O 190 simplesmente não atende em Porto Alegre

A família que mora na casa do lado da minha é sempre grossa com todos do meu prédio.  Tratam mal sem motivo mesmo. Sabe riquinho metido a besta que se acha o dono do mundo? Eles se acham mesmo, tanto que cometem infrações. Por exemplo, o filho mais velho, que deve ter uns 10 anos, vive andando de moto na calçada aqui da rua. Não é uma super moto, mas é grande, tem motor, faz um barulho desgraçado e assusta as pessoas. Quase atropela às vezes.

Uma vez liguei pra polícia pra ver quão ilegal era a coisa. Bem, ele é menor de idade, dirigindo um veículo motorizado. Não tem carteira, evidentemente. E anda com esse veículo a motor na calçada. Nenhuma das três coisas é permitida. A polícia me disse que para registrar a queixa tinha que vir na minha casa antes. Desisti, pensando em quanto tempo eles perdiam com esse procedimento, tempo que podia ser usado para atender ocorrências.

Aí ontem o guri me acordou no meio tarde (fiz um concurso às 8 da manhã, tá) com aquele barulho dos infernos. Não dei bola. Hoje estou chegando em casa e quase sou atropelada. Subi, peguei o telefone e disquei 190. Chamou, chamou e nada. De novo.

Na semana marcada pelo descaso da Prefeitura de Porto Alegre, agora descubro mais uma negligência, mas do governo estadual.

E o guri continua ali embaixo…

O 190 simplesmente não atende em Porto Alegre

Os descaminhos de uma cidade maravilhosa

Essa tragédia no Rio de Janeiro parece de mentira. É gente demais sofrendo muito com as consequências de uma coisa que o Brasil sempre achou que não tinha: catástrofe. A história era sempre a mesma, o país era fudido, mas pelo menos não tinha terremoto, furacão. Nossos problemas eram políticos, administrativos e portanto solucionáveis, embora nunca tivéssemos tido uma prova disso. Mas em teoria eram. Catástrofes eram inevitáveis, não tinha o que fazer.

Agora, nossos problemas estão se invertendo. Se por um lado estamos longe de resolver nossos problemas mais humanos, lá em Brasília ou em cada estado, cada cidade, já melhoramos bastante, pelo menos olhando para o Brasil com toda a sua potencialidade, invertendo prioridades, um pouco que seja. Enquanto isso, chegavam enchentes, furacões, secas, ventos, mas principalmente enchentes mesmo.

Essa não é a primeira. A informação corre rápido demais hoje em dia. Notícias de ontem já embrulharam peixe ontem ainda. Mas lembrem-se. Aconteceu em Santa Catarina, em São Paulo, no Nordeste, no Rio Grande do Sul. O Brasil inteiro vem sofrendo.

Mas isso tudo não é tão inevitável assim. O Rio de Janeiro prova que boa parte das consequências é fruto do descaso. Se não podemos evitar a chuva (e ainda aí há controvérsias, porque o clima vem mudando também pela ação do homem, mas isso vai ser discutido em outro post), podemos impedir a ocupação de morros, podemos fazer coleta de lixo, tirar as pessoas de áreas de risco, dar condições dignas de moradia, de vida (recomendo a leitura desse texto).

Não é nada estratosférico. Na verdade, não é nada além da obrigação do estado. É o mínimo que se pode fazer, que se deve fazer. E que deveria ter sido feito, há muito tempo.

Essa catástrofe escancara o desleixo do governo carioca e do fluminense, mas em quantos outros lugares as pessoas estão sendo tratadas do mesmo jeito? Muitas são simplesmente ignoradas, mas outras são tratadas como bicho, o que é pior. A chuva vem do céu, mas a catástrofe é provocada por aqui mesmo.

É preciso que as pessoas enxerguem que não é porque o governo não tem dinheiro (aliás, pra onde vão os tão chorados royalties do petróleo?) que não faz nada. É falta de interesse, é porque tem outras prioridades. É porque pobre não merece atenção. Afirmo isso enfaticamente porque sei que é muito mais barato prevenir, tratar o problema antes que aconteça.

Só falta querer.

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P.S.: E esse aí, de braços abertos, fez o quê? Não vi, mas há boatos de que agora esteja com os braços cruzados.

Os descaminhos de uma cidade maravilhosa