Zero Hora em campanha por Ana Amélia

Zero Hora esperou apenas a trégua dos 100 dias de início de governo para começar a campanha para as próximas eleições.

Depois de muito negar, a representante da RBS e integrante da bancada ruralista no Congresso nacional, Ana Amélia Lemos, admitiu a possibilidade de disputar a prefeitura de Porto Alegre ou o governo do estado.

O que era óbvio até para as pedrinhas da calçada, quanto mais para o grupo de comunicação que geriu a política Ana Amélia, foi finalmente admitido pela senadora e pelo jornal, na Página 10 de hoje (29). Favorecida pela imagem repetida à exaustão durante décadas na telinha, a política agora chega com fome para disputar com a esquerda e levar o PP e os interesses de seus principais representados, os latifundiários, para a cadeira do governador.

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Zero Hora em campanha por Ana Amélia

Começam eleições para escolher integrantes do Comitê Gestor da Internet no Brasil

Da Agência Brasil

Brasília – Representantes de empresas da área científica e tecnológica e de organizações não governamentais podem começar a escolher hoje (31) os 22 novos integrantes do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O objetivo da eleição é nomear 11 membros titulares e 11 suplentes para compor o comitê gestor, sendo oito representantes do setor empresarial, oito do terceiro setor (instituições com preocupações e práticas sociais, sem fins lucrativos) e seis da comunidade científica e tecnológica. Os candidatos eleitos terão mandato de 3 anos, sendo permitida a reeleição.

As instituições formaram colégios eleitorais e elegeram seus representantes legais (um por empresa), que tiveram até o dia 10 de dezembro do ano passado para indicar um candidato, exclusivamente para o seguimento no qual a entidade foi homologada.

Cada representante legal das entidades do setor empresarial poderá escolher um candidato até sexta-feira (4). No terceiro setor, vota-se em quatro candidatos, e na comunidade científica e tecnológica, em três. Os quatro candidatos mais votados e os quatro seguintes (três para comunidade cientifica e tecnológica) serão eleitos representantes titulares e suplentes respectivamente.

Na sexta feira, será divulgado o resultado das votações. Em caso de empate haverá votação em segundo turno em data a ser definida, se persistir o empate, será eleito o candidato mais idoso. Até o dia 11 de fevereiro serão aceitos recursos sobre o resultado da votação, após verificados no dia 18 será divulgado o resultado definitivo.

Os ministérios das Comunicações e o da Ciência e Tecnologia criaram comitê em 1995 com o objetivo de tornar efetiva a participação da sociedade na implantação, administração e uso da internet. A finalidade também é melhorar a qualidade dos serviços oferecidos pelas empresas do ramo.

Começam eleições para escolher integrantes do Comitê Gestor da Internet no Brasil

Luciana Genro, vítima da lei

O PSOL promove segunda, dia 6, um ato para defender que seja permitido a Luciana Genro se candidatar a vereadora nas eleições de 2012 em Porto Alegre. Bem, não votei na Luciana. Provavelmente não votaria para vereadora também. Mas esse caso específico não diz respeito a identificação ideológica, mas a coerência política.

Luciana está impedida de concorrer por conta de uma lei criada para impedir a manutenção de oligarquias familiares. A lei impede que parentes de até segundo grau de ocupantes de cargos do Executivo concorram a cargos eletivos, com duas ressalvas: pode concorrer à reeleição (que não seria o caso de Luciana, hoje deputada federal não reeleita para o próximo mandato porque o PSOL não atingiu o quociente partidário) ou para cargos acima da jurisprudência do cargo do parente já eleito. Ou seja, Luciana só poderia se candidatar a presidente, já que seu pai, Tarso Genro, foi eleito para o governo do estado do Rio Grande do Sul.

Considerando a possibilidade de reeleição de Tarso, Luciana pode ficar inelegível por até dez anos (os oito de mandato mais dois até ocorrer a eleição seguinte). É praticamente afastá-la de forma quase definitiva da vida política através de mandatos em cargos eletivos. Ficaria restrita à discussão como cidadã, também importante, mas de atuação limitada.

A lei foi criada com o nobre propósito de impedir a formação de oligarquias, que sobrevivem no Brasil, especialmente em algumas regiões, desde os tempos da República Velha. Mas no caso de Luciana Genro o bom senso há de determinar uma exceção. Ela é deputada há 16 anos e faz oposição ao partido do pai, um caso completamente diferente. Sendo a principal liderança do PSOL no Rio Grande do Sul, se Luciana não puder se candidatar, o prejuízo atinge o partido como um todo e a sua legitimação enquanto oposição de esquerda com alguma força.

A luta para que esse caso seja abordado como uma exceção é tão legítima que estão engajados na sua defesa políticos dos mais diversos campos partidários, da esquerda à direita, dos aliados de Luciana aos que ela mais ferrenhamente se opõe. O Somos Andando presta solidariedade à deputada Luciana Genro e ao PSOL.

Luciana Genro, vítima da lei

Por que precisamos de uma reforma política urgente

Definitivamente, algumas coisas estão bem erradas. Uma reforma urgente, que no futuro pode ajudar a construir outras reformas e projetos que o Brasil precisa, é a reforma política. Excrescências acontecem em todas as eleições, mas elas não podem ser tratadas como algo natural. Se podemos fazer alguma coisa para mudar isso, ela deve ser feita. Defendo três pontos em especial.

Pra começar, o financiamento público de campanhas. O sistema atual se torna muito injusto para candidatos que não têm grana de família, que não consegue algum bom patrocinador ou que represente setores menos ricos da sociedade. Se o cara trabalha com os interesses do agronegócio, ele consegue bastante dinheiro de latifundiários e faz uma campanha com muita visibilidade. Se ele defende a agricultura familiar, as doações são mais minguadas. E não adianta, isso faz diferença, sim.

A crítica ao financiamento público até faz sentido. Afinal, é a utilização de dinheiro do povo para se fazer campanha. Mas a possibilidade de democratizar a disputa, de torná-la mais equânime compensa, já que serão eleitos, provavelmente, candidatos mais comprometidos com o povo. Com chances mais iguais de todos apresentarem suas propostas, tende a prevalecer aquele que tem as melhores.

Em segundo lugar, o voto em lista. Esse aí impede que um candidato de uma região mais populosa e com menos concorrentes, por exemplo, ganhe de outro que pode ser mais qualificado e mais útil para o conjunto da população por conta dessas particularidades. Acontece a mesma coisa com representantes de determinados grupos ou apadrinhados políticos. Com o voto em lista, o partido compõe sua nominata e o eleitor vota em um projeto político, não em um rosto simpático.

Por fim, é absurda a quantidade de material produzido nas campanhas. Cavaletes, santinhos, cartazes, bandeiras… De que forma essa papelada que contêm apenas foto, nome, número e partido contribui para a decisão consciente? Sem a exposição da ideia dos candidatos, sem suas propostas, sua linha política dada apenas pela legenda – o que, em muitos casos, não quer dizer muito. Defendo, pois, que toda essa poluição visual seja proibida. Ela torna a corrida injusta, porque o candidato com mais grana aparece mais – isso já diminui com o financiamento público de campanha -, não necessariamente o com melhor propostas. E é um desperdício de dinheiro – seja ele público ou privado, corre pelo ralo – e de papel. Ou seja, traz ainda um enorme prejuízo ambiental. Deveria ser permitido apenas material que exponha uma plataforma.

Essas coisas tornariam a corrida eleitoral mais justa, e ambas dependem de uma reforma política. Espero que seja construída no futuro governo.

Por que precisamos de uma reforma política urgente

David Coimbra demonstraria muito mais inteligência se ficasse quieto

Diz Divid Coimbra na Zero Hora de hoje (01), em coluna intitulada A pouca importância da eleição:

“Não se iluda com o que vai ocorrer agora, neste domingo. Uma eleição não é importante. Numa democracia consolidada, menos do que isso: é quase irrelevante. Numa democracia consolidada, o Estado funciona a despeito de quem manda no governo.”

Já no finzinho, no último parágrafo, ainda completa:

“Dia desses, Lula cunhou frases pouco inteligentes sobre liberdade de imprensa.”

Aí eu me questiono: de quem é mesmo a frase pouco inteligente?

David Coimbra demonstraria muito mais inteligência se ficasse quieto

Conversa de fim de semana

A pessoa acaba de voltar de Minas. Poucos dias em Belo Horizonte e Ouro Preto.

– Não deu pra ver muito, mas o pessoal lá diz que Belo Horizonte está muito bonita, toda moderna. Que o Aécio melhorou muito a cidade.

– Mas esse tipo de coisa é incumbência da prefeitura, não do governo do estado.

– Ah, mas lá foi o Aécio.

É por isso que eu digo que cada um acredita no que quiser. E cada um tem o governo que merece (se bem que eu juro que não fiz nada de tão grave para merecer a Yeda).

Conversa de fim de semana

A fajuta democracia americana

Não, não acho certo que oposição tenha mais votos e situação fique com mais vagas, como aconteceu na Venezuela. Mas isso me lembra outro caso bem pior, que não foi tratado com tanto assombro por aqui. Mas antes de chegar lá, quero comentar algo que li na Zero Hora semana passada. Não encontro o link agora, mas era uma nota pequena, nem lembro ao certo a notícia, mas o repórter dizia alguma coisa como “parece estranho alguém dizer que a democracia brasileira é mais perfeita que a americana, reconhecida sempre como um exemplo”. As palavras eram outras, mas o conteúdo ia no sentido de dizer que a democracia dos ianques era tida como a ideal.

Pois é essa democracia que permite, por exemplo, que um presidente seja mais votado e outro, um Bush, assuma o posto. E, em se tratando de presidente da República, a coisa é bem mais grave. Até porque a Venezuela adota um sistema de representação distrital, escolhe parlamentares para representarem regiões. O presidente não representa regiões, mas o conjunto do povo. Ou seja, devia ser aprovado pela maioria absoluta.

Como no Brasil, aliás. Nesse Brasil que a imprensa vem acusando de pouco democrático. Que tem o sistema eleitoral mais avançado do mundo, que quase elimina fraudes. Que tem problemas, sim, e muitos. Que poderia contar com formas mais diretas de democracia, como a participativa, que tem no Orçamento Participativo criado pelo PT na Prefeitura de Porto Alegre seu exemplo máximo. Mas, considerando democracias representativas, é um exemplo para os americanos.

Estados Unidos, sistema político baseado no bipartidarismo. No Brasil, reclamam que o PT vai para o terceiro mandato, que vai chegar a 12 anos de poder. Nos Estados Unidos, foram séculos de alternância entre dois grupos políticos hegemônicos. E que continuam tendo o mesmo poder que sempre tiveram. Um um pouco mais conservador que o outro, mas nenhum efetivamente progressista (no sentido original da palavra, não o surrupiado pelo PP). Naquele 2000 em que Bush foi alçado ao cargo máximo do poder americano, o governo da Flórida estava nas mãos de seu irmão. Por coincidência, as regras das eleições foram alteradas pouco antes do pleito, as cédulas lá foram “mal planejadas” e dificultaram as eleições, atrasando a contagem dos votos e oportunizando fraudes. E, mesmo depois da eleição de Bush, continua sendo tratado como exemplo de democracia. Não é.

Tida como exemplo, torna-se ainda mais fajuta que as outras.

Ou seja, se vamos falar de democracia, se vamos questionar Venezuela, até mesmo Irã – não defendo o sistema político iraniano, por favor -, vamos questionar Estados Unidos. Vamos chamar na chincha a “democracia perfeita”.

Com telhado de vidro, não se atira pedra nos outros.

A fajuta democracia americana