Obama e o marketing na rede

E não é que o presidente dos Estados Unidos parou por 45 minutos para responder perguntas feitas pelo Twitter? Barack Obama pode não estar sendo exatamente um bom presidente, mas é esperto e já provou que sua equipe entende bem de marketing. Bom comunicador, ganha pontos quando fala com as pessoas.

Dá para dizer que ele apostou no carisma e no impacto. Sabia que a iniciativa repercutiria, como de fato repercutiu, inclusive no Brasil. Decidiu, então, jogar suas fichas na capacidade de empatia que lhe é natural para ganhar a simpatia daqueles tantos que estão insatisfeitos com o seu governo.

Uma breve olhada pelos tweets usando a hashtag #AskObama, usada para direcionar as perguntas ao presidente, mostra que os questionamentos ácidos e críticos foram bastante frequentes e que a quantidade de perguntas era imensa, atualizadas no TweetDeck com uma velocidade alucinante. Porém, no portal oficial por onde estava sendo feita a transmissão, http://askobama.twitter.com/, muito poucas apareceram na timeline. As perguntas foram selecionadas, como não poderia deixar de ser, mas poderia ter havido um sistema mais democrático e participativo de seleção. Um critério como o de quantidade de RTs, ou seja, maior número de pessoas endossando uma pergunta, poderia ter sido adotado. É possível ver no quadro abaixo que a pergunta mais retuitada foi sobre a descriminalização da maconha. Dificilmente uma brincadeira ou uma ofensa alcança grande popularidade e, mesmo que isso acontecesse, cabe o bom senso, sem qualquer dificuldade. Faltou extrapolar o show e proporcionar uma experiência efetivamente participativa.

Não saber o critério de escolha deixa o sistema turvo, e faz recairem-lhe suspeitas sobre o grau efetivo de participação. Da forma como foi feita, o presidente dá indícios de uma abertura ao que se passa nas redes sociais – como já ficara bastante evidente durante sua campanha –, uma postura não conservadora, mas não faz nada que vá muito além do que já é feito normalmente. Ele fala o que convém, responde algumas perguntas como já o faz com jornalistas, não permite acesso do público em geral ao presidente.

É claro que uma ou outra provocação apareceu, senão ficaria chato. Mas, de qualquer forma, de que adianta tentar mostrar-se progressista e democrático se na prática seu governo o contradiz?

Há que se parabenizar a equipe de marketing de Obama. E montar a torcida para que as próximas iniciativas desse tipo – que poderiam acontecer no Brasil também – ousassem um pouco mais, permitindo que a rede se movimentasse pelos seus caminhos e pudesse definir um pouco do desfecho da conversa. Afinal, falar com a rede é, sim, interessante e já é por si uma ousadia. Por que então fazê-la pela metade?

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Um interessante levantamento sobre os tweets usando a tag #AskObama hoje:

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Obama e o marketing na rede

A visita de Obama e a imprensa

Incomodou a idolatria e a falta de critério da imprensa brasileira nesses dois dias em que o presidente dos Estados Unidos esteve no Brasil. O governo pisou feio na bola ao deixar seus ministros serem revistados e fazer os moradores da Cidade de Deus saírem de suas casas para a passagem de Obama, mas a parte de Dilma, pessoalmente, ela fez muito bem, e a visita pode ter terminado com saldo positivo – a ver nos desdobramentos. Mas a nossa imprensa, pra variar, não conseguiu tratar a visita de forma um pouco mais neutra. Deslizou até cair no ridículo da idolatria (a ver a chamada musicada da GloboNews – “O homem vem aí… O homem vem aí…” – e o repórter da mesma emissora chamando Obama de “o” cara, em uma clara distorção do encontro entre o presidente americano e Lula, no primeiro ano de governo de Obama).

Uma verdadeira força-tarefa. O passo a passo da visita, a ansiedade dos repórteres na especulação sobre os passeios turísticos da família e as definições de agenda, as entradas periódicas na programação, tudo exagerado, desproporcional.

Mas pior que a quantidade foi a qualidade. Obama era tratado como o dono do mundo, aquele que manda em tudo e todos e que precisamos agradar para conseguir qualquer coisa. O tom era de puxa-saquismo, o mesmo que a política externa de Fernando Henrique Cardoso adotou nos oito anos em que foi governo. De agradar o vizinho mais forte para ver se sobra uma migalha.

Ei, não funciona, viu (dizem que quem avisa amigo é).

E continuou já na cobertura da visita ao Chile, quando o Jornal Nacional de hoje (21) destacou que Obama “elevou a região, acostumada a ficar em segundo plano, à categoria de parceira preferencial dos Estados Unidos”. É um discurso duplamente colonizado. Em primeiro lugar, coloca nas mãos do presidente americano o poder de promover uma região autônoma cujos países são soberanos. Em segundo plano, mostra que essa elevação se dá pura e simplesmente pela posição na troca comercial com os americanos.

E outra, não é papel da mídia fazer esse tipo de coisa, certo? Acho tão engraçada nossa impensa. É brasileira e adora louvar nosso país em eventos esportivos, principalmente. Mas age contra a nossa soberania. Idolatra o presidente americano e critica as ações de fortalecimento da nossa autonomia. Em vez de valorizar o fato de o presidente americano ter nos concedido essa visita, em uma demonstração de prestígio, prefere inverter a ordem e apontar as vantagens para os Estados Unidos, retirando qualquer valor do Brasil.

Nesse caminho, aproveitam para usar a visita de Obama e a postura da política externa do governo Dilma para depreciar Lula, o torneiro mecânico pobre que mostrou ao mundo que não era inferior a Bush por causa do lugar onde nasceu ou da classe social a que pertencia. Um presidente que valorizou o país para o resto do mundo e nos colocou em um grau de respeitabilidade nunca antes visto.

A visita de Obama é usada para resgatar aquele preconceito de classe que já apareceu tantas vezes nos nossos jornalões – sejam de TV, rádio, internet, impresso. Um preconceito tão forte que vai desde a  intolerância com o pobre, atribuindo-lhe uma suposta incapacidade, até o menosprezo pela postura e a influência política conquistada pelo Brasil no cenário mundial. São, no fundo, frutos de um mesmo sistema de classes herdado dos tempos da colônia, quando todos sabiam o “seu lugar”, tanto na estrutura social interna quanto no cenário internacional.

A imprensa brasileira parou no tempo. Ela responde por uma camada social que igualmente não evoluiu em seu comportamento. Nossa imprensa pode ter melhorado tecnicamente, ter mudado a linguagem, mas o conteúdo do discurso continua preconceituoso e vassalo.

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Ponto extra: o figurino

O interesse exacerbado na roupa de Dilma no dia da posse foi guardado na gaveta, e não ouvi sequer um comentário em um meio de comunicação tradicional sobre Obama ter falado sem gravata e o desprestígio que isso simboliza.

A visita de Obama e a imprensa

A visita de Obama e o retrocesso da política externa brasileira

Comentei aqui que era bastante significativo o fato de o presidente dos EUA vir ao Brasil depois de elegermos uma nova presidenta, e não o contrário, como seria de praxe. Disse ainda que eram eles, os quebrados americanos, que agora precisavam mais da nossa ajuda, e não nós da deles.

Não mudei de opinião. O que faltou foi o Planalto se dar conta disso e agir de acordo.

Diversas vezes, disse também que a política externa do governo Lula era a área que contabilizava mais acertos em todo o governo. Celso Amorim é reconhecido internacionalmente pela competência na execução da política. O mais fundamental foi a decisão do governo de recuperar a altivez do Brasil, valorizar sua soberania e conversar com o resto do mundo de igual para igual – como, aliás, deveria ser em todas as relações, de toda e qualquer nação.

Nos tempos de Lula e Amorim, nenhum representante do governo brasileiro foi submetido a constrangimentos, como o passado por Celso Lafer, o ministro de Fernando Henrique que tirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos.

Agora o governo Dilma retrocede e, apesar da demonstração americana de interesse e respeito pelo Brasil ao vir para cá, baixa a cabeça para a comitiva de Obama. Guarda em casa a altivez conquistada por Lula. Antônio Patriota abre a lixeira para ir despejando aos poucos as conquistas de Celso Amorim.

Nossos ministros foram revistados por americanos em território brasileiro para participar de evento com Barack Obama. Em cima da hora, por medo de vaias, a comitiva de Obama desiste do discurso em público e o Theatro Municipal é obrigado a cancelar sua programação para receber o presidente americano. Moradores da Cidade de Deus são obrigados a sair de suas casas (!!) para a passagem de Obama pela favela. Isso sem falar que foi daqui que Obama ordenou a invasão à Líbia.

O problema não é demonstrar prestígio a um presidente de outra nação. Tampouco criar condições especiais para que uma cidade receba uma liderança assim com segurança e conforto, fazendo-lhe algumas de suas vontades. O problema está no nível das exigências feitas por essa liderança e a necessidade de o país se rebaixar para cumpri-las. Isso um governo soberano não pode deixar acontecer.

Humilhados moradores e ministros, Obama impõe a política agressiva de cunho imperialista a que os Estados Unidos estão acostumados há séculos e que o Brasil lutou de forma contundente por oito anos para mostrar que não se sujeitaria a ela.
É só ver os elogios ao governo destilados pela GloboNews e o resto de nossa imprensa conservadora e vassala que salta o alerta de que algo está errado.

Torçamos para que seja inexperiência ou mal-entendido, o que não parece. Se assim for, o mal existe, mas há tempo de consertá-lo. O problema é se essa for a orientação da política de relações internacionais do nosso Ministério. Aí vemos naufragar o motivo de maior orgulho que o Brasil pode ter de Lula frente ao restante do mundo.´

Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República / Divulgação

A visita de Obama e o retrocesso da política externa brasileira

A corda é mais fraca para Brasil ou EUA? Depende de quem conta

É comum, embora não recomendável, que os meios de comunicação se contradigam em suas diferentes edições, de acordo com as conveniências do momento. Mas, quando a contradição aparece no mesmo parágrafo de um mesmo texto, acaba virando descaramento.

A página 4 da Zero Hora de hoje (18) diz que o mais esperado seria que “um presidente brasileiro recém-eleito visitasse o vizinho mais poderoso”, de acordo com a “liturgia do poder”. Ou seja, é normal que o fraco puxe o saco do forte para não apanhar. Eis que aparece, na frase seguinte, a interpretação do que acontece este fim de semana no Brasil: Obama vem ao nosso país para poder definir a agenda. Ela conta ainda que é praxe que os visitantes definam o tema e o ritmo dos contatos.

Em apenas um parágrafo, a repórter Marta Sfredo diz que não temos saída: ou o Brasil é subserviente indo aos Estados Unidos babar sobre o presidente da ex-superpotência, mesmo definindo sobre o que e com quem conversar, ou é vassalo ao se submeter à agenda definida pelos americanos. A repórter não diz qual é a solução para a equação, mas a única alternativa que resta é romper relações ou se encontrar no meio do oceano – descarto a possibilidade de a conversa ocorrer em outro país porque a escolha do território do presidente x ou y pode ter um significado mais favorável ao Brasil, ou mais provavelmente, aos Estados Unidos.

Lula se elegeu e foi conversar com Bush em Washington. Dilma se elegeu e recebe a visita de Obama em Brasília. Uma inversão extremamente significativa. Pode não ter consequências práticas imediatas, quiçá até de médio e longo prazo. Mas representa uma mudança na correlação de forças da geopolítica mundial. Não há mais um país que domine todos os outros, e o Brasil não é mais uma nação emergente sempre mendigando para ganhar qualquer espaço. O cenário não é mais hegemônico, sequer bipolar. Vivemos hoje em um contexto de multipolaridade, que foi conquistado pelos emergentes por sua política externa altiva – com grande destaque para o Brasil – ao mesmo tempo em que a principal potência, mais a União Europeia, pisavam na bola nas suas estratégias.

Obama agora praticamente depende mais da boa vontade do Brasil do que o contrário, e vem tentar recuperar o posto de principal parceiro comercial de nossas terras tupiniquins. Por qualquer ângulo que se olhe – da esquerda à direita, passando pelo centro -, ele fracassou no governo dos EUA, o que se reflete em uma popularidade constantemente em queda, enquanto Dilma é eleita representando um governo com índices recordes de aprovação. Obama não vem em condições de fazer exigências, mas para negociar, como devem ser as relações entre quaisquer nações soberanas. E independente da vontade de Zero Hora.

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Na Página 10 da mesma edição de Zero Hora, na coluna da Rosane de Oliveira, outro ponto que merece análise. Agora, não pela contradição, mas pela identificação política. Rosane tirou da foto aqui ao lado o deputado Edegar Pretto e o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, assim como todo o contexto da cena. Deixou apenas o rosto do governador Tarso Genro, chamando a atenção do leitor para o boné do MST que vestia. O comentário não foi sobre sua simpatia com a causa da reforma agrária, mas uma quase saudosa lembrança do “deus-nos-acuda” que se fazia quando um governante usava este símbolo. Como se ele estivesse cometendo um crime – ou defendendo que alguém o cometesse. A colunista parece pedir que voltem as críticas ao ato simbólico.

A corda é mais fraca para Brasil ou EUA? Depende de quem conta

Visita de Obama é um reconhecimento da força brasileira na geopolítica mundial

Uma diferença sensível marca esse começo de governo Dilma na comparação com o começo do governo Lula. Criticado por uns, elogiado por outros, Lula foi rapidinho conversar com o então presidente americano George W. Bush em sua casa. Washington recebeu muito bem o operário brasileiro – melhor, aliás, que a nossa imprensa, e olha que quem estava no governo era um republicano imperialista. Mas foi o Brasil que foi aos Estados Unidos.

Agora, os Estados Unidos vêm ao Brasil. Obama reconhece o status internacional alcançado pelo Brasil. Dilma mostra a força da soberania brasileira. A altivez da mulher que é uma das pessoas mais poderosas do mundo.

Mas engana-se quem tenta reduzir a diferença a um simples elogio a Dilma enquanto sopram críticas ao Lula. Como qualquer comparação, especialmente na política, é fundamental contextualizar, colocar cada momento em sua devida conjuntura.

Se Dilma hoje pode se dar ao luxo de recusar um convite para ir aos Estados Unidos é porque ela sabe que o país norte-americano vem ao Brasil. Por dois motivos cruciais: 1) os Estados Unidos não estão mais com essa bola toda; 2) o Brasil, ah sim, o Brasil é que encheu bem sua bolinha.

Não é mais necessário que o gigante latino-americano se esforce para manter boas relações com Washington, que deixou de lado aquele status de capital da única grande potência mundial. No nosso mundo cada vez mais multipolar, quem agora passa por um bom momento e causa inveja é a gente. E quem quer manter as relações numa boa com Dilma é Obama.

Mérito de Dilma por manter a cabeça erguida, claro. Mas mérito principalmente de Lula e sua política externa e interna. Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia têm dedo nisso. É a política de Lula que levou seu sucessor – no caso, Dilma – a navegar nesse mar de ventos a favor. Lula ajeitou as velas, acertou o prumo e definiu o rumo certo. O resultado é que, continuando com um bom capitão, o navio Brasil pode até passar por algumas turbulências, mas não tem mais que ceder a pressões de navios piratas.

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Mas, para a imprensa brasileira, vale mais o silêncio do discurso de Obama do que a força de seus atos. Para nossos comentaristas, aliás, o que os Estados Unidos pensam ainda é parâmetro para definir se nossa política anda no caminho certo. A opinião do presidente americano vale mais do que a constatação de que o Brasil hoje vai melhor – considerado o atraso histórico – do que eles. Que o Brasil cresce, se desenvolve e distribui renda enquanto os EUA ainda estão atolados na crise. Miopia, com um tanto de astigmatismo, que turva a visão. A causa? Uma profunda e irreparável vontade de que o governo petista não dê certo, mesmo que isso, evidentemente, fosse ruim pro Brasil.

Visita de Obama é um reconhecimento da força brasileira na geopolítica mundial

EUA liberam centenas de rádios comunitárias

Notícia um tanto irônica. Nos EUA, onde o radicalismo à direita – que tende a concentrar o poder, e a informação é um poder – ganha cada vez mais força, o governo Obama conseguiu promulgar uma lei que facilita que rádios comunitárias obtenham permissão de funcionamento. Já no Brasil, do governo Lula, que investiu cifras nunca antes vistas em programas sociais e tirou da pobreza milhões de pessoas, a comunicação ainda é tabu.

Depois de oito anos nas mãos do PMDB, com um representante da imprensa tradicional no comando, o Ministério das Comunicações agora ganha um nome de peso do PT para enfrentar o vespeiro e mudar alguma coisa no governo Dilma. Se há uma área em que o governo Lula envergonhou a esquerda brasileira foi na Comunicação. O governo que mais fechou rádios comunitárias leva agora uma lição de onde menos se poderia esperar. O vizinho do Norte, conservador, é mais democrático na área que o Brasil.

A matéria é do Knight Center for Journalism in the Americas, obtida através de divulgação da @carolinamaia.

Nova lei permite funcionamento de centenas de rádios comunitárias nos Estados Unidos

A Lei de Rádios Comunitárias, promulgada pelo presidente Barack Obama na semana passada depois de uma década de campanha dos defensores das emissoras locais, permitirá que centenas e, talvez, milhares de comunidades em todo o território americano – especialmente nas zonas rurais – consigam as permissões necessárias para operar emissoras de baixa potência de frequência modulada (LPFM, na sigla em inglês) atingindo comunidades inteiras. O avanço abre novas possibilidades para o jornalismo local.

Cerca de 800 estações LPFM já estão no ar nos Estados Unidos e, em muitos casos, servem como única fonte de notícias e informações locais às comunidades onde se encontram. A WQRZ-LP, “Katrina Radio”, ajudou os moradores do condado de Hancock, no Mississipi, antes, durante e depois do furacão Katrina na costa do Golfo do México em 2005. Em Bend, em Oregon, assim como em Sarasota, na Flórida, e em outras comunidades do país, os departamentos locais de notícias transmitem conteúdo das estações LPFM.

A nova lei flexibiliza as exigências para conseguir as permissões. Os grupos que desejem fundar uma emissora podem se dedicar ao plano enquanto aguardam uma decisão da Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) sobre os prazos de inscrição.

A maioria das rádios LPFM hoje no ar é operada por escolas e organizações cívicas e religiosas. Inevitavelmente, muitas comunidades irão enfrentar verdadeiras batalhas pelas permissões entre os grupos que desejam criar novas emissoras.

Para os que estão preocupados com a situação do jornalismo nos Estados Unidos, esta é a oportunidade perfeita para considerar novas formas de jornalismo comunitário e sem fins lucrativos em um meio de comunicação como o rádio, já testado e aprovado pelo tempo. Enquanto isso, a coalização de movimentos e grupos que defenderam a nova legislação podem direcionar seus esforços para auxiliar as comunidades a fazer o melhor uso das rádios locais.

EUA liberam centenas de rádios comunitárias

As eleições da internet

Alguns esperavam que 2010 teria uma eleição com muitos milhões de brasileiros conectados em rede, tendo na internet sua principal fonte de informação, trocando conteúdo descentralizado e influenciando diretamente no resultado das urnas. No fim do processo, a frustração com o papel menor que o esperado da rede fez com que boa parte dessas e de outras pessoas dissesse enfaticamente que essa ainda não foi a eleição da internet e menosprezasse seu papel.

O exemplo americano

O que leva a essa conclusão é principalmente a comparação com as eleições americanas que elegeram Barack Obama com a ajuda da internet como parte central da decisão. É preciso, em primeiro lugar, ressaltar que há diferenças substanciais no modelo americano e no brasileiro. A começar pelo voto obrigatório. Lá a internet foi usada principalmente para convencer prováveis democratas da importância de ir às urnas, para mobilizar a sair para votar.

Fica mais fácil de compreender exemplificando. Imagina a nossa classe média. Grande parte dela já começou a campanha decidida. Sem muita convicção, porém, mas sabia em quem votar. Sabia, mas se não fosse obrigatório preferia viajar, passear, ver TV, dormir. Essa classe média tem acesso a internet, boa parte frequenta redes sociais e praticamente toda usa e-mail.

E-mail x Redes sociais

E aí está outra questão a se levar em consideração. A campanha de Obama foi quase toda baseada em spams. A principal ferramente utilizada foi o e-mail, não Facebook, Twitter ou qualquer outra rede social. No Brasil, a febre das redes sociais fez com que se confundisse o potencial da abordagem no início do processo. Só no final do primeiro turno é que se compreendeu que o e-mail era mais eficaz e ele entrou com peso na campanha. De forma rasteira, diga-se, espalhando boatos, mentiras, mas com muito efeito.

2010: internet, participação, democracia

2010 vai entrar, sim, para a história como a primeira eleição da internet no Brasil. De fato, não foi com a mesma intensidade com que imaginávamos, mas a internet foi fundamental no processo político, na participação cidadã, no amadurecimento democrático.

Não se pode dizer, como se imaginava, que a rede influencia diretamente o voto das pessoas. Não é dizendo no Twitter que é importante votar na Dilma que o cara que me segue vai achar bacana e decidir seu voto. Até porque o Twitter, como as redes sociais em geral, é fechado em nichos. Salvo exceções, me segue quem concorda comigo, quem tem opiniões semelhantes. E a imensa maioria já chega com o voto definido, boa parte militante.

Continua…

As eleições da internet