Governo tem espaço 2.0 para conversar com a sociedade na Rio+20

Vai ser na Arena Socioambiental que o governo federal vai dialogar com a sociedade civil sobre temas sociais durante a Rio+20. Nos jardins e pilotis do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, no aterro do Flamengo, vão rolar debates, programação cultural e mais um monte de coisas bacanérrimas de 16 a 22 de junho. E, como se não bastasse, o espaço é 2.0!

Baseada na ideia de que não se faz desenvolvimento sustentável sem inclusão social e combate à miséria, a Arena Socioambiental realiza dois diálogos por dia, com três debatedores presencias – incluindo membros do governo e representantes da sociedade civil – e um webconferencista cada, na Arena Encontros Globais. Os debates trazem temas como direitos humanos, combate à pobreza, democracia, autonomia das mulheres, cidades, soberania alimentar e mais um monte de assuntos superinteressantes. Tudo no contexto do desenvolvimento sustentável.

No intervalo entre eles, o Palco #SonoroBrasil apresenta uma programação cultural popular que valoriza a diversidade do povo brasileiro, com atrações de diferentes regiões do país e estilos musicais diversos.

Toda a programação desse espaço, incluindo diálogos e atrações culturais, vai ser transmitida ao vivo pelo blog arenasocioambiental.org, que estará no ar em alguns dias. O código-fonte também será distribuído para quem quiser transmitir em seu blog ou site particular. Uma equipe de primeira vai fazer a cobertura interativa nas redes sociais de tudo que estiver acontecendo por ali. Aliás, vale seguir e compartilhar as redes da Arena no Twitter (@ArenaRIO20) e no Facebook. Tweets citando a hashtag #ArenaRIO20 vão aparecer no painel de LED montado dentro do espaço, somando ao debate que estará rolando ali para um público presencial de 350 pessoas (a entrada é livre!) e quem estiver acompanhando pela rede.

Os debates acontecem todos os sete dias da Arena Socioambiental, das 14h30min às 16h30min e das 17h30min às 19h30min. A programação cultural começa às 16h30min.

Além da Arena Encontros Globais, onde fica também o Palco #SonoroBrasil, a Arena Socioambiental traz a Exposição Portinari+Brasileir@s (baseada no slogan “O Brasil é um país que cresce, inclui e protege”), a Praça da Sociobiodiversidade (onde vai dar pra dar uma engordada com produtos de todas as regiões do país) e o Café+20 (com produtos da agricultura familiar).

A coordenação da Arena Socioambiental é do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com participação dos seguintes ministérios: Meio Ambiente; Desenvolvimento Agrário; Saúde; Educação; Justiça; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Comunicações; Previdência Social; Aquicultura e Pesca; Integração Nacional e Secretaria-Geral da Presidência da República. E das secretarias: Direitos Humanos; Políticas para as Mulheres e Políticas para a Promoção da Igualdade Racial. Os principais patrocinadores são Correios e Banco da Amazônia.

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Governo tem espaço 2.0 para conversar com a sociedade na Rio+20

Uma feira do povo: “Eles não são de fora, são daqui”

Não deu para não roubar do RS Urgente o ótimo texto de Marco Weissheimer e a foto de Eduardo Aigner que mostra o Cais lotado:

No show inesquecível que reuniu sábado à noite, no Gasômetro, nomes antológicos do rock gaúcho (Wander Wildner, Julio Reny, Frank Jorge & cia), lá pelas tantas um dos músicos comentou ao microfone: “Tem que vir gente de fora para acontecer uma coisa legal assim na cidade”. A coisa legal não era apenas o show, mas toda a Feira Nacional de Agricultura Familiar, sucesso absoluto de crítica e público. O comentário foi imediatamente seguido de uma correção: “Eles não são de fora, são daqui”. Eles, no caso, eram os organizadores da Feira, o “pessoal do MDA” (Ministério do Desenvolvimento Agrário). Foi logo no início do primeiro governo Lula que o pessoal daqui assumiu o MDA com Miguel Rossetto. Quando Rossetto deixou o ministério, quem assumiu foi Guilherme Cassel, gente daqui também. A alegria estampada no rosto de organizadores, feirantes, visitantes e participantes do evento realizado no Cais do Porto, à beira do Guaíba, foi a maior prova de que a política pode ser feita para causar bem estar e felicidade.

Poucas vezes, nos últimos anos, viu-se uma atividade pública cercada por tão alto astral. Parecia uma Feira do Livro às margens do Guaíba. Lembrou os melhores dias do Fórum Social Mundial. E mostrou, acima de tudo, o acerto da política de valorização da agricultura familiar no Brasil. Diversidade, riqueza de sabores, cores, cheiros, formas e pessoas. De fato, foi uma coisa muito legal, feita por gente daqui que se mudou para Brasília e que se sentiu muito feliz e justificadamente orgulhosa ao ver a alegria no rosto de seus conterrâneos. Por sinal, um deles comentou: “a gente foi ali, mas já volta.”

Um governo como o de Yeda Crusius jamais oferecerá algo parecido para a população. Por uma razão muito simples: trata-se de gente que não gosta de cheiro de povo.

Uma feira do povo: “Eles não são de fora, são daqui”

Resultados do Brasil Rural Contemporâneo

No brevíssimo tempo de quatro dias, mais de 160 mil pessoas visitaram o Cais do Porto, em Porto Alegre. O tempo ajudou, é verdade. Hoje o dia deu uma enfeiada, mas até ontem o sol mostrou que apoia os pequenos agricultores. Os 350 estandes da Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária | BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO venderam R$ 11 milhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Quer saber o que isso significa?

Os agricultores deixaram claro o que sentiam quando, às seis e meia da tarde, ainda longe das 22h, quando a Feira seria oficialmente encerrada, quase não havia mais produtos à venda. O que se via era uma disputa pelo que ainda restava, nos poucos estandes ainda em funcionamento. Apesar de aparentemente um pouco desoladora, a cena era de alegria, de conquista, de superação das expectativas.

 

Resultados do Brasil Rural Contemporâneo

A poesia prevalece

Do Mudar o Imutável:

“Quem diz que o meu canto é impuro
por olhar além das fronteiras,
desconhece de alguma maneira
passado, presente e futuro.”

Essa letra de Pedro Munhoz parece resumir a proposta da VII Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária que está acontecendo em Porto Alegre. Reforma Agrária ainda é, para muitos, coisa de baderneiro de boné vermelho. A agricultura familiar soa como retrocesso: dar terra para mais pessoas produzirem, sendo que só uma máquina pode fazer tudo. A lógica da monocultura é extremamente agressiva. Sem nem falar nos problemas ambientais, tem o problema da alimentação: a gente come diariamente e religiosamente, o veneno do agronegócio. A agricultura familiar não é uma volta ao passado, pelo contrário: é o futuro, como diz Munhoz.

Além de apresentar para a população porto-alegrense essa alternativa ao modelo da agricultura dominante, a Feira conta com diversas atrações musicais. Mas não tem o rebolation-tion: são músicos engajados com questões sociais, um pessoal que faz música inteligente.

Fui ao show d’O Teatro Mágico ontem. Convidei um pessoal para ir e faltou ingresso, infelizmente. Tava lotado. Perderam um show excelente. A banda, que diz fazer MPB (música para baixar), prega a disseminação cultural. A proposta é que, tudo aquilo que entendemos por “cultura”, como músicas, livros, filmes, deve ser de todos. Todos precisam ter acesso, sem ter que pagar os olhos da cara por isso. (Aliás, lembro que defendi essa ideia na minha redação do vestibular).

Foi interessante um momento do show, em que o vocalista da banda, Fernando Anitelli, falou sobre a participação deles em uma novela da Globo recentemente. Eles afirmaram não ter rabo preso com ninguém, apenas com o público. Disse que os canais de televisão são concessões públicas, ou seja, é tudo nosso, precisamos ocupá-los. Aí eu vibrei, né? Na sequência eles tocaram “Xanéu n°5″, uma música que critica justamente a televisão. Não assisti à novela, mas aposto que não foi essa a música que eles tocaram lá.

Eis que, para minha surpresa, em determinado momento do show, ele convida o Pedro Munhoz para subir ao palco. Da mesma forma que conheci O Teatro Mágico por acaso, nó Fórum Social Mundial desse ano, conheci o Pedro Munhoz naquele momento. Já tinha ouvido falar, mas confesso que nunca tinha escutado. O cara é realmente foda. Para quem não conhece, as letras e algumas músicas podem ser baixadas aqui.

Enquanto ainda estava no palco e animava o público com gritos de “Pátria Livre!” foi exibida uma faixa que dizia: “Música livre jabá. Pampa livre de eucalipto. Mulher livre de machismo”. Saí de lá mais feliz. Procurem conhecer o trabalho deles, vale a pena. Vamos nos libertar! E tentar, sempre, mudar o imutável.

A poesia prevalece

Pela solidariedade e pela felicidade, igualdade

Às vezes a gente liga no automático e só vai. Pra mim, defender a agricultura familiar e a reforma agrária é uma coisa óbvia. Claro, por causa dos benefícios sociais que trazem, que os números do último post comprovam e coisa e tal. Mas qual o sentido disso? O que faz esses números, esses benefícios, deixarem de ser apenas informações e se tornarem de fato relevantes?

Durante o show do Teatro Mágico – especialmente quando o palco foi dividido com Pedro Munhoz e que uma faixa produzida por diversos movimentos foi levada ao palco -, a vibração, as palavras, a sensação… Era tudo tão forte, a emoção tão grande e veio uma luz, uma coisa que dizia que a palavra por trás disso tudo é solidariedade. Tá, não foi a primeira vez que cheguei a essa conclusão, mas é que a rotina é tão cruel que às vezes nos impede de sentir o tanto que deveríamos.

Agricultura familiar faz sentido porque as pessoas vivem melhor. Reforma agrária é boa porque é justa. Porque não tem um motivo racional, uma razão lógica que explique que uma pessoa tenha milhares de hectares de terra pra plantar produtos pra vender e nem ver o dinheiro enquanto outra batalha a vida inteira e não consegue ir longe. Não porque não é capaz, mas porque não nasceu no mesmo lugar, não veio da mesma barriga, não teve as mesmas chances.

Por isso, o Movimento dos Sem Terra defende terra para todos. O Teatro Mágico defende cultura para todos. Mulheres lutam para ter as mesmas condições que os homens. Tantas lutas. Luta. Palavra que lembra briga, guerra. Por que devemos lutar para conseguir o que seria tão natural?

Foi nesse espírito que um dia disseram que todos somos iguais. E isso não significa que a lei vale da mesma forma para todos, mas que temos todos o mesmo valor, devemos ter os mesmos direitos e oportunidades e a mesma condição de manter uma vida digna. E feliz.

Mais do que solidariedade, do que compaixão, do que amor ao próximo – todos esses lemas que a igreja roubou mas que são muito mais transcendentes, muito mais profundos e verdadeiros quando pensados por eles mesmos, sem deus nenhum por trás -, o sentido de tudo isso é a felicidade. Que todos tenham o mesmo direito a ela.

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Música LIVRE de Jabá

Pampa LIVRE de Eucalipto

Mulher LIVRE do Machismo

Pela solidariedade e pela felicidade, igualdade

Agricultura familiar produz muito mais que a patronal

A velha história de ensinar a pescar em vez de dar o peixe. Em parte, a agricultura familiar tem disso. Mas não é só. As histórias provam que ela é auto-sustentável, que vale a pena investir nela, porque traz dignidade para muita gente que nunca tinha tido oportunidade. Mas a agricultura familiar vai além. Ela não é boa só para o pequeno agricultor, a família que planta, colhe, vende, sustenta a casa, consome o que produz.

A agricultura familiar faz a economia girar, é boa para o país. A prova é traduzida em números pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Eles são um pouco chatos às vezes, mas são úteis para entender a dimensão da importância desse setor da economia.

“A agricultura familiar brasileira responde por 70% de tudo q a gente consome no dia-a-dia”, disse o ministro ontem, na abertura da Feira de Agricultura Familiar e Reforma Agrária | BRASIL RURAL CONTEMPORÂNEO. São 4,3 milhões de propriedades, é muita gente envolvida. Só no Rio Grande do Sul, são 378,5 mil, que correspondem a 86% do total de estabelecimentos agrícolas. Agora olha o absurdo: ocupa só 33% da área agricultável. Ainda assim, produz 54% de todo o valor bruto (84% de todo feijão produzido, por exemplo). Os dados são do Censo Agropecuário do IBGE.

Está dando pra entender? É menos da metade de estabelecimentos, ocupando uma área muito menor e produzindo bem mais proporcionalmente. Ou seja, muito mais vantajoso para a economia do estado, do país.

A agricultura patronal, em contrapartida, são basicamente latifúndios, que empregam menos, geram desemprego e produzem para exportação (lembram? 70% do que a gente consome é produzido por famílias em propriedades pequenas). Na agricultura familiar, há 16,1 pessoas por hectare. Na patronal, 1,7 pessoas no mesmo espaço. Lembra aqueles números do RS? Em 33% da área agricultável do estado, que é a ocupada pela agricultura familiar, trabalham 81% das pessoas ocupadas no meio rural.

Quer ver o resultado disso tudo? Tem uma geléia de ameixa com cravo no armazém A4 do Cais do Porto que é uma delícia. Não custa caro, dá pra provar na hora e faz a economia do país respirar.

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Mais:

Brasil autogestionário
Centro de Estudos Ambientais (CEA)
– Fotógrafo Eduardo Seidl (Sul 21)

Aqui, a programação.

O site da Feira: Brasil Rural Contemporâneo

Agricultura familiar produz muito mais que a patronal