As diferenças entre os institutos de pesquisa

Apenas para registro: a primeira vez que apostei minhas fichas publicamente em uma vitória de Dilma no primeiro turno foi no dia 25 de junho deste ano.

Mas ainda via apenas como uma possibilidade. Concreta, mas não certa. Agora, depois da última pesquisa Ibope e antes de começar o horário eleitoral na TV e na rádio que vai torná-la conhecida por todos como a candidata do Lula, afirmo com convicção: se não houver um erro muito grande na condução da campanha petista ou uma sacanagem como a de 1989, Dilma se elege em 3 de outubro.

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Agora, o que me pegou de surpresa e me deixou chateada foi a pesquisa Datafolha para o Senado no RS, divulgada pela Zero Hora, que mostra Rigotto em primeiro, com 43% e uma diferença razoável para Paim e Ana Amélia, que têm 35% e 33% respectivamente. O que me chamou mais a atenção, na verdade, foi a discrepância

De cara, fiquei preocupada. Porque a tendência é que Ana Amélia, a candidata da RBS, conhecida mais por seu rosto do que por seu nome, cresça com a propaganda na TV. Eu apostava em uma vitória de Paim e Ana Amélia a qualquer um que me perguntasse, embora torça por qualquer coisa menos a eleição da candidata do PP.

Mas aí vi a capa do Correio do Povo e fiquei tentando entender os motivos de tanta diferença. Pela pesquisa do Instituto Methodus, Paim está em primeiro com 48,5%, Rigotto tem 47,7% e Ana Amélia vem um pouco mais longe, com 39,4%. Os três aparecem com porcentagens maiores do que no Datafolha, mas o que mais impressiona é a diferença nos números do petista entre os dois institutos.

As diferenças entre os institutos de pesquisa

A estratégia do PT para o Senado no RS

Será que o PT errou na estratégia para o Senado no RS?

Confiou no potencial de Paulo Paim, o que não é errado. Ele tem um eleitorado certo, difícil de perder. O problema foi jogar fora o segundo voto do eleitor, o que pode, inclusive, comprometer a eleição certa de Paim.

Se metade dos eleitores do petista dedicar seu segundo voto a Germano Rigotto (PMDB) e a outra metade a Ana Amélia Lemos (PP/RBS), ele corre o risco de ficar fora. Isso porque o Rigotto, por exemplo, deve contar com o voto de seu eleitor, que votaria nele em primeiro lugar, mais o segundo voto de Ana Amélia, mais o segundo voto de parte do eleitorado de Paim. O mesmo acontece com a candidata da RBS.

Paim caiu de 46% para 39%, segundo a última pesquisa Ibope, divulgada ontem (08) e encomendada pela RBS, em comparação com outra realizada pelo instituto no início de julho (lembrando que Rigotto teve exatamente os mesmos percentuais nas duas pesquisas e Ana Amélia também caiu).

Fico pensando se não teria sido melhor investir em outro nome forte para puxar votos, mesmo que não elegessem os dois. Seria o sacrifício de uma candidatura a outra vaga, mas em nome de um resultado importante. E ainda, dependendo de qual fosse esse segundo nome, poderia eventualmente (com uma boa campanha e sorte), eleger os dois.

Mas isso são conjecturas. Se…

A estratégia do PT para o Senado no RS

Rosane de Oliveira defende FHC, mas engana o leitor

Pelo menos ela é honesta. Não condeno Rosane de Oliveira por defender Fernando Henrique Cardoso na Página 10 de Zero Hora. Rosane não disse com todas as letras que é eleitora de Serra, mas para bom entendedor…

Ela lamenta que Serra esteja se desvinculando da imagem de FHC. E aí vejo dois motivos: primeiro, ela fica triste pelo próprio FH, escanteado; segundo, teme uma possível derrota de Serra. Critica a campanha tucana, mas quase como elogiasse, tipo mãe quando briga porque o filho fez arte. Fora que não é um argumento lá muito inteligente, dada a baixa popularidade do ex-presidente. Quando terminou seus oito anos, os brasileiros queriam mudança, não continuidade.

Tudo bem, Fernando Henrique foi o responsável pela estabilização econômica que Rosane evoca. Estabilização forçada, que afundou o Brasil três vezes, acompanhada de uma política econômica neoliberal que vendeu estatais e diminuiu a influência do Estado na vida da sociedade. O que significa sucateamento dos serviços públicos, saúde caótica, educação fraca…

Privatizações

Mas Rosane defende a privatização. Enfaticamente, aliás. Afinal, “antes do governo FH, um telefone fixo chegava a custar US$ 3 mil no mercado paralelo e um celular que hoje se compra em supermercado era artigo de luxo pelo qual se tinha de esperar quatro ou cinco anos”. Ela só esquece que esse resultado é fruto de uma gestão privada eficiente, interessada no lucro, que sucedeu uma gestão pública ineficiente. Mas que poderia ter sido boa, bastava querer. E FHC não quis, preferiu vender.

Popularidade: Rosane mente!

Mas o problema mais grave da coluna de Rosane é que ela mente. Diz que “nos últimos anos, o PT fez um minucioso trabalho de desconstrução da imagem de FH”, como se ele tivesse terminado seu governo em alta e sua imagem tivesse sido detonada por uma campanha petista. Acontece que Fernando Henrique deixou a Presidência em 2002 com 26% de aprovação, medida em dezembro daquele ano pelo Datafolha. De acordo com os cientistas políticos Rubens Figueiredo e Ciro Coutinho, “a popularidade de seu governo foi corroída no segundo mandato, quando ocorreram, em 1999, a crise cambial, com a conseqüente desvalorização do Real e, em 2001, o racionamento de energia”. Ou seja, o PT não fez com FHC o mesmo que a RBS fez com o PT no Rio Grande do Sul, aquela campanha traiçoeira que gerou um antipetismo tão arraigado nos gaúchos.

popularidade fhc

Apenas a título de informação: pesquisa CNI/Ibope de 23 de junho diz que Lula tem 85% de popularidade. Então não me venha Rosane de Oliveira insinuar que os dois presidentes deixam o cargo da mesma forma.

Rosane de Oliveira defende FHC, mas engana o leitor

O jogo das pesquisas no Rio Grande do Sul

Do Brizola Neto, em seu Tijolaço:

A necessidade de fazer do Sul do país o espaço de sobrevivência da candidatura José Serra está deixando “doidas” as pesquisas de intenção de voto realizadas na região.

Agora foi a vez do Ibope.

Diz que Tarso Genro tem 39% do eleitorado. José Fogaça teria 29% e Yeda Crusius, do PSDB, 15%.

Mas, para presidente, segundo o Ibope, 46% votariam em Serra, 37% em Dilma e 6% em Marina Silva.

Ou seja, Serra teria todos os eleitores que apóiam Fogaça e Yeda.

Só que Fogaça sabe que não é assim, porque grande parte dos que o apóiam vota em Dilma.

E Dilma não teria nem os votos de todos os eleitores de Tarso.

E Tarso tanto sabe que não é assim que tudo o que quer é ser o palanque único de Dilma no RS.

Eu, que não tenho mais razões que meu avô para acreditar que pesquisas eleitorias, frequentemente, ocultem mais do que revelem, prefiro olhar a história.

O Rio Grande do Sul, bem sei, tem um quadro político confuso, hoje em dia. Mas tem uma história de alinhamento – e mais, de liderança – nas transformações neste país.

E isso vai falar mais alto que qualquer coisa.

Escrevam, Dilma vencerá no Rio Grande. E isso é algo que os políticos-candidatos perceberam muito antes do que registrarão as pesquisas.

O jogo das pesquisas no Rio Grande do Sul

O Ibope e as eleições no RS

Lembro de ver outdoors do Correio do Povo vangloriando-se de não mentir para o leitor. O que não lembro é se foi logo depois das eleições de 1998 ou de 2002. Em ambos os casos, seria possível capitalizar os “erros” grosseiros do instituto de pesquisas Ibope, mancheteado pela Zero Hora.

Em 2002, o Ibope mostrou Rigotto (PMDB) 15% à frente de Tarso (PT). O peemedebista ganhou por 5 pontos.

Em 1998, Britto (PMDB) era mostrado 10 pontos à frente de Olívio (PT). Quem venceu as eleições foi o petista.

É por essas e outras que ver divulgada no RBS Notícias, no fim da tarde de ontem (10) uma pesquisa do Ibope que mostra Tarso 10 pontos à frente de Fogaça, com 39% a 29% (a atual governadora tucana com surpreendentes e assustadores 15% – qualquer coisa menos Yeda de novo!) é bastante empolgante.

No segundo turno, a pesquisa aponto Tarso com 48% contra 39% de Fogaça. Se for contra Yeda, goleada: 59% a 24% para Tarso. E no caso de dar Yeda contra Fogaça, o candidato do PMDB fica com 58% e a tucana com 22%.

O Ibope e as eleições no RS

Ibope confirma tendência de importantes conquistas para o PT

Pesquisa realizada pelo Ibope entre os dias 10 e 15 de junho e divulgada hoje confirma a tendência que venho defendendo há tempos: a menos que aconteça uma reviravolta na política gaúcha, Tarso será o novo governador do RS. Detalhe: ainda não encontrei a notícia nos veículos do grupo RBS.

Tem gente que aposta que Yeda está crescendo e que a tucana vai para o segundo turno no lugar de Fogaça. Os 11% de intenções de voto detectados pela pesquisa para a governadora tornam difícil de acreditar. Sinceramente, acho que o Ibope não manipularia os resultados nessa direção.

De resto, Tarso desponta com 37%, razoavelmente longe dos 30% de Fogaça, até mesmo se considerarmos a margem de erro de três pontos percentuais. Yeda nem chega perto, como vemos.

No segundo turno, ela nem é considerada na pesquisa. O cenário divulgado é entre Tarso e Fogaça, e amplia a diferença. O petista fica com 47% contra 39% do candidato do ex-prefeito.

Os números não comprovam ainda, porque só a urna é capaz disso, mas indicam tendências fortes. Quarta-feira foi a vez de Dilma despontar na liderança de uma pesquisa CNI/Ibope. Sem reviravoltas, aposto minhas fichas em uma possível eleição da candidata de Lula ainda no primeiro turno (ainda mais com a chapa puro-sangue-sem-Aécio tucana). No segundo, já é praticamente certo.

E no RS o franco favorito é Tarso Genro. Daqui a dois anos, talvez se realize o sonho ainda não atingido pelos petistas gaúchos, de ter um presidente, um governador e um prefeito petistas. Levando ainda Caxias do Sul e Pelotas, o cenário se completa.

Já que é época de Copa do Mundo e estou aqui reforçando meus palpites, faço-os também para o Senado. Digo sem muito medo de errar que o Rigotto vai chupar o dedo, como fez na última vez que se candidatou a governador e não foi nem para o segundo turno. Minha aposta vai para Paulo Paim e o nome que carrega a RBS na campanha, Ana Amélia Lemos. Que diferença faz ter o apoio dessas três letrinhas aí…

Ibope confirma tendência de importantes conquistas para o PT