundo ele. Afinal, uma viagem como essa pode não requerer muito investimento, mas significa mais de um ano sem fonte de renda. Durante os 390 dias no caminho até os Estados Unidos, ganhava dois salários da empresa Expresso Mercúrio. “Depois o filho do dono foi fazer kart e aí eu não consegui mais patrocínio deles, o que é natural. Mas hoje os interesses mudaram e está mais difícil conseguir apoio. Era uma época romântica”, repete. O espírito explorador não morreu, mas teve que se acalmar um pouco.

Fui apresentada a Lawisch por José Carlos Zanona, que, apesar da admiração pelo ciclista de Santa Cruz do Sul, também não faz feio. Ele aprendeu a pedalar com o filho e, desde então já foi até Montevidéu e começou a participar de competições de ciclismo, o que faz até hoje. Isso aos 62 anos. “A magrela é estilo de vida”, resume.

Esse amor pela bicicleta, aliás, parecia ser o motor de todos os que frequentaram a Usina do Gasômetro nos últimos quatro dias. Impressiona a vontade com que falam de suas magrelas, que acabam se transformando de apenas um meio de transporte mais ecológico e saudável em uma verdadeira paixão. É por isso que o atropelamento coletivo de um ano atrás, quando um motorista passou por cima de dezenas de ciclistas durante uma Massa Crítica – pedalaço que acontece uma vez por mês em diversas cidades do mundo, inclusive Porto Alegre –, provocou tanta comoção. Os ciclistas se identificam com o outro e têm um espírito de comunidade que não se vê em muitos lugares hoje em dia.

Um objeto símbolo de solidariedade

Para que o dia não fosse lembrado só com tristeza ao completar um ano, foi organizado o Fórum Mundial da Bicicleta, com o objetivo de ser propositivo.

“A ideia nasceu quando a gente fez uma reunião depois que rolou um convite no blog Vá de Bici pra discutir o que a gente faria quando fechasse um ano do atropelamento. E daí surgiu a ideia de fazer um fórum, fazer uma coisa propositiva”, conta Marcelo Sgarbossa, um dos organizadores e idealizador do fórum e ativista dos direitos humanos, além de pré-candidato a vereador da capital. Do pessoal que estava lá, cada um assumiu alguma parte da organização, de acordo com o que sabia fazer melhor. “Em 40 dias foi feito o Fórum.” E ele foi construído só com a colaboração através da rede, com o Projeto Catarse, que arrecadou R$ 6.051,00 de forma espontânea, e doações de bicicletas e assessórios que foram rifados durante o evento.

Foram quatro dias de muita atividade na Usina do Gasômetro, e com muita gente. Na metade da tarde de sábado, mais de 500 pessoas já tinham assinado o livro de presença, que ficava ali num canto e não era visto por todo o mundo. E, claro, Massa Crítica na sexta-feira, como de praxe. Só que dessa vez com cerca de 2 mil pessoas, segundo estimativa da EPTC. “Tinha um mar de bicicletas. Tinha muita gente de fora, por causa do Fórum, mas a Massa Crítica já tem reunido em torno de 500 pessoas por edição. A pessoa que vem uma vez não deixa mais de vir. A não ser que ela caia, fique traumatizada…”. Sgarbossa ria da minha cara e do meu joelho, esfolado depois do pedalaço de sexta.

Falando sério de novo, contou que o objetivo do Fórum é “discutir a bicicleta nas suas mais variadas dimensões, porque a bicicleta na verdade é só um símbolo. A bicicleta significa solidariedade, encontro com as pessoas, novo olhar da cidade”. Como exemplo de ativismo, cita a ocupação dos espaços públicos, como o Largo Glênio Peres, para impedir que ele fosse ocupado por carros.

A bicicleta não é nem só meio de transporte nem só paixão. A bicicleta, em debate no primeiro fórum mundial dedicado a ela, é ativismo e participação. Representa uma forma de radicalização do conceito de democracia, com um movimento livre e aberto que se organiza apenas através de ideias em comum e consegue, sem presidente nem estatuto, pressionar o poder público e a sociedade.

Foto da Massa Crítica: Ramiro Furquim/Sul21
Fotos do Fórum Mundial da Bicicleta: Cristina Rodrigues

“A magrela é um estilo de vida”

Ousadia e vanguarda, mas não pra todo o mundo

Continuação do post anterior

Da primeira vez que vim para Londres, em 2007, ainda era possível entrar por qualquer porta do ônibus e só encostar o cartão em algum dos leitores. Hoje, o fluxo é da frente para trás, aumentando o controle sobre as tentativas de driblar o motorista e andar de graça. Para quem for pego fazendo isso, a multa é salgadinha. Sinal dos tempos de crise, mais desemprego, mais desigualdade. Os ônibus não têm cobrador – o que poderia muito bem baratear o preço –, até porque não podem ser pagos em dinheiro, só com tickets ou o cartão que é o principal passaporte para o transporte na cidade. O Oyster Card funciona em praticamente qualquer tipo de transporte dentro de Londres. Ele pode ser carregado com um valor a ser descontado a cada uso ou com passes diários, semanais ou mensais.

Não admira que a tentativa de andar de graça tenha obrigado a administração a aumentar o controle. O transporte é caro e pode ser bem cruel com quem ganha menos ou está desempregado. E convenhamos que esse não é um problema a ser desconsiderado, afinal, Londres é a capital do país famoso pelo seu sistema classista e pela sua desigualdade. Burlar a cobrança do transporte, então, é uma questão de necessidade, em alguns casos. Especialmente porque – e isso dá a impressão de ser feito por pura sacanagem – quanto mais longe se mora do centro, mais caro é o transporte. O passe só de ônibus dá direito a todas as zonas pelo mesmo preço, mas o que inclui metrô tem preço menor quando é só para andar pelas zonas 1 e 2 e vai aumentando gradativamente. A conclusão óbvia é que, mais uma vez, os mais pobres são os que se dão mal, já que moram mais longe. Ou porque perdem muito mais tempo andando de ônibus, que é bem mais barato, ou porque têm que pagar muito mais para ir para sua zona. E estudante aqui tem 30% de desconto no transporte, não 50%, como no Brasil.

Um dos motivos por eu só ter andado de táxi quando estava com malas realmente incarregáveis é o fato de não depender deles a nenhuma hora do dia. O metrô fecha logo depois da meia-noite, mas Londres tem ônibus 24 horas a cada 20 ou 30 minutos (e em alguns casos até menos). Não são todas as linhas, mas as opções são bem grandes. Uma cidade desse tamanho e com tanta vida não podia não ter um sistema noturno realmente eficiente, ainda que eu ache que Londres merece também linhas noturnas de metrô (mas isso é assunto para o post sobre o underground).

Sobre duas rodas

O que é estranho é que não se veem muitas motos por aqui. Em compensação, bicicleta é meio de transporte para muita gente. O mais legal é que os motoristas respeitam. Em muitos lugares, não tem ciclovia, até porque as ruas podem ser consideravelmente estreitas. Mas os ciclistas não se deixam acuar e seguem pelo seu caminho, seja ele onde for. Muitas vezes andam mais devagar que os carros, e falta espaço para passarem ambos ao mesmo tempo. É comum, então, vermos motoristas diminuírem a velocidade e andarem pacientemente atrás da bicicleta até que tenham uma oportunidade de ultrapassar. O mesmo acontece com os ônibus, já que os ciclistas também usam a faixa destinada ao transporte público.

Para quem não tem a sua própria, é possível também alugar bicicletas na rua, a qualquer hora. Tem decks em diversos lugares pelo centro, até partes da zona 2, e é só retirar uma onde for mais perto e devolver no destino. E elas até são boas, apesar de um pouco pesadas. Mas de novo, podia ser mais barato. Pra de vez em quando, tudo bem, nem se sente. Mas se quiser usar com frequência o preço compete com o do ônibus. A vantagem é que, com esse meio de transporte, se a distância for média, é mais rápido do que ir de ônibus ou táxi, que ficam presos no trânsito. E mais interessante e barato do que de metrô (e às vezes também mais rápido). Além de mais ecológico e saudável, claro.

Para os mais sofisticados…

Pretos, rechonchudinhos e elegantes, os táxis são sinônimo de sofisticação. Pra ser sincera, nunca andei em um, mas a quantidade deles pelas ruas é estarrecedora. E depois têm os minicabs, os táxis que não parecem táxis e só podem ser pegos quando reservados por telefone ou internet, dando origem e destino antes da viagem, o que faz com que o cliente já embarque sabendo quanto vai pagar. Não sei se isso já existe no Brasil, mas outro dia reservei um por um aplicativo para Android no celular. Tá, ele chegou bem atrasado, mas me mandaram uns quantos e-mails e me ligaram (o motorista e a companhia) a cada minuto para me avisar que o trânsito estava horrível e me avisar em quanto tempo chegaria.

O lado “errado”

Por fim, não poderia faltar um dos maiores charmes do Reino Unido: a mão invertida das ruas. O visitante literalmente de primeira viagem não precisa se preocupar (muito) porque em todas as sinaleiras há um aviso de pra que lado da rua se deve olhar. Claro que em algum momento ele vai esquecer e ser xingado por algum dos não muito corteses motoristas ingleses. E pode ficar tranquilo que, se não tiver sinaleira, mas tiver faixa de pedestres, mesmo o mais mal-educado dos motoristas para.

(Porque toda aquela tradição de educação em excesso não se aplica ao trânsito, onde não é totalmente incomum ver gente saindo do carro para discutir com o motorista de trás.)

O interessante é que o fluxo de ir pela esquerda e voltar pela direita às vezes funciona também nas calçadas, com os pedestres. Dentro do metrô, é regra, e chega a ser engraçado. Mesmo em momentos de maior tumulto, quando o fluxo de que vem é muito grande, sempre se deixa um espaço para o sentido inverso. Sem cordas ou ninguém controlando, quem vai tem seu espaço garantido e não invadido pela montoeira de gente que vem. Em resumo, um senso de ordem que está no sangue britânico (e que, convenhamos, nem sempre pode ser considerado um elogio) e que resiste em muitos aspectos mesmo com toda a mistura de línguas e culturas da capital da diversidade.

Ousadia e vanguarda, mas não pra todo o mundo

Festival Intergaláctico da Bicicleta

Programação

Sexta- feira, 24/06

18h15 – Concentração para a Massa Crítica Intergaláctica no Largo Zumbi dos Palmares
19h – Início da Massa Crítica Intergaláctica
??h – Confraternização pós-massa crítica ao término do passeio.
Premiação da melhor fantasia e melhor bicicleta decorada.
Comida vegana com Vida Vegan: pão com chilli e chá gelado a preços módicos.

Sabado, 25/06

10h – Abertura.
Dia todo: Projeto Bicicletada Jardinaria – Jardinagem comunitária na Casa (traga suas mudas!).
Feira do Desapego – desapegue-se!
12h – Almoço Vida Vegan – Espetinho de Soja.
Abertura da Barraquinha de sanduiches Até o Talo.
14h30 – Oficina Comunitária: Mecânica Básica para Bicicletas.
17h – Banda Sonários.
18h – Bate-papo sobre Cicloturismo com Klaus Volkmann.
20h – Banda Rocartê.
21h –  Festa Junina – Piquenique Comunitário com fogueira gigante (Tragam comidas típicas vegans!)

Domingo, 26/06

10h – Abertura
Dia todo: Feira do Desapego
Projeto Bicicletada Jardinaria – Jardinagem comunitária na Casa (traga suas mudas!).
12h – Almoço Vida Vegan – Almoço Recicle Sem Preço
Abertura da Barraquinha de sanduiches Até o Talo
14h – Oficina de Serigrafia com Isadora Brandelli e Naíla Sarkar – trazer tela e desenhos.
15h30 – Oficina de Comunicação Não-Violenta com Pedro Lunaris
17:30 – Banda Trio Vladimir
19h – Bate-papo Pedalando na Cidade com Segurança com os BiciAnjos
20h – Banda Electric Mind

Festival Intergaláctico da Bicicleta

Audiência pública sobre bicicletas em Porto Alegre

A Câmara Municipal de Porto Alegre realizará, às 18h30min desta quinta-feira (7/4), no Plenário Otávio Rocha da Câmara (Avenida Loureiro da Silva, 255), audiência pública para avaliar a circulação de bicicletas na cidade.

Proposto pela Mesa Diretora do Legislativo, o evento foi agendado depois do episódio ocorrido no bairro Cidade Baixa em fevereiro, quando um motorista atropelou diversos ciclistas que participavam de um ato público. A audiência também faz parte da programação da Casa Legislativa Direito à Cidade: Direito de Todos – Transformando Leis em Direitos.

Audiência pública sobre bicicletas em Porto Alegre

Um mês do atropelamento da Massa Crítica

Hoje faz um mês que um louco inconsequente atropelou um grupo de ciclistas em Porto Alegre. Nesta última sexta-feira de março, a Massa Crítica foi às ruas de novo, cumprindo o ritual mensal e como uma forma de marcar posição e dizer que os ciclistas ainda querem e merecem respeito e espaço.

De forma totalmente involuntária, o motorista acabou chamando a atenção da sociedade – o atropelamento foi notícia até no exterior – para os problemas de trânsito de Porto Alegre e as dificuldades enfrentadas pelos ciclistas.

Coincidentemente, passei hoje pela porta do Mercado Público enquanto era instalado o bicicletário no local. É uma coincidência interessante, já que esse é mais um resultado da manifestação social ligada ao mesmo grupo de ciclistas. Ao terem suas bicicletas acorrentadas no Largo Glênio Peres, ciclistas – também participantes da Massa Crítica – iniciaram uma movimentação pela rede e garantiram o retorno da Prefeitura. O próprio secretário da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre, Valter Nagelstein, respondeu no blog da Massa Crítica e se comprometeu com a ação executada hoje.

Mais do que uma luta por mais saúde, por mais respeito ao meio ambiente, por uma consciência social maior e por respeito aos outros cidadãos, os acontecimentos recentes envolvendo a Massa Crítica comprovam que a mobilização popular pode trazer resultados práticos concretos. Podem inclusive servir de exemplo para outras causas de interesse social.

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Hoje também é o Dia Internacional do Direito à Cidade. Infelizmente não pude participar, mas ressalto a importante iniciativa dos nossos nobres deputados de realizar uma audiência pública sobre os impactos da Copa de 2014 em Porto Alegre.

Um mês do atropelamento da Massa Crítica