Ibsen Pinheiro, PMDB e oportunismo

Comentário do deputado federal Ibsen Pinheiro, do PMDB gaúcho, em reunião do partido para definir se o apoio vai para Dilma ou Serra:

“Quanto ao Temer, não se preocupe que essa turma vai estar em qualquer governo.” (Zero Hora de 15/10, pág. 6)

Cara de pau pouca é bobagem.

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Ibsen Pinheiro, PMDB e oportunismo

PMDB, PDT e suas oportunas coincidências

Recebi hoje no meu endereço eletrônico a newsletter do PDT. Achei divertido o assunto do e-mail: “PDT articula encontro da dobrada Dilma-Fogaça”.

Hein? Dobrada?

Engraçado que não faz muito tempo era possível ler nos jornais sobre a postura, digamos, interessante do candidato a governador do RS pelo PMDB, José Fogaça. A tal “imparcialidade ativa” que não diz porcaria nenhuma, mas naquele momento serviu para o sem-sal ex-prefeito da capital assumir que não assumia nada (“Inação de Fogaça ultrapassa as fronteiras do ridículo”). Que, pra variar, ficava em cima do muro. Que fazia o que fez em seus seis anos como prefeito: patavinas.

Ao contrário do resto do país, no RS Dilma demorou um pouco mais para ultrapassar Serra nas pesquisas. Não era tão óbvia a vantagem de vincular o nome ao da candidata petista. Cobiçado por PT e PSDB, o PMDB, dividido, decidiu ficar em cima do muro, na época em que cabia fazer as alianças com um lado ou outro.

O insólito da história é que agora que Dilma apareceu na frente na última sondagem do Ibope no estado dos gaúchos, o PDT, vice na chapa de Fogaça, fala em “dobrada”, força uma aproximação. Coincidência, apenas. Claro.

PMDB, PDT e suas oportunas coincidências

PTB: oportunismo no Brasil inteiro

Comentei outro dia o fisiologismo do PTB gaúcho. Peço perdão, mas devo reiterar: ele se espalha pelo partido muito além dos pagos do Rio Grande. Se o PTB nacional está tão dividido, como aponta a Carta Maior, tendo grande parte de seus quadros declarado apoio a Dilma enquanto a posição oficial é de defesa da candidatura tucana, é porque Dilma tem muito mais chances de se eleger. Os grandões do partido (leia-se Roberto Jefferson) empurraram Serra goela abaixo, mas é evidente que o resto da boiada não vai deixar que uma decisão da Executiva faça com que todo o partido perca seus carguinhos. E lá se vai o PTB seguindo as lições deixadas pelo parceiro de jogo sujo, o PMDB (que, bem mais esperto, garantiu a posição impondo desde o vice de Dilma).

PTB: oportunismo no Brasil inteiro

Não é tudo farinha do mesmo saco

No fim das contas, não dá pra negar que a realidade suplantou ideologias. Mas não nos enganemos, entre partidos e políticos não é tudo a mesma coisa, como querem fazer crer os que nunca tiveram ideologia nenhuma, inclusive parcela da mídia. A realidade suplantou-as, mas não as aniquilou.

As tais das elegibilidade e governabilidade orientam políticas de alianças. Em alguns casos, apenas pela sede de chegar ao poder. Em outros, ainda que torpes, as alianças servem à concretização de um projeto político. E há ainda o oportunismo puro e simples dos que só querem um carguinho no governo, seja qual for. Esses conseguem ser ainda mais medíocres.

De forma bem genérica, encaixo o PT nacional entre aqueles que coligam para viabilizar um projeto político. O PMDB é o exemplo clássico de sede de poder, o que sempre está em todas. E o oportunismo pragmático barato é muito bem representado pelo PTB. Claro que entre todos os casos há exceções, e outros partidos não citados também se encaixam à perfeição em alguma das descrições feitas. Esses são apenas os exemplos mais marcantes.

Então, mesmo que absolutamente criticáveis, alianças políticas infelizmente fazem parte do jogo, até que uma reforma no sistema político brasileiro torne a brincadeira mais séria e possibilite governar com base em ideias, em programas, e não em troca de interesses.

Mas claro, de nada adiantará tudo isso sem um investimento maciço em educação, para que os votos sejam também eles baseados em ideias, destinados a programas e propostas, não a rostos que se perdem no meio da multidão e que são esquecidos em poucos meses.

A democracia, essa jovem fragilizada e vilipendiada de 25 anos, agradece.

Não é tudo farinha do mesmo saco

O PMDB

Descobri na Carta Capital que chegou ontem na minha casa (edição n° 565), na coluna Andante Mosso, do Maurício Dias (sempre muito boa, por sinal) uma informação interessante:

“Orestes Quércia e Michel Temer trocaram de posição.

Em 2002, Quércia apoiava Lula e tentou demover Temer que apoiava Serra. Agora, Quércia apoia Serra e tenta demover Temer que apoia Lula.

Na conversa entre os dois, Temer se sustentou na coerência para sair do cerco de Quércia. E disse:

‘Tanto naquela época como agora meu argumento é um só: o PMDB está no governo e deve apoiar o candidato do governo’.”

É um oportunismo bem coerente mesmo. Agora, do ponto de vista ideológico…

Mas bom, afinal de contas, dentro do PMDB alguém ainda sabe o que é ideologia?

(Para quem leu e pensou que eu podia ter dito “dentro da política brasileira” em vez de “dentro do PMDB”, vai uma breve explicação: se eu dissesse isso, pecava pela generalização, já que colocava os poucos que se salvam dentro do mesmo balaio do restante que já está podre. Mas, restringindo ao PMDB, não corro esse risco. Não há os poucos que se salvam!)

O PMDB