Não há liberdade nem igualdade sem democratizar a comunicação

Os dois últimos dias foram desses em que acontece coisa demais, e as 24 horas parecem dobrar. A correria normal do trabalho contribuiu para a sensação de muita coisa em muito pouco tempo, mas o que realmente fez a diferença nestas segunda e terça foi muito mais o intenso debate político da comunicação do que qualquer desgaste físico.

Além de ter que segurar a tietagem (confesso!) na conversa informal com um dos melhores jornalistas do país, Leandro Fortes, o ponto alto foi a palestra dele ao lado de Venício Lima no Fórum da Igualdade. Uma escolha díficil de fazer, já que concorriam Altamiro Borges, Vera Spolidoro, Maria Frô e Marcelo Branco, sem contar Pedrinho Guareschi e João Pedro Stédile, que infelizmente não pude assistir. Alguns, pensadores que admiro e respeito; outros, atuantes na área da comunicação digital, de diversas formas; por fim, a representação do governo do estado, falando das políticas públicas que estão sendo desenvolvidas e da inclusão digital que vem sendo formulada.

A sensação era de vivenciar uma espécie de utopia na comunicação. Ainda que estejamos bastante longe de democratizar o acesso à informação, o fato de governo e movimentos sociais convergirem na forma de fazê-lo é sensacional. Tem alguém de fato tentando colocar em prática tudo aquilo que li e defendi como o processo ideal de ampliar a pluralidade da informação. Paralelo à programação do Fórum, ainda tive a oportunidade de assistir o governador Tarso Genro, na assinatura do pacto entre poderes para a produção do programa jornalístico espaço aberto, pela TVE, falando na necessidade de o Estado incentivar a pluralidade do acesso à informação e de ele acreditar que as pessoas podem julgar por si as coisas, sem uma imprensa manipulatória a dizer-lhe como pensar.

Não que tudo esteja um mar de rosas, é importante salientar. Temos um enfrentamento muito grande a fazer com o modelo tradicional de comunicação de massas brasileiro e a transgressão nas regras constitucionais de propriedade de veículos de comunicação, consolidada há décadas.

Redes sociais e democratização da comunicação

É nesse sentido que defendi, na oficina em que tive a oportunidade de dividir a mesa com Tatiane Pires, Sr. Cloaca e Silvio Belbute, que os blogs e as redes sociais aparecem como uma alternativa de dar voz a quem antes não tinha. De forma alguma isso significa que todos na internet têm o mesmo tipo de pensamento ou divirjam da imprensa tradicional. É antes um espaço onde é possível ser feito. Como uma cidadã qualquer, sem muito dinheiro ou influência, eu dificilmente conseguiria dizer a centenas de pessoas que eu discordo do que a grande mídia faz ou que há coisas que ela não está mostrando sem a rede. Sem grande investimento, eu tenho acesso a essa ferramenta.

O sensacional é justamente o caráter de rede da internet, que lhe dá uma força extraordinária, como salientou Sr. Cloaca. É impossível saber a audiência de determinado conteúdo, porque ele se multiplica, através de citações em redes sociais, repercussões em outros blogs, envio de e-mails… E isso é ótimo, porque o mais importante não é o autor ou o veículo, mas a informação.

De toda a discussão, que durou duas horas, acho importante salientar o fato unânime de que as redes sociais não são exatamente “redes sociais”, mas ferramentas, que facilitam a disseminação de conteúdo e a mobilização, mas que não são mágicas. São espaços onde se pode potencializar a troca de informações e a mobilização, essas construídas fora da rede. O importante é aproveitar da melhor forma possível esses espaços.

Voltarei ainda muitas vezes com os temas discutidos no Forum, extremamente pertinentes na luta por garantir maior democracia no acesso à comunicação.

Não há liberdade nem igualdade sem democratizar a comunicação

“A América que não está na mídia” será lançado no RS hoje e amanhã

O livro A América que não está na mídia, de autoria do jornalista Mário Augusto Jakobskind, Conselheiro da ABI e secretário-geral do SPJERJ (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro), será lançado em Porto Alegre e Pelotas, nos dias 12 e 13 de maio, respectivamente. A promoção é do Blog Somos andando, Coletivo Catarse e jornalistas independentes. Tem apoio do SindsprevRS, SindBancários de Pelotas, SemapiRS, Universidade Católica de Pelotas e Bancada PT na AL.

Grandes nomes
 
Com prefácio do jornalista Flávio Tavares e apresentação do coordenador do MST, João Pedro Stédile, além de comentário de Eduardo Galeano, A América que não está na mídia, editado pela Editora Altadena, aborda questões relativas a vários países da América Latina, geralmente não divulgadas pela mídia convencional, e discute a cobertura jornalística de um continente que está em processo de transformação. A orelha é do saudoso jornalista Fausto Wolff e a capa do cartunista Carlos Latuff.

O autor    
 
Jakobskind, além de integrante do Conselho Editorial do jornal Brasil de Fato é correspondente do jornal uruguaio Brecha e nos últimos 25 anos tem se dedicado ao estudo da América Latina, tendo já publicado livros que versam sobre o continente, entre os quais, América Latina – Histórias de Dominação e Libertação. É editor do site Página 64, que se auto-define como “um novo espaço fora do esquema do pensamento único”.

Nas palavras do próprio Jakobskind, “o objetivo principal [dos encontros hoje e amanhã] é debater. Quem for ao lançamento deve também estar imbuído desse espírito. Debater, participar do debate, contestar se achar que deve ou aprovar o ideário contido nas reflexões do A América que não está na mídia“.
 
SERVIÇO
 
PORTO ALEGRE
QUARTA – 12 de maio – 19h
Avenida Lima e Silva, 280 (Semapi/ Sindicato)
 
PELOTAS
QUINTA – 13 de maio – 19h
Auditório Campus II UCPel
Rua Almirante Barroso, 1202

“A América que não está na mídia” será lançado no RS hoje e amanhã