Mais uma daquelas tristes charges do Marco Aurélio

Eu nem queria escrever sobre a Zero Hora de novo, mas aí me deparo com isto e fico sem opção:

Se a crítica fosse ao governo, poderia até ser válida, dependendo de como fosse construída (embora eu não acredite muito que o Marco Aurélio consiga fazer uma crítica decente e ainda engraçada), mas desse jeito, tentando frustradamente ironizar a péssima colocação do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tendo como alvo os alunos, ela é só agressiva e descabida.

A história do humor crítico no Brasil é riquíssima, cheia de exemplos de como ser engraçado e contribuir para o fortalecimento da democracia a partir da provocação, do escárnio. É lindo quando esse espírito existe, em qualquer governo, em qualquer jornal, e a crítica pode ser bem contundente. Mas tem que saber fazer. Não dá pra basear a piada em preconceito e humilhação, coisa que só faz quem não sabe fazer. Não é a primeira vez que digo e repito: o principal chargista da RBS não serve pro metiê.

Mais uma daquelas tristes charges do Marco Aurélio

O plágio do chargista

Não é de hoje que critico o chargista Marco Aurélio por seus desenhos machistas, reacionários, homofóbicos, racistas… E que não entendo por que permanece na página 3 da Zero Hora – não que o jornal não siga o mesmo perfil, mas simplesmente porque Marco Aurélio não consegue fazer humor. Nem pra quem é machista, reacionário, homofóbico, racista… Ele é simplesmente sem graça. Pois agora, por alerta do Kayser, Santiago denuncia:

“O colega Kayser me envia uma página da Revista do Crea de março, onde aparece um desenho do Marco Aurélio igualzinho a um cartum que fiz em 1985 e que ganhou o Salão de Piracicaba e o concurso do jornal Yomiuri Shimbun, em Tóquio (1992). Além disso está no meu livro “Ninguém é de Ferro” de 1993 e que teve tiragem de 5.000 exemplares. Portanto fica até feio um profissional da área não tê-lo visto. Minha exigência nesses casos é que, pelo menos, o desenhista refaça melhor que o original, o que parece não ter sido o caso!!!!!”

O original

“Igualzito ao meu”, diz Santiago

E convenhamos, o original é infinitamente melhor, até para uma leiga em arte, com olhar de leitora. Além de mais bem desenhado, o que é talento, tem uma construção mais complexa e completa, que faz muito mais sentido na cena. A ponto de um ser engraçado e outro, surpresa!, não ser.

O plágio do chargista

Divulgado o edital para acabar com o Cais do Porto

O edital permite a exploração por 25 anos. Mas o que for construído ali vai continuar, sabe-se lá por quantos séculos. Não exagero, é muito difícil derrubar um prédio grande depois de ocupado. As matérias que tratam do edital de concorrência para a exploração da área do Cais do Porto, na orla do Guaíba – o rio que é na verdade o lago que ilumina e identifica Porto Alegre -, falam nos empregos que a obra criará, mas dificilmente tocam nas consequências da construção de prédios às margens de um lago.

São exatos 181.295 metros quadrados, onde serão investidos, segundo o governo do estado, entre 400 e 500 milhões de reais. Perto do Gasômetro, os prédios não podem passar de 14 metros de altura, mas na área das docas podem chegar a 100 metros. São aproximadamente 35 andares. Vai ficar uma belezura no cartão postal que os turistas vão enviar para seus parentes:

“Mãe, Porto Alegre é uma cidade moderna. Aqui dizem que havia um bonito pôr-do-sol. Hoje o progresso finalmente chegou e temos bastante concreto. Mas mais pro lado a gente enxerga parte do sol também. Com amor, Fulano.”

Divagações à parte, não é só a vista que muda. A área perde seus atrativos turísticos. O fato de hoje eles não serem valorizados não justifica a construção de prédios dessa altura. Faltam investimentos na região, que poderiam render bastante lucro para o governo – e consequentemente para os cidadãos – se fossem bem explorados. O investimento em turismo em Porto Alegre é vergonhoso, é fato, mas não se melhora essa situação entregando uma área pública para a iniciativa privada.

Turismo dá retorno financeiro. Portanto, dizer que o governo não tem dinheiro para investir é lorota. O investimento seria certamente revertido. E com lucro para a população. Sem agredir o meio ambiente.

A contrapartida exigida, de investimentos em reconstrução histórica, museus etc., é o mínimo que se poderia querer. Afinal, não se entrega um bem tão importante de uma cidade por dinheiro algum sem uma garantia de retorno, por menor que seja. Ainda assim, essa recuperação, como eu já disse, poderia ser feita pelo governo, sem precisarmos conviver com tanto concreto para que ela se concretize.

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Aqui, uma matéria do governo do estado sobre o Cais. Mais uma nesse link.

O edital pode ser baixado aqui.

Divulgado o edital para acabar com o Cais do Porto