Não-jornalismo a favor de Manuela, adivinha onde

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Qual é a intenção dessa nota “Dois corações”, da Carolina Bahia, na Zero Hora desta quarta-feira? Que sentido tem uma nota que não informa, que o leitor termina de ler se perguntando o que, quem, quando, onde, como? Ou seja, uma nota que não responde nenhuma das perguntas básicas que são a razão de existência do jornalista. Onde já se viu o leitor terminar de ler uma coisa que deveria ser jornalística curioso pela informação que a jornalista sugere mas que não está ali? Já vi fonte em off, mas a informação toda ser um grande off não é informação.

Vale pensar no que está por trás de passar pro leitor algumas frases sem conteúdo, apenas com insinuações. O que há de concreto ali é que, segundo Carolina Bahia, algum figurão do PT não apoia Adão Villaverde, o candidato do PT à Prefeitura de Porto Alegre, mas Manuela, do PCdoB. Por que se deduziu que ele apoia Manuela também não está dito, já que teoricamente a fonte da informação é a negação do tal ministro de gravar um vídeo de apoio a Villa, ou seja, poderia preferir qualquer outro candidato de qualquer outro partido ou simplesmente ser de outra tendência interna, ser personalista, não gostar do Villa. Enfim, trocentas possibilidades. Mas a não-informação foi construída convenientemente a favor de Manuela. Nada está claro ali, nada ali informa. Resta saber onde ficou o jornalismo.

Não-jornalismo a favor de Manuela, adivinha onde

Por que privatização ainda é pauta de debate eleitoral

Acho engraçado que a imprensa reclama do debate sobre privatização da mesma forma que reclama do debate sobre aborto. Como se fossem a mesma coisa. Eles dizem que o tema é velho, “caduco”, como comentou Carolina Bahia na Zero Hora de hoje, e já não faz mais sentido. Reclamam porque não querem que o assunto volte à baila, porque prejudica Serra. Sobre o aborto, parece que nunca tiveram nada a ver com isso. Criticam o espaço do tema na campanha sem dizer que foram os principais incentivadores para que se centrasse a discussão em tamanha bobagem (bobagem porque não convém para uma campanha eleitoral e porque foi feito atravessado).

Aí leio a Carolina Bahia na Zero Hora e vejo que não devemos discutir privatização porque é “uma discussão que, na prática, não existe mais. O impasse veio à tona de forma artificial durante este segundo turno somente para marcar uma antiga disputa ideológica entre PT e PSDB. Grandes empresas públicas, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, assumiram papéis tão estratégicos, que seria loucura colocá-las à venda”.

Em primeiro lugar, não confio na sanidade de Serra. Em segundo lugar, me paarece que é justamente por isso que temos que discutir. É preciso mostrar para quem quiser ver que nossas empresas nacionais continuam nossas e cada vez mais fortes porque houve uma política para isso. Porque houve interesse para que isso acontecesse.

Essas empresas não eram fortes antes porque não interessava fortalecê-las a quem tinha interesse de vendê-las. Se hoje elas são o que são é justamente porque houve uma mudança na política econômica brasileira, porque o projeto visa o desenvolvimento de um país soberano e forte, que “não fala fino com Washington nem fala grosso com Bolívia e Paraguai”, como disse o grande Chico Buarque. E isso é fundamental para se entender a diferença entre PT e PSDB.

Privatização pode não ser mais tema de debate eleitoral porque não corremos mais tantos riscos de que elas voltem a acontecer (embora eu não tenha muita certeza disso). Mas privatização é tema justamente por não sê-lo, para explicar por que ela já está fora de pauta, por que hoje parece ridículo que se pense em vender a Petrobras. Para mostrar por que as empresas brasileiras agora são fortes. Para ilustrar a diferença entre dois projetos.

Por que privatização ainda é pauta de debate eleitoral