As árvores da Praça da Alfândega: o que é história?

Imagino que não haja dúvidas de que precisamos preservar a nossa história. Espero que não haja, aliás. O que pode gerar divergências é a definição do que é a nossa história. A Prefeitura de Porto Alegre decidiu reconstruir a mais importante praça da cidade em busca da tal história. Em função disso, cortou 38 árvores, algumas com mais de 30 anos.

Mais de 30 anos… Já não faziam parte da história da Praça da Alfândega? Não sei muito bem quem define que até, sei lá, 50 anos atrás era história e, como tal, é mais bacana do que é hoje. A história é feita justamente da construção, da evolução das pessoas, dos pensamentos, das cidades. Ela não é estática. É movimento. Os últimos 30 anos também fazem parte da história da praça. Alguém me consultou se eu queria que tirassem as árvores de lá por não serem tão antigas quanto os bancos? Hmm, não que eu lembre.

Insisto que temos que preservar a história da cidade, sim. Mas temos que lembrar que hoje estamos construindo essa história. De uma cidade viva, que nasce e cresce a cada dia. Temos que controlar para que isso seja feito de um jeito saudável, não de forma desenfreada, mas preservar a história é valorizar todo o trajeto até o agora, avaliando o que nasceu do crescimento natural da cidade, lutando contra aquilo que lhe foi imposto, apenas.

As árvores da Praça da Alfândega: o que é história?

Um novo andar com os mesmos pés

Mudou o layout do Somos andando, espero que tenham reparado. Na verdade, é mais para não enjoar, para não acomodar. Para que haja mudanças mesmo. Para que se estranhe a diferença, para que se note a diferença. Mesmo que a diferença seja apenas o visual de um blog. Pelo estranhamento. Pela mudança. Pelo movimento.

Esse tema não permite imagens de cabeçalho, mas talvez seja melhor assim. Uma imagem não sintetiza tantas ideias sobre tantos temas diferentes. Não há como representar a tentativa de estar permanentemente se reconstruindo.

O template muda, mas o Somos andando continua o mesmo. Espero que com cada vez mais comentários, cada vez mais debate. Que cresça, espero. E tento não falar isso por uma vontadezinha egocêntrica de que mais gente leia o que escrevo, de ter um número maior para contar para as pessoas. Tento fazer do blog um espaço de ideias.

Junto com o novo visual, acrescentei três páginas novas. Também por limitações do tema escolhido – mas com essas não fiquei tão satisfeita – essas páginas não aparecem lá em cima, como seria normal, onde teriam mais destaque. Estão na barra lateral, mas convido à leitura. Uma explica rapidamente o que é o Somos andando. Outra fala não tão rapidamente sobre mim, para que entendam quem está por trás das ideias aqui expostas, como elas foram construídas. E uma terceira fala de Jornalismo, minha profissão, e o que eu penso a respeito. Na verdade, todas falam de mim, todas falam do blog, todas falam do mundo. Afinal, não estamos sozinhos nesse tal de planeta Terra, e cada pedacinho de cada pessoa tem a influência de pedacinhos de outras pessoas que andam por aí.

Mas me estendo muito, pra variar. A ideia era só dar uma explicação de por que mudei. Aí está.

Um novo andar com os mesmos pés

Um novo começo em movimento

Somos andando é meu novo blog. Apesar da mudança de endereço, de identificação visual e de nome, é praticamente uma versão remodelada do meu antigo Interpretando. Eu precisava de um título com um significado.

“Somos andando” é uma frase do educador Paulo Freire. A ideia é de que o que importa não é aonde vamos chegar, mas de que forma iremos para lá. É o caminho que faz o andante. Ou melhor, o andante faz o caminho, como diria o poeta espanhol Antonio Machado: “caminante, no hay camino, se hace camino al andar”.

Conheci a frase no livro De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, do jornalista uruguaio Eduardo Galeano, para quem “a verdade está na viagem, não no porto”. Pensando nessa frase, me dei conta ainda de que há mais nela. Se “somos andando”, somos muitos. Não sou eu que vou definir sozinha minha identidade ao longo de um caminho. O caminho só existe e só faz sentido se é plural, se é coletivo. Só se pode realizar a utopia em conjunto.

É um movimento… andando… E andando juntos.

A foto do cabeçalho foi tirada por mim na marcha de abertura do Fórum Social Mundial de 2010, em Porto Alegre. Não sei de que movimento são as pessoas que aparecem ali. Havia muitos lá, mas o que importa é que todos caminhavam lado a lado, trilhando um caminho coletivo rumo a um outro mundo possível. Achei que tinha tudo a ver com a ideia do título.

O blog deve continuar com a mesma proposta do Interpretando, de posts variados, sobre temas diversos. O critério que uso para escolher os assuntos é o interesse. Tudo o que eu acho que rende um post e que vá interessar aos leitores vai aparecer por aqui. Mas aviso, os assuntos mais correntes são política e jornalismo. Mas não os únicos, ressalve-se.

Jornalismo, aliás, é outro ponto importante que quero destacar. Pensei em criar o Somos andando no início do ano. Começar 2010 de blog novo. Mas, devido a viagens e outras atividades, não quis dar início a uma empreitada sem oferecer ao leitor pelo menos periodicidade. Deixei, então, para outro momento marcante.

Domingo, dia 31 de janeiro de 2010, anteontem, me formei em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pode parecer bobagem, mas é um fim de uma fase e o começo de outra, espero que ainda mais produtiva e de mais qualidade.

De resto, espero que o que aparecer por aqui tenha alguma relevância social, por menor que seja. E que vocês, leitores, gostem do que encontrarem.

Um novo começo em movimento