A obscena fortuna de Eike

Se alguém me dissesse que tem na conta quase 700 milhões de reais, eu acharia o mundo injusto.

Perguntado por Marília Gabriela sobre o valor pago ao imposto de renda no ano passado, o empresário Eike Batista respondeu: “eu assinei um cheque de 670 milhões”. Não foi possível pagar no Rio de Janeiro porque o sistema não comportava o número de zeros. Teve que ir a São Paulo.

Nesse caso, já não é uma simples injustiça. É obsceno.

Emir Sader disse em mais de uma ocasião que só há pobres porque há ricos. É a oposição entre os extremos que perpetua a desigualdade. A culpa não é especificamente do Eike. Ele fez o jogo direitinho, se apropriou com inteligência das ferramentas que teve à disposição e acumulou muito dinheiro. Isso não faz dele uma má pessoa, mas demonstra que as coisas estão erradas, estão tortas.

Um sistema de sociedade justo deveria impedir que essas distorções ocorressem. O governo Lula vem conseguindo diminuir as distorções para menos, reduzindo a pobreza. Dilma fala agora em acabar com a miséria no Brasil. Mas não se fala em corrigir as distorções para mais.

Tudo bem, eles fazem o mais importante e urgente. Dar condições dignas de vida a todos é imperativo. Mas isso seria inclusive facilitado se alguma providência fosse tomada também com relação às grandes fortunas.

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