Lula e seu projeto de capitalismo solidário

Comentei rapidamente aqui que um partido tem que ser capaz de mudar com o tempo. Se não muda, é porque não acompanha as mudanças da sociedade. Sendo assim, fica estagnado. Torna-se conservador, ou pelo menos ultrapassado, ainda que revolucionário. Suas ideias perdem aplicabilidade e, muitas vezes, sentido.

Na capitalização da Petrobras, me bateu forte o fim da fala de Lula, comemorando “a maior capitalização da história do capitalismo”.

No fim da Idade Média, o capitalismo surgiu. Demorou alguns séculos e veio de formas diferentes nos diversos lugares. Mas ninguém o criou, ele aconteceu, dadas as transformações sociais.

As tentativas de implantar o comunismo ou o socialismo de forma mais radical falharam. Ou se acabaram, se consumiram – URSS -, ou se transformaram em um capitalismo ferrenho mas totalitário – Coréia, China. Ou se diz socialista, mas trata-se de um capitalismo mais solidário, que é como vejo a Venezuela, por exemplo.

Pois o que Lula assumiu para seu governo, desde o princípio, foi não fazer oposição ao capitalismo, mas fazer com que a população viva melhor dentro do sistema que temos. É uma mudança de discurso, de forma de fazer política, bem significativa.

Ainda no início do governo, Delfim Netto fez uma análise econômica em que dizia que Lula ajudava a salvar o capitalismo. Na época a análise doeu, mas concordei. Hoje vejo que a tentativa de fazer do Brasil um país socialista de forma rápida e radical fracassaria. O novo sistema não se sustentaria, não teríamos uma vida melhor para a população.

Sim, Lula é capitalista. Mas acho possível que seu governo contribua para tornar o capitalismo menos agressivo e, com o tempo – muito tempo -, ir diminuindo sua força e transformando a sociedade em alguma outra coisa diferente. Alguma coisa nova, que surja espontaneamente, a partir das transformações sociais.

O importante é adquirir força política para implementar as melhorias que podem levar a esse surgimento. Por enquanto, adaptemo-nos às condições que temos, e oportunizemos justiça, igualdade, solidariedade dentro do capitalismo. Se todos viverem bem e tiverem condições iguais, não importa em que sistema estejamos. Mas desconfio que, se um dia tivermos de fato essa igualdade, já teremos outro nome para definir o sistema econômico, político e social.

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