Racismo, machismo e homofobia: a dificuldade de uma transformação cultural

O que mais surpreende na entrevista que o deputado Jair Bolsonaro deu pro CQC e na nota de explicação publicada a seguir é a naturalidade com que ele disse as coisas que disse. Ele não achava que estava falando nenhum absurdo quando fazia comentários machistas ou homofóbicos. Isso mostra o tamanho do desafio que a gente tem pela frente, que é o de enfrentar distorções culturais arraigadas na nossa sociedade.

Assim como a violência contra a mulher, fruto de uma cultura paternalista que coloca o homem em posição superior à mulher na sociedade, o mesmo tipo de influência cultural faz com que sejamos racistas, com que desprezemos os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Por quê? De que forma essas relações nos prejudicam, nos afetam negativamente? Por que a gente não pode entender o outro como um igual? Por que a gente não pode respeitar as decisões do outro?

Assim como um tem olhos escuros e outro olhos azuis, um é branco e outro é negro.

É uma cultura forte que vem de séculos, por conta da influência religiosa, da escravidão, da disputa entre nações e outros fatores. O que explica, mas de forma alguma justifica. Não há explicação que justifique esse ódio, essa discriminação, esse preconceito tão grande.

Mudar isso, transformar a cultura, é muito complicado, um desafio enorme. Mas que está posto e que temos que enfrentar em nome de uma justa. Em nome de mais igualdade, dos direitos humanos, dos direitos de cada cidadão. Porque não há lugar algum que diga que um ser humano é superior é outro pela sua cor, pela sua orientação sexual, pelo seu gênero.

Racismo, machismo e homofobia: a dificuldade de uma transformação cultural

No mundo digital, “o importante não é dar primeiro, mas dar gostosinho”

Na sequência de posts sobre o Congresso da Abraji:

Mauricio Stycer (@mauriciostycer) e Marcelo Tas (@marcelotas) – “As redes sociais no jornalismo”

Fiquei na dúvida se assistia essa palestra ou outra no mesmo horário. O Tas é meio estrelinha, achei que ia ser mais um show do que informação útil. Mas acabei indo. Digamos que no fim valeu a pena. O pecado da palestra é que focou só em Twitter. Facebook, por exemplo, não foi nem citado. Mas deu pra fazer uma reflexão sobre as transformações de um modo mais geral.

Com a internet, de acordo com Tas, as pessoas não esperam mais passivas pela notícia. Além de elas irem por conta própria até a informação, também passaram a produzir seu próprio conteúdo.

E tem a tão falada interatividade. Uma menina de 12 anos mandou um recado para o CQC pedindo para diminuir os palavrões, senão sua mãe a proibiria de assistir o programa. Foi feita uma reunião com a equipe, que avaliou que estava demais mesmo. De forma direta ou indireta, o público influencia na produção de conteúdo. “É uma época de ouvir”, disse Tas, “a gente tem que criar um diálogo permanente com a sociedade”.

O Twitter

Para Stycer, um dos papéis que acabaram sendo encampados pelo Twitter é o de discussão da mídia, uma forma de reflexão sobre o futuro da mídia.

Tas lembrou ainda sobre a responsabilidade do que é colocado no Twitter, que pode ter uma baita repercussão. É preciso, então, checar muito bem e manter “fidelidade absoluta a suas crenças”, ser transparente. E diz que essa é uma oportunidade enorme de exercitar a nossa ética.

Por fim, citou Chico Sá: “O furo acabou e nem virou manchete”. Acho um certo exagero, mas vejo uma possibilidade maior de democratização da comunicação dessa forma. Para o Tas, o tal desaparecimento do furo deu uma grande liberdade para o jornalista, porque o valor hoje é do conhecimento. Não da informação, mas da maneira com que ela é processada. Ou seja, o importante “não é dar primeiro, mas dar gostosinho”. Dar melhor, com mais relevância.

No mundo digital, “o importante não é dar primeiro, mas dar gostosinho”