Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ironiza Veja em nota oficial

Merece ser repercutida a nota da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em resposta a uma matéria daquelas publicada na Veja. A ironia despendida pela ministra faz jus à postura assumida pela revista. É um tapa com luva de pelica. Chega a dar uma esperancinha sobre a relação do governo com a nossa imprensa esdrúxula, mentirosa e desrespeitosa.

Nota oficial da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann

Sr. Lauro Jardim
Editor da Coluna Radar
Revista Veja

O apartamento que possuo em Curitiba tem menos de 190 metros quadrados de tamanho e não 412 metros, como afirma nota divulgada hoje, 25, no Radar on-line. Há outros erros na nota. A saber: diferentemente do que informa Lauro Jardim, a lei não permite, mas DETERMINA que o valor declarado ao Imposto de Renda seja o de compra. Assim, o apartamento, que adquiri em 2003, tem sido declarado pelo valor de compra desde a declaração de 2004. Sobre o valor de R$ 900 mil, citado na nota: é claro que meu apartamento valorizou-se nestes oito anos após a compra, mas, se Lauro Jardim ou o corretor que, diz ele, avaliou o imóvel, desejarem comprá-lo por este preço, podemos conversar.

Gleisi Hoffmann

Publicada no Blog do Planalto

Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ironiza Veja em nota oficial

Pronto, a imprensa derrubou Palocci

Não, não defendo o Palocci. Na verdade, não gosto dele, nem política nem pessoalmente. Mas é impossível não considerar, na articulação que levou a sua queda da Casa Civil, que algo de muito errado aconteceu.

Em primeiro lugar, a presunção de inocência, direito de qualquer cidadão, foi completamente ignorada. Não que isso não fosse esperado, conhecendo nossa imprensa. Mas a orquestração para derrubá-lo foi muito além de qualquer limite.

A torcida pela sua queda misturava-se com a pressão para que ela acontecesse, a ponto de ser impossível detectar onde terminava uma e começava outra. A partir de determinado momento, ninguém mais questionava se Palocci tinha ou não culpa no cartório. A pergunta geral que se ouvia na imprensa – e tomo como exemplo Lasier Martins, na rádio Gaúcha, emissora do grupo RBS – era quanto tempo ele resistia no cargo. Ou seja, já estava definido, não pelo governo, que ele cairia; a única dúvida era quando e como.

O caso serviu também para desgastar fortemente a imagem de Dilma. Não que o governo tenha contribuído, com sua falta de ação diante da iminente crise forçada e de certa forma também forjada – já que a proporção que o caso tomou vai muito além da sua real dimensão. Mas a crítica à presidenta exacerbou-se pelo lado errado. Quase não se dizia que ela era conivente, mas se enfatizava que ela não tinha comando, que Lula havia tomado as rédeas, que os brasileiros não gostavam e não queriam isso. Ouvi esse comentário do mesmo Lasier e de tantos outros, como se sua opinião representasse a de todos os cidadãos e cidadãs do país. Em uma clara tentativa de torná-la, isso sim, a opinião do povo. O velho papel, cada vez menos eficiente, de formador de opinião.

Não se questiona o papel da mídia de apontar erros, crimes ou qualquer outro problema e cobrar explicação. O que incomoda é a forma de fazê-lo e o critério. Na verdade a falta de critério, que faz com que o tratamento seja completamente diferente a depender do partido no governo.

Nesta história toda cansa também a notícia pronta de antemão. Foi assim que a imprensa definiu que a sucessora de Palocci seria a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ou a diretora da Petrobras Maria das Graças Foster, com alguma pequena chance de o escolhido ser o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. No fim, deram com os burros n’água, e Dilma escolheu a senadora Gleisi Hoffmann.

Não que não tenha sido engraçado. Todos batendo na mesma tecla, num uníssono que já cansou há tempos, para serem todos desmentidos depois. A notícia estava pronta, mas não era de verdade. Para completar, analisava-se o perfil de Miriam Belchior e Maria das Graças Foster como “gerentonas”, sendo cada uma delas uma perfeita “Dilma da Dilma”. Notícia repetida e cansativa, forjada apenas para criticar o estilo da presidenta, já que se comentava que nenhum ministro queria duas dilmas, que ninguém agüentaria.

No fim, não foi nenhuma das duas. Mas qual a legenda para a foto de Gleisi na capa da Zero Hora de hoje? “A Dilma de Dilma: Gleisi Hoffmann será uma técnica na Casa Civil”. Pelo menos a gente se diverte…

Seguem alguns poucos exemplos…

http://twitter.com/#!/BlogdoNoblat/status/78110619152285696

http://twitter.com/#!/andrelmachado/status/78077218206650369

http://twitter.com/#!/rosaneoliveira/status/76796748722479104

http://twitter.com/#!/cristilobo/status/77887348758675457

http://twitter.com/#!/reinaldoazevedo/status/78169168167436289

P.S.: Com a notícia de que Gleisi Hoffmann ocuparia a Casa Civil, imediatamente me ocorreu questionar quanto tempo levariam os comentários machistas. A resposta veio rápido demais. Uma breve olhada no perfil de Reinaldo Azevedo no Twitter é suficiente.

Pronto, a imprensa derrubou Palocci