Flávio Aguiar: “Sinto falta de uma rede de blogueiros como o #2BlogProg na Europa”

Da Alemanha, o comentarista político Flávio Aguiar fala sobre o II Encontro de Blogueiros Progressistas.

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Flávio Aguiar: “Sinto falta de uma rede de blogueiros como o #2BlogProg na Europa”

Um consistente balanço econômico e político dos primeiros dias Dilma, por Rodrigo Vianna

Depois do meu breve e humilde balanço dos primeiros dias do governo Dilma, recomendo (enfaticamente) aos bravos leitores um balanço bem menos breve e um tanto quanto mais consistente. Fica por conta de Rodrigo Vianna, o Escrevinhador:

Essa história de oferecer “Cem Dias” de trégua para o governo que se inicia é um modismo que vem dos EUA, mas faz algum sentido. É um tempo mínimo para que as equipes se (re) organizem e para que as primeiras diretrizes sejam tomadas, indicando os rumos da nova administração.

O governo Dilma não chegou nem à metade dos “Cem Dias”. Ainda assim, é possível já identificar algumas tendências – não só do governo que começa, mas também do quadro político brasileiro.

Nesse primeiro texto, do que pretende ser um modesto “balanço” do início de governo, vou-me concentrar mais na economia.

Os primeiros sinais do governo Dilma indicam reversão da política “expansionista” adotada no segundo governo Lula para enfrentar a crise. O ministro Mantega, da Fazenda, teve papel fundamental em 2009 e 2010, ao adotar um programa que – em tudo – contrariava a velha fórmula utilizada pelos tucanos em crise anteriores: quando o mundo entrou em recessão, com os EUA lançados à beira do precipício, o Estado brasileiro baixou impostos, gastou mais e botou os bancos estatais para emprestar (forçando, assim, o setor privado a também emprestar).

O Brasil saiu bem da crise – maior, gerando emprego, e ainda distribuindo renda. Lula, quando falou em “marolinha” naquela época, foi tratado como um néscio. E Mantega, ao abrir as torneiras do Estado, como um estúpido economista que se atrevia a rasgar a bíblia (neo) liberal.  Lula pediu que o povo seguisse comprando. Os tucanos (e os colunistas e economistas a serviço do tucanato) diziam que era hora de “apertar os cintos”. Lula e Mantega não apertaram os cintos. Ao contrário: soltaram as amarras da economia, e evitaram o desastre.

As primeiras medidas adotadas por Dilma vão no sentido inverso: corte de despesas estatais, alta de juros, aumento moderado do salário mínimo. É fato que a inflação em alta impunha algum tipo de medida para frear a economia. Mas a fórmula adotada agora indica um “conservadorismo”, ou “tecnicismo”, a imperar nas primeiras decisões do governo Dilma. Não é à toa que a velha imprensa derrama-se em elogios à nova presidenta, tentando abrir entre Dilma e Lula uma “cunha”, como a dizer: Lula era o populismo “atrasado” e “irresponsável”, Dilma é a linha justa (discreta, moderada, a seguir a velha fórmula liberal de gestão).

Há alguns sinais – preocupantes, eu diria – de que Dilma estimula esse movimento de proximidade com os setores mais conservadores da velha imprensa. Mas voltarei a isso no texto seguinte, na segunda parte desse balanço…

Voltemos à economia: as centrais sindicais fazem grande barulho por conta do salário mínimo subir “apenas” para R$ 545. Acho positiva essa pressão. O movimento sindical pode – e deve – criar um espaço para mais autonomia em relação ao governo. E deve perguntar, sim: por que, na crise, o governo quebrou regras para favorecer as empresas (corte de impostos), e não pode quebrar a regra do reajuste do mínimo para dar um aumento maior? É preciso mesmo tensionar o governo, pela esquerda. Ok. Mas, modestamente, acho que a medida mais danosa adotada pela administração Dilma, nesse início, não é o freio no salário mínimo – até porque, pelas regras acertadas durante o governo Lula (o salário sobe sempre com base na inflação do ano anterior mais o PIB de dois anos antes), o mínimo deve ter em 2012 um crescimento robusto, passando dos R$ 610. O que preocupa mais é outra coisa: a alta dos juros.

Continue lendo a primeira parte aqui. E aventure-se também na segunda, que trata mais de política do que de economia, aqui.

Um consistente balanço econômico e político dos primeiros dias Dilma, por Rodrigo Vianna

O Rio, os jornalistas e as opiniões

De cá de longe, dos pampas gaúchos, aprovo a operação da Polícia no Rio. Aprovo porque vejo o apoio da população, acho que pela primeira vez. E porque vi que ela não chegou atirando em qualquer um. Porque acho que não dá pra ignorar que esse é um momento de crise, embora o ideal seja levar o Estado para o morro no dia a dia, em serviços básicos de que a população precisa. Se fazer presente, para que o tráfico não ocupe esse papel.

Mas quem sou eu para saber alguma coisa? Não entendo de segurança pública, leio, mas não tenho conhecimento para falar de políticas públicas para a população. Dou aqui meus pitacos, sobre tudo um pouco. Mas sei que não tenho a razão, tenho apenas uma opinião, e quem disse que certa?

Por isso tento ouvir, tento ler, sempre. Para que os outros, os que sabem mais sobre cada assunto, me forneçam subsídios para que eu entenda um pouquinho melhor e formule minha opinião. Nesse caso do Rio mesmo, só formei a minha depois de alguns dias. E ainda assim duvido dela.

Sou jornalista, convivo com jornalistas e leio jornais. Por isso sei que é muito comum jornalista se achar dono da verdade, opinando sobre tudo sem considerar que pode estar errado. Mas ei, não é, viu. (e essa afirmação pode igualmente não ser verdadeira…)

Eu, particularmente, me policio diariamente pra não cair em tentação.

Claro que todos podem ter sua opinião, normal. Só é importante entender que nem sempre está certo. Até porque ainda não descobri um método infalível de determinar a posse da razão. Vale também sempre tentar construir a opinião com base em muita informação diversificada. Então, deixo alguns poucos links de alguns textos que li sobre os eventos desta semana no Rio de Janeiro – outros já não achei mais. E com a deferência aos que mantêm a cabeça aberta para construir suas opiniões a cada dia, pois me surpreendi com alguns, em blogs ou Twitter, que eu imaginava opinariam diferente, com base em discursos previamente construídos.

Rio de Janeiro, tragédia anunciada? – Blog do Tsavkko

A crise no Rio e o pastiche midiático – Luiz Eduardo Soares

Para além das UPPs, cidadania plena aos pobres do Rio de Janeiro – Maria Frô

A reportagem do New York Times sobre as UPPs – Viomundo

O Rio, os jornalistas e as opiniões

Europa: curando com veneno

Não é preciso entender muito de economia. Apenas uma noção de lógica resolve a equação. Vários países do mundo, liderados pelos Estados Unidos, começaram, anos atrás, uma política de laissez-faire, de livre comércio, de desregulação do trabalho. O mercado mandava. Ele orientava as ações. O Estado assistia.

O resultado foi um sistema financeiro selvagem que fortalece a especulação.

Em 2008, resultou em uma crise mundial que é tida como a maior desde 1929, a crise das crises. Em avaliações várias, economistas de diversas correntes dizem que foi esse sistema financeiro de especulação e desregulação que levou à crise.

Agora, os países, principalmente europeus, estão recorrendo a bancos, como o Banco Europeu e o Fundo Monetário Internacional, para pedir dinheiro e investir na sua economia. A bola da vez é a Irlanda. Como contrapartida, devem cortar gastos públicos. Ou seja, deixar de investir nos serviços ao cidadão, diminuir suas garantias. Desregular.

E aí entra a parte da (falta de) lógica: para combater a crise, estamos tomando as mesmas medidas que a geraram. É como se eu fosse alérgica a camarão e me entupisse de camarão pra me curar. A conseqüência mais provável é eu ter uma crise severa de alergia e ir parar no hospital com a garganta fechada, o rosto inchado, não conseguindo respirar.

Na economia, não funciona muito diferente. A desregulação, o corte de gastos, o aumento de impostos, a flexibilização de leis trabalhistas são o oposto do que foi feito no Brasil para enfrentar a crise, com consequências igualmente inversas. Com menos garantias, o trabalhador consome menos, o que freia a economia, diminui o crescimento do país e gera desemprego. Que diminui o consumo, gera aumento de impostos, crise. Um perigoso ciclo.

Europa: curando com veneno

Veja como Serra afundaria o Brasil na crise mundial

Do RS Urgente:

O vídeo acima traça uma cronologia da crise mundial (2008-2009) sob a ótica da imprensa brasileira e da oposição ao governo Lula, do PT. Com pouco mais de 9 minutos de duração, o vídeo traz também uma resposta aos que não entendem como o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) conseguiu quebrar o Brasil três vezes, a despeito de ter liquidado quase todas as estatais lucrativas. Essa retrospectiva adquire atualidade redobrada no momento em que Serra anuncia que, finalmente, sairá em defesa das privatizações e desse modelo que levou o Brasil à estagnação e agravou o quadro de desigualdade social no país. Ao fazer isso, aliás, sinaliza o que seria um governo Serra no Brasil. No vídeo, apesar da auto-proclamada “sólida formação” em economia, as profecias e diagnósticos de Serra e seus aliados do PSDB acabam se revelando totalmente furadas.

Quando estourou a crise, economistas e políticos tucanos remetiam o mesmo mantra: o governo precisa cortar gastos, não há outra coisa a fazer, repete Serra. Pois havia outra coisa a fazer. E o governo Lula fez. O conteúdo desse vídeo é um ótimo tema para o segundo turno da campanha eleitoral. A população brasileira terá a oportunidade de conhecer a “sólida formação” do economista Serra que, no auge da crise, disparou a dar entrevistas em que apontava os “graves erros” do governo Lula. O Brasil, lembre-se, foi um dos primeiros países a sair da crise e hoje ostenta taxas de crescimento acima da medial mundial.

A sólida formação de Serra errou todas suas previsões e suas receitas, felizmente, não foram aplicadas pelo governo Lula.

Veja como Serra afundaria o Brasil na crise mundial

O mundo da especulação é insano e baseado em valores egoístas

Depois de assistir Wall Street – Poder e Cobiça, de Oliver Stone, confirmo o que já penso há tempos: o mundo da especulação é insano, absurdo, irreal, definitivamente não é humano. Sustenta-se baseado na ganância e na competição. Ganância e competição só têm razão de ser pela vontade de ser melhor que as outras pessoas, de ter mais que os outros. Ou seja, não condiz com um mundo solidário, de justiça social, de igualdade de direitos e oportunidades. O mundo de Wall Street só existe porque perdemos valores e não ligamos mais para os outros, para a relação tão necessária entre nós e o resto do mundo. Porque esquecemos que a solidariedade e a compaixão são importantes não apenas pela condição de justiça de todos terem os mesmos recursos, mas porque precisamos de contato, de troca, de retorno, porque não vivemos sozinhos, porque somos seres sociais.

Diante disso, um brinde ao colapso econômico, à crise financeira. Se ela trouxe consigo desemprego e consequências pesadas para quem não teve nada a ver diretamente com a especulação que a gerou, ela trouxe também uma condição nova dos homens diante da sociedade, do sistema econômico que se estabeleceu. Porque escancarou que estava errado, que tudo ia torto, que aquela loucura não podia ser o certo.

Que os prejuízos concentrem-se apenas nos gananciosos que pensaram apenas em si mesmos e prejudicaram toda a sociedade ocidental – menos o Brasil, que continuou crescendo, produzindo e genrando emprego e renda ;P

O mundo da especulação é insano e baseado em valores egoístas