Futebol quebra a indiferença cotidiana

Merecia um estudo antropológico a forma com que as pessoas lidam com futebol. Não falo nessa coisa de ver os caras correndo atrás da bola, da torcida maluca no campo de futebol, da paixão pelo time, nada dessas coisas. Mas da sensação de pertencimento a um grupo que o futebol carrega consigo.

Quando visto minha camisa do Inter, a relação das pessoas na rua muda. A indiferença costumeira cede espaço a uma camaradagem inusitada. Especialmente em dia de grandes eventos, a comoção aumenta, a troca se dá de forma mais intensa e frequente. Ontem (18) o Inter jogava a final da Libertadores em Porto Alegre. Já de manhã cedo, vestindo a camisa do time, conversei com uma série de desconhecidos, pessoas buzinavam de seus carros, me jogavam palavras de apoio. De forma meio involuntária, eu fazia parte de uma irmandade quase.

É engraçado. O mesmo cara que um dia te xinga quando te vê atravessando a rua na faixa de pedestres na hora que ele queria passar com seu carro, no dia seguinte se torna teu melhor amigo na torcida pelo mesmo time.

O isolamento que as pessoas se impõem cotidianamente sufoca. São esses momentos de festa comum, de identificação, que as salvam um pouco de serem sempre sós. Nesses momentos elas se permitem ser mais felizes, mais humanas. Aproximam-se das outras pessoas do mundo. Conversam com desconhecidos. Sociabilizam. Rompem as barreiras da solidão.

É bonito. Pena que acontece tão pouco. De repente seria interessante se deixar tocar pelo espírito de comunidade com mais frequência. Apenas um sorriso sem motivo de vez em quando já cairia bem.

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Futebol quebra a indiferença cotidiana

Inter é o mais popular dos brasileiros na Libertadores

E no fim das contas, apesar de o ingresso ser muito caro para os bolsos brasileiros, o Inter ainda é o time – ou um dos times – mais popular, pelo menos nos números da Libertadores dessa semana. Motivo de orgulho. Do Blog do Juca Kfouri:

O preço da Libertadores

Em números arredondados, veja como foram as presenças de público e as rendas nas estréias dos times brasileiros na Libertadores em seus estádios:

No Morumbi, 35 mil pagantes, com renda de 1 milhão de reais, ingresso médio a R$ 28;

No Beira-Rio, 39 mil pagantes, com renda de 820 mil reais, ingresso médio a R$ 21;

No Mineirão, 33 mil pagantes, com renda de 800 mil reais, ingresso médio a R$ 24;

No Pacaembu, 31 mil pagantes, com renda de 2 milhões e 180 mil reais, ingresso médio a R$ 70;

No Maracanã, 24 mil pagantes, com renda de 700 mil reais, ingresso médio a R$ 29.

De fato, parece mesmo que ninguém dá tanto valor à Libertadores como os corintianos…

Inter é o mais popular dos brasileiros na Libertadores

Inter ganha, mas sem vontade, no sufoco

Não acreditei muito quando me disseram que o Inter não tinha chance na Libertadores esse ano. Até porque foram só gremistas que me falaram. Andei lendo os jornais, vendo as notícias a respeito do time, dos jogadores e fiquei até meio otimista.

Mas ontem fui assistir Inter X Emelec no Beira-Rio. Digamos que ainda não sou completamente cética à possibilidade de o Inter se dar bem. Mas isso porque eu sou colorada e porque o time em 2006 também não era bom. Tchê, que jogo ruim! Meu time ganhou no sufoco de um timeco xumbrega (ou “chumbrega”, segundo o Houaiss).

O Emelec não fez nada, o que foi a sorte. No primeiro tempo, parecia que o Fossati tinha marcado um X no campo e dito pro Alecsandro ficar em cima dele. O cara não disputava as bolas que estavam a uns dois metros de distância, não se esforçava em um passe um pouco mais longo, não se mexia. E quando recebia a bola nos pés, perdia inevitavelmente.

O Giuliano perdia todas também. Edu nem se fala. Quando a bola chegava perto do gol, nunca chegava outro jogador pra ajudar no ataque. O Guiñazu, mais uma vez, tinha que aparecer pra roubar a bola em todos os lugares. O Nei estava bem esforçado, pelo menos. E assim foi indo… Faltava garra, sabe (a Globo.com diz que sobrou garra – admito que teve no segundo tempo). Faltava se dar conta que era Libertadores, pô. Cruzamento é um negócio que o Inter não descobriu ainda o que é. Ou pelo menos como fazer. Errou todos, mais ou menos.

Depois de levar o gol (como sempre me disse meu avô, “quem não faz leva”), alguém comentou que agora eles iam todos sair correndo desesperados e perdidos. Mas daí pareceu que alguém tinha pego um cara dormindo, sacudido e dito “acorda, tchê”. Aliás, a metáfora funciona às maravilhas, porque antes estavam todos bastante entediados, quase dormindo. E no fim as coisas melhoraram com o gol, até porque logo saiu o do Inter (bem bonito, por sinal, do Nei). E com a chuva, que parece que despertou o pessoal.

Com a entrada do Taison, no segundo tempo, aumentou o ânimo. O guri é meio afobado, mas disputa as bolas, corre muito, tem potencial pra fazer a diferença de vez em quando. O Walter também foi bem melhor que o Edu. O Andrezinho deu o toque final pra melhorar as coisas. E no fim, os 2 a 0 garantiram a primeira vitória. Mas em casa, com o Beira-Rio lotado e a torcida apoiando (quase 40 mil pessoas), de um time fraco, que não ousou. Vai ter que melhorar bastante pra ir mais longe (de repente com a volta do D’alessandro…). Vai ter que pelo menos querer.

Inter ganha, mas sem vontade, no sufoco

Um pouco de futebol

Depois de mais uma vitória colorada em um Grenal, me animei a falar um pouco de futebol. Mas ok, confesso que não tem nada a ver com Inter e Grêmio e que fiz a menção só por orgulho mesmo. O caso é que descobri hoje em um blog sobre futebol um texto muito bom sobre o Quilmes, da Argentina, time de uma província grudada em Buenos Aires, de nome Quilmes, que é também o nome da cerveja mais popular do país. A situação é hipotética, mas bem que poderia acontecer, justamente por ser tão absurda.

Dá uma olhada AQUI.

Um pouco de futebol