Amanhã, debate: A importância das redes sociais para a democratização da comunicação

Nesta segunda, dia 11, estarei ao lado de três outros blogueiros comentando o papel das redes sociais neste importante processo de democratização da comunicação. O debate é parte da programação do Forum da Igualdade.

DESCRIÇÃO – Quatro blogueiros falarão sobre como as redes sociais estão dando voz e proporcionando a uma parcela da sociedade criar conteúdo, função antes restrita à grande imprensa. Após a explanação dos painelistas, o espaço ficará aberto à manifestação do público.

RESUMO / OBJETIVO – Debater, a partir da experiência dos painelistas, o funcionamento das redes sociais, como ela possibilita uma interação com o público e seus prós e contras.

COORDENADORES / RELATORES / FACILITADORES

Painelistas: Cris Rodrigues, Silvio Balbute, Sr. Cloaca e Tatiane Pires

CURRÍCULOS

Cris Rodrigues: jornalista, blogueira há quatro anos. Desde 2007, como co-autora do blog Jornalismo B e, a partir de fevereiro de 2010, com postagens diárias no blog Somos Andando. Participou do I Encontro de Blogueiros Progressistas, em São Paulo, em agosto de 2010, e da entrevista coletiva concedida pelo Governador do RS, Tarso Genro, a blogueiros. Organizadora do @BlogProgRS

Silvio Belbute: ex-diretor da SEPRORGS, fundador da Rede do Terceiro Setor de Porto Alegre, pesquisador em Redes Sociais. Consultor da UNESCO para a Prefeitura de Porto Alegre desde 2007. Organizador de capacitações em Redes Sociais para Agentes de Saúde no Programa de Prevenção à Violência da Secretaria de Saúde do Estado do RS.

Sr. Cloaca: é jornalista, publicitário, criador e editor do blog Cloaca News. Em 2010, durante o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, recebeu o troféu Barão de Itararé, “Blog do Ano”. Participou da entrevista concedida pelo presidente Lula a um grupo de blogueiros do país. Organizador do @BlogProgRS

Tatiane Pires: é programadora e webdesigner, escreve no blog tatianeps.net e colabora no portal Teia Livre. Organizadora do @BlogProgRS

DATA, HORÁRIO E LOCAL

Debate – Auditório do Sindicato dos Bancários

Data – 11 de abril de 2011, às 19h30

Amanhã, debate: A importância das redes sociais para a democratização da comunicação

iG e Rede Brasil Atual veem dois debates (ou “palestra”?) diferentes

Até acho que a notícia que o iG focou em sua matéria sobre o debate com Paulo Bernardo de hoje (15), no Sindicato dos Bancários, era importante. Mas a diferença de abordagem é gritante, especialmente porque o iG fica apenas em um aspecto dos tantos abordados pelo ministro das Comunicações.

Comparemos os títulos:

iG: Verba das Comunicações cairá pela metade, diz Bernardo

Rede Brasil Atual: Bernardo reafirma que regulação vai ocorrer, mas sem correria

Nenhuma das duas é chapa-branca. Um bom tira-teima foi a minha reação frente à segunda manchete: não gostei nada de saber que a regulação vai demorar, me soou enrolação. Ou seja, não causou uma boa impressão do ministro. Isso não pode ser considerado chapa-branca, estamos de acordo?

Resumindo, a Rede Brasil Atual sintetiza o histórico da iniciativa pró-regulação da comunicação, contextualizando a notícia sobre a fala de Bernardo. Complementa informando quais serão os próximos passos do Ministério no tema. Em meio a isso, cita Paulo Bernardo, mostrando o que o ministro quis dizer. Falou sobre o Plano Nacional de Banda Larga e a proposta de criação de uma agência para tratar do conteúdo da radiodifusão.

Outro tema importante abordado pelo ministro – e pela matéria – foi a regulação da concessão de rádio e TV para deputados e senadores, que não só é ilegal, mas é principalmente imoral. Falou também da relação com as teles e sua interferência na política de expansão da banda larga. Além de tudo isso, ainda contextualizou o evento. Nesse caso, essa é uma informação importante, já que o fato de ser um debate transmitido ao vivo pela twitcam também explicita a orientação política do Ministério. A simples escolha do termo já diz muito da linha adotada pelo veículo. O “debate”, como bem chamou a Rede Brasil Atual – já que foi feito de perguntas e respostas – foi transformado em uma “palestra” no iG.

O tamanho das matérias também é sintomático da importância dada ao tema por cada portal. Com dez parágrafos, um subtítulo e uma foto, a Rede Brasil Atual sai disparado na frente do iG, com seus quatro secos parágrafos, nesse quesito.

A Rede Brasil Atual não tocou no assunto da redução dos recursos destinados ao Ministério, o que é feio, omitiu informação. Mas, se colocarmos na balança, fica claro quem escondeu mais. O iG SÓ falou no corte da verba. No último parágrafo, na última frase, citou a prioridade aos telecentros, atribuída ao ministro. Parecia que tratavam de entrevistas completamente diferentes.

Assim, das duas matérias sobre o mesmo tema que me chegaram via Twitter quase na mesma hora, chegamos a duas conclusões: a Rede Brasil Atual deixou a desejar; já o iG praticamente não informou.

iG e Rede Brasil Atual veem dois debates (ou “palestra”?) diferentes

Debate na Globo: o povo não aceitaria manipulação

A Globo não podia fazer diferente. E aí vem o segundo motivo – o primeiro está no post anterior -, além da preparação profissional por que passam os candidatos, que fez com que esse debate não fosse nem de longe uma reprise de 89. A internet, principalmente. Em tempos de Twitter, Facebook e muitos blogs sujos, manipular escancaradamente o que quer que seja é um tiro no pé. Que o diga Serra e sua bolinha de papel ou, pior, Globo e Folha com a bolinha de papel de Serra, em reportagem que envergonham até os funcionários subordinados a Ali Kamel.

Uma mentira muito grande é rapidamente escancarada e pode virar uma vergonha muito grande. A hegemonia dos grandes grupos de comunicação não é mais a mesma. Continuam sendo uma só voz, representantes da mesma camada social, mas não estão mais sozinhos, embora ainda preponderantes. E uma manipulação grosseira poderia desestabilizar sem volta a imagem de um veículo. Poderia derrubar sua credibilidade, com pouca possibilidade de recuperação. Ninguém quer arriscar. Aliás, veículos como Globo, Folha, Estadão já arriscaram mais do que o bom senso recomenda na quase cega campanha pró-Serra que fizeram, e saem desta eleição arranhados, sem a mesma força de alguns anos atrás.

Ganha com isso o eleitor, o cidadão, que está mais atento e vai ganhando novas formas de se manter informado, podendo comparar versões e opiniões para por fim elaborar a sua. Ganha o debate eleitoral, e mais. A tendência é permanente, para além das eleições. Os sinais apontam para uma gradual transformação na sociedade. Ganha, isso sim, a democracia. E que fique claro: não é mérito da Globo, por não ter forçado a barra no debate. É mérito dos brasileiros, que estão mais atentos e não permitiram que a Globo ousasse forçar a barra.

Esse avanço é conquistado dia a dia, com muito trabalho de conscientização. Não é uma conquista de governos ou organizações. É uma conquista da sociedade, da população, que está se articulando para mostrar que essa mídia tem um discurso único e que esse discurso é de direita, elitizado.

Debate na Globo: o povo não aceitaria manipulação

Debate na Globo: um monólogo a cada dois minutos

O circo armado pela Globo

Confesso. Apesar de ser muito nova na época, a memória coletiva de 1989 me dava um medo da repetição da história. Temia pela possibilidade de um debate de nível tão baixo como aquele na vênus platinada. Mas vários fatores fizeram com que o debate de ontem à noite na Globo começasse parecendo um circo – com direito a arena, plateia redonda com poucas filas, candidatos caminhando e a exaltação do apresentador como a apontar um elefante ou um macaco que dança – e terminasse com os espectadores mais valentas tivessem que tapar os ouvidos com o ronco do companheiro.

A eleição de 1989 foi a primeira a utilizar um marketing eleitoral profissional. Refiro-me à construção da imagem de Fernando Collor, baseada em pesquisas de opinião acerca das expectativas dos eleitores. Seus opositores, Lula entre eles, não estavam preparados para um golpe tão baixo como o daquele debate da Globo, nem por parte de Collor, que usou assuntos pessoais para desestabilizar Lula, nem pelo lado da emissora, em sua edição cruel das imagens no Jornal Nacional do dia seguinte.

Em 2010, não se pode acusar ninguém de ingenuidade. Ainda mais depois de uma campanha tão pesada e tão cheia de baixarias e porradas abaixo da linha da cintura. Ou seja, Dilma foi preparada emocionalmente para aguentar qualquer coisa.

Um debate sem debate

Não precisou. Esse formato da Globo de deixar eleitores supostamente indecisos fazerem perguntas, sem nenhum tipo de improvisação, e os candidatos não se confrontarem diretamente, faz com que tenhamos um monólogo a cada dois minutos. Não um debate de ideias, em que uma fala responde a outra, a completa ou a nega, mas em que se constrói um raciocínio e uma evolução de ideias em crescimento. Assim, um raciocínio tinha que ser inteiramente construído e finalizado em 120 segundos, tempo igual para resposta, réplica e tréplica – nomes usados por falta de outros melhores. Impossível a coisa esquentar.

Para Dilma, na frente nas pesquisas, nem interessava mesmo que se saísse do tom monocórdico. A diferença poderia ter sido feita por Serra, com alguma agressividade que, espantosamente, não se viu.

Alguns apoiadores até reclamaram de uma ou outra pergunta ou do plano utilizado na filmagem, diferente para Dilma e Serra, que teria valorizado mais o tucano ao estampar mais de perto seu focinho seus olhos azuis. Mas o fato é que a Globo foi razoavelmente neutra, considerando o que se poderia esperar, dada a história. Para pés já calejados, o piso ontem foi de algodão.

Continua…

Debate na Globo: um monólogo a cada dois minutos

Yeda mostra-se contra a democracia

No Twitter (@blogdayeda), Yeda disse: “Arrisco dizer que na próxima campanha não haverá debates. Com o quadro partidário pulverizado e alguns chamados ‘nanicos’ aproveitando o direito ao debate para, bem, para dizer qualquer coisa, num vale-tudo que não leva a nada de bom. Então ciao debates” (aqui e aqui).

Nada como uma governadora comprometida com os princípios democráticos. Princípios como o diálogo, o debate de ideias, o direito que todos têm de se expressar, o direito da sociedade à informação, a igualdade de representatividade de todos os setores sociais. Democracia, enfim.

Yeda mostra-se contra a democracia

A ligação entre Serra e Mendes e a credibilidade do STF

– Repórter da Folha de S.Paulo presenciou a ligação de José Serra a Gilmar Mendes pouco tempo antes de o ministro pedir vista no julgamento sobre a obrigatoriedade de se apresentar dois documentos na hora de votar, recurso solicitado pelo PT. Segundo o repórter, um assessor do candidato fez a ligação e a passou para Serra, que saudou Gilmar Mendes com um “Meu presidente” ou algo do gênero e se retirou para falar de forma mais privada. A “coincidência” de em seguida Gilmar Mendes pedir vista e adiar o julgamento é no mínimo suspeita. Feio para Serra, mas mais feio ainda para Gilmar Mendes e a credibilidade do STF.

– Yeda Crusius arriscou. Arriscou e perdeu. No programa do meio-dia de ontem, usou o tempo dos deputados estaduais para fazer campanha para a majoritária – campanha bem baixa, diga-se, contra o MST, incitando o medo. Resultado: mais de dois minutos do programa da noite foi substituído pelo símbolo do TRE como punição. Sua última chance de aparecer na TV e tentar levar a candidatura para o segundo turno foi desperdiçada, portanto. Bem feito.

– Enquanto isso, o programa de Tarso deu um banho. Emocionante, para conquistar os últimos votos de indecisos. Foi, em resumo, um programa de candidatura vitoriosa. Pelo menos foi a sensação que transmitiu.

– A audiência do debate da RBS terça-feira à noite, com os candidatos ao governo do estado, superou a média de audiência das terças-feiras. Surpreendente. (informação de Rosane de Oliveira na Rádio Gaúcha)

A ligação entre Serra e Mendes e a credibilidade do STF

Casal Roriz ofende a democracia representativa brasileira

A possibilidade de se eleger Weslian Roriz (PSC) no Distrito Federal é um acinte à nossa democracia. É uma mostra de fragilidade da sociedade. Uma mostra de que a consciência política da população ainda precisa dar alguns passos grandes para se consolidar. Weslian é uma candidata laranja. Não sou eu que estou acusando, é nítido e notório.

Ela participou do debate na Rede Globo ontem à noite. À primeira vista, é engraçado, sim. Uma pessoa completamente despreparada, que é perguntada sobre transporte e responde, lendo, sobre aborto. Que se atrapalha a cada questão, porque quer parecer natural e espontânea na leitura de textos prontos preparados pela assessoria, sobre temas que ela não domina. Uma pessoa simples. Ignorante, coitada. Que, pela ignorância, aceita se submeter a esse papel deprimente. É engraçado, mas é triste.

Primeiro porque um candidato como Joaquim Roriz (PSC) segue tão longe em uma disputa eleitoral, com chances reais de ser eleito. Um candidato corrupto, que renunciou a seu cargo para não ser cassado e recebe novamente o aval de boa parte dos eleitores. E pior, que, correndo o risco de não ter sua eleição invalidada, implanta uma laranja, que, caso eleita, será oficialmente governadora, mas quem efetivamente governará será seu marido. Onde estaria o princípio da representatividade?

E Weslian periga ser votada pelo apelo do ridículo.

Essa situação subestima a inteligência do povo e sua autonomia, seu discernimento. É justamente essa autonomia e esse discernimento que podem dar uma resposta estrondosa a quem tenta fazer o povo de bobo. Se os Roriz forem acachapados em seus planos, os eleitores do Distrito Federal darão uma prova de que nossa democracia ainda é frágil, mas não tanto.

Casal Roriz ofende a democracia representativa brasileira