Estudantes vão às ruas em defesa da educação no Reino Unido

Por Cris Rodrigues, publicado originalmente na Carta Maior

Londres – Pouco antes do meio-dia, centenas de estudantes já estavam reunidos na frente da Universidade de Londres, no centro da capital inglesa, terminando cartazes e ensaiando palavras de ordem que seriam repetidas muitas vezes ao longo da tarde de quarta-feira, 9 de novembro. Não muito tempo depois, já não se enxergava onde começava e terminava a marcha contra os cortes do governo e a privatização da educação.

Um dos principais alvos de crítica era o “Papel Branco” para a educação superior proposto pelo governo em junho. Esse é nome pelo qual são chamados os documentos produzidos pelo governo que fornecem os detalhes de políticas a serem implementadas no futuro. O que está em questão tende a privatizar ainda mais o ensino superior no Reino Unido, segundo os participantes da marcha, na medida em que aumenta o valor a ser pago para cursar uma universidade para mais de 9 mil libras (25,2 mil reais) por ano, entre outras medidas que seguem a mesma linha. “Ele vai restringir a ampla participação de pessoas de comunidades de mais baixas condições sócio-econômicas nas universidades”, argumentou um manifestante de South Hampton, 25 anos, já graduado, que se identificou como Steve Martin.

O jovem carregava um cartaz com dizeres relacionando o Papel Branco do governo ao papel higiênico. Humor no papelão, mas palavras muito sérias para explicar o que acontece no país. E, para ele, vai muito além de um problema pontual que atinge o ensino superior: “Eu acho que nós estamos a ponto de perder o nosso estado de bem estar nesse país. E se continuar assim nós vamos ver uma situação parecida com a dos americanos agora. Você perde seu emprego, perde sua casa, não tem nada te sustentando. E você é deixado para trás”.

Não é de hoje que os estudantes vêm protestando contra as medidas que o governo conservador de David Cameron adota em relação à educação, mas agora os protestos tomam uma dimensão especial na medida em que entram na lista de manifestações por maior democracia e igualdade que vêm se espalhando pelo mundo. Esta semana os estudantes agregavam ao discurso as críticas ao sistema financeiro que são sustentadas nas ocupações que começaram em Wall Street, nos Estados Unidos, e que em Londres já levam quase um mês em frente à Catedral de St. Paul’s, no coração do mercado financeiro britânico. Os movimentos não estão diretamente articulados, mas se apoiam e se misturam, com circulação de pessoal entre eles, “uma relação mais natural do que oficial”, pontuou outro manifestante, recém-formado em Política.

Oriundo de Coventry, uma antiga cidade industrial que ele alega estar sendo prejudicada pelas medidas do governo, defende que as grandes corporações deveriam pagar pela educação e completa: “(Estou aqui lutando por) uma sociedade justa onde as vidas não são determinadas pelas forças do mercado, em que a gente não tenha que pagar para ter acesso a coisas que deveriam ser básicas. Educação pode ser pública e universal”.

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Estudantes vão às ruas em defesa da educação no Reino Unido

A vida em Londres volta ao normal – ou quase

Cris Rodrigues, adaptado do texto publicado no Jornal Sul21 

As já muito frequentes e barulhentas sirenes de Londres parecem ter se multiplicado no começo da semana. A elas, somaram-se o barulho de helicópteros sobrevoando a cidade e 16 mil policiais perambulando pelas ruas. No quarto dia da onda de manifestações que varreu a capital britânica, muitas lojas fecharam as portas no meio da tarde. Em Kentish Town Road, uma avenida relativamente distante de qualquer distúrbio, uma pequena tabacaria familiar era um dos poucos estabelecimentos abertos às 20h de terça-feira (9). Dentro, duas mulheres estavam tranquilas e sem medo, mesmo vendo a filial de uma grande rede de supermercados do outro lado da rua de portas fechadas desde as 15h, sob o anúncio de que funciona até as 23h todos os dias da semana.

Era dia claro ainda, mas as ruas estavam quase vazias, longe do normal para uma cidade em que circula tanta gente o tempo todo. Terça-feira foi o dia em que mais sentia o medo no ar, sensação que acabou alterando a rotina de muita gente. Mas naquela noite não houve registro significativo de incêndio, depredação ou roubo, como os ingleses tinham visto nos dias anteriores. Ninguém entendia muito bem o que estava acontecendo ou, principalmente, por quê.

Sharon e Gurmit Johal, donas da tabacaria há 15 anos, não estavam assustadas, mas muita gente se recolheu cedo ou nem foi trabalhar, com medo de que algum protesto violento pudesse acontecer no meio do caminho. Andar nas ruas era estranho, pelo vazio de pessoas e pelo som de helicópteros sobrevoando a cidade, que remetiam a um clima de pré-guerra civil, como se algo muito grave estivesse a ponto de acontecer.

Mas não foi e não é uma guerra civil o que Londres viveu nos últimos dias. Além do estrago no local das manifestações, que em alguns casos deixaram um prejuízo enorme e, em outros, apenas quebraram umas poucas vitrines, houve alguns problemas com transporte, como ônibus que mudaram de rota ou estações de metrô fechadas, que foram rapidamente solucionados. Mas as vidas da imensa maioria dos londrinos não foi alterada mais do que algumas horas, e a maioria já não sentia medo ao andar nas ruas no dia seguinte.

Violência é reflexo de uma sociedade doente e desigual

Tudo começou com o suposto assassinato de um homem negro, popular em sua comunidade, por agentes da polícia britânica, na noite da quinta-feira passada (4). Dois dias depois, foi feito um protesto pacífico nas ruas do bairro de Tottenham, no norte de Londres, que registra altos índices de desemprego, maiores do que a média já elevada da capital. Mas o protesto acabou em incêndio de prédios, carros e ônibus. Ainda mal explicada, a morte de Mark Duggan foi a gota d’água para que a insatisfação popular tomasse as ruas em uma onda de protestos sem precedentes na história recente da Inglaterra. Ao mesmo tempo, tornou-se um subterfúgio, uma desculpa para saques, incêndio e depredação de bens materiais em diversos bairros da capital e em cidades do interior da Inglaterra.

Em lugares de perfis muito diferentes, alguns pontos havia em comum. Principalmente o fato de a grande maioria dos participantes ser muito jovem. Em Chalk Farm, por exemplo, perto do bairro de Camden Town, que ficou conhecido no mundo inteiro no mês passado por ser onde a cantora Amy Winehouse morava, o grupo não era grande e girava entre 16 e 25 anos, segundo o policial Gary Cooper, que na terça cuidava da rua que teve a vitrine de quatro lojas quebradas na noite anterior.

Ele era um dos 16 mil policiais que vigiavam as ruas de Londres acionados pelo primeiro-ministro inglês para conter a violência. O conservador David Cameron parece ser o principal interessado em não discutir as causas e em não buscar interpretar o que estes jovens estão querendo dizer. Ele repetiu ontem (qunta-feira, 11) a afirmação que havia feito no início da semana de que se trata apenas de “criminalidade, pura e simples”, quando o momento já não era mais de reagir rapidamente, mas de analisar as causas e procurar a melhor forma de encarar o problema. No mesmo pronunciamento, disse ainda que os envolvidos são muito jovens, e, portanto, não se trata de protesto político, mas de roubo. E jogou a responsabilidade para os pais, por não saberem onde e com quem seus filhos estavam. No único momento em procurou alguma explicação social, Cameron tratou de descartar qualquer relação com desigualdade: “As crianças crescem sem saber a diferença entre certo e errado. Não tem a ver com pobreza, mas com cultura. A cultura de glorificar a violência, desrespeitar autoridades e saber tudo sobre direitos e nada sobre responsabilidades”. Isso no momento em que a Inglaterra vive a pior crise econômica dos últimos 50 anos, segundo o prefeito de Londres, Boris Johnson, do mesmo partido de David Cameron.

Ainda que sejam mesmo crianças e adolescentes desorientados buscando apenas vandalismo, mesmo que não entoem palavras de ordem bonitas e não bradem por liberdade, igualdade e fraternidade, estes “rioters” são um reflexo de um problema social.

Foto:  Nigel Howard/Evening Standard/PA

A vida em Londres volta ao normal – ou quase

Domingo na Redenção: código florestal e Marcha da Maconha

Este domingo merece ser passado inteiro na Redenção, em Porto Alegre. Se se mantiver o sol e o calor de sábado, não tem por que ficar em casa. Vale chegar cedinho, porque às 9h30min o código florestal vai estar sendo defendido. Às 15h é a vez da Marcha da Maconha, hora de afirmar que a liberação da maconha só vai prejudicar o tráfico de drogas e de juntar muita gente para mostrar que manifestações pacíficas podem e devem ser respeitadas, ao contrário do que aconteceu em São Paulo.

Mostremos que Porto Alegre, e especialmente a Redenção, é uma cidade consciente. Costumava ser, mas a apatia recente faz acreditar que já esquecemos disso…

Fórum em Defesa do Código Florestal promove ato no brique da Redenção

O Fórum Gaúcho em Defesa do Código Florestal realiza uma concentração neste domingo, a partir das 9h30min, no Brique da Redenção, em Porto Alegre, com o objetivo de alertar a população sobre o que qualifica de “mudanças criminosas” que estão sendo propostas na atual legislação. As entidades que compõem o Fórum decidiram aproveitar o pouco tempo que ainda falta para a votação da proposta na Câmara dos Deputados para tentar mostrar à população os riscos envolvidos nas mudanças. Uma faixa será estendida no parque, próximo ao Monumento do Expedicionário, dizendo: “Sua vida vai piorar se o Código Florestal mudar”.

Domingo na Redenção: código florestal e Marcha da Maconha

Manifestantes (inclusive twitteiros) apanham da polícia paulista

Atualizado em 11/02/2010, às 21h.

Como se não bastassem as enchentes com suas consequências, a falta de atitude política, a indecisão com relação à candidatura à presidência da República, a identificação com Fernando Henrique, Serra se esforça um pouquinho mais para queimar seu filme. Aliás, se é possível tirar algum aspecto positivo do que houve hoje em São Paulo, é que o governador vai se afundando frente a opinião pública.

Mas não, nada pode ser positivo nesse absurdo de hoje. Em torno de 200 pessoas se reuniram para fazer uma manifestação pacífica de protesto pelas enchentes e a inércia (no sentido que o dicionário Houaiss classifica como “falta de reação, de iniciativa; imobilismo, estagnação”) do governo. Pois nesse caso, os policiais não foram nada inertes. Reagiram violentamente, com sprays de pimenta e cassetetes.

Pelo twitter, @maria_fro, que estava na manifestação, conta: “Cheguei em casa:corpo tá todo ardendo e ainda os olhos embaçados, braços e mãos incharam, vou tomar banho beber leite depois conto barbárie”. E denuncia: “Havia crianças de colo, mães, idosos ninguém fez absolutamente nada, era uma manifestação completamente pacífica , violência sem limites”. E, em resposta às matérias que falam em confronto entre policiais e manifestantes, como a da Folha Online, afirma: “confronto? onde? eu estava lá, não houve confronto algum, houve uma agressão desmedida e sem cabimento”. O relato completo está no blog dela, com fotografias, inclusive.

Serra vai cavando bem fundo seu buraco. Que se enterre logo.

Na imagem, quem está apanhando é o vereador do PT Zelão. O crédito da foto é de Nelson Antoine/Foto Arena/AE.
Manifestantes (inclusive twitteiros) apanham da polícia paulista