Zero Hora condena greve dos professores

A manchete da Zero Hora de hoje diz: “Anúncio de greve tumultua fim de ano de pais e alunos”. Refere-se à greve dos professores anunciada ontem pelo Cpers-Sindicato. A matéria, às páginas 6 e 7, leva um título parecido como o principal, e tem duas retrancas grandes. Na maior, destaca a intransigência do governo, ainda que não use essa palavra e faça com que a atitude pareça normal. A menor diz que aliados criticam o Cpers e a oposição pede mais diálogo. Ou seja, nenhuma informação sobre os motivos da greve.

A única notícia importante relativa ao caso, para o jornal, é que os pais e alunos vão ter problemas. Ou seja, esse sindicato só causa confusão. Essa é a imagem que passa. O governo sai ileso. Parece que é vítima também. Os únicos culpados, no entender de Zero Hora, são os professores. Eles, sim, são maus. Alguém aí se lembra que eles são os responsáveis pela educação dos gaúchos e ganham uma miséria pra isso? O jornal não lembra.

A greve vem em resposta a um projeto que o governo mandou para votação na Assembleia em regime de urgência – e que, se não for votado for falta de quórum, estratégia que os deputados poderiam usar, trancariam toda a pauta de votação de projetos. Mas a matéria só fala no conteúdo do projeto em quadro. Nos textos, nada. Parece que esse é só um detalhe, uma curiosidade, e não a motivação principal, o cerne da questão. E ainda assim não explica direito.

Mais uma vez, a RBS condena qualquer tipo de ação que venha de baixo. Sempre que um sindicato, um movimento social ou qualquer setor que não seja da elite se mobiliza, é condenado pelos jornais, a Zero Hora fazendo a frente no RS. Não importa se essas ações estão corretas ou não. Isso nem deveria ser julgado pelos jornais em suas matérias. Mas elas são sempre condenadas. Sem exceções.

Anúncios
Zero Hora condena greve dos professores

E o Maluf? E o Pitta?

Luiza Erundina está hoje no PSB e foi prefeita de São Paulo pelo PT. Tem uma dívida com a prefeitura a pagar, de 353 mil reais. O crime? Quando era prefeita, publicou um anúncio em apoio à greve geral dos transportes de março de 1989. Diante disso, ela faz umas perguntas pertinentes. Mas um tanto incômodas pra alguns, os que costumam ter a mídia ao seu lado – alguém tomou conhecimento dessas dúvidas de Erundina? Se não, aí vão, são simples: “E o Maluf? E o Pitta?”.

As informações são da Carta Capital, que avisa: “A lei é para todos, dirão alguns. Não em São Paulo.”

E o Maluf? E o Pitta?