A estranha segunda lista da arapongagem gaúcha

O promotor Amílcar Macedo liberou a segunda lista dos espionados pelo Palácio Piratini. É uma lista estranha, que inclui muita gente ligada ao governo, e muitos jornalistas da RBS. Considerando que alguns profissionais do grupo tiveram acesso a senhas da Secretaria de Segurança, não é leviano supor que houve uma busca para ver se estavam – os próprios ou seus colegas – sendo investigados. Curioso é que jornalistas da RBS tiveram acesso privilegiado a esta segunda lista.

Até o falecido Marcelo Cavalcante estava sendo investigado. O que nos leva, oportunamente, a retomar um caso ainda não esclarecido.

Chama a atenção a ausência de nomes de políticos da oposição.

Enquanto isso, hoje (22) pela manhã, a capa da Zero Hora.com nem mencionava a lista.

A lista, retirada do site da Carta Capital (que contém mais informações), é essa:

– Adriano dos Santos Raldi (procurador federal, um dos que ajuizou, em agosto de 2009, ação de improbidade administrativa contra Yeda Crusius e membros do seu governo)

– Bayard Fischer (médico, suspeito de mandar matar o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do RS, Marco Antonio Becker, em dezembro de 2008)

– Bárbara Margareth André da Rocha

– Berfran Rosado (deputado estadual pelo PPS-RS, ex-secretário de Yeda e candidato a seu vice)

– Carla Marcon Della Giustina

– Carlos Roberto Bondan e familiares (coronel da Brigada Militar, comandante do Comando de Policiamento Metropolitano)

– Cid Martins (jornalista, repórter da Rádio Gaúcha – Grupo RBS)

– Cristina Bolson Marchezan

– Edilson Paim (delegado da Polícia Civil–RS)

– Edis Ferreira dos Santos Cunha (promotor de Justiça)

– Estella Maris Simon (ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito-RS)

– Gisele Uequed (candidata à deputada estadual pelo PV-RS e filha do ex-deputado federal Jorge Uequed)

– Guilherme Pacífico (delegado da Polícia Civil–RS)

– Humberto Trezzi (jornalista, repórter do jornal Zero Hora – Grupo RBS)

– Jayme Sirotsky (presidente emérito do Grupo RBS)

– Jorge Uequed (ex-deputado federal pelo PMDB-RS)

– Magda Koenigkan (ex-mulher de Marcelo Cavalcante )

– Marcelo Cavalcante e familiares (ex-representante do governo gaúcho em Brasília, encontrado morto em fevereiro de 2009 no lago Paranoá, na Capital Federal. Supostamente se suicidou. Sua morte ainda não foi totalmente solucionada)

– Marcelo Sirotsky (família Sirotsky – Grupo RBS)

– Maria Olivia Girardello Sirotsky (família Sirotsky – Grupo RBS)

– Mateus Bandeira (presidente do Banrisul)

– Neldo Augusto Dobke Valadão (assessor jurídico do MP-RS)

– Nelson Marchezan Jr. (deputado estadual PSDB-RS, candidato a federal)

– Paulo Roberto Mendes (coronel da Brigada Militar, ex-comandante da instituição, e juiz militar indicado por Yeda Crusius)

– Ranolfo Vieira Junior (delegado titular do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil-RS)

– Renato Gava (jornalista, repórter do jornal Diário Gaúcho – Grupo RBS)

– Ricardo Englert (secretário da Fazenda do RS)

– Simone Mariano da Rocha (procuradora-geral de Justiça do RS)

– Wianey Carlet (radialista da Rádio Gaúcha – Grupo RBS)

A estranha segunda lista da arapongagem gaúcha

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela

“Está muito claro que esse processo não é fruto de falta de controle do sistema ou da cabeça do sargento. Estamos convencidos de que esse é um processo que tem mandantes, como o próprio promotor já falou”, disse a deputada Stela Farias na coletiva chamada pela bancada do PT na Assembleia Legislativa do RS hoje (08) à tarde.

O sargento a que se refere é César Rodrigues de Carvalho, preso por praticar espionagem e cobrança de propina quando estava lotado na Casa Militar do governo do estado como segurança da governadora Yeda Crusius. Ele usou senhas da Secretaria de Segurança para acessar dados de parlamentares, delegados, jornalistas e até crianças, filhos de deputados. O promotor a que Stela se refere é Amílcar Macedo, que investiga o caso e alertou a deputada que fotos de seu filho de oito anos haviam sido encontradas. “Essa situação é inaceitável, absurda, não podemos calar”, disse.

Stela fez questão de destacar dois pontos importantes. O primeiro diz respeito à investigação de Yeda, Ricardo Lied (ex-chefe de gabinete da governadora), Sandra Terra e Walna Vilarin Menezes (assessoras de Yeda), entre outros ligados à governadora. “A imprensa faz confusão, parece que está tudo no mesmo saco. Esses estavam sendo investigados para se proteger de possíveis arapongagens”. O objetivo, segundo Stela e Raul Pont, também deputado estadual e que falava em nome da bancada do partido, era averiguar se havia algum processo ou qualquer tipo de investigação contra eles.

Esquema vem do centro do governo

“Estamos convencidos de que há uma arquitetura de espionagem que sai do centro do governo”, disse Stela. Afinal, a espionagem aconteceu em outubro de 2009, o período mais quente da CPI da Corrupção, liderada pela deputada. “E é muito possível que tenhamos mais nomes nos próximos dias, de outros deputados, pelo que me disse o promotor.”

Posição do Parlamento

Diante das denúncias, o PT pede um posicionamento firme da Assembleia enquanto instituição, rechaçando a atitude, já que pelo menos dois de seus membros tiveram sua intimidade violada. “Isso não é correto, não é republicano”, afirmou Raul Pont, “nós somos portadores de um mandato, fomos eleitos para representar a população.” A bancada petista pede da Casa providências jurídicas e políticas. Ela terá ainda um advogado para acompanhar a investigação. Quer saber quem foi que forneceu ao sargento a senha master, que dá acesso aos dados e é restrita aos altos escalões.

Utilização na propaganda política

Questionado sobre a utilização eleitoral do episódio, Raul Pont foi enfático. “Não vamos transformar o debate eleitoral, que tem que ser programático, propositivo, mas não vamos tratar isso como uma coisa banal”, disse. “No Brasil as coisas parecem banais na sua excentricidade, mas alguém tem que dizer que isso não está certo.”

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela