Assembleia decide hoje se Inter e Grêmio levam dinheiro público

R$ 30 milhões. Muito dinheiro, certo? Em um governo, pode ser investido em educação, saúde, obras de infraestrutura, saneamento etc. etc. Ou pode ser descontado do orçamento da prefeitura em isenção de impostos para que grandes empresas façam obras que atendem seus interesses com a desculpa que vai gerar empregos. Só que são empresas privadas, que vão construir de qualquer jeito, porque o lucro que vão tirar do empreendimento é muito grande e compensa os investimentos.

Esses R$ 30 milhões são o que Inter e Grêmio estão pleiteando, cada um, para construir complexos esportivos usando como pretexto a Copa de 2014, em isenção fiscal que irá a votação hoje a tarde na Assembleia Legislativa gaúcha. A construção já está definida e, convenhamos, os projetos não vão mudar independente de se obter ou não a isenção fiscal. Os planos incluem hotéis, shoppings, bares, centro de eventos e até residências. Quem vai ficar com o retorno do empreendimento não é a prefeitura, não são os porto-alegrenses.

Ainda que sejam criados empregos, o investimento retorna melhor para a população com isenção de impostos para micro e pequenas empresas. Elas criam mais postos de trabalho e muitas vezes realmente precisam de incentivo, pois seu retorno é mais minguado e incerto. Ou seja, a criação de empregos, mais uma vez, serve de desculpa para tirar dinheiro da população e entregar para grandes empresas.

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Assembleia decide hoje se Inter e Grêmio levam dinheiro público

Futebol quebra a indiferença cotidiana

Merecia um estudo antropológico a forma com que as pessoas lidam com futebol. Não falo nessa coisa de ver os caras correndo atrás da bola, da torcida maluca no campo de futebol, da paixão pelo time, nada dessas coisas. Mas da sensação de pertencimento a um grupo que o futebol carrega consigo.

Quando visto minha camisa do Inter, a relação das pessoas na rua muda. A indiferença costumeira cede espaço a uma camaradagem inusitada. Especialmente em dia de grandes eventos, a comoção aumenta, a troca se dá de forma mais intensa e frequente. Ontem (18) o Inter jogava a final da Libertadores em Porto Alegre. Já de manhã cedo, vestindo a camisa do time, conversei com uma série de desconhecidos, pessoas buzinavam de seus carros, me jogavam palavras de apoio. De forma meio involuntária, eu fazia parte de uma irmandade quase.

É engraçado. O mesmo cara que um dia te xinga quando te vê atravessando a rua na faixa de pedestres na hora que ele queria passar com seu carro, no dia seguinte se torna teu melhor amigo na torcida pelo mesmo time.

O isolamento que as pessoas se impõem cotidianamente sufoca. São esses momentos de festa comum, de identificação, que as salvam um pouco de serem sempre sós. Nesses momentos elas se permitem ser mais felizes, mais humanas. Aproximam-se das outras pessoas do mundo. Conversam com desconhecidos. Sociabilizam. Rompem as barreiras da solidão.

É bonito. Pena que acontece tão pouco. De repente seria interessante se deixar tocar pelo espírito de comunidade com mais frequência. Apenas um sorriso sem motivo de vez em quando já cairia bem.

Futebol quebra a indiferença cotidiana

Inter publica edital de venda dos Eucaliptos

O Internacional publicou hoje o edital de venda do estádio dos Eucaliptos. Tudo bem, a área é privada, mas o interesse sobre o que se vai fazer ali é público. Porém, para ter acesso ao documento, é preciso desembolsar a módica quantia de 400 reais e ir retirá-lo na sede do clube, como informa o site do Inter.

Mas vale lembrar que a responsabilidade sobre o que se fizer ali é da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, responsáveis pela aprovação dos índices construtivos. A Câmara, por sinal, anda passando a perna na população em diversos casos, mudando a legislação e permitindo construções que são verdadeiras afrontas à vida em comunidade, ao meio ambiente, ao bem-estar da maioria. Então, quem determina a altura dos prédios, a área ocupada, o espaço de vegetação etc. etc. é o poder público.

Inter publica edital de venda dos Eucaliptos

Blog do Zini distorce informação sobre volta de Nilmar

Olha como as palavras enganam. Li na capa da zerohora.com que Nilmar voltaria ao Brasil em cinco anos. Dizia assim, exatamente: Exclusivo: Nilmar volta em cinco anos, linkando para o Blog do Zini. Ainda pensei que pff, grande coisa, daqui a cinco anos vai saber o que acontece. Mas entrei pra ler a tal entrevista. Lá, Nilmar diz:

“Quanto ao tempo de permanência no futebol europeu, é difícil saber, antecipar. Minha vontade é de ficar, no mínimo, cinco anos, na Europa. Mas sabe como é que é, né, Zini. Fica difícil falar do futuro. Não posso antecipar nada.”


Ou seja, não é certo que Nilmar volta em cinco anos, ele não diz isso. Em nenhum lugar da entrevista ele afirma que estará no Brasil daqui a cinco anos. Ele fala que não volta antes de meia década, o que é bem diferente. O que não permite a afirmação que Zini coloca no título, claramente para atrair leitores desavisados, causando confusão. Irresponsabilidade, é como se chama isso.

Blog do Zini distorce informação sobre volta de Nilmar

Inter ganha, mas sem vontade, no sufoco

Não acreditei muito quando me disseram que o Inter não tinha chance na Libertadores esse ano. Até porque foram só gremistas que me falaram. Andei lendo os jornais, vendo as notícias a respeito do time, dos jogadores e fiquei até meio otimista.

Mas ontem fui assistir Inter X Emelec no Beira-Rio. Digamos que ainda não sou completamente cética à possibilidade de o Inter se dar bem. Mas isso porque eu sou colorada e porque o time em 2006 também não era bom. Tchê, que jogo ruim! Meu time ganhou no sufoco de um timeco xumbrega (ou “chumbrega”, segundo o Houaiss).

O Emelec não fez nada, o que foi a sorte. No primeiro tempo, parecia que o Fossati tinha marcado um X no campo e dito pro Alecsandro ficar em cima dele. O cara não disputava as bolas que estavam a uns dois metros de distância, não se esforçava em um passe um pouco mais longo, não se mexia. E quando recebia a bola nos pés, perdia inevitavelmente.

O Giuliano perdia todas também. Edu nem se fala. Quando a bola chegava perto do gol, nunca chegava outro jogador pra ajudar no ataque. O Guiñazu, mais uma vez, tinha que aparecer pra roubar a bola em todos os lugares. O Nei estava bem esforçado, pelo menos. E assim foi indo… Faltava garra, sabe (a Globo.com diz que sobrou garra – admito que teve no segundo tempo). Faltava se dar conta que era Libertadores, pô. Cruzamento é um negócio que o Inter não descobriu ainda o que é. Ou pelo menos como fazer. Errou todos, mais ou menos.

Depois de levar o gol (como sempre me disse meu avô, “quem não faz leva”), alguém comentou que agora eles iam todos sair correndo desesperados e perdidos. Mas daí pareceu que alguém tinha pego um cara dormindo, sacudido e dito “acorda, tchê”. Aliás, a metáfora funciona às maravilhas, porque antes estavam todos bastante entediados, quase dormindo. E no fim as coisas melhoraram com o gol, até porque logo saiu o do Inter (bem bonito, por sinal, do Nei). E com a chuva, que parece que despertou o pessoal.

Com a entrada do Taison, no segundo tempo, aumentou o ânimo. O guri é meio afobado, mas disputa as bolas, corre muito, tem potencial pra fazer a diferença de vez em quando. O Walter também foi bem melhor que o Edu. O Andrezinho deu o toque final pra melhorar as coisas. E no fim, os 2 a 0 garantiram a primeira vitória. Mas em casa, com o Beira-Rio lotado e a torcida apoiando (quase 40 mil pessoas), de um time fraco, que não ousou. Vai ter que melhorar bastante pra ir mais longe (de repente com a volta do D’alessandro…). Vai ter que pelo menos querer.

Inter ganha, mas sem vontade, no sufoco