Um pueblo llamado Salvador Allende

11 de setembro de 1973, um dia de superlativos. Foi quando um golpe derrubou o mais promissor governo socialista que já houve no mundo para instaurar a mais sangrenta das ditaduras latino-americanas.

Uma homenagem a Salvador Allende, que morreu em nome da utopia de transformar o seu país em um lugar melhor para todos os seus cidadãos. Nada mais justo que seja feita por Eduardo Galeano (em parte responsável pelo nome deste blog).

Via O Esquerdopata.

Um pueblo llamado Salvador Allende

A financeirização do futebol

Futebol. De quatro em quatro anos temos desculpa para comentá-lo. Gostamos de comentá-lo, até quem nunca se sente atraído pelo esporte. Bom momento para refletir sobre ele.

Um dos que falam com mais emoção sobre futebol é alguém não diretamente ligado a ele. Eduardo Galeano, mais conhecido por sua veia política, por tratar de sociedade, de desigualdade, é um apaixonado por futebol. Daqueles que usam o coração para falar da bola, do drible, do goleiro, até do árbitro. Com a vantagem de domar as letras como ninguém e conhecer a história do esporte.

E é com a mesma emoção que ele se dá o direito de reclamar dos rumos que o futebol tomou nas últimas décadas. Há séculos, milênios até, um esporte movido pela vontade, que bastava uma bola e algumas pessoas para que fosse jogado, sentido, observado, agora é um negócio. Bem lucrativo, aliás. Na verdade, um dos mais lucrativos do mundo. Um dos responsáveis por isso chama-se João Havelange, que, em 1974 anunciou que vendia um produto chamado futebol, que vendeu às empresas os direitos publicitários sobre os times, que financeirizou o esporte.

“No fim do século, os jornalistas especializados falam cada vez menos no talento dos jogadores e cada vez mais em suas cotações. (…) Os especialistas nos bombardeiam com o vocabulário da época: oferta, compra, opção de compra, venda, cessão por empréstimo, valorização, desvalorização.” (Futebol ao sol e à sombra)

A técnica se sobrepõe à raça, à arte, à garra, à beleza. De principais personagens, de comandantes do espetáculo, os jogadores viram peças, movidas por empresários donos do dinheiro. Produtos. Não é mais nem o técnico que decide quem joga, mas o dono do time, a empresa. Que paga muito bem, é verdade. Talvez os próprios jogadores nem tenham do que reclamar, levam uma vida das mais confortáveis. Mas e a alegria, ainda há espaço para ela? “Os resultados recompensaram isso que agora chamam de sentido prático. Viu-se pouca fantasia. (…) Até poucos anos atrás os atacantes eram cinco. Agora só resta um, e nesse ritmo não ficará nenhum.”

E os torcedores, como ficam? O futebol já foi um esporte popular, que sofria até de certo preconceito por ser coisa de pobre. Esporte de elite era tênis, golfe, rugby. Hoje, para ir a um estádio tem que ter grana. Um ingresso de 40, 50 reais em um jogo simples de Campeonato Brasileiro ou Gauchão é uma ofensa.

O dinheiro que gira dentro do futebol é uma ofensa. Não só ao torcedor, diretamente atingido por se ver tolhido de sua capacidade de assistir de perto ao espetáculo (que espetáculo?), de participar, de ser parte, mas a toda a sociedade. A inversão de valores da sociedade é cruel. E fortalece a desigualdade.

A financeirização do futebol

“A América que não está na mídia” será lançado no RS hoje e amanhã

O livro A América que não está na mídia, de autoria do jornalista Mário Augusto Jakobskind, Conselheiro da ABI e secretário-geral do SPJERJ (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro), será lançado em Porto Alegre e Pelotas, nos dias 12 e 13 de maio, respectivamente. A promoção é do Blog Somos andando, Coletivo Catarse e jornalistas independentes. Tem apoio do SindsprevRS, SindBancários de Pelotas, SemapiRS, Universidade Católica de Pelotas e Bancada PT na AL.

Grandes nomes
 
Com prefácio do jornalista Flávio Tavares e apresentação do coordenador do MST, João Pedro Stédile, além de comentário de Eduardo Galeano, A América que não está na mídia, editado pela Editora Altadena, aborda questões relativas a vários países da América Latina, geralmente não divulgadas pela mídia convencional, e discute a cobertura jornalística de um continente que está em processo de transformação. A orelha é do saudoso jornalista Fausto Wolff e a capa do cartunista Carlos Latuff.

O autor    
 
Jakobskind, além de integrante do Conselho Editorial do jornal Brasil de Fato é correspondente do jornal uruguaio Brecha e nos últimos 25 anos tem se dedicado ao estudo da América Latina, tendo já publicado livros que versam sobre o continente, entre os quais, América Latina – Histórias de Dominação e Libertação. É editor do site Página 64, que se auto-define como “um novo espaço fora do esquema do pensamento único”.

Nas palavras do próprio Jakobskind, “o objetivo principal [dos encontros hoje e amanhã] é debater. Quem for ao lançamento deve também estar imbuído desse espírito. Debater, participar do debate, contestar se achar que deve ou aprovar o ideário contido nas reflexões do A América que não está na mídia“.
 
SERVIÇO
 
PORTO ALEGRE
QUARTA – 12 de maio – 19h
Avenida Lima e Silva, 280 (Semapi/ Sindicato)
 
PELOTAS
QUINTA – 13 de maio – 19h
Auditório Campus II UCPel
Rua Almirante Barroso, 1202

“A América que não está na mídia” será lançado no RS hoje e amanhã

Um novo começo em movimento

Somos andando é meu novo blog. Apesar da mudança de endereço, de identificação visual e de nome, é praticamente uma versão remodelada do meu antigo Interpretando. Eu precisava de um título com um significado.

“Somos andando” é uma frase do educador Paulo Freire. A ideia é de que o que importa não é aonde vamos chegar, mas de que forma iremos para lá. É o caminho que faz o andante. Ou melhor, o andante faz o caminho, como diria o poeta espanhol Antonio Machado: “caminante, no hay camino, se hace camino al andar”.

Conheci a frase no livro De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, para quem “a verdade está na viagem, não no porto”. Pensando nessa frase, me dei conta ainda de que há mais nela. Se “somos andando”, somos muitos. Não sou eu que vou definir sozinha minha identidade ao longo de um caminho. O caminho só existe e só faz sentido se é plural, se é coletivo. Só se pode realizar a utopia em conjunto.

É um movimento… andando… E andando juntos.

A foto do cabeçalho foi tirada por mim na marcha de abertura do Fórum Social Mundial de 2010, em Porto Alegre. Não sei de que movimento são as pessoas que aparecem ali. Havia muitos lá, mas o que importa é que todos caminhavam lado a lado, trilhando um caminho coletivo rumo a um outro mundo possível. Achei que tinha tudo a ver com a ideia do título.

O blog deve continuar com a mesma proposta do Interpretando, de posts variados, sobre temas diversos. O critério que uso para escolher os assuntos é o interesse. Tudo o que eu acho que rende um post e que vá interessar aos leitores vai aparecer por aqui. Mas aviso, os assuntos mais correntes são política e jornalismo. Mas não os únicos, ressalve-se.

Jornalismo, aliás, é outro ponto importante que quero destacar. Pensei em criar o Somos andando no início do ano. Começar 2010 de blog novo. Mas, devido a viagens e outras atividades, não quis dar início a uma empreitada sem oferecer ao leitor pelo menos periodicidade. Deixei, então, para outro momento marcante.

Domingo, dia 31 de janeiro de 2010, anteontem, me formei em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pode parecer bobagem, mas é um fim de uma fase e o começo de outra, espero que ainda mais produtiva e de mais qualidade.

De resto, espero que o que aparecer por aqui tenha alguma relevância social, por menor que seja. E que vocês, leitores, gostem do que encontrarem.

Um novo começo em movimento