Governo tem espaço 2.0 para conversar com a sociedade na Rio+20

Vai ser na Arena Socioambiental que o governo federal vai dialogar com a sociedade civil sobre temas sociais durante a Rio+20. Nos jardins e pilotis do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, no aterro do Flamengo, vão rolar debates, programação cultural e mais um monte de coisas bacanérrimas de 16 a 22 de junho. E, como se não bastasse, o espaço é 2.0!

Baseada na ideia de que não se faz desenvolvimento sustentável sem inclusão social e combate à miséria, a Arena Socioambiental realiza dois diálogos por dia, com três debatedores presencias – incluindo membros do governo e representantes da sociedade civil – e um webconferencista cada, na Arena Encontros Globais. Os debates trazem temas como direitos humanos, combate à pobreza, democracia, autonomia das mulheres, cidades, soberania alimentar e mais um monte de assuntos superinteressantes. Tudo no contexto do desenvolvimento sustentável.

No intervalo entre eles, o Palco #SonoroBrasil apresenta uma programação cultural popular que valoriza a diversidade do povo brasileiro, com atrações de diferentes regiões do país e estilos musicais diversos.

Toda a programação desse espaço, incluindo diálogos e atrações culturais, vai ser transmitida ao vivo pelo blog arenasocioambiental.org, que estará no ar em alguns dias. O código-fonte também será distribuído para quem quiser transmitir em seu blog ou site particular. Uma equipe de primeira vai fazer a cobertura interativa nas redes sociais de tudo que estiver acontecendo por ali. Aliás, vale seguir e compartilhar as redes da Arena no Twitter (@ArenaRIO20) e no Facebook. Tweets citando a hashtag #ArenaRIO20 vão aparecer no painel de LED montado dentro do espaço, somando ao debate que estará rolando ali para um público presencial de 350 pessoas (a entrada é livre!) e quem estiver acompanhando pela rede.

Os debates acontecem todos os sete dias da Arena Socioambiental, das 14h30min às 16h30min e das 17h30min às 19h30min. A programação cultural começa às 16h30min.

Além da Arena Encontros Globais, onde fica também o Palco #SonoroBrasil, a Arena Socioambiental traz a Exposição Portinari+Brasileir@s (baseada no slogan “O Brasil é um país que cresce, inclui e protege”), a Praça da Sociobiodiversidade (onde vai dar pra dar uma engordada com produtos de todas as regiões do país) e o Café+20 (com produtos da agricultura familiar).

A coordenação da Arena Socioambiental é do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com participação dos seguintes ministérios: Meio Ambiente; Desenvolvimento Agrário; Saúde; Educação; Justiça; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Comunicações; Previdência Social; Aquicultura e Pesca; Integração Nacional e Secretaria-Geral da Presidência da República. E das secretarias: Direitos Humanos; Políticas para as Mulheres e Políticas para a Promoção da Igualdade Racial. Os principais patrocinadores são Correios e Banco da Amazônia.

Governo tem espaço 2.0 para conversar com a sociedade na Rio+20

Começa o governo Dilma

Vi alguns comentários por aí criticando a demissão do ministro Nelson Jobim porque, segundo eles, o titular da Defesa devia ficar no cargo até não aguentar mais e pedir pra sair, com o rabo entre as pernas. Tudo bem, seria uma cena bonita de se ver, mas discordo da tese. O número de “foras” cometidos por Jobim recentemente tornava inviável que ele permanecesse. Vejamos… o elogio escancarado a Fernando Henrique Cardoso no seu aniversário, com direito a indiretas explícitas contra o governo e a presidenta; a afirmação de que votou no adversário na eleição baixa e cruel que elegeu a presidenta do governo do qual faz parte; por fim, as críticas machistas e descabidas às ministras das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ficaria muito feio para Dilma mantê-lo depois dessa patacoada toda.

Era óbvio que Jobim acabaria saindo de qualquer jeito de um governo com o qual não concorda e onde se sente desconfortável. Dilma não é Lula, a relação dele com a chefe do poder agora é outra. Se não quisesse sair do governo, não teria aberto a boca. Uma vez, sem querer, até vai, mas isso que está acontecendo não se explica. Ele forçou sua demissão, sim. E demiti-lo é fazer o seu jogo. Mas há males que vêm para o bem, e entramos na brincadeira de Jobim, mas saímos no lucro. Ou seja, sem ele. Livramo-nos do pior, mesmo que ele também pareça contente com isso. Que ele vai aproveitar para se juntar à oposição, isso é óbvio. Vai tentar construir sua carreira do outro lado para crescer mais adiante. Mas não é verdade que ele sai por cima. Ele sai do governo bem quisto pela oposição, mas sai como uma figura política traiçoeira e desleal.

Não tinha como não demiti-lo. E Dilma está mostrando pulso firme na forma de fazê-lo, mandando até um avião buscá-lo na Amazônia para efetivar sua demissão. Ganha pontos e garante sua autoridade e respeito. Mas que não me venha substitui-lo por Aldo Rebelo (PCdoB), que está sendo cotado para o cargo. Agora é a hora de aproveitar que se livrou de um estorvo e ajeitar a casa.

Agora é um dos momentos mais importantes do governo Dilma, que contribui para definir sua personalidade. A presidenta pode finalmente se livrar de um entrave importante, que lhe foi imposto e que travava a possibilidade de fazer andar um governo totalmente com a sua cara. Começa, então, o verdadeiro governo Dilma. Assim espero.

Começa o governo Dilma

Lula valoriza cooperação Sul-Sul ao representar o Brasil na África

Íntegra do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva na 17 ª Cúpula da União Africana, em Malabo, Guiné Equatorial – 30 de junho de 2011

Quero saudar o Excelentíssimo Senhor Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Presidente da Guiné Equatorial e da União Africana e ao fazê-lo saúdo todos os Chefes de Estado e de Governo e as autoridades aqui presentes

É uma honra estar presente nessa Décima Sétima Assembleia Geral dos Chefes de Estado da União Sul Africana, que abordará um tema de caráter estratégico: a integração da juventude ao processo de desenvolvimento sustentável. Estou aqui como convidado e também representando o Brasil e a Presidenta Dilma Rousseff, que sabe da importância desse encontro, pela relevância do tema escolhido e por abrir mais uma oportunidade para estreitar as relações entre a África e o Brasil.

Inicialmente, quero agradecer o apoio dos países africanos ao processo que permitiu a eleição do meu ex-ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, para o cargo de Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.

Essa foi uma reafirmação da cooperação Sul-Sul, essencial para combater a insegurança alimentar que ainda afeta quase um bilhão de pessoas em todo o mundo.

A eleição de Graziano é um trunfo dos países em desenvolvimento e um reconhecimento do crescente papel que desempenham num mundo cada vez mais multipolar.

A escolha, pela União Africana, do tema da integração da juventude da África ao processo de desenvolvimento sustentável é muito oportuna, especialmente porque 60% da população africana têm menos de 25 anos e o continente passa por um acelerado processo de urbanização.

Aprendi nos oito anos que governei o Brasil, que além de investir na melhoria da educação e da oferta de empregos de qualidade para os jovens, o que os entusiasma é a esperança e a confiança de que terão um futuro melhor.

Foi o que conseguimos no Brasil, ao tratar a juventude não como um problema, mas como uma solução.

Criamos um processo virtuoso, de inclusão social e redução das desigualdades, num ambiente amplamente democrático.

Mostramos que é possível combater as desigualdades sociais, reduzir a pobreza, valorizar o emprego e os salários, fortalecer o mercado interno sem comprometer a solidez e a estabilidade macroeconômica.

Ao mesmo tempo, investimos muito na quantidade e qualidade da educação pública, desde a creche até os cursos de pós-graduação.

Como resultado, vinte e oito milhões de pessoas saíram da pobreza e 36 milhões ascenderam à classe média nos últimos oito anos.

E, o que é muito importante, aumentou a autoestima do povo brasileiro, especialmente entre os jovens. Uma pesquisa realizada no começo deste ano, em 25 países, pela Fundação de Inovação Política da França, mostra que a juventude brasileira é a segunda mais otimista do mundo em relação ao próprio futuro.

Minhas amigas e meus amigos.

A juventude não é uma simples passagem, uma mera ponte entre a infância e a maturidade. Não é, de modo algum, uma idade vazia. Ao contrário, é uma faixa etária singular, fortemente diferenciada. Poucas épocas na vida são tão marcantes e definidoras.

O jovem tem um imaginário particular e suas próprias necessidades objetivas e subjetivas, que devem ser contempladas por políticas públicas específicas, que lhes assegurem direitos e oportunidades.

Muitas vezes a juventude é tratada como um problema, um risco para a sociedade, quando deve ser encarada como parte da solução. A juventude é um ativo, um capital extraordinário. A sua capacidade de mobilização pelas grandes causas do progresso e justiça é inigualável. O seu potencial de solidariedade é imenso.

Desde que saibamos, é claro, reconhecer os direitos dos jovens, oferecendo-lhes autênticos canais de participação na vida social, política e econômica.

Na história do meu país, grandes conquistas populares foram obtidas graças à mobilização juvenil. Basta lembrar que o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial contra o nazi-fascismo pelo clamor da juventude. A luta pela criação da Petrobras, a nossa empresa estatal que já é a segunda do mundo em energia, foi liderada pela juventude.

Nossos rapazes e moças estiveram igualmente na vanguarda da luta contra a ditadura e pela redemocratização do país. Não há bandeira humanista e libertária que os jovens brasileiros não defendam com entusiasmo assim como certamente ocorreu e ocorre com os jovens africanos, que foram decisivos em todos os processos de libertação nacional do continente. É o que acontece em todo o mundo.

Por isso quero saudar essa iniciativa da cúpula dos Chefes de Estado da União Africana, de realizar uma assembleia geral especialmente para discutir a juventude, como fazê-la participar do processo de fortalecimento da economia e da democracia.

O papel da juventude é cada vez mais reconhecido como fundamental para o processo de desenvolvimento, o que levou a Organização das Nações Unidas a eleger o período de agosto de 2010 a agosto de 2011 como o Ano da Juventude.

Minhas amigas e meus amigos

O Brasil está muito atento às transformações em curso na África, um continente em que a economia vem crescendo a taxas muito mais altas do que nos países desenvolvidos.

Segundo o Banco de Desenvolvimento da Africa a classe média africana aumentou de 111 milhões para 310 milhões de pessoas nos últimos trinta anos, com um acelerado processo de urbanização que exigirá mais infraestrutura de energia, saneamento, habitação e transportes.

É total a disposição brasileira em cooperar com o desenvolvimento da infraestrutura, em particular na geração de energia elétrica a partir de usinas hidrelétricas e também com a transferência de tecnologia na produção de etanol e de energia elétrica a partir da biomassa.

O Brasil tem interesse em compartilhar sua tecnologia na área agrícola, tanto empresarial quanto na agricultura familiar.

A relação com a África é estratégica para o Brasil. Foi por isso que visitei tantos países africanos durante os oito anos do meu mandato como Presidente do Brasil. Ampliamos nossos vínculos diplomáticos, econômicos e culturais. Abrimos ou reativamos embaixadas em 19 países africanos e temos relações diplomáticas com os 53 países do continente africano. De outro lado, 33 países africanos já tem embaixadas em Brasília.

Um dos resultados desse processo de aproximação é o comércio bilateral entre Brasil e África ter aumentado de cinco bilhões de dólares em 2002 para 20,5 bilhões de dólares no ano passado. Um número crescente de empresas brasileiras passou a investir na África, gerando empregos e mais renda para o povo africano.

Agora a Presidenta Dilma Rousseff manda um sinal inequívoco, de que vai dar continuidade e aprofundar a relação do Brasil com o Continente africano. Minha vinda a Cupula da Uniao Africana, como representante do Brasil simbolila tal compromisso.

Minhas amigas e meus amigos

A crise que nasceu nos países desenvolvidos em 2008 provocou efeitos danosos em todas as partes do mundo, mas a conta desse ajuste não pode ser paga pelas nações pobres ou emergentes, que precisam atuar em conjunto para construir uma nova ordem econômica e uma nova governança mundial, que atenda ao atual cenário geopolítico, completamente diferente da realidade de 60 anos atrás.

Esta é a hora de reconstruir as instituições globais em bases mais democráticas, representativas, legítimas e eficazes. Por que ficarmos atrelados a modelos criados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos hoje?

O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontem para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Os países em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção dos organismos multilaterais. Sem isso não haverá efetiva mudança e crises maiores serão inevitáveis.

Somente organismos mais representativos e democráticos terão condições de prevenir futuras crises, sejaqm politicas ou financeiras, e responder aos desafios de uma nova geopolítica mundial, multipolar, com a presença de novos atores.

Vivemos um período de transição no âmbito internacional. Caminhamos em direção ao mundo multilateral.

Precisamos de uma ONU suficientemente representativa para enfrentar as ameaças à paz mundial, com um Conselho de Segurança renovado, aberto a novos membros permanentes.

Precisamos de uma ONU capaz de negociar um cessar fogo e uma saida pacifica para a crise da Libia.

Quero encerrar ressaltando que fortalecer a unidade não significa desconhecer diferenças. Atuamos em cenários econômicos, políticos e sociais distintos.

Temos especificidades culturais e trajetórias históricas próprias. Não buscamos modelos únicos nem unanimidades. Nossa força está na capacidade de construir a unidade a partir de projetos soberanos. Mais do que nunca é hora de fortalecer o processo de cooperação solidária entre a África e o Brasil.

Muito obrigado

Lula valoriza cooperação Sul-Sul ao representar o Brasil na África

Dilma nomeia Lula chefe de missão na África

Nada mais justo. A presidenta Dilma nomeou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chefe da missão especial do governo brasileiro para a XVII Assembleia Geral da União Africana, em Malabo, na Guiné Equatorial, de 28 de junho a 1º de julho de 2011.

O encontro reúne os países africanos para promover integração, cooperação, desenvolvimento e paz no continente. O tema este ano é “Empoderamento da Juventude para o Desenvolvimento Sustentável”, bastante perspicaz, condizente com o momento que vivemos.

Digo que é justo porque Lula foi o presidente que mais promoveu a relação do Brasil com a África, que ampliou consideravelmente o número de embaixadas, que aumentou os programas de auxílio e cooperação nos países africanos. Isso porque Lula desenvolveu em seu governo uma política externa extremamente inteligente e, acima de tudo, solidária. Que encontrou nas nações-irmãs do Sul do mundo a possibilidade de fortalecer os países “emergentes” e, com sua incrível capacidade de agregar, contribuiu de forma decisiva para inverter a lógica da geopolítica mundial e fazer o mundo inteiro virar os olhos para os países deste lado de baixo do mundo.

A relação de profunda cooperação com a África foi, pois, uma das partes mais visíveis de uma política externa coesa, altiva, estratégica e generosa.

Dilma nomeia Lula para agir no setor em que seu governo teve mais desenvoltura e menos erros. É um duplo acerto, ao prestigiar o ex-presidente e ao garantir a continuidade de um trabalho que dava certo. Que se reflita em todo o resto das relações internacionais de seu governo.

Dilma nomeia Lula chefe de missão na África

Pronto, a imprensa derrubou Palocci

Não, não defendo o Palocci. Na verdade, não gosto dele, nem política nem pessoalmente. Mas é impossível não considerar, na articulação que levou a sua queda da Casa Civil, que algo de muito errado aconteceu.

Em primeiro lugar, a presunção de inocência, direito de qualquer cidadão, foi completamente ignorada. Não que isso não fosse esperado, conhecendo nossa imprensa. Mas a orquestração para derrubá-lo foi muito além de qualquer limite.

A torcida pela sua queda misturava-se com a pressão para que ela acontecesse, a ponto de ser impossível detectar onde terminava uma e começava outra. A partir de determinado momento, ninguém mais questionava se Palocci tinha ou não culpa no cartório. A pergunta geral que se ouvia na imprensa – e tomo como exemplo Lasier Martins, na rádio Gaúcha, emissora do grupo RBS – era quanto tempo ele resistia no cargo. Ou seja, já estava definido, não pelo governo, que ele cairia; a única dúvida era quando e como.

O caso serviu também para desgastar fortemente a imagem de Dilma. Não que o governo tenha contribuído, com sua falta de ação diante da iminente crise forçada e de certa forma também forjada – já que a proporção que o caso tomou vai muito além da sua real dimensão. Mas a crítica à presidenta exacerbou-se pelo lado errado. Quase não se dizia que ela era conivente, mas se enfatizava que ela não tinha comando, que Lula havia tomado as rédeas, que os brasileiros não gostavam e não queriam isso. Ouvi esse comentário do mesmo Lasier e de tantos outros, como se sua opinião representasse a de todos os cidadãos e cidadãs do país. Em uma clara tentativa de torná-la, isso sim, a opinião do povo. O velho papel, cada vez menos eficiente, de formador de opinião.

Não se questiona o papel da mídia de apontar erros, crimes ou qualquer outro problema e cobrar explicação. O que incomoda é a forma de fazê-lo e o critério. Na verdade a falta de critério, que faz com que o tratamento seja completamente diferente a depender do partido no governo.

Nesta história toda cansa também a notícia pronta de antemão. Foi assim que a imprensa definiu que a sucessora de Palocci seria a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, ou a diretora da Petrobras Maria das Graças Foster, com alguma pequena chance de o escolhido ser o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. No fim, deram com os burros n’água, e Dilma escolheu a senadora Gleisi Hoffmann.

Não que não tenha sido engraçado. Todos batendo na mesma tecla, num uníssono que já cansou há tempos, para serem todos desmentidos depois. A notícia estava pronta, mas não era de verdade. Para completar, analisava-se o perfil de Miriam Belchior e Maria das Graças Foster como “gerentonas”, sendo cada uma delas uma perfeita “Dilma da Dilma”. Notícia repetida e cansativa, forjada apenas para criticar o estilo da presidenta, já que se comentava que nenhum ministro queria duas dilmas, que ninguém agüentaria.

No fim, não foi nenhuma das duas. Mas qual a legenda para a foto de Gleisi na capa da Zero Hora de hoje? “A Dilma de Dilma: Gleisi Hoffmann será uma técnica na Casa Civil”. Pelo menos a gente se diverte…

Seguem alguns poucos exemplos…

http://twitter.com/#!/BlogdoNoblat/status/78110619152285696

http://twitter.com/#!/andrelmachado/status/78077218206650369

http://twitter.com/#!/rosaneoliveira/status/76796748722479104

http://twitter.com/#!/cristilobo/status/77887348758675457

http://twitter.com/#!/reinaldoazevedo/status/78169168167436289

P.S.: Com a notícia de que Gleisi Hoffmann ocuparia a Casa Civil, imediatamente me ocorreu questionar quanto tempo levariam os comentários machistas. A resposta veio rápido demais. Uma breve olhada no perfil de Reinaldo Azevedo no Twitter é suficiente.

Pronto, a imprensa derrubou Palocci

Palocci, o governo e a imprensa

Recebo dezenas de e-mails por dia, de listas diversas e de amigos. Não dou conta de lê-los todos, então geralmente dou uma olhada por cima, ainda mais quando é grande. É a tal da sociedade da informação, aquela coisa toda. Às vezes a gente acaba se informando demais e sabendo de menos.

Mas o caso é que este texto me chegou bem recomendado. Fui à tradicional olhadela e acabei lendo até o final. Posso não concordar com tudo, mas valorizo pela sinceridade explícita em cada linha, pela lucidez e pela possibilidade de gerar reflexão e um debate saudável.

Esse negócio de encontrar os blogueiros pessoalmente, que vem acontecendo desde o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em agosto do ano passado, acaba transformando nossa relação com a informação. Depois de conhecê-lo pessoalmente, ainda que de forma um tanto breve, minha percepção do texto de Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo, é outra que a de antes. Mas não importa, o conteúdo vale de qualquer forma. Boa leitura.

O caso Palocci: ingenuidade, oportunismo e manipulação

Atacar Palocci seria uma excelente oportunidade para este blogueiro demonstrar sua independência em relação ao governo Dilma. Afinal, de fato, ser blogueiro (blogueiro político, para ser mais exato) tornou-se uma espécie de cargo militar na guerra midiática em curso no Brasil desde a assunção da esquerda ao poder, em 2003. A gente vê os erros em nosso próprio campo, mas a prioridade é defender o nosso lado e atacar o adversário. Não é uma filosofia muito bonita, do ponto-de-vista da ética jornalística, mas é a realidade concreta, como diria Lênin. E os jornais, na verdade, são apenas mais hipócritas, quando negam ter igualmente uma postura orgânica em defesa de uma ideologia e dos partidos políticos que a professam. A gente nunca está totalmente à vontade nessa guerra, todavia, e sonhamos em abandonar a farda e nos tornarmos verdadeiramente imparciais. E aí que se dane Palocci e Dilma. Eles que se virem. Eu sou um blogueiro livre!

A derrota da mídia, neste sentido, nunca é completa, porque seus candidatos podem perder as eleições, mas os periódicos continuam a circular normalmente, e a audiência do Jornal Nacional permanece estável. Além do mais, os vitoriosos, para vencerem, tiveram que assumir alguns valores do adversário, mesmo que disso não tenham consciência.

De qualquer forma, essa é a democracia que temos, e não é correto sermos maniqueístas ou dramáticos. Nem o nosso campo político é composto de santos, nem nossos adversários são demônios ansiosos para destruir o Brasil. Passado o processo eleitoral, temos que buscar a paz; não sou eu que digo; é o que consta no preâmbulo da nossa Constituição:

Nós, representantes do povo brasileiros, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, (….) uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias (…).

Enfim, eu poderia atacar Palocci, e mostrar como eu sou independente. No entanto, não o farei pelos seguintes motivos:

Não sou juiz nem policial. Não gosto desse papel. Não o faço nem com quadros políticos que eu combato. Quem pode definir se fulano cometeu crime ou não é a Justiça, e quem tem a função de investigá-los é a polícia ou o Ministério Público. Poderia citar aqui o “jornalista investigativo”, mas essa é uma atividade que tem sido tão vilipendiada por elementos desonestos e parciais que prefiro deixá-la de fora.

Não concordo com a demonização política de Palocci, pintado como um quadro inútil e incompetente. É injusto atribuir o conservadorismo dos primeiros anos do governo Lula apenas à Palocci. Ele soube, sim, corajosamente, assumir o ônus de tudo, para preservar o presidente e o governo, mas Palocci não fez mais do que seguir as diretrizes traçadas por Lula, e Lula, por sua vez, seguiu as diretrizes traçadas pela necessidade e pelas condições políticas e econômicas do momento. Desde então, parte da esquerda estigmatizou Palocci. Todavia, por mais incômodo que seja para a esquerda aceitar, os desdobramentos da história provaram que sua política econômica estava certa. Ele mesclou conservadorismo econômico e ativismo social. Quem pagou a dívida externa com o FMI não foi Guido Mantega; foi Palocci. Quando chegou a crise política, e o governo foi posto no pelourinho da mídia, seus defensores estavam armados com as estatísticas que a gestão Palocci lhes forneceu. Inflação baixa, forte crescimento econômico, acelerado processo de distribuição de renda em marcha, dívida externa paga.

Palocci assumiu todos os ônus, junto à esquerda, pelas políticas conservadoras, deixando que Lula figurasse como um deus olímpico, livre de qualquer peso simbólico das decisões difíceis. Tanto que hoje, os que defendem a queda de Palocci alegam que Dilma deve se realinhar ao “lulismo” para poder governar. Ora, Palocci não foi “lulismo”? Na verdade, o Palocci de hoje é um articulador político, sem nenhuma influência sobre a política econômica, enquanto na gestão anterior era o titular do Ministério da Fazenda!

Tanto é que os agentes do mercado, da vida real,tem a opinião de que a política econômica de Dilma está bem mais à esquerda que a de Lula. Ou seja, uma volta ao lulismo seria um retrocesso conservador…

Confunde-se ainda o último governo de Lula, quando ele estava livre do constrangimento de se reeleger, e o governo vinha na sequência de uma série de vitórias, no campo da popularidade, sobre a mídia corporativa, confunde-se esse último ano com seus oito anos de mandato. Durante quantos anos, nosso querido Paulo Henrique Amorim não chamou Lula de “o presidente que tem medo”? Durante quantos anos, Lula não foi acusado de “neoliberal” e de apenas dar continuidade à gestão anterior?

Voltando a Palocci, nosso combativo e ansioso blogueiro agora acusa o ex-ministro de ter consultado o filho de Roberto Marinho para escrever a Carta aos Brasileiros. Cita uma página do livro do professor Venício Lima, o qual sabe-se lá como teve acesso à íntegra de uma conversa privada, particular, para acusar Palocci de ter recebido “instruções” do líder-máximo das organizações Globo.

Ora, em primeiro lugar, quem assinou a carta aos brasileiros foi o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Palocci ligou para empresários, da indústria e da comunicação, e ajudou a redigir, mas quem determinou as diretrizes e apôs seu nome ao final do texto foi Lula. E sem hipocrisia e ingenuidade, a função daquela carta foi justamente acalmar a histeria de empresários e mídia por conta da iminente vitória de Lula.

Então que se culpe Lula, não Palocci. A santificação atual da figura de Lula significa uma apolitização absurda da história. Lula foi grande não apenas por suas decisões em favor dos pobres, mas também em função de sua política de conciliação e diálogo, em relação aos ricos. E isso sem contar os aspectos mais sombrios e questionáveis dessa aliança do lulismo com as elites.

O discurso de que Dilma deveria voltar ao lulismo não tem sentido. Voltar é retroceder. Retroceder é ser retrógrado. O governo Dilma tem de avançar, simplesmente. Para isso, porém, é preciso acertar o ritmo dos passos, saber recuar em alguns momentos, acelerar em outros. Pode ainda fazer como Lula, que alternava momentos de recuo político e avanço nas políticas sociais, com outros de avanço político e recuo no social. E todo esse vai-e-vem não se dá somente em função dos humores da “mídia velha”, mas em virtude de análises concretas sobre a atual correlação de forças, a nível mundial, além do puro, singelo e inocente cálculo macro-econômico propriamente dito, o qual, apesar de ser demonizado como vício neoliberal, existe de fato.

Eu acho que o governo Dilma tem força suficiente para aguentar o tranco de uma eventual queda de Palocci. Se houver algo de concreto, ele terá de sair. Não boto a mão no fogo por Palocci assim como não fiz com nenhuma figura do governo Lula.

Quanto às denúncias de enriquecimento, mais uma vez apelo à Justiça. Não vou condenar Palocci simplesmente por ganhar dinheiro. Arminio Fraga comprou o MacDonalds América Latina por 1,5 bilhão de dólares logo após sair do governo FHC. André Lara Resende, de pobre ficou miliardário, com haras até na Inglaterra. Palocci comprou um apartamento de 6 milhões de reais.

Não digo isso para repetir o discurso de que “se eles fazem, nós também podemos fazer”, mas para mostrar que o mercado costuma receber ex-integrantes de equipe econômica com muita generosidade. Alguns dizem que a lei é falha, ou que a quarentena imposta é pequena. Não sei. Nesse ponto, prefiro o ceticismo. Se a quarentena fosse excessiva, ou se proibíssemos que ex-membros da equipe econômica ganhassem dinheiro em consultorias, abertamente, declarando ao fisco, estaríamos estimulando que o sujeito ganhasse dinheiro por baixo dos panos. É a lei da oferta e da procura.

A mídia explora a nossa realidade pequeno-burquesa. Apartamento de seis milhões, faturamento de vinte milhões em 2010! Que horror! Por outro lado, analisando bem, é melhor que os políticos faturem de maneira transparente, como fez Palocci, registrando tudo na Receita e pagando devidamente seus impostos, do que ganhem seu dinheiro “por fora”, como fez aquele governador do Distrito Federal, de triste memória. Em nossa vida de simples mortais, esses valores são fora-do-comum, mas lembremos que no alto do pirâmide social, respira-se outro oxigênio. Apresentadores de TV ganham milhões por mês, jogadores de futebol ganham milhões por mês, donos de agências de publicidade ganham milhões por mês, banqueiros ganham BILHÕES por mês.

Falemos de ética. Muitos questionam a ética nas ações de Palocci. Que segredos de Estado ele vendeu? Bem, esse é um ponto realmente difícil de ponderar. Ele poderia ter vendido secretamente, se quisesse, com grana depositada em contas no exterior (se é que não o fez).

A solução talvez só venha quando tivermos computadores regendo o governo, programados para não divulgarem nenhuma informação. Até porque nem sabemos que tipos de informação existem cujos segredos não podem ser divulgados de maneira nenhuma, nem sabemos que Palocci os divulgou. Não sabemos de nada. Em tese, Palocci pode ter vendido por milhões supostos segredos, mas não os mais importantes. Pode ter ganho dinheiro vendendo informação anódina ou mesmo falsa. Se são segredos, nem os empresários saberão. Ou então, pode sim, ter vendido informação importante, sigilosa. A única maneira de estarmos seguros com nossas equipes econômicas, seria tomar alguma medida drástica, à la Pérsia Antiga, como mandar degolar todos seus integrantes assim que terminasse sua gestão.

A única bóia à qual podemos nos agarrar volta sempre a ser a inevitável confiança que temos em nosso presidente da república. É ele ou ela, ao cabo, que tem a posição privilegiada de ver o quadro completo. Sabe os segredos de Estado. Tem o controle dos serviços de inteligência. Tem muito mais poder do que nós, portanto, de averiguar os eventuais mau-feitos do senhor Antonio Palocci. Não digo que devemos confiar cegamente em nossa presidente. Não estou dizendo isso. Digo que há situações em que não há outra saída. Temos que confiar ou não. Se não confiamos, então vamos afirmar honestamente. Não confio na Dilma. O fato de não confiarmos, porém, não significa que nós estamos certos e ela errada. Às vezes não confiamos e ela está certa. Neste caso, há um problema de comunicação, e o governo sempre terá um problema de comunicação, na medida em que a mídia brasileira é notoriamente uma mídia de oposição, partidária e, frequentemente, desonesta.

O que não podemos fazer, enquanto cidadãos, é deixar de acreditar no sistema democrático brasileiro. Que é falho, como em todo mundo. Deficiente, cheio de brechas por onde escapolem os poderosos. Mas é o que temos, e não existe sistema infalível. A democracia brasileira está em construção, como aliás a democracia no mundo inteiro. Está se fortalecendo ano a ano. Nosso Ministério Público hoje é muito mais forte, competente, jovem e idealista do que há vinte anos. O mesmo vale para o Judiciário. Não farei elogios ao Legislativo, mas lembrarei mais uma vez o pensamento de Wanderley Guilherme dos Santos: a massa votante hoje no Brasil é infinitamente maior do que em qualquer época passada. Temos mais eleitores e um percentual maior de eleitores sobre a população total do que em qualquer época. Se o Legislativo é bom ou ruim, é uma questão do voto popular, e as distorções decorrentes do financiamento de campanha estão sendo igualmente discutidas democraticamente pelos próprios congressistas, para que seja aprimorada.

Enfim, se Palocci cometeu um crime, compete ao Ministério Público, à Polícia Federal, ao Judiciário, ao Legislativo, decidirem. O que nunca aprovarei é o justiçamento midiático. Da mesma forma não aprovo que setores da blogosfera surfem nesse justiçamento para acertar contas com um quadro com o qual não nutrem afinidade política.

Se achamos que o governo Lula foi bom, temos que aceitar a função de Palocci no processo. E se temos alguma coisa a criticar acerca da Carta aos Brasileiros e da política econômica dos primeiros anos do governo Lula, não é justo crucificar Palocci. Não acho lógica interpretação de que o governo Lula foi bom apesar de Palocci.

Saindo do terreno das suposições, do passado e das suspeitas, Antonio Palocci é quadro político importante para o governo, por causa de seu diálogo com o grande empresariado e com as forças de centro-direita. Seria uma indesculpável ingenuidade da esquerda achar que o governo Dilma não deve dialogar com esses setores, ou que deveria tratá-los com truculência. São esses setores que pagam as campanhas políticas. São esses setores que fazem investimentos no país. São esses setores que tem o poder de derrubar presidentes. A grande mídia é aliada desses setores, e bate no governo para enfraquecê-lo e torná-lo (o governo) ainda mais dependente dos grandes empresários. A ideia de que um governo de esquerda deve amparar-se apenas nos movimentos sociais é arriscada. O governo Chávez vive em crise desde sua posse por conta disso, o que tem se refletido severamente na economia venezuelana, que só cresce quando o preço do petróleo sobe, e sofreu um brutal processo de desindustrialização e fuga de investimentos produtivos nos últimos anos.

O sucesso de Lula foi justamente, ao contrário de Chávez, estabelecer um pacto social entre o trabalho e o capital. Em seus momentos mais difíceis, Lula sempre apelou para as massas, mas nunca deixou de dialogar com a elite econômica. Mesmo fazendo uma política econômica mais à esquerda do que Lula, a atual presidenta não tem a experiência do velho sindicalista para discursos inflamados contra as elites e em favor do povo. Ela não tem nem saúde física para isso. Lula era forte como um touro, um fenônemo da natureza que só a brutal seleção genética do Nordeste miserável pode produzir. Dilma tem saúde frágil, ainda mais depois do câncer com o qual teve de lutar há poucos anos. Temos que avaliar também esses aspectos reais, físicos, porque a nossa democracia é feita de gente de carne e osso, e não de heróis ou símbolos. As perseguições da mídia destroem não apenas reputações, mas também a saúde e a psicologia de suas vítimas (mesmo que essas vítimas sejam culpados na justiça). Dificilmente veremos Dilma a vociferar em comícios para centenas de milhares de pessoas. Ela nunca foi uma sindicalista de massa. Experimentou apenas a eleição majoritária de um partido já consolidado, com recursos, que podia lhe dar todo o conforto necessário.

Mas é uma mulher corajosa, astuta, culta, e incorruptível. Saberá enfrentar com serenidade o teste de sua primeira crise política. O que não podemos exigir é que ela lance um ministro importante como o chefe da Casa Civil aos leões ao primeiro toque de corneta dos adversários. Palocci pode cair, mas só depois de muita luta, e defendido galhardamente por Dilma, por seu partido e aliados. Quanto à questão ética, é na verdade uma questão de Justiça. Se não fez nada proibido ou ilegal, não faz sentido condenar Palocci por ganhar dinheiro num país selvagemente capitalista como o Brasil, onde ou você ganha muito dinheiro ou é tragado e triturado pelo sistema. Em se tratando de um político, essa regra ainda é mais válida, porque ele tem de possuir recursos suficientes para, ao menos, pagar seus advogados, visto que é raro que um quadro partidário relevante atravesse sua carreira sem enfrentar duros embates jurídicos. Vide o caso do diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Se por acaso ele for inocentado (e imagine, apenas hipoteticamente, que ele seja inocente), terá sido pelos milhões de euros que conseguiu acumular ao longo de sua vida, pois é o que vem gastando e gastará para bancar advogados, fiança, assessores de comunicação e a própria prisão domiciliar (que custa até 200 mil dólares por mês). Claro que esses riscos não justificam que alguém cometa qualquer ilegalidade. Cito-os apenas para mostrar que o dinheiro ajuda bastante um político a se livrar de problemas, e Palocci já enfrentou graves questões na justiça. Sabe o que é estar na linha de tiro, abandonado por aliados, tratado como pária da sociedade, tendo como amigos apenas advogados de taxímetro estourado. Não me espanta que tenha decidido ganhar dinheiro. Se passou dos limites da lei, no entanto, aí é um caso para o Ministério Público investigar… Minha função, como blogueiro, não é julgar a ética pessoal de Palocci, nem me arvorar especialista em questões jurídicas. Eu faço uma análise política da conjuntura e dou minha opinião. Claro que posso estar errado, mas na minha humilde opinião Palocci é a bola da vez. Caindo Palocci, a mídia virá em cima do próximo quadro, e assim sucessivamente, até o fim dos tempos. Esse filme a gente já viu. A grande imprensa morde fundo, sem piedade, aplainando o terreno para a chegada de seu novo herói, ou para vender caro uma trégua mais adiante. Política (no Brasil e no resto do mundo), definitivamente, não é aconselhada para ingênuos.

Fonte: Óleo do Diabo

Palocci, o governo e a imprensa

Telecentros: a inclusão digital vai além da banda larga

Bom saber que o governo federal está investindo em telecentros, como diz a notícia que colo abaixo. É importante ter essa indicação de que a inclusão digital não significa apenas jogar banda onde não tem por um preço um pouco mais baixo, mas que estão sendo providenciadas condições para que o cidadão de baixa renda tenha acesso também ao computador, sem o qual não adianta ter banda larga.

É importante enfatizar a importância dos telecentros como espaços pedagógicos, um conceito mais amplo que o de lan houses. A política de inclusão digital deve fornecer os subsídios técnicos, as ferramentas e a capacitação. Os telecentros constituem-se, pois, em espécies de pontos de cultura, um lugar de inclusão principalmente do jovem das comunidades – mas também dos adultos, dos idosos, de todos os moradores. É onde vai ser adquirida a capacidade de produção de conteúdo próprio, fazendo a informação comunitária, apropriando-se de ferramentas tecnológicas para tornar-se autosuficiente e ganhar voz.

Portanto, enfatizo, é preciso uma política de banda larga barata e rápida, com a presença do Estado em todos os lugares do Brasil; estímulo para a aquisição de ferramentas para sua utilização (vale se inspirar no programa “Um computador por aluno”, do governo uruguaio) e programas de capacitação através de telecentros comunitários com conteúdo pedagógico.

Governo federal promete instalação de mais 9 mil telecentros

Por Marcelo Bernstein, Correio do Brasil

O Ministério das Comunicações (MiniCom) prometeu a implantação de 8.934 novos telecentros comunitários e de telefone público em 89 mil locais onde ainda não há o serviço. A informação é do secretário-executivo do órgão, Cezar Alvarez, que disse que as novas instalações dependem da liberação de 26 milhões de reais, que está sendo negociada com o Ministério do Planejamento.

Com os novos telecentros, o Brasil passará a contar com 22 mil pontos com conexão à internet para serem utilizados pela população. O secretário considerou que esses locais são um instrumento fundamental na ampliação da inclusão digital no Brasil e funcionam como espaços de qualificação, de interação e de cidadania.

Alvarez disse que uma das prioridades da Secretaria de Inclusão Digital será reforçar os projetos de formação e capacitação desenvolvidos junto às comunidades beneficiadas por esses pontos, com atenção às diversidades culturais, sociais e econômicas do Brasil.
 
Já os 89 mil telefones públicos serão instalados em locais que ainda não contam com o serviço, como comunidades ribeirinhas, quilombolas e assentamentos rurais.

Cezar Alvarez também afirmou que, dentro das negociações do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) que estão sendo feitas com as operadoras de telefonia, o MiniCom pretende destinar a frequência de 450 MHz para levar telefonia e banda larga à zona rural.

Telecentros: a inclusão digital vai além da banda larga