Meia-entrada fajuta

Alguém, por gentileza, poderia me explicar por que razão os donos de cinemas têm que aumentar o valor do ingresso caso a meia-entrada para estudantes seja realmente meia? Hoje a lei obriga a dar apenas 10% nos fins de semana. O preço dos ingressos já é caro se tiver os 50%! Sete reais, no caso de o ingresso inteiro custar R$ 14, o que já vi por aí, já é um preço bem salgado.

E mais… Conheço gente que já trabalhou naquelas lojinhas do lado de fora do cinema, as que vendem pipoca, refrigerante e outras engordices nada saudáveis para o público, em sua maioria jovem e já nada saudável normalmente. Eles ganham absurdamente pouco, são realmente explorados. E já repararam como sempre tem filas quilométricas porque tem tri pouca gente atendendo?

Mas juro, eu vou no mercado e vejo um saquinho de pipoca e um real e uns quebrados. E um saco de milho faz trocentas panelas. No cinema, eles cobram R$ 13, 14, 15 por um combo de pipoca e refrigerante. Tem um saco de M&M’s dos maiores que é vendido no Zaffari a R$ 6,99. No Cinemark do Barra de Porto Alegre, vi a R$ 12.

Pois bem, um projeto do vereador Aldacir Oliboni (PT) foi aprovado na Câmara de Vereadores da capital gaúcha impondo a meia-entrada todos os dias da semana. E os empresários do cinema argumentaram que vai aumentar o preço, como mostra a Zero Hora. Tchê, quanto os caras querem ganhar em cima? É um desaforo!

Concordo com o vereador, de que seria uma forma de democratizar a cultura: “Os ingressos já são caros. Além disso, eles vão ganhar pela quantidade, já que vão ter casa cheia. Muitos jovens e estudantes precisam trabalhar e praticamente não tem acesso à cultura. Eles só têm o fim de semana e fica muito caro para ir ao cinema ou ao teatro”.

Meia-entrada fajuta

Exploração de mão-de-obra

Sábado ao meio-dia, supermercado Nacional da José de Alencar, em Porto Alegre. A atendente do caixa, muito simpática, conversa sobre comida. Conta da infecção intestinal que teve por conta da comida que a empresa serve de almoço para os funcionários. Que o frango tem que ser partido ao meio antes de ser provado porque geralmente está cru. Risco de salmonela.

O almoço é sempre tarde, ela não consegue se liberar cedo para ingerir a gororoba disponibilizada. Ela não come, empurra. Afinal de contas, comer é prazer, que essa comida não dá.

Ela trabalha todos os fins de semana, sem exceção. Sábado e domingo. Oito horas por dia. Geralmente não consegue sair do supermercado na hora que consta no contrato. O salário é menor do que o número de horas de trabalho. Se trabalha no domingo, tem uma folga na semana. Senão, tem que emendar.

Legislação trabalhista? Se fosse um minimercado, poderia fechar por conta da indenização a pagar aos funcionários nesses casos. Em um estabelecimento multinacional, as leis de mercado fazem com que o lucro seja maior explorando mão-de-obra, mesmo que depois ele tenha que bancar a conta dos processos que alguns funcionários devem abrir. Por que a norte-americana Wal Mart, dona da bandeira Nacional, se preocuparia com uma funcionária? São 70 mil os explorados da rede só no Brasil, em 355 lojas. Faturamento de R$ 17 bilhões em 2008. Realmente, um processo trabalhista de R$ 10 mil, R$ 20 mil, não faz nem cócegas.

As informações sobre a Wal Mart não foram recolhidas de nenhum site de denúncia. Foram tiradas da página da própria Wal Mart. Eles acham que é motivo de orgulho, não de vergonha.

O salário da funcionária eu não tive cara de perguntar. Mas com certeza está abaixo do nível de dignidade que essa exploração toda exigiria – se é que algum valor cobriria essa exploração.

Aumenta-se a tecnologia e, em vez de aumentar o tempo de lazer das pessoas e melhorar as condições de vida – afinal, diminui o trabalho, dá pra explorar menos -, aumenta o desemprego, porque a exploração continua. Faz sentido?

Exploração de mão-de-obra

Latino-americanos

Lendo sobre a história da América Latina a gente percebe como realmente o povo daqui sempre foi explorado. Não é uma generalização simplória, não se trata de uma parte da história da região. Desde que os europeus descobriram essa terra que ela se constitui de um sistema de classes de diferenças abruptas. Se em alguns momentos mudam as coisas de lugar, os colonizadores são mandados embora, os caudilhos perdem o poder, os governos caem, é só para substituir por outra forma de exploração. Principalmente os índios e negros, também os mestiços ou mamelucos.

Não importa a forma de governo, mas a sociedade sempre foi, em todos os países, baseada em uma elite de um lado e uma massa dominada de outro. Dominada e explorada, mal-tratada, dizimada. E dominada não por ter se deixado dominar. Ao contrário do Brasil, que teve uma independência pacífica e de mentirinha, no resto da América Latina ela foi fruto de muita luta. Tudo bem, servia aos interesses das elites naquele momento. Das elites e da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Mas o fato é que essas lutas e o caudilhismo que veio depois deixaram como herança uma sociedade de muita luta. Muita violência, muitas revoltas. Lendo tudo isso se torna ainda mais emocionante pensar na conquista que é ter representantes do povo no poder. Principalmente um índio, representante de um povo tão sofrido e tão explorado, como presidente da Bolívia. Não importa nessa divagação o que ele está fazendo no governo, o que todos os bolivarianistas e outros representantes do povo fazem nos seus países. Importa é que o povo chegou lá. E não foi para substituir uma elite por outra. É, de verdade, o povo no poder. Estará acontecendo a segunda independência da América Latina – a independência de verdade – por que clamou o jornalista, poeta e revolucionário cubano José Martí no século XIX?

torres garcia

Latino-americanos