O futuro do PSOL

No Rio Grande do Sul, o PSOL encolheu. Minha sensação, independente dos números saídos das urnas, era de uma derrota contundente do partido. Fico então sabendo que no Rio de Janeiro não só elegeu dois federais e dois estaduais, como fez uma votação grande e cresceu polticamente. Tanto o estadual quanto o federal foram os segundos mais votados no estado. De um modo geral, no entanto, perde suas principais lideranças nas Casas legislativas.

Heloísa Helena não será mais senadora. Luciana Genro fez uma alta votação, mas aqui no RS o PSOL não teve quociente suficiente para eleger um deputado. Não emplacou federal nem estadual. Plinio fez menos de um milhão de votos, menos de 1%, diminuindo muito a representatividade obtida nas eleições presidenciais, que já tinha sido menor do que o esperado com Heloísa Helena em 2006.

O PSOL elegeu dois senadores. Até consegue se fazer presente, mas, na discussão da agenda política nacional, está cada vez mais escanteado. Contribui para isso o caráter plebiscitário que Lula tentou impor às eleições. Mas Marina quebrou essa característica. Uma candidata do Partido Verde, não do PSOL.

O partido perdeu essa influência como principal força de oposição fora do contexto dicotômico PT versus PSDB, cada qual com seu grupo de siglas coligadas girando em torno. Era o PSOL que detinha esse posto, que era o dono dessa voz. Não é mais. É uma pena, porque, convenhamos, das forças de oposição, era a mais coerente.

Mas contribui também as cisões internas, as dificuldades de diálogo, a falta de propostas de um partido que se consolidou em torno de ser contra um projeto e não a favor de ideias construtivas. Tem ideias, é claro, tem sua visão de mundo, mas sua exposição é sempre negativa, é sempre mostrar o que está ruim nos outros, não o que pode ser bom. Não se coloca, pois, como alternativa.

Agora vai fazer oposição com menos espaço, vai ser menos ouvido. Talvez aprenda com os erros, talvez deixe de vez de existir. Veremos.

O futuro do PSOL

PSOL: de pedra no sapato a nanico

Uma das coisas que têm me servido de assunto ultimamente em política é a evolução do PSOL ao longo de seus não muito longos anos de vida. Nasceu já com certa força, incorporada da luta do PT. Seus quadros não eram sindicalistas sem experiência partidária ou esquerdistas sem história, que vieram do nada. Os integrantes do PSOL eram deputados, senadores, gente conhecida. Quadros do PT. Dissidentes.

Então, nasceu já crescidinho. Veio ao mundo criado. E ainda com a força adicional de contar com a defesa da ética, da moralidade. Quase chegou a parecer um PT melhorado, um PT das antigas, mas já com a tal força inicial que o PT das antigas não tinha. Ou seja, tinha tudo pra dar certo, pra crescer entre a esquerda.

Mas diminuiu. Heloísa Helena fez nas eleições presidenciais que disputou uma votação mirradinha. Confesso que eu esperava mais. Depois disso, a coisa degringolou de vez. Sumido dos jornais, parece que sumiu também da política. De partido de médio porte, tornou-se nanico. Comparo o papel de Marina Silva hoje com o de Heloísa Helena quatro anos atrás. Era aquela que não tinha chance, mas que aparecia, incomodava, dizia a que vinha. Hoje, Plínio de Arruda Sampaio, que deve ser o nome do partido nas eleições, não figura entre os grandes ou médios.

Um dos motivos é que os quadros do PSOL saíram do PT mas levaram consigo toda a experiência negativa que tiveram no ex-partido. Tendências. Divisão, rachas, disputas, brigas internas. A coisa anda feia por lá, as lideranças estão se bicando.

Mas outros movimentos menores dão o exemplo. No DCE da UFRGS, de quatro chapas, três eram de esquerda e uma de direita. Se eu já criticava até a divisão entre PT e PSOL, que deviam formar uma chapa única e forte, a meu ver – utopia que já sei irrealizável -, pior ainda foi a divisão entre PSOL e PSOL, que lançou duas candidaturas de tendências diferentes do partido. Não vou colocar em discussão aqui a utilização do Diretório Central dos Estudantes como instrumento partidário, mas a divisão dos próprios partidos. Resultado: o PP levou. A direita.

Assim tem acontecido em sindicatos, diversas instituições. E o PSOL vai ficando cada vez mais nanico. Levou do PT as disputas internas, mas não aprendeu com o partido de Lula a capacidade de transpô-las e se unir no final. Levou o lado ruim, apenas. Desse jeito, vai sumindo do cenário político. Perde importância até em termos de questionamento, de ser pedra no sapato, de fazer pensar.

PSOL: de pedra no sapato a nanico