Wikileaks: O 1º preso político global da internet e a Intifada eletrônica

Julian Assange é o primeiro geek caçado globalmente: pela superpotência militar, por seus estados satélite e pelas principais polícias do mundo. É um australiano cuja atividade na internet catupultou-o de volta à vida real com outra cidadania, a de uma espécie de palestino sem passaporte ou entrada em nenhum lugar. Ele não é o primeiro a ser caçado pelo poder por suas atividades na rede, mas é o primeiro a sofrê-lo de um jeito tentacular, planetário e inescapável. Enquanto que os blogueiros censurados do Irã seriam recebidos como heróis nos EUA para o inevitável espetáculo de propaganda, Assange teve todos os seus direitos mais elementares suspensos globalmente, de tal forma que tornou-se o sujeito mundialmente inospedável, o primeiro, salvo engano, a experimentar essa condição só por ter feito algo na internet. Acrescenta mais ironia, note-se, o fato de que ele fez o mais simples que se pode fazer na rede: publicar arquivos .txt, palavras, puro texto, telegramas que ele não obteve, lembremos, de forma ilegal.

Assange é o criminoso sem crime. Ao longo dos dias que antecederam sua entrega à polícia britânica, os aparatos estatal-político-militar-jurídico dos EUA e estados satélite batiam cabeças, procurando algo de que Assange pudesse ser acusado. Se os telegramas foram vazados por outrem, se tudo o que faz o Wikileaks é publicar, se está garantido o sigilo da fonte e se os documentos são de evidente interesse público, a única punição passível, por traição, espionagem ou coisa mais leve que fosse, caberia exclusivamente a quem vazou. O Wikileaks só publica. Ele se apropria do que a digitalização torna possível, a reprodutibilidade infinita dos arquivos, e do que a internet torna possível, a circulação global da hospedagem dessas reproduções. Atuando de forma estritamente legal, ele testa o limite da liberdade de expressão da democracia moderna com a publicação de segredos desconfortáveis para o poder. Nesse teste, os EUA (Departamento de Estado, Justiça, Democratas, Republicanos, grande mídia, senso comum) deixaram claro: não se aplica a Primeira Emenda, liberdade de expressão ou coisa que o valha. Uniram-se todos, como em 2003 contra as “armas de destruição em massa” do Iraque. Foi cerco e caça geral a Assange, implacável.

guardian-07122115-1.jpgWikileaks é um relato de inédita hibridez, para o qual ainda não há gênero. Leva algo de todos: épica, ficção científica, policial, novela bizantina, tragédia, farsa e comédia, pelo menos. Quem vem acompanhando a história saberá da pitada de cada uma dessas formas literárias na sua composição. O que me chama a atenção no relato é que lhe falta a característica essencial de um desses gêneros: é um policial sem crime, uma ficção científica sem tecnologia futura, uma novela bizantina sem peregrinação, comédia sem final feliz, tragédia sem herói de estatura trágica, épica sem batalha, farsa sem a mínima graça. Kafka e Orwell, tão diferentes entre si, talvez sejam os dois melhores modelos literários para entender o Wikileaks.

Continue lendo, n’O Biscoito Fino e a Massa.

Wikileaks: O 1º preso político global da internet e a Intifada eletrônica

Casa Militar teria alugado carro para seguir deputada do PT

Como o nome não foi citado, só lembro que foi durante o governo Yeda Crusius (PSDB), que utilizou a Casa Militar para espionar adversários políticos.

Da Zero Hora:

A Casa Militar do Piratini teria usado dinheiro público para alugar, em 2009, um veículo destinado a seguir a deputada estadual Stela Farias (PT). O carro, um Corolla, teria sido utilizado por pelo menos três dias para monitorar a rotina da petista, que à época presidia a CPI da Corrupção.

A ação, que foge às finalidades da Casa Militar – responsável por atuar na segurança da governadora e de seus familiares –, foi detalhada em depoimento pelo policial que admitiu ter dirigido o veículo. O PM contou o fato ao ser ouvido na investigação do Ministério Público de Canoas que apura supostos crimes praticados pelo sargento César Rodrigues de Carvalho, que era lotado na Casa Militar.

O soldado, que atuou na Casa Militar até o final de 2009, disse ter recebido ordem de um oficial para seguir Stela. A missão consistiria em verificar eventuais endereços, o que ela fazia e os locais que frequentava. Na segunda-feira, Stela recebeu do promotor Amilcar Macedo a confirmação de que teria sido seguida.

– Vou adotar medidas contra os mandantes, mas também espero que a Assembleia tome providências – disse ontem a deputada.

O tenente-coronel Abel Monteiro de Souza, chefe interino da Casa Militar, disse não saber do episódio.

Casa Militar teria alugado carro para seguir deputada do PT

Sargento suspeito de espionagem no RS aparece em fotos com alguns “alvos”

Por Lucas Azevedo, na Carta Capital.

Caso de espionagem trás a público fotos que podem ajudar na investigação do vazamento de dados do Sistema de Consultas Integradas do RS utilizados de maneira ilegal. As imagens estão sendo divulgadas pelo jornalista Políbio Braga. Por Lucas Azevedo

Estão se tornando públicas três fotografias que podem trazer mais elementos para a elucidação do caso envolvendo o sistema de espionagem instalado dentro do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.

Nas imagens, o sargento da Brigada Militar César Rodrigues de Carvalho, investigado pelo Ministério Público do RS por ser o principal levantador de informações de políticos e autoridades gaúchas a mando de assessores de Yeda Crusius, aparece junto a três de seus “espionados”: o senador do PTB-RS, Sérgio Zambiasi; o radialista da Rádio Gaúcha – Grupo RBS, Wianey Carlet; e do ex- Chefe da Inteligência e atual Chefe do Estado Maior do V COMAR, Coronel Warpschowski.

Nas duas primeiras fotos, Rodrigues está sentado em uma mesa, ao lado do senador Zambiasi, cuja ausência da disputa eleitoral deste ano ainda gera muitos questionamentos, e do radialista Wianey Carlet.

Na terceira imagem, o sargento posa junto com militares do Exército em solenidade realizada na 3ª Companhia de Guardas, este ano, em Porto Alegre, durante cerimônia de entrega da medalha do Batalhão Suez. Próximo ao sargento está o Coronel Warpschowski, de terno e óculos escuros.

Ao menos os dois primeiros registros fotográficos dão conta da proximidade entre espião e espionados. Cabe ao promotor Amilcar Macedo, que investiga o caso, desvendar o tipo de relação que Rodrigues mantinha – ou mantém – com alguns de seus alvos e o porquê da bisbilhotagem.

As fotos foram divulgadas primeiramente pelo jornalista Políbio Braga, célebre defensor da administração Yeda.

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Acrescento: Políbio Braga, célebre jornalista reacionário e sacana, que passa por cima de qualquer um pra não ficar por baixo em situação nenhuma. Mentiroso e asqueroso.

Sargento suspeito de espionagem no RS aparece em fotos com alguns “alvos”

A estranha segunda lista da arapongagem gaúcha

O promotor Amílcar Macedo liberou a segunda lista dos espionados pelo Palácio Piratini. É uma lista estranha, que inclui muita gente ligada ao governo, e muitos jornalistas da RBS. Considerando que alguns profissionais do grupo tiveram acesso a senhas da Secretaria de Segurança, não é leviano supor que houve uma busca para ver se estavam – os próprios ou seus colegas – sendo investigados. Curioso é que jornalistas da RBS tiveram acesso privilegiado a esta segunda lista.

Até o falecido Marcelo Cavalcante estava sendo investigado. O que nos leva, oportunamente, a retomar um caso ainda não esclarecido.

Chama a atenção a ausência de nomes de políticos da oposição.

Enquanto isso, hoje (22) pela manhã, a capa da Zero Hora.com nem mencionava a lista.

A lista, retirada do site da Carta Capital (que contém mais informações), é essa:

– Adriano dos Santos Raldi (procurador federal, um dos que ajuizou, em agosto de 2009, ação de improbidade administrativa contra Yeda Crusius e membros do seu governo)

– Bayard Fischer (médico, suspeito de mandar matar o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do RS, Marco Antonio Becker, em dezembro de 2008)

– Bárbara Margareth André da Rocha

– Berfran Rosado (deputado estadual pelo PPS-RS, ex-secretário de Yeda e candidato a seu vice)

– Carla Marcon Della Giustina

– Carlos Roberto Bondan e familiares (coronel da Brigada Militar, comandante do Comando de Policiamento Metropolitano)

– Cid Martins (jornalista, repórter da Rádio Gaúcha – Grupo RBS)

– Cristina Bolson Marchezan

– Edilson Paim (delegado da Polícia Civil–RS)

– Edis Ferreira dos Santos Cunha (promotor de Justiça)

– Estella Maris Simon (ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito-RS)

– Gisele Uequed (candidata à deputada estadual pelo PV-RS e filha do ex-deputado federal Jorge Uequed)

– Guilherme Pacífico (delegado da Polícia Civil–RS)

– Humberto Trezzi (jornalista, repórter do jornal Zero Hora – Grupo RBS)

– Jayme Sirotsky (presidente emérito do Grupo RBS)

– Jorge Uequed (ex-deputado federal pelo PMDB-RS)

– Magda Koenigkan (ex-mulher de Marcelo Cavalcante )

– Marcelo Cavalcante e familiares (ex-representante do governo gaúcho em Brasília, encontrado morto em fevereiro de 2009 no lago Paranoá, na Capital Federal. Supostamente se suicidou. Sua morte ainda não foi totalmente solucionada)

– Marcelo Sirotsky (família Sirotsky – Grupo RBS)

– Maria Olivia Girardello Sirotsky (família Sirotsky – Grupo RBS)

– Mateus Bandeira (presidente do Banrisul)

– Neldo Augusto Dobke Valadão (assessor jurídico do MP-RS)

– Nelson Marchezan Jr. (deputado estadual PSDB-RS, candidato a federal)

– Paulo Roberto Mendes (coronel da Brigada Militar, ex-comandante da instituição, e juiz militar indicado por Yeda Crusius)

– Ranolfo Vieira Junior (delegado titular do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil-RS)

– Renato Gava (jornalista, repórter do jornal Diário Gaúcho – Grupo RBS)

– Ricardo Englert (secretário da Fazenda do RS)

– Simone Mariano da Rocha (procuradora-geral de Justiça do RS)

– Wianey Carlet (radialista da Rádio Gaúcha – Grupo RBS)

A estranha segunda lista da arapongagem gaúcha

As maracutaias no governo gaúcho e o silêncio da imprensa

Walney Fehlberg foi demitido hoje. Não lembra quem é? Ah, claro, ninguém mais fala nele. O ex-diretor de Marketing do Banrisul, o banco dos gaúchos, foi preso semana passada, junto com dois diretores de agências de publicidade, com o equivalente a R$ 3,4 milhões em dólares, euros, libras e reais por não conseguirem explicar sua origem. Já foram todos soltos, mas a fraude, que diz-se chegar a R$ 10 milhões em superfaturamento, ainda não foi explicada.

O Ministério Público Estadual e o Ministério Público de Contas podem até estar dando prosseguimento à Operação Mercari, mas a imprensa, à exceção louvável do Sul 21, parece ter esquecido que o superfaturamento ficou no ar e que ainda precisamos de esclarecimentos.

A fraude aconteceu na gestão de Fernando Lemos, do PMDB, afilhado político de Pedro Simon e processado por gestão temerária do banco.

Quem assumiu o lugar de Fehlberg foi Ildo Musskopf, ex-gerente da Agência Parcão.

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Enquanto isso, descobre-se que jornalistas, principalmente do Grupo RBS, tinham 10 senhas para acessar informações sigilosas de forma privilegiada. A imprensa faz silêncio. Assim como se omite de insistir, perguntar, investigar, questionar, desconfiar de quem é o mandante do esquema de arapongagem promovido pelo governo do estado do Rio Grande do Sul. O sargento César Rodrigues de Carvalho foi solto hoje, mas ficou preso vários dias. Sozinho. Mas parece que ninguém quer ver que a senha usada por ele para chegar às informações descobertas pelo promotor Amílcar Macedo era de uso exclusivo de altos escalões. Quem foi o alto escalão que a passou para o sargento?

O sargento ganhou a liberdade mesmo sem nada no quadro mudar. Talvez porque, se ficasse preso, não ganharia nada em manter a boca fechada. Era preciso dar uma contrapartida para que o bode expiatório do governo gaúcho continue sendo praticamente o único culpado (o tenente coronel Frederico Bretschneider Filho também foi apontado no esquema e afastado do cargo), sem delatar os mandantes, os interessados nas informações obtidas.

As maracutaias no governo gaúcho e o silêncio da imprensa

Quem forneceu a senha ao sargento, afinal?

Quando vai aparecer o nome do mandante da arapongagem no Piratini? O sargento César Rodrigues de Carvalho tinha acesso a uma senha master só disponível para altos escalões. Alguém a forneceu. Cadê os documentos? O assunto não pode sumir do noticiário sem ser esclarecido, por mais pressão política e da mídia que possa haver.

Quem forneceu a senha ao sargento, afinal?

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela

“Está muito claro que esse processo não é fruto de falta de controle do sistema ou da cabeça do sargento. Estamos convencidos de que esse é um processo que tem mandantes, como o próprio promotor já falou”, disse a deputada Stela Farias na coletiva chamada pela bancada do PT na Assembleia Legislativa do RS hoje (08) à tarde.

O sargento a que se refere é César Rodrigues de Carvalho, preso por praticar espionagem e cobrança de propina quando estava lotado na Casa Militar do governo do estado como segurança da governadora Yeda Crusius. Ele usou senhas da Secretaria de Segurança para acessar dados de parlamentares, delegados, jornalistas e até crianças, filhos de deputados. O promotor a que Stela se refere é Amílcar Macedo, que investiga o caso e alertou a deputada que fotos de seu filho de oito anos haviam sido encontradas. “Essa situação é inaceitável, absurda, não podemos calar”, disse.

Stela fez questão de destacar dois pontos importantes. O primeiro diz respeito à investigação de Yeda, Ricardo Lied (ex-chefe de gabinete da governadora), Sandra Terra e Walna Vilarin Menezes (assessoras de Yeda), entre outros ligados à governadora. “A imprensa faz confusão, parece que está tudo no mesmo saco. Esses estavam sendo investigados para se proteger de possíveis arapongagens”. O objetivo, segundo Stela e Raul Pont, também deputado estadual e que falava em nome da bancada do partido, era averiguar se havia algum processo ou qualquer tipo de investigação contra eles.

Esquema vem do centro do governo

“Estamos convencidos de que há uma arquitetura de espionagem que sai do centro do governo”, disse Stela. Afinal, a espionagem aconteceu em outubro de 2009, o período mais quente da CPI da Corrupção, liderada pela deputada. “E é muito possível que tenhamos mais nomes nos próximos dias, de outros deputados, pelo que me disse o promotor.”

Posição do Parlamento

Diante das denúncias, o PT pede um posicionamento firme da Assembleia enquanto instituição, rechaçando a atitude, já que pelo menos dois de seus membros tiveram sua intimidade violada. “Isso não é correto, não é republicano”, afirmou Raul Pont, “nós somos portadores de um mandato, fomos eleitos para representar a população.” A bancada petista pede da Casa providências jurídicas e políticas. Ela terá ainda um advogado para acompanhar a investigação. Quer saber quem foi que forneceu ao sargento a senha master, que dá acesso aos dados e é restrita aos altos escalões.

Utilização na propaganda política

Questionado sobre a utilização eleitoral do episódio, Raul Pont foi enfático. “Não vamos transformar o debate eleitoral, que tem que ser programático, propositivo, mas não vamos tratar isso como uma coisa banal”, disse. “No Brasil as coisas parecem banais na sua excentricidade, mas alguém tem que dizer que isso não está certo.”

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela