Dilma será, sim, eleita no primeiro turno

Os institutos de pesquisa podem até dar uma manipulada em sua margem de erro de vez em quando ou mudar as perguntas para ouvir respostas mais convenientes. Não estou dizendo que esse ano tenham feito porque sei que não posso acusar ninguém de nada sem provas ou, ao menos, evidências muito concretas.

Mas, acima de tudo, para se manterem, os institutos de pesquisa precisam de credibilidade. Acredito que só os jornais dependam tanto ou mais da credibilidade que os institutos de pesquisa. Por isso, eles não podem dar resultados muito discrepantes às vésperas das eleições. A menos que aconteça alguma coisa que mude muito o cenário, fica feio se uma empresa que trabalhe com a medição de intenção de voto, entre outras pesquisas, errar grosseiramente no resultado previsto. Para vender melhor seu serviço – e, afinal, o que a todas elas interessa é a bufunfa mesmo -, quanto mais perto do resultado verificado nas urnas elas chegarem, melhor será no futuro.

Por essas e por outras que a pesquisa de boca de urna é tão significativa do ponto de vista de indicar o provável resultado – até porque ela não mais influencia votos.

Considerando que o interesse da classe dominante, entre a qual os institutos de pesquisa de um modo geral se incluem, é manter-se dominante e, portanto, eleger um candidato conservador e que não vá melhorar a vida do povão, é de se supor que, se por acaso houver algum tipo de manipulação nas pesquisas, ela se dá a favor de José Serra, nestas eleições.

Logo, ver o resultado do Datafolha de três dias antes das eleições dizendo que Dilma Rousseff tem 52% dos votos válidos me enche de expectativa. Porque me faz crer que Dilma terá no mínimo 52% dos votos válidos.

Da mesma forma, acredito que Tarso Genro (PT), no Rio Grande do Sul, também será eleito no primeiro turno com ao menos 52%.

Veremos números mais concretos na pesquisa boca de urna divulgada domingo, antes da apuração. Mas também, com a eficiência do nosso sistema eleitoral, com urnas eletrônicas e tudo o mais, a diferença entre a divulgação da pesquisa de boca de urna e o resultado das urnas será de apenas algumas horas. Ou seja, nos contentemos, pois, com as sondagens a serem divulgadas hoje à noite. Considerando tudo o já dito, os números que já temos dificilmente poderiam estar melhores. Digo sem medo de errar: Dilma será eleita no primeiro turno.

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Dilma será, sim, eleita no primeiro turno

Por que a Folha.com omite a pesquisa mais recente?

Por que o canal de pesquisas do site Folha.com não mostra a mais recente pesquisa Datafolha de intenções de voto para presidente encomendada pelo jornal?

Por que a Folha.com omite a pesquisa mais recente?

Dilma oscila e Marina lucra, mas o Datafolha sacaneia

Não credito a diferença no percentual apurado pela última pesquisa Datafolha a uma manipulação na margem de erro, como tem sido dito no Twitter. A ideia que origina essa tese é a de que as pesquisas não teriam mudado, mas o Datafolha teria adaptado os resultados dentro da margem de erro. Não creio.

Credito essa diferença na pesquisa a uma manipulação na informação, isso sim. O que fez os números oscilarem esse tantinho foi a forcinha que a imprensa vem dando à oposição. Não acredito em uma subida de Serra. Já esperava, porém, que Dilma baixasse um pouco seu percentual (importante observar que Dilma não “caiu”, ela oscilou dentro da margem de erro – aprendi com José Roberto de Toledo, jornalista do Estadão). Natural, diante dos factoides produzidos. Não há como dizer a todos que aquilo é uma criação se o Jornal Nacional, que ainda mantém uma aura de credibilidade, repercute.

Mas há que se considerar que a pesquisa não parece lá tão honesta. Bem o apontou o blogueiro Eduardo Guimarães, a partir, diga-se, de um estranhamento postado pelo jornalista do grupo Folha Lauro Jardim em seu blog. As perguntas feitas aos entrevistados são, de fato suspeitas. Diz-se que foram feitas depois de questionar quem o cidadão votaria para presidente da República caso as eleições se dessem naquele dia, mas Guimarães coloca em dúvida essa ordem e pede investigação. Não vou tão longe, mas acho uma baita sacanagem a forma com que o tema da ministra Erenice foi abordado na pesquisa, como mostra a imagem, que Guimarães tirou do blog do Lauro Jardim.

Quem deve lucrar com essa função toda é a Marina. Sinceramente, não consigo entender como alguém pode pensar em votar no Serra. Não por uma questão ideológica, porque entendo que existam pessoas direita. Mas porque sua campanha é ruim, muito ruim. Porque não consigo acreditar em alguém que diz que vai asfaltar a rodovia Transamazônica, elevar o salário mínimo a 600 reais, aumentar a aposentadoria em 10%, tudo isso enquanto baixa os impostos. O povo sabe diferenciar promessa de mentira. Por isso e pelo fato de Marina ter sido ministra do governo Lula, por ser uma candidata simpática e não agressiva, que os votos perdidos por Dilma devem migrar para a acreana.

Dilma oscila e Marina lucra, mas o Datafolha sacaneia

As diferenças entre os institutos de pesquisa

Apenas para registro: a primeira vez que apostei minhas fichas publicamente em uma vitória de Dilma no primeiro turno foi no dia 25 de junho deste ano.

Mas ainda via apenas como uma possibilidade. Concreta, mas não certa. Agora, depois da última pesquisa Ibope e antes de começar o horário eleitoral na TV e na rádio que vai torná-la conhecida por todos como a candidata do Lula, afirmo com convicção: se não houver um erro muito grande na condução da campanha petista ou uma sacanagem como a de 1989, Dilma se elege em 3 de outubro.

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Agora, o que me pegou de surpresa e me deixou chateada foi a pesquisa Datafolha para o Senado no RS, divulgada pela Zero Hora, que mostra Rigotto em primeiro, com 43% e uma diferença razoável para Paim e Ana Amélia, que têm 35% e 33% respectivamente. O que me chamou mais a atenção, na verdade, foi a discrepância

De cara, fiquei preocupada. Porque a tendência é que Ana Amélia, a candidata da RBS, conhecida mais por seu rosto do que por seu nome, cresça com a propaganda na TV. Eu apostava em uma vitória de Paim e Ana Amélia a qualquer um que me perguntasse, embora torça por qualquer coisa menos a eleição da candidata do PP.

Mas aí vi a capa do Correio do Povo e fiquei tentando entender os motivos de tanta diferença. Pela pesquisa do Instituto Methodus, Paim está em primeiro com 48,5%, Rigotto tem 47,7% e Ana Amélia vem um pouco mais longe, com 39,4%. Os três aparecem com porcentagens maiores do que no Datafolha, mas o que mais impressiona é a diferença nos números do petista entre os dois institutos.

As diferenças entre os institutos de pesquisa

Brizola Neto alerta: pesquisa do Datafolha não se sustenta

A seguir, trechos do texto de Brizola Neto em seu Tijolaço. Vale muito a pena a leitura.

O Datafolha perdeu qualquer compromisso com a ciência estatística e passou a funcionar com uma arrogância que não se sustenta ao menor dos exames que se faça sobre os resultados que apresenta.

A primeira coisa que salta aos olhos é o problema gerado pela definição da área de abrangência e, por consequencia, da amostra. Ao contrário do que vinha fazendo nas últimas pesquisas, o Datafolha conjugou pesquisas estaduais e uma pesquisa nacional.

O resultado é um monstrengo, uma verdadeira barbaridade estatística. E as provas estão todas no site do TSE ao alcance de qualquer pessoa. E do próprio Tribunal e do Ministério Público Eleitoral.

Vejamos a mecânica da monstrengo produzido pelo Datafolha.

Dia 16 de julho, o Datafolha (já usando esta razão social e não  mais Banco de Dados São Paulo, como usava antes) registrou, sob o número 19.890/ 2010, uma pesquisa nacional de intenção para presidente. Nela, ao relatar a metodologia, o instituto abandonou os critérios tradicionais de distribuição da pouplação brasileira e “expandiu” as amostras dois oito estados.

No próprio registro há a explicação: “Nessa amostra, os tamanhos dos estratos foram desproporcionalizados para permitir detalhamento de algumas unidades da federação (UF´s) e suas capitais. Nos resultados finais, as corretas proporções serão restabelecidas através de ponderação. A amostra nos estados em que não houve expansão foi desenhada para um total de 2500 questionários.

E quantos somavam os “estratos desproporcionalizados”?  A soma dos oito estados onde houve expansão da amostra dá 9750 entrevistas, de um total de 10.730.

Logo, sobraram para todos os 19 demais estados brasileiros 980 entrevistas.

Qualquer estudante de estatística sabe que você não pode misturar critérios de amostragem para partes do mesmo universo e, no final, “ponderar” pelo peso de cada uma destes segmentos no total. Da mesma forma que não se pode pegar uma parte de uma amostra nacional e dizer que, no Estado X, o resultado é Y.

O resultado será viciado pela base amostral distorcida.

Mas o Datafolha não parou aí. Esta pesquisa “nacional” (protocolo 19.890/2010) foi registrada tendo como contratantes a Folha e a Globo, com o valor de R$ 194 mil. Cada uma dos  ” estratos desproporcionalizados” foi registrado, no dia 19 último, como uma pesquisa “separada”.

Somando todos os valores declarados de contratação chega-se à bagatela de R$ 776.258 reais. Interessante, não?

Mais interessante ainda é o fato de que, nos protocolos listados, que você pode consultar na página do TSE , preenchendo o número correspondente, o Datafolha nem sequer se preocupou em depositar, como manda a lei, o questionário específico. Fez como o Serra, que mandou entregar no Tribunal ,como programa, o discurso que fez na convenção. Colocou uma cópia do questionário “nacional”, onde não há perguntas sobre candidatos a governador ou senador.

O Datafolha trata as exigências legais como um “detalhezinho” sem importância, “vende” a mesma pesquisa em nove contratos diferentes – seria bom ver os recibos destes pagamentos, não? – e deposita questionários imcompletos, aos lotes.

Portanto, a análise da pesquisa Datafolha não deve ser estatística. Deve ser jurídica. O douto Ministério Público Eleitoral, que não aceita intimidações de quem quer que seja, bem que poderia abrir um procedimento para apurar todos os fatos que, com detalhes, estão narrados acima.

O texto completo, com mais dados, está em seu blog, www.tijolaco.com.

Brizola Neto alerta: pesquisa do Datafolha não se sustenta

Rosane de Oliveira defende FHC, mas engana o leitor

Pelo menos ela é honesta. Não condeno Rosane de Oliveira por defender Fernando Henrique Cardoso na Página 10 de Zero Hora. Rosane não disse com todas as letras que é eleitora de Serra, mas para bom entendedor…

Ela lamenta que Serra esteja se desvinculando da imagem de FHC. E aí vejo dois motivos: primeiro, ela fica triste pelo próprio FH, escanteado; segundo, teme uma possível derrota de Serra. Critica a campanha tucana, mas quase como elogiasse, tipo mãe quando briga porque o filho fez arte. Fora que não é um argumento lá muito inteligente, dada a baixa popularidade do ex-presidente. Quando terminou seus oito anos, os brasileiros queriam mudança, não continuidade.

Tudo bem, Fernando Henrique foi o responsável pela estabilização econômica que Rosane evoca. Estabilização forçada, que afundou o Brasil três vezes, acompanhada de uma política econômica neoliberal que vendeu estatais e diminuiu a influência do Estado na vida da sociedade. O que significa sucateamento dos serviços públicos, saúde caótica, educação fraca…

Privatizações

Mas Rosane defende a privatização. Enfaticamente, aliás. Afinal, “antes do governo FH, um telefone fixo chegava a custar US$ 3 mil no mercado paralelo e um celular que hoje se compra em supermercado era artigo de luxo pelo qual se tinha de esperar quatro ou cinco anos”. Ela só esquece que esse resultado é fruto de uma gestão privada eficiente, interessada no lucro, que sucedeu uma gestão pública ineficiente. Mas que poderia ter sido boa, bastava querer. E FHC não quis, preferiu vender.

Popularidade: Rosane mente!

Mas o problema mais grave da coluna de Rosane é que ela mente. Diz que “nos últimos anos, o PT fez um minucioso trabalho de desconstrução da imagem de FH”, como se ele tivesse terminado seu governo em alta e sua imagem tivesse sido detonada por uma campanha petista. Acontece que Fernando Henrique deixou a Presidência em 2002 com 26% de aprovação, medida em dezembro daquele ano pelo Datafolha. De acordo com os cientistas políticos Rubens Figueiredo e Ciro Coutinho, “a popularidade de seu governo foi corroída no segundo mandato, quando ocorreram, em 1999, a crise cambial, com a conseqüente desvalorização do Real e, em 2001, o racionamento de energia”. Ou seja, o PT não fez com FHC o mesmo que a RBS fez com o PT no Rio Grande do Sul, aquela campanha traiçoeira que gerou um antipetismo tão arraigado nos gaúchos.

popularidade fhc

Apenas a título de informação: pesquisa CNI/Ibope de 23 de junho diz que Lula tem 85% de popularidade. Então não me venha Rosane de Oliveira insinuar que os dois presidentes deixam o cargo da mesma forma.

Rosane de Oliveira defende FHC, mas engana o leitor