O verão de Porto Alegre

Hoje o dia foi fresquinho. À meia noite e onze fazia 27ºC. Me achei no paraíso.

O verão de Porto Alegre

Azar pouco é bobagem

Como os meus poucos leitores já sabem, me formei jornalista no domingo que passou. O que o mundo já sabe é que foi a semana mais quente do século em Porto Alegre, que, por um dia, foi o lugar mais quente do planeta. A maioria também já tem conhecimento do fato que vou narrar, mas vamos a ele.

Era domingo. Na escolha da data da colação, que acontece por sorteio, alguns meses atrás, estávamos todos de blusas de lã. Lembro ainda que fui à reunião em que a comissão nos informaria do dia e do horário em que nos formaríamos com o meu casaco mais grosso e de manta. Naquele dia, pensei: “putz, se não bastasse ser num domingo, por si só um dia ruim pra eventos, ainda no meio da tarde no verão senegalês porto-alegrense”. Mas tá, me acostumei à ideia e a raiva inicial pelo azar passou. No fim, achei que o horário não era tão ruim assim, já que era domingo, a cerimônia seria longa e assim eu teria mais tempo para ficar com meus convidados na minha recepção.

O tempo passou. Chegou janeiro e outra questão passou a preocupar. Onde diabos arrumar cabelo e fazer maquiagem? Sim, completamente fútil, mas e daí? A questão foi resolvida por uma colega que arrumou um salão que topou abrir especialmente para nós. Ainda assim, ficou o medo de chegar atrasada, porque ela avisou que eles estavam super atucanados com a quantidade de formandas pra se arrumar. Mas não consegui outra opção, fui, cheguei antes do meu horário, fui atendida pontualmente, fiz cabelo, a maquiagem foi tri enrolada, mas ficou bacana, tudo certo. Até que alguém comentou: “parece que o ar do salão de atos não funcionou muito bem na formatura de ontem”.

É isso aí, caros leitores, o ar condicionado estragou. Lembram agora do que eu falei no início? Foi a semana mais quente do século em Porto Alegre. Eu e outros 62 formandos estávamos de toga – e isso inclui aquela roupa preta, mais uma espécie de capa por cima e um babado branco apertando meu pescoço, além do chapéu, que nem pra abanar servia – debaixo de muitas luzes. Eu sabia que luzes esquentavam, mas nunca na minha vida imaginaria que era tanto. Aliás, nunca vi tantos formandos levantarem e irem tomar um ar no meio da sua própria formatura. Inclusive eu, diga-se de passagem. Não é brincadeira, devia estar uns 50ºC ali dentro.

Já sei que a produtora se esforçou pra resolver o problema, ou pelo menos amenizá-lo, e não conseguiu. Dizem que a UFRGS também fez isso. Mas fica difícil de acreditar, considerando que o ar continua estragado e outras formaturas já foram realizadas na mesma situação. Meus colegas formandos pensam em enviar carta de protesto, avisar os jornais, abrir um processo, fazer um escândalo, tirar a roupa, dançar pelado – bem estilo Woodstock, tema da formatura -, mas é muita gente e a coisa está se enrolando.

Então, se não acontecer nada, deixo aqui um tímido mas registrado protesto. Estudei de graça, sim. E agradeço muito a sociedade brasileira por ter custeado a minha faculdade. Mas é um absurdo e uma falta de respeito o que a UFRGS fez comigo, meus colegas e meus convidados. Na formatura de sábado, soube de gente que passou mal. Eu tenho pressão baixa e quase passei também. Tive que ir em casa tomar banho antes da recepção. Tá, ninguém morreu, mas deu uma ligeira estragada na festa de muita gente.

No fim das contas, a recepção foi ótima, curti pacas e fiquei super feliz. Mas que a UFRGS me fudeu de início ao fim, ah, isso sim. Comecei pelo vestibular, com sensação térmica de 42ºC. Em seguida, o trote. Depois, o trote que sofri a cada professor que conheci – não todos, mas a maioria -, muito pior que aquele com tinta. Por fim, essa formatura com ar estragado. E eu que tinha ficado feliz que no vestibular desse ano – que fiz para Relações Internacionais mas não passei – estava fresquinho…

Azar pouco é bobagem

Calor? Capaz!

Eu nem ia postar mais nada hoje, mas é imperativo.

Segundo o Correio do Povo, Porto Alegre foi o ponto mais quente do planeta hoje. DO MUNDO!

Não fazia calor desde 1910. Isso porque foi nesse ano que começaram a medir, o que me leva a crer que foi o dia mais quente da história, ou pelo menos de séculos.

E dos pontos medidos, o mais quente foi o bairro Menino Deus. Eu moro no Menino Deus!

Chegou a 41,3º.

Calor? Capaz!

Algumas coisas que transformam meu dia para melhor

– Sol ao abrir a janela de manhã;

– Calor ao sair para a rua, ao deitar, ao levantar, ao vestir;

– Pegar um vestido na hora de escolher a roupa;

– Horário de verão;

– O fim da tarde no horário de verão – não existe período tão bom quanto o fim da tarde durante os meses quentes do ano;

– Clima de Feira do Livro em Porto Alegre – mais do que os livros, o clima mesmo, as pessoas circulando no Centro, em dias de sol, as tardes longas;

– Não ter nada para resolver imediatamente (o que quer dizer ter acabado os capítulos da monografia antes da reunião com a orientadora).

Algumas coisas que transformam meu dia para melhor