Richard Sennett: Por uma esquerda confiável

Da Carta maior:

Uma leitura sobre o sentido moral em que ser de esquerda pode determinar o modo como se vive em sociedade. E a via para recasar o aspecto social com as concepções programáticas de partidos políticos cujas bases são da esquerda. Nos EUA, na Europa e em todo o mundo, sempre. Richard Sennett, escritor, sociólogo, pesquisador e professor da Universidade de Nova York retoma a defesa do cultivo da solidariedade como conceito político da esquerda, segundo o qual agir em conjunto seria e deve ser um fim em si mesmo. Para uma esquerda confiável, capaz de resistir e enfrentar a “Besta”.

Richard Sennett (*)

Quando o sistema financeiro colapsou em 2008, eu pensei que tinha chegado a nossa hora. As ruas ficariam cheias de gente protestando contra a Besta Capitalista; o governo iria se mover para a esquerda, em resposta; as pessoas iriam repensar como queriam viver. Ainda assim, embora tenha havido tantos protestos no Wisconsin e, no exterior, na Espanha e na Grécia, muitos eleitores ainda vão se mover para a direita; o antigo regime financeiro foi restaurado. De certa forma isso não é surpreendente. Quando as coisas dão errado, as pessoas tanto querem mudar como aderir, por comodidade, ao que é familiar. Mas a esquerda não tem conseguido nem nos EUA nem em toda a Europa tornar-se uma voz confiável de reforma.

À medida que controla tanto o dinheiro como a mídia, a Besta pode, é claro, proteger-se. Nessa crise, os autores da Grande Recessão conseguiram se safar, ao culparem algumas pessoas em particular, ou políticos, em vez de admitir falhas estruturais no sistema. As classes dominantes não vencem invariavelmente: pelo Norte da África e no Oriente Médio, os oprimidos estão se levantando contra seus tiranos bizarros. Nem, mais perto de casa, seria correto culpar a letargia das massas; as pessoas são cheias de energia política, mesmo que contra imigrantes e estrangeiros.

O fato indigesto é que a esquerda incendiária cada vez importa menos no modo como as pessoas pensam a respeito de como viver junto. E se isso é há muito verdade nos Estados Unidos, onde a esquerda só ocupou uma pequena parte do discurso público, a decadência da esquerda agora marca o velho lar da Europa Ocidental, como na Suécia ou na Grã Bretanha. A palavra “progressista” parece não ser outra coisa que o despertar da “social democracia”. Embora Think tanks abundem nos EUA e na Europa e produzam propostas razoáveis e válidas de justiça social, as bizarrices da política parecem induzir um olhar fixo de indiferença dentre o grande público.

Como um sujeito de esquerda de velha geração, eu me preocupo com tudo isso. Seria lamentável que o futuro consistisse apenas em diferentes sombras de capitalismo. Dentre as anotações médicas e fúnebres, eu me perguntaria como a esquerda no poder se apequenou. Este é um problema, cheguei a pensar, mais social que ideológico, no fundo.

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Richard Sennett: Por uma esquerda confiável

“Precisamos de um discurso de esquerda alternativo”

Por Saul Leblon, na Carta Maior

Carta Maior conversou com o filósofo Vladimir Safatle, professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais instigantes analistas da cena política atual. Dotado de uma radicalidade não imobilista, o pensamento de Safatle joga luz nova sobre temas difíceis em torno dos quais a polaridade do campo da esquerda brasileira (PT versus não-PT) em geral patina, anda em círculos e não avança. Nesta entrevista à Carta Maior, o filósofo fala sobre as explosões populares (no mundo árabe e na Europa), a partir das quais alguns inferem a suposta agonia dos partidos políticos e discute os limites e trunfos conquistados pela chegada do PT ao poder no Brasil.

O filósofo rejeita a idéia de mudar o mundo sem conquistar o poder e cobra espaço institucional para que a mídia possa de fato refletir a sociedade, por exemplo, com jornais, rádios e tevês para universidades e sindicatos. Intelectual comprometido em provar que as idéias pertencem ao mundo através da ação, Safatle vê limites na ascensão da classe C sem mudanças radicais na repartição da riqueza e convoca seus pares: “Precisamos de um discurso de esquerda alternativo que esteja em circulação no momento em que as possibilidades de ascensão social (da chamada classe C) baterem no teto”. Por fim aconselha Lula a transformar seu instituto numa ‘internacional Lulista’ –um instrumento que ajude a esquerda latinoamericana a chegar ao poder. Leia a seguir a entrevista concedida por email:

Carta Maior – O longo descrédito com os políticos e suas siglas parece ter inspirado uma sentença cada vez mais freqüente no debate: a de que a forma partido está esgotada . Ao mesmo tempo, esse diagnóstico parece embutir um desejo conservador – que não é novo – de desqualificar a representação do conflito social. O que existe de esgotamento e o que existe de vontade de antecipar o funeral de um adversário incômodo?

Vladimir Safatle – Diria que temos um desafio de novo tipo. Primeiro, é certo que uma geracao de partidos de esquerda se esgotou exatamente por não dar conta da representacão do conflito social. Há uma camada de conflitos sociais que é simplesmente sub-representada ou invisível no interior da “forma partido”. No exterior, o exemplo maior disto é a expoliacão econômica de imigrantes: pessoas sem voz no interior da dinâmica partidária. No Brasil, temos um embate em torno da dita nova classe média ao mesmo tempo que encontramos uma sub-representacão de conflitos próprias à “velha classe pobre”. As revoltas dos trabalhadores em Jirau é um bom exemplo. Nenhum partido vocaliza tais revoltas.

CM – Há uma variante desse diagnóstico, à esquerda. Ela se apóia em evidências, como as recentes manifestações de rua no mundo árabe e na Europa, supostamente convocadas e coordenadas via facebook. Aqui parece haver um ludismo com sinal trocado na medida em que se dá à tecnologia tratos de um fetiche. Tudo se passa como se “a tecnologia partidos” tivesse se esgotado. E uma nova ferramenta, agora em versão mais potente, viesse a sucedê-los com vantagens. Entre elas a ausência de intermediários e de corrupção. Mistificação ou novo espaço público?

VS – É verdade, há muito de mistificacão nesta maneira de anunciar a internet como a esperanca redentora da política. O que ela fez foi, em larga medida, permitir o desenvolvimento de uma militância virtual e intermitente. É mais fácil fazer militância hoje, já que você pode operar da sua casa através de redes de contra-informacão.

No entanto, insistiria que há uma tendência de mobilizacão social que tem pêgo os partidos a contra-pelo. Falta uma nova geracão de partidos capaz de dar forca institucional a tais mobilizacões. Este partidos talvez não funcionarão de maneira “tradicional”, mas como uma frente, uma federacão de pequenos grupos que se organizam para certas disputas eleitorais e depois se dissolvem. É difícil ainda saber o que virá. Certo é apenas o fato de que os movimentos políticos mais importantes (revoltas na Grécia, Espanha, Portugal) parecem ser feitos atualmente à despeito dos partidos. O que limita seus resultados. Não creio que podemos “mudar o mundo sem conquistar o poder”. Quem gosta de ouvir isto são aqueles que continuam no poder. Para conquistar o poder, temos que vencer embates eleitorais.

CM – O debate sobre a irrelevância dos partidos convive com a realidade de um torniquete menos debatido: a captura da vida democrática pela supremacia das finanças. Ao normatizar o que pode e o que não pode ser objeto de conflito e de escrutínio, a hegemonia das finanças não teria engessado a própria democracia representativa? E assim contaminado todos os seus protagonistas com a sombra da irrelevância?

VS – Certamente. Este é um dos limites da democracia parlamentar. Não há como escaparmos disto no interior da democracia parlamentar. Só se contrapõe ao domínio do mundo financeiro através de um aprofundamento da democracia plebicitária, como a Islândia demonstrou ao colocar em plebiscito o auxílio estatal a um banco falido. Devemos simplesmente deslocar questões econômicas desta natureza para fora da democracia parlamentar. Um Estado não pode emprestar bilhões para massa financeira falida sem uma manifestação direta daqueles que pagarão a conta. O problema é que vivemos em uma fase do capitalismo de espoliação.

CM – A mídia é muitas vezes apontada como a caixa de ressonância dessa subordinação do conflito aos limites da finança. Nesse sentido a sua regulação não seria tão ou mais importante que o financiamento público de campanha?

VS – Acho que a sociedade ocidental (e não apenas a brasileira) precisa, de fato, encarar a defasagem das leis a respeito da regulação econômica da mídia. Trata-se de um dos mercados mais oligopolizados e concentrados do planeta, o que está longe de ser algo bom para a democracia. Seria importante que houvesse um sistema que facilitasse a entrada de novos atores no campo midiático. Não consigo admitir, por exemplo, que universidades públicas, sindicatos e associacões tenham tão pouca presença em rádios, televisões e jornais.

CM – O PT no Brasil condensa todos esses impasses ao personificar, na opinião de alguns, uma trágica verdade: o preço do poder é a necrose da identidade mudancista. Isso é fatal? Ou dito de outro modo:um partido depois de passar pelo poder ainda pode suprir o anseio de mudança da sociedade?

VS – Ele pode suprir tais anseios, mas desde que esteja realmente disposto a avancar nos processos de modernização política e criatividade institucional, o que não creio ter sido o caso do PT. Há um profundo déficit de participacão popular nos governos do PT. Claro que se olharmos para a direita brasileira (PSDB e seus aliados) a situacão é infinitamente pior. Mas o PT, neste ponto, tem nos obrigado a votar fazendo o cálculo do mal menor. Ele tirou da sua pauta o aprofundamento de mecanismos de participação popular. O resultado será um embotamento político que pode se voltar contra a própria esquerda.

CM – Algumas avaliações dizem que o governo Lula foi em parte a causa desse entorpecimento petista. Outros sugerem que o próprio Lula foi refém de uma energia política insuficiente para promover um projeto de mudança mais profundo na sociedade. Que ponto da régua estaria mais próximo da realidade em sua opinião?

VS – Creio que Lula foi bem sucedido em ser uma espécie de Mata Hari do capitalismo global. Ele soube jogar em dois tabuleiros, um pouco como Getúlio Vargas. Sua política foi bipolar. Por exemplo, enquanto recebia George Bush falando que era seu maior aliado, seu partido fazia manifestacões contra a vinda do próprio George Bush. O resultado final deste processo foi criar um sistema muito parecido àquele deixado por Vargas. O PT é, hoje, herdeiro direto do PTB. O PMDB parece uma espécie de PSD sem uma figura carismática como Juscelino e a oposicão esmera-se no seu figurino UDN. Bem, é triste perceber que, quando o Brasil comeca a andar, ele sempre volta ao mesmo ponto de estabilidade política. Parece que nunca conseguimos ultrapassar este mecanismo bipolar.

CM – O Governo Dilma será a culminância dessa acomodação histórica? Ou a crise mundial pode destravar o processo e inaugurar um novo ciclo, na medida em que impõe escolhas duras entre desenvolvimentismo versus financeirização?

VS – Creio que o governo Dilma será um governo que usará a margem de manobra fornecida pelo crescimento econômico em uma era onde as economias dos países europeus (assim como os EUA) continuarão em crise. Neste sentido, nossa única esperanca concreta de mudanca virá quando a dita nova classe média perceber que ele só continuará seu ciclo de ascensão se não precisar gastar fortunas com educacão e saúde privadas. No entanto, a consolidação de um verdadeiro sistema público de educacão e saúde não será feito sem uma pesada taxação sobre a classe rica e um aumento considerável na tributacão da renda. Isto, em um país como o Brasil, tem o peso de uma revolucão armada. Vejam que engracado, vivemos em um país onde a implantação de um modelo tributário das sociais-democracias européias dos anos 50 equivaleria a uma ação política da mais profunda radicalidade. Não creio que o PT fará algo neste sentido. Mesmo a discussão a respeito de um imposto sobre grandes fortunas foi abandonada. Precisamos de um discurso de esquerda alternativo que esteja em circulacão no momento em que as possibilidades de ascensão social baterem no teto.

CM – O que seria uma agenda relevante para Lula e o seu Instituto numa conjuntura como essa de flacidez partidária e atritos duros entre desenvolvimento, igualdade e acomodação à crise?

VS – O melhor que seu Instituto poderia fazer é organizar uma espécie de Internacional lulista que ajude a esquerda a vencer em países da América Latina.

“Precisamos de um discurso de esquerda alternativo”

A verdade desnuda no Iraque

Por Robert Fisk, Pagina/12 e Carta Maior:

Como de costume, os árabes sabiam. Sabiam tudo das torturas em massa, do promíscuo assassinato de civis, do escandaloso uso do poderio aéreo contra casas de famílias, dos impiedosos mercenários estadunidenses e britânicos, dos cemitérios de mortos inocentes. Todo o Iraque o sabia. Porque eles eram as vítimas.

Só nós podíamos fingir que não sabíamos. Só nós no Ocidente podíamos rechaçar cada acusação, cada afirmação contra os estadunidenses ou britânicos, pondo algum digno general – vem à mente o porta-voz militar estadunidense Mark Kimmitt e o terrível chefe do estado maior conjunto Peter Pace – a nos rodear de mentiras. Se encontrássemos um homem que tinha sido torturado nos diziam que era propaganda terrorista, se descobríssemos uma casa cheia de crianças mortas num bombardeio aéreo norteamericano também era propaganda terrorista, ou “dano colateral”, ou uma simples frase: “não temos informação disso”.

Desde o começo sabíamos que sempre tinham. E o oceano de memorandos militares que se revelou este sábado voltou a demonstrá-lo. A Al Jazeera chegou a extremos para rastrear as famílias iraquianas cujos homens e mulheres foram assassinados em detenções estadunidenses – eu identifiquei uma porque a reportei em 2004, o veículo crivado de balas, os dois jornalistas mortos, até o nome do capitão local estadunidense – e foi o The Independent em edição dominical o primeiro a alertar ao mundo sobre as hordas de pistoleiros indisciplinados que eram levados a Bagdá para proteger diplomatas e generais. Esses mercenários, que abriram caminho assassinando, nas cidades do Iraque, insultaram-me quando eu lhes disse que estava escrevendo sobre eles, ainda em 2003.

É sempre tentador desacreditar uma história dizendo que “não há nada de novo”. A idéia da “velha história” é usada pelos governos para esfriar o interesse jornalísticos, pois serve para encobrir a inatividade jornalística. E é certo que os repórteres já viram antes algo assim. A “evidência” da participação iraniana na fabricação de bombas no sul do Iraque foi filtrada pelo Pentágono para Michael Gordon, do New York Times, em fevereiro de 2007. A matéria prima, que agora podemos ler é muito mais duvidosa que a versão gerada pelo Pentágono. Por todo o Iraque havia material militar da guerra Irã-Iraque de 1980-1988, e a maioria dos ataques contra os estadunidenses foram levados a cabo nesta etapa por insurgentes sunitas. Por certo os informes que sugerem que a Síria permitiu a travessia de insurgentes por seu território são corretos. Falei com famílias de terroristas suicidas palestinos cujos filhos chegaram ao Iraque a partir do Líbano, por meio da cidade libanesa de Majdal e depois pela cidade do norte da Síria, Aleppo, para atacar os estadunidenses.

No entanto, embora escrita em linguagem militar sucinta, aqui está a evidência da vergonha estadunidense. É um material que pode ser usado por advogados em juízo. Se 66.081 – me encantou este “81” – é a cifra mais alta disponível de civis mortos, então a cifra real é infinitamente mais alta, pois este registro só corresponde aos civis dos quais os estadunidenses tiveram informação. Alguns foram levados ao necrotério em Bagdá em minha presença e foi o oficial encarregado quem me disse que o Ministério da Saúde iraquiano havia proibido os médicos de praticar necropsias dos civis levados por soldados estadunidenses. Por que se deu essa ordem? Teria algo a ver com os 1300 informes independentes estadunidenses sobre tortura nos postos policiais iraquianos?

Eu, no entanto, suspeito que esta revelação massiva de material da guerra do Iraque tenha sérias implicações para jornalistas e exércitos. Por que diabos se envia equipes de repórteres para investigar crimes de guerra, reunindo-se com “gargantas profundas” militares se, em seguida, quase meio milhão de documentos secretos vão acabar flutuando numa tela de computador?

Ainda não chegamos ao fundo da história de Wikileaks e, melhor, suspeito que há ainda vários soldados estadunidenses implicados nessa última revelação. Quem sabe se não chega ao mais alto escalão? Em suas investigações, por exemplo, a Al Jazeera encontrou um extrato de uma coletiva de imprensa de rotina do Pentágono em novembro de 2005. Peter Pace, o nada inspirador chefe de estado maior conjunto, informa aos jornalistas como os soldados devem reagir ante o tratamento cruel de prisioneiros, assinalando com orgulho que o dever de um soldado estadunidense é intervir caso encontre evidência de tortura. Depois a câmera se move em direção da figura muito mais sinistra do secretário de Defesa Donald Rumsfeld, que de pronto interrompe quase num murmúrio, para a grande consternação de Pace: “Não acredito que você queira dizer que os soldados estejam obrigados a detê-la fisicamente. Seu dever é reportá-la”.

Desde então a significação deste comentário – cifradamente sádico a seu modo – perdeu-se nos jornais. Mas agora o memorando secreto Frago 242 traz muito mais luz sobre essa coletiva de imprensa. Enviada presumivelmente pelo general Ricardo Sánchez, a instrução aos soldados é: “Suposto que o informe inicial confirme que as forças estadunidenses não tiveram a ver com o abuso contra os detidos, não se realizará maior investigação, a menos que o alto comando o ordene”. Abu Ghraib ocorreu sob a supervisão de Sánchez no Iraque. Foi também Sánchez, por certo, quem não pôde explicar-me durante uma coletiva de imprensa por que seus homens mataram os filhos de Saddam Hussein em Mosul, em vez de capturá-los.

A mensagem de Sanchez, segundo parece, deve ter tido a aprovação de Rumsfeld. Do mesmo modo, o general David Petraeus – tão amado pelos jornalistas estadounidenses– foi supostamente responsável pelo dramático aumento nos ataques aéreos ao longo de dois anos: de 229 sobre o Iraque em 2006 para 1447 em 2007. Resulta interessante que os ataques aéreos dos Estados Unidos no Afeganistão tenham sido elevados em 172% desde que Petraeus assumiu o comando militar da região.

Tudo isso torna ainda mais assombroso que o Pentágono agora se escandalize porque a Wikileaks poderia ter sangue nas mãos. O Pentágono tem estado manchado de sangue desde que deixou cair uma bomba atômica sobre Hiroshima em 1945, e para uma instituição que ordenou a invasão ilegal em 2003 – por acaso a cifra de civis mortos não foi ali de 66 mil, segundo suas próprias contas, de uns 109 mil registrados? – torna-se ridículo afirmar que Wikileaks é culpada de homicídio.

A verdade, é claro, é que se este vasto tesouro de informes secretos tivesse demonstrado que a quantidade de mortos era muito menor do que a aquilo que a imprensa informava, que os soldados estadunidenses nunca toleraram a tortura por policiais iraquianos, que raras foram as vezes em que dispararam em civis detidos e sempre levaram os mercenários assassinos a juízo, os generais estadunidenses teriam entregue esses expedientes à imprensa sem peso algum nas escadarias do Pentágono. Não só estão furiosos porque se rompeu o segredo ou porque se tenha derramado sangue, mas também porque pegaram-lhes dizendo as mentiras que sempre souberam que diziam.

Tradução: Katarina Peixoto

A verdade desnuda no Iraque

PTB: oportunismo no Brasil inteiro

Comentei outro dia o fisiologismo do PTB gaúcho. Peço perdão, mas devo reiterar: ele se espalha pelo partido muito além dos pagos do Rio Grande. Se o PTB nacional está tão dividido, como aponta a Carta Maior, tendo grande parte de seus quadros declarado apoio a Dilma enquanto a posição oficial é de defesa da candidatura tucana, é porque Dilma tem muito mais chances de se eleger. Os grandões do partido (leia-se Roberto Jefferson) empurraram Serra goela abaixo, mas é evidente que o resto da boiada não vai deixar que uma decisão da Executiva faça com que todo o partido perca seus carguinhos. E lá se vai o PTB seguindo as lições deixadas pelo parceiro de jogo sujo, o PMDB (que, bem mais esperto, garantiu a posição impondo desde o vice de Dilma).

PTB: oportunismo no Brasil inteiro