O que a grande imprensa não divulga

Domingo na Zero Hora:

O que ela não vê e que saiu sábado no Sul21:

O que a grande imprensa não divulga

Paulistas contra o ódio e o preconceito

Recebi um e-mail e, em seguida, uma resposta a ele, referentes aos casos de preconceito contra nordestinos exibido em redes sociais. São dois paulistas que repudiam o preconceito incentivado pela campanha de ódio da oposição. Reproduzo as duas mensagens:

Desabafo de um paulista

Como estudante do curso de direito, na FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas, e por coincidência estar na mesma sala da Mayara Petruso, não posso deixar de manifestar a minha indignação com as declarações de cunho preconceituoso [de alguns sudelistas e sulistas em relação a nordestinos e nortistas e vice-versa] que vêm gradativamente aumentando em portais de relacionamento e em blogs e divulgadas pela mídia brasileira.

A meu ver, as frases postadas pela Mayara Petruso em seu Twitter e Facebook demonstram como uma parte [necessário ressaltar ser uma absurda minoria] da população da região Sudeste/Sul tem uma visão deturpada da realidade de nosso país e de nossa magnífica diversidade cultural.

Vejo a necessidade aqui de destacar como as populações de diversas partes do país sempre colaboraram para o desenvolvimento e construção de nosso Estado, principalmente a população nordestina, além de estrangeiros, sendo sempre bem recebidos em nossa grandiosa São Paulo, que tem sua grandiosidade atrelada principalmente a sua diversidade étnico/cultural encontrada somente aqui.

Hoje, ao ver a declaração da Sra. Fabiana Pereira, intitulada de articuladora do Movimento São Paulo para os Paulistas fiquei absurdamente perturbado ao saber que existe um movimento assim em meu Estado, É UM ABSURDO. Lembrei no mesmo momento das aulas de história da 7º série, quando o tema de meu trabalho para a feira cultural fora Hitler, que nitidamente compartilhava idéias como a dessa cidadã.

Percebe-se de longe o total desconhecimento da história de nosso país, quando ela divide a grandiosidade cultural brasileira em somente duas culturas, como uma assistencialista/populista e outra intelectual/elitista. Confesso que sinto medo de comentários como esse.

Como brasileiro e amante da diversidade cultural de nosso país, vejo a necessidade de todos nós não deixarmos que comentários de cunho preconceituoso continuem a ser proliferados.

O Brasil é um país que tem história principalmente pela relevância e tolerância da população. Até mesmo os judeus e os muçulmanos convivem pacificamente em nossa sociedade. Não podemos deixar que declarações inconseqüentes gerem ódio em nosso país.

A democracia é para todos, não somente para determinado Estado da Federação, cada um escolhe o que acha ser o melhor para si [Deixo de destacar a minha opinião política por achar irrelevante para o assunto].

São Paulo, 04 de novembro de 2010.

Luís Gustavo Timossi

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Prezado Luis,

Muito importante seu depoimento, e quero acrescentar:

Sou paulistano nato mas escolhi a Bahia para viver 10 anos atrás.

Não é de agora esse preconceito contra nordestinos e negros de parcela do povo do Sul/Sudeste. Isso vem do século XIX, desde o fim da escravidão.

Os povos do Norte/Nordeste são de origem índia e negra e sempre foram discriminados pelos brancos do Brasil inteiro. Repare que seu próprio texto diz “sempre colaboraram com o desenvolvimento e construção de nosso estado”. Não estou dizendo que você discrimina, mas essa idéia está enraizada em nosso subconsciente, e só me dei conta que eu também pensava assim quando mudei para Salvador.

Ninguém colaborou com ninguém; SP é Brasil e, portanto, não é dos paulistas! Quantos gaúchos, paulistas, mineiros vivem em cidades do Nordeste e sempre foram muito bem tratados? O que Mayara Petruso – e tantos outros – fez foi externar uma opinião corrente na elite branca, inclusive do Nordeste, que pensa da mesma forma.

Temo que consequências sérias acabem em violência. Na Bahia, milhares de pessoas do Sul vêm para o verão e o Carnaval, e começo a notar um clima de animosidade crescente nas pessoas daqui; o baiano mais simples, que sempre foi cordial, tendo acesso a essas informações de xenofobia e racismo, começa a externar um sentimento de vingança. Já ouvi pessoas dizendo que se um paulista falar grosso, vai ter troco!

Precisamos desconstruir esse racismo, antes que nos transformemos em um país dividido pela condição social e pela cor! Mais uma obra de Serra: espalhar o ódio!

Abraço a todos.

Julio Pegna

Paulistas contra o ódio e o preconceito

Campanha de Serra deixa o ódio como herança

Se o conservadorismo se fortalece com a campanha rasteira posta em prática pelo PSDB, o que vemos se aprofundar ainda mais é o ódio, que vem imbutido no preconceito de classe social, de origem, de cor da pele, de sotaque. Ódio gerado pela campanha agressiva e pela imprensa.

O que se viu no Twitter esta semana, as demonstrações de profundo e agressivo preconceito contra os brasileiros do Nordeste e do Norte, pregando até assassinato, envergonharam o resto do país (inclusive o próprio Sudeste, de onde saiu a maioria dos ataques).

Essa minoria paulista agiu movida por um egoísmo que mal consigo explicar. A primeira coisa que fiz ao saber dos casos de preconceito foi me imaginar na pele de um nordestino sendo ofendida por alguém rico, branco, jovem e paulista. Os agressores tinham em sua maioria exatamente esse perfil.

O que lhes falta é a capacidade de se imaginar no lugar do outro. A humanidade.

O singelo fato de que pela primeira vez um governo olhou para o Norte e o Nordeste pensando no seu povo fez com que os votos desse pessoal fossem em massa para Dilma. A diferença maior entre a petista e seu opositor se deu no Nordeste e no Norte. Duas grandes regiões brasileiras antes vistas apenas como lugar de turismo nas belas praias e de gente magra e faminta em um interior distante.

É inegável que a economia pesou muito em boa parte do voto nordestino/nortista. Só que a interpretação de quem não mora por aquelas bandas é equivocada. Falou-se que o governo comprara o voto com benefícios sociais.

Em minha ingenuidade, eu acreditava que serviços sociais eram obrigação, não favor do governo. Que atender sua população e fornecer igualdade de condições não ia além do que mandava a Constituição. E, muito antes dela, o bom senso, o sentimento de fraternidade, de solidariedade, de justiça.

Então, distribuir renda, dar assistência a quem sempre foi mal-tratado não é esmola. E não é errado que os nordestinos e os nortistas tenham votado porque sua condição financeira melhorou. É bonito, até. Porque isso significa que há um projeto político voltado a redistribuir renda. Votar com o bolso, pois, não significa que o voto não seja político.

Essa melhoria na vida do Nordeste gera uma raiva quase desumana. Não se pode dizer que os paulistas ricos perderam dinheiro para os nordestinos pobres ganharem, o que também não seria errado, para fazer justiça. Sabe-se que o governo Lula melhorou a vida de quem tinha pouco, mas que também fez crescer os lucros de quem já tinha muito. Só consigo deduzir que o ódio venha de um despeito fútil de quem quer que os pobres se aproximem no shopping apenas se estiverem uniformizados limpando o chão. De um egoísmo que não admite que a distância, a “superioridade” diminuiu. O poder diminuiu.

Há quem diga que o poder fascina mais que o dinheiro.

A campanha de Serra incentivou esse ódio classista. Incentivou o ódio, aliás, qualquer um. Ao incentivar a extremização dos sentimentos e das atitudes, o PSDB incentivou a agressão, a mentira, o preconceito. O preconceito contra Dilma visava também atingir Lula. O nordestino que fala o que bem entende, às vezes errado. O alvo era ele, a força maior. Pois bem, vemos aí o resultado. Uma agressividade crescente, a distância cada vez maior entre as classes – distância não financeira, mas de visão de mundo, de estruturação das ideias.

Para quem tem esperança de uma sociedade melhor, ela começa por nos vermos todos como iguais em direitos, pouco importa onde more cada um e a cor que ostente na pele. É tudo o que o PSDB demonstra não querer.

Alguns exemplos da agressividade vista na rede social:

Campanha de Serra deixa o ódio como herança

Por que o PSDB perdeu?

Só uma provinha do artigo de Eneas de Souza no jornal Sul 21.

Achando resultados

O PSDB não quer na sua presunção intelectual reconhecer a sua fragorosa derrota eleitoral. E estão tentando achar resultados para dizer que não foram batidos. Daqui mais uns dias, pode ser que eles tentem nos convencer pela mídia, pelo sujeito comunicacional, pela indústria ideológica, de que ganharam ou que foram os vencedores morais da eleição. E poderiam continuar, dizendo que a votação foi equivocada e que o povo não sabe votar. Mas que São Paulo deu a vitória a Serra; que Porto Alegre deu a vitória a Serra; que Curitiba deu a vitória a Serra; que Florianópolis deu a vitória a Serra. E veja-se inclusive a fragilidade do argumento: o PSDB tenta fazer pensar que ter a vitória numa cidade ou numa região é não ter nenhum voto contra. E, por outro lado, dizem no seu silêncio que o Nordeste não interessa; que Brasília não interessa; que o Rio não interessa. É dar mais peso a uns votos que a outros. É o mesmo preconceito dos que um dia votaram contra Lula porque ele era metalúrgico e não falava inglês. Certos eleitores são mais qualificados que outros. No fundo, no fundo, os conservadores se acham os donos do Brasil e não querem que haja uma nova realidade no país. Não querem desenvolvimento com distribuição de renda, porque a distribuição de renda diminui a diferença entre as classes. Não querem a tendência a uma maior igualdade. Parte do PSDB não quer aceitar essa transformação profunda na economia. Resolveram bater chapa – e foram derrotados três vezes! Três vezes: duas com Lula e uma com Dilma. Sempre tratando de dizer, mesmo que no sussurro, mesmo que disfarçadamente, que a financeirização do Brasil foi um sucesso. E esta é a diferença fundamental da política econômica do PSDB e do PT, baseadas ambas na estabilidade da economia. Um, desenvolve a atividade econômica apenas para as finanças e o outro, não só para os capitais; mas também para uma boa parte da população.

Quer ler o resto, clica aqui (recomendo a leitura até o fim).

Por que o PSDB perdeu?

Juremir: Dilma contra meio mundo

Juremir Machado da Silva acertou a mão. Texto publicado no dia 01/11 no Correio do Povo:

Dilma venceu o preconceito.
Superou o machismo, o reacionarismo e o moralismo barato.
O PSDB adotou o discurso do DEM e se quebrou.
Agora, passada a eleição, Índio já pode sair de costas e voltar para o anonimato.
Foi um das figuras mais patéticas da cena pública brasileira dos últimos anos.
Os especialistas tucanos erraram em tudo.
Disseram que Dilma tomaria surras nos debates.
Que Serra estava mais preparado.
Que Serra ganharia no primeiro turno.
Os tucanos pretendiam-se modernos, racionais e equilibrados.
Acabaram na vala comum dos impropérios contra a guerrilheira e terrorista.
Baixam o nível ao subterrâneo.
Bradaram contra o comunismo como velhos macartistas.
Resvalaram para a carolice sem qualquer pudor.
Derrotados, só lhes resta tratar os nordestinos como subeleitores.
O PMDB gaúcho apanhou de relho.
Praticou escandalosamente infidelidade partidária.
Mendes Ribeiro Filho teve de pedir licença para ser fiel ao seu partido.
Apostou no cavalo certo e ganhou.
A bancada parlamentar do PMDB gaúcho queria, em geral, manter o Rio Grande do
Sul na oposição.
O PMDB é o partido raposa, sempre dissimulando e montando estratégias para enrolar o eleitor. Anda sempre dividido para terminar unido no poder. Um parte acusa a outra de fisiologismo, mas não dispensa os cargos.
Foi a campanha da hipocrisia; quem é o DEM, o do mensalão da Brasília, para pregar moral?
Quem é o PMDB para criticar o aparelhamento do Estado?
A imagem da campanha é uma só: Lula de corpo e alma dentro dela.
FHC meio de lado, tentando não prejudicar demais com sua presença.
A revista Veja e o jornal Estadão tentaram de tudo para derrubar Dilma.
Vão continuar tentando.
Enquanto isso, Serra está experimentando seu pijama.
E tem muito colunista babando de ódio.

Juremir: Dilma contra meio mundo

Campanha de Serra deixa o conservadorismo como herança

A esquerda venceu as eleições e a direita sai derrotada, sem força até para comandar uma oposição muito contundente. Mas o baixo nível com que orientou a campanha, principalmente no segundo turno, deixa suas marcas na sociedade brasileira.

Esta semana está em discussão na Califórnia a legalização da maconha. Mesmo que não seja aprovada, para os padrões brasileiros esse é um avanço considerável. Não consigo vislumbrar um estado no nosso país capaz de uma discussão desse nível sem despertar rancores agressivos por grande parte de sua população, incluindo aí a imprensa, que diz que apenas retrata o que vê nas ruas, mas vai mais fundo e incentiva esse tipo de sentimento.

A discussão sobre aborto, sobre religião, que envolveu até o papa Bento XVI (que confirmou a tese de que só abre a boca pra falar besteira), ajuda a manter e a se intensificar um conservadorismo medieval no Brasil. Apesar dele, avançamos elegendo Dilma presidente, seguimos no caminho do progresso.

Mas a discussão mostrou que a sociedade ainda é conservadora e que uma parte dela não votou pela consciência política de estar mantendo no poder um partido que luta por valores de igualdade e fraternidade, mas pelo simples reflexo que as políticas sociais de Lula tiveram no seu dia a dia. E o problema vai além, porque a campanha baixa comandada especialmente por Serra, mas incentivada pela mídia, não apenas exibe essa faceta conservadora como a incentiva.

Ela ganha forças que pareciam vir perdendo influência. Já parecia absurdo discutir a possibilidade de se tolerar homofobia, mas o que se viu foi a volta dessa raiva contra homossexuais, que nada mais é do que preconceito.

Assim como esse, outros temas em que já conquistávamos avanços, em uma luta difícil e cotidiana, retrocederam. Já não parece mais possível discutir a legalização do aborto, porque ele agora passou a ser visto como um crime muito mais cruel e lhe foi atribuido um aspecto moral. Defender a descriminalização do aborto hoje é afrontar contra deus, a família, a vida, é defender o assassinato, é ser moralmente condenável. Como se o tema fosse assim simples.

Serra não fez mal ao país apenas por quase se eleger presidente e por nos fazer tolerar por mais um mês uma campanha suja que já ninguém mais aguentava. Serra fez mal ao perpetuar na sociedade um sentimento conservador retrógrado, que dificulta o processo de conscientização e o progresso de medidas mais humanas, cuja adoção vai sendo adiada.

Campanha de Serra deixa o conservadorismo como herança

A vitória de Dilma Rousseff em dez chaves

Martín Granovsky – Página/12

Serra perdeu o segundo turno após uma campanha ainda mais direitista que a de Fernando Collor de Mello em 1989, quando o candidato da Rede Globo derrotou Lula. O tom incluiu apelos ao Demônio inspiradas na organização Tradição, Família e Propriedade e repetidas nas dioceses que o Papa João Paulo II inundou de bispos ultraconservadores. A luciferização de Dilma, apresentada como uma maníaca do aborto, mergulhou o Brasil em seu lado mais obscuro. Mas o obscurantismo foi derrotado. Do mesmo modo que na Argentina, com a Lei do Matrimônio Igualitário (permite a união civil homossexual), os brasileiros conservaram suas crenças mas votaram de maneira secular.

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A vitória de Dilma Rousseff em dez chaves