Neutralidade de Marina e Plinio é irresponsabilidade

O que está em jogo são dois projetos políticos. Não adianta, por mais que o eleitor ache que não há nenhum 100% bom, ou Dilma ou Serra vão se tornar o próximo presidente do Brasil. Não há alternativa.

Agora, um dos dois vai ser o presidente, não tem mais o que fazer para mudar isso. Se o eleitor não gosta de nenhum dos dois, vai ter que escolher, sim, o que achar menos ruim para o Brasil que queremos. Deixar de opinar neste momento é se omitir. É deixar que os outros decidam no seu lugar.

Para um eleitor comum, seria uma atitude irresponsável votar em branco. Irresponsável porque joga nas mãos de pessoas que não conhece a responsabilidade de fazer uma escolha tão importante para o Brasil, da qual poderia participar. Mas, para quem participa ativamente da política, com papel protagonista no jogo, deixar de opinar é quase temerário.

Por isso, não posso admitir a postura de Plinio de Arruda Sampaio e Marina Silva.

Pedir a seus eleitores que votem em branco ou nulo no segundo turno já seria grave quaisquer projetos que estivessem em jogo.

Diante do retrocesso representado por Serra, que vai muito além de qualquer erro do governo Lula, qualquer política mal executada ou aliança com a qual eventualmente não concordemos, abster-se de decidir é permitir que o PSDB ganhe força. Não apoiar Dilma é fornecer aos seus eleitores o aval ideológico para deixar que outros – que podem ser de direita – decidam em seu lugar.

Sobre o Plinio, recomendo a leitura do Blog do Tsavkko.

No caso de Marina a situação é ainda mais feia. Sua pauta principal é a defesa ambiental. O governo Lula falhou gravemente no setor, mas ela era a ministra de Meio Ambiente durante boa parte do governo. De qualquer forma, o projeto da direita mais conservadora, representada pelo PSDB, desconsidera as questões ambientais, porque antes delas vêm os interesses de mercado.

Se Marina concordou com a política do governo por seis de seus oito anos a ponto de permanecer ministra, o saldo de sua avaliação do governo é positivo. Afinal, ninguém aceita ser ministro de um governo com cuja política não concorde. É preciso ter uma identificação com o projeto, hoje representado por Dilma.

Marina eximir-se de opinar é uma traição não ao PT nem a Lula, muito menos a Dilma. É uma traição a sua própria história e a sua defesa das causas ecológicas.

E ela deve sair mais perdendo do que ganhando. Quem entende do assunto e pode dar umas dicas é José Fogaça, candidato derrotado ao governo gaúcho. Do PMDB.

Neutralidade de Marina e Plinio é irresponsabilidade