Inversão de valores

Ok, o Dia das Crianças já passou, mas tive acesso a esse artigo do Frei Betto hoje que me levou a uma reflexão. O que diabos essa sociedade de consumo está fazendo com as crianças? E, como consequência, com a gente, com a própria sociedade? Onde vamos parar?

Crianças pequenas só sabem pedir pros pais comprarem coisas. Quando voltam de viagem, a alegria não é por vê-los, mas por ver os presentes que trouxeram. É mais comum ver uma criança de 2, 3 anos pedir pra ir no shopping do que no parque. Quando não pode ter tudo que quer (e quer porque a TV diz pra querer, as ruas dizem pra querer, todo mundo diz), se frustra. Quando pode, ou vai se frustrar no dia que não puder mais (e daí vai ser ainda pior), ou vai ficar uma pessoa autoritária, egoísta, que se acha superior porque tem, não importa o quê.

Fora a adultização, que suprime a infância. Não só rouba das crianças os melhores e paradoxalmente (porque crianças estão sempre sendo cuidadas pelos pais) mais livres anos da vida, como traz distúrbios que vão lhe acompanhar sabe-se lá por quanto tempo.

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A inversão de valores é o que mais preocupa, porque atinge toda a sociedade e porque não faz sentido. Por mais que eu também queira coisas – e quero muitas, e também gosto de comprar, também vivo nessa sociedade de consumo -, não consigo entender tudo isso. Não dá pra explicar por que uma roupa cara vale mais do que um carinho. Ou até mesmo por que uma roupa cara vale mais do que uma barata, mesmo que sejam da mesma qualidade, apenas por terem uma etiqueta diferente. Ou por que uma criança tem direito a roupas caras e outra não tem direito a comidas baratas. É, não dá pra entender essa sociedade de consumo…

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