Futebol quebra a indiferença cotidiana

Merecia um estudo antropológico a forma com que as pessoas lidam com futebol. Não falo nessa coisa de ver os caras correndo atrás da bola, da torcida maluca no campo de futebol, da paixão pelo time, nada dessas coisas. Mas da sensação de pertencimento a um grupo que o futebol carrega consigo.

Quando visto minha camisa do Inter, a relação das pessoas na rua muda. A indiferença costumeira cede espaço a uma camaradagem inusitada. Especialmente em dia de grandes eventos, a comoção aumenta, a troca se dá de forma mais intensa e frequente. Ontem (18) o Inter jogava a final da Libertadores em Porto Alegre. Já de manhã cedo, vestindo a camisa do time, conversei com uma série de desconhecidos, pessoas buzinavam de seus carros, me jogavam palavras de apoio. De forma meio involuntária, eu fazia parte de uma irmandade quase.

É engraçado. O mesmo cara que um dia te xinga quando te vê atravessando a rua na faixa de pedestres na hora que ele queria passar com seu carro, no dia seguinte se torna teu melhor amigo na torcida pelo mesmo time.

O isolamento que as pessoas se impõem cotidianamente sufoca. São esses momentos de festa comum, de identificação, que as salvam um pouco de serem sempre sós. Nesses momentos elas se permitem ser mais felizes, mais humanas. Aproximam-se das outras pessoas do mundo. Conversam com desconhecidos. Sociabilizam. Rompem as barreiras da solidão.

É bonito. Pena que acontece tão pouco. De repente seria interessante se deixar tocar pelo espírito de comunidade com mais frequência. Apenas um sorriso sem motivo de vez em quando já cairia bem.

Futebol quebra a indiferença cotidiana

Lula defende rotatividade na presidência da CBF

Quer saber por que a elite brasileira não gosta do Lula, mesmo tendo mantido seu alto padrão, saído bem da crise, melhorado ainda mais de vida durante seu governo? Porque alguns privilégios são combatidos, sim. Mesmo que muitos desses combates não deem resultado, incomodam, fazem ver que tem coisa errada.

A Confederação Brasileira de Futebol é filhote da Fifa, uma das maiores máfias do mundo, uma verdadeira organização criminosa, que lida com quantias que reles mortais como nós somos incapazes de absorver. Seu presidente, Ricardo Teixeira, está no posto desde que me conheço por gente, mais ou menos – para ser exata, desde 1989. É sabido que ele coordena a maracutaia do futebol brasileiro, que passa por vários aspectos, inclusive as negociações com a Globo de horários de jogos, os patrocínios e tantos interesses financeiros graúdos.

Pois Lula defendeu uma rotatividade nas organizações de um modo geral, no dia seguinte em que Ricardo Teixeira, o cara que só quer deixar o cargo se for para assumir a presidência da Fifa, propôs uma renovação na Seleção Brasileira. É pra renovar? Então oito anos e tchau. Não tem sentido um dirigente ficar mais tempo em um alto posto, perpetuando seu poder, ainda mais da forma como acontece na CBF. Quem decide qual cara senta na cadeira? E os que decidem, têm rabo preso?

Seria um exercício bacana de democracia. Falta apenas explicar a Ricardo Teixeira o que é democracia.

Lula defende rotatividade na presidência da CBF

Recado da embaixada paraguaia à Globo

Puxado do Luis Nassif Online:

Embajada de la República del Paraguay

Brasilia – Brasil

Brasilia-DF, 2 de julio de 2010.

EP/BR/9/046/2010

Ref.: Publicación de SporTV.

Señor Director:

Me dirijo a Usted con el objeto de manifestarle nuestro desagrado por un video exhibido en una programación del Canal de Televisión SporTV, miembro del grupo periodístico de su Dirección, relacionado con la participación de la Selección paraguaya en el Mundial de Futbol Sudáfrica 2010.

Expresamos nuestro rechazo a la difusión de un material que, con un supuesto tono humorístico, denigra al pueblo paraguayo, ironizando sobre nuestros valores culturales y atractivos naturales.

No podemos comprender el objetivo de dicha publicación y menos aún cuando ello ocurre de parte de un medio periodístico prestigioso que no necesita recurrir a la infamia para ganarse mayor audiencia.

s muy satisfechos del lugar que actualmente ocupa nuestra selección en el Mundial de Sudáfrica y más aún por el hecho de ser una de las 4 selecciones de América, coincidentemente pertenecientes a los 4 Estados Partes del MERCOSUR, que han arribado a estas instancias en tan importante certamen deportivo.

Tenemos legítimo orgullo de nuestras costumbres y tradiciones, así como de nuestros recursos y atractivos turísticos, por lo que una publicación de indiscutible mal gusto, como la referida, no conseguirá menoscabar el lugar ganado con mucho esfuerzo en el deporte ni los valores de pueblo y naturaleza de nuestro país.

Por tratarse de una reiterada falta de respeto en el mismo medio televisivo, me permito solicitarle que la programación del grupo periodístico de su dirección, respete la dignidad del pueblo y gobierno de la República del Paraguay.

Atentamente,

Didier César Olmedo

Ministro de Embajada

Encargado de Negocios a.i.

Al Señor

Antonio Carlos Drumond,

Director de la Red GLOBO

Brasilia, DF.

Recado da embaixada paraguaia à Globo

Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional

Post atualizado em 02 de julho, às 23:45.

Cospe pra cima, cai na testa, dizia minha mãe. Foi o que aconteceu com a Globo hoje.

O jornal paraguaio La Nación diz que a Laranja Mecânica foi responsável por “acallar a la soberbia brasileña”. E por “brasileira” ele se refere à Rede Globo, não ao país como um todo, como fica claro logo nas frases seguintes. A crítica se dirige especialmente à SporTV, canal fechado que pertence à emissora e que divulgou um vídeo desrespeitoso à Seleção Paraguaia e ao Paraguai, a seu povo.

O desrespeito vai além do futebol, segundo o jornal: “ironizan sobre nuestras comidas y nuestras costumbres”, em linguagem debochada. O único valor paraguaio apresentado pelo vídeo é Larissa Riquelme, a “novia del Mundial”. Além de agressivo com os paraguaios, o curta é machista. Desvaloriza todo um povo e todo um gênero. As mulheres são vistas como objetos.

A matéria se coloca ao lado de Dunga pela resistência aos abusos da Globo. E completa: “La Naranja Mecánica se encargó así de hacer justicia y dar una gran lección a quienes tienen en el corazón una rabia innecesaria hacia una nación pobre pero digna”.

Mesmo que o grau de deboche fosse exagerado pelos paraguaios, chamaria a atenção que a Globo já vem recebendo críticas internacionais por conta da sua irresponsabilidade na forma de fazer jornalismo. Mas não é o caso, a ironia é de fato extremamente ofensiva. O vídeo trata o nosso vizinho como um país desprovido de quaisquer qualidades, feio, triste, pobre. É asqueroso.

Debochar de outros países extrapola os limites do esporte, do futebol, e avança no terreno político. São as relações internacionais brasileiras, são povos, são culturas. Pode haver diferenças, mas não há como definir melhores e piores. É aí que entra o respeito. Ou deveria entrar.

A Globo transferiu a ironia que dedica à política externa do governo Lula ao futebol. Fez mal, muito mal. E ficou bem feio.

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A dica da matéria do jornal paraguaio foi dada por Dodi (@dodi_vota13), pelo Twitter

A foto é de Reinaldo Marques/Terra.

Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional

Breves comentários sobre notícias do dia

A Islândia quase foi à falência, mas antes disso liderava rankings de desenvolvimento humano, felicidade, essas coisas bem positivas que todo o mundo quer ter. Um país nórdico, frio de gelar os ossos, mas com níveis avançados de educação e igualdade social. O resultado de políticas voltadas para o ser humano, de um desenvolvimento não apenas econômico – o qual se viu ser uma falácia -, mas principalmente social, é esse:

“Primeira-ministra da Islândia se casa com parceira”, é notícia no Estadão. O país não só liberou a união entre parceiros do mesmo sexo, como é suficientemente esclarecido para aceitar que sua chefe de Estado se case com outra mulher.

Fiquei positivamente surpresa de termos algum lugar no mundo com esse nível de aceitação. Contente mesmo.

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“Dunga admite preocupação com cartões de Kaká”, também do Estadão.

Peraí, ele não era o bom moço evangélico que casou virgem e toda a sogra queria como genro?

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“Guerra diz que rixa com DEM compromete vitória de Serra”, d’O Globo.

O PSDB gastou o Alckmin nas eleições passadas para não usar o candidato mais forte em uma eleição perdida, contra o bem-cotado presidente Lula. Preferiu guardar a carta principal para quando a disputa fosse mais fácil. Errou feio. Acreditando na suposta superioridade de Serra contra qualquer outro candidato que não Lula, adotou estratégias equivocadas. A começar por acreditar que o Serra fosse tudo isso. O resultado é que o candidato tucano mostrou-se despreparado em muitos casos, não sabendo como agir, ora criticando duramente o governo, ora querendo parecer quase parte dele, para pegar carona na popularidade de Lula. Nada disso vem dando certo.

Depois do fiasco de o segundo colocado em todas as pesquisas à Presidência de um país grande e importante como o Brasil não conseguir ninguém que queira ser seu vice, vem a briga pública com o DEM. Convenhamos, amadorismo total. Parece que entraram na política ontem, não conseguem lavar a roupa suja em casa e vêm afundando a própria candidatura, que já andava com água pela cintura.

Resumindo, apesar da equipe supostamente competente, de ter a estrutura de um partido forte e rico como o PSDB por trás, Serra não precisava nem de rixa com o DEM para ver suas chances de se tornar presidente declinarem. Começou se achando a última bolachinha do pacote, disputadíssimo. Viu-se quase implorando para alguém aceitar posar a seu lado e afundar de mãos dadas. Com Álvaro Dias ou com o DEM, Serra cai. Não precisa nem de empurrão.

Breves comentários sobre notícias do dia

A Copa é chata porque o futebol é só um negócio

Eduardo Galeano tinha razão. Depois do jogo de ontem contra Portugal e do que vem sendo a Copa do Mundo desse ano, não tem mais como se empolgar com o futebol. Pelo menos com o futebol profissional ou, restringindo um pouco mais, com esse extremamente profissional que move rios de dinheiro e envolve nomes mundialmente conhecidos.

Não questiono que todos querem ganhar e portanto o futebol de resultados, que ignora a beleza, também mantém seu sentido. O problema é quando os interesses maiores não são nem no placar, muito menos no estilo do jogo ou dos jogadores, mas não aparecem, estão escondidos em conversas fora dos gramados.

Quando o cara é extremamente bem pago para dar o melhor rendimento que a tecnologia permite, com profissionais altamente especializados explorando em que parte do corpo pode-se investir mais, com o exercício certo, a comida ideal, tudo muito bem definido, bastante específico, talvez ele deixe de se preocupar com o futebol. A bola é um acessório a mais. Nada mais poderia ser imprevisível.

Mas é, porque essa fórmula não funciona. Esquecer a origem do futebol, da brincadeira – afinal, é um esporte! – não dá resultado, porque torna tudo falso. Daqui a pouco, jogadores serão fabricados, feitos de plástico. O que, na verdade, é só um passo a mais, porque eles já são praticamente fabricados.

Já falei do contra-senso, do desrespeito com a sociedade que é investir tanto dinheiro em futebol. Agora questiono a validade dessa política para o próprio futebol. Alguém aí está satisfeito com os resultados obtidos ultimamente? Não falo em números, mas quero saber se o pessoal acha que o futebol está ficando mais interessante. Eu acho que menos. A Copa está chata, as únicas surpresas são porque seleções grandes estão fracas demais e não conseguem se classificar. Nada de bom chama a atenção, nada empolga. Só vejo pessoas reclamarem dessa Copa. Junto-me ao coro.

A Copa é chata porque o futebol é só um negócio