Brasil pratica a solidariedade internacional

Uma vez, num passado já distante (oito anos hoje em dia são uma eternidade), o Brasil era um país grande, com uma população enorme, mas submisso a interesses estrangeiros. Qualquer livro de escola ensina que, grosso modo, fomos colônia de Portugal, daí nos libertamos politicamente e mantivemos a dependência econômica que já tínhamos da Inglaterra. Quando ela se tornou menos importante que a cria, passamos para outras mãos, dos Estados Unidos, mas sempre baixando a cabeça também para a ainda poderosa nação europeia. Isso em uma redução bem grosseira, repito.

Durante esse tempo todo, éramos mais fracos. Não soubemos enfrentar com dignidade a força política e econômica dos que nos subjugaram. Durante esse tempo, interessava a Inglaterra, Portugal, EUA, que assim fosse. Tínhamos obrigações, mas muito poucos direitos.

Agora a coisa mudou um tanto. A articulação entre uma política bem desenvolvida de relações internacionais e uma crise que golpeou os países “ricos” fez com que crescêssemos e passássemos a ser vistos com olhos mais condescendentes. Agora, a “Grã-Bretanha quer relançar relações com América Latina”. Agora convém a eles. Afinal, ” expectativa é de que o comércio com esses lugares contribua com a recuperação econômica da Grã-Bretanha, que atravessou uma forte recessão e está cortando gastos públicos para reduzir o déficit público, o que deve se refletir numa queda da demanda interna”.

Lendo essas palavras comparo com a política levada a cabo pelo governo Lula. A altivez do Brasil em relação aos que antes nos dominavam aparece de outra forma na relação com as nações política e economicamente mais frágeis que a nossa. Com Bolívia, Paraguai, Moçambique, Angola, o Brasil manteve, ao longo desses últimos oito anos, uma relação cordial, de troca e respeito. Embora a nossa elite conservadora, que inclui o oligopólio midiático, quisesse que fizéssemos com os outros países o mesmo que fizeram com a gente, o presidente Lula, o chanceler Celso Amorim e o assessor para Assuntos Especiais Marco Aurélio Garcia optaram pela solidariedade.

O desejo da elite baseia-se em dois aspectos principais, que estão interligados: uma vingança estocada contra os que nos subjugaram, não importa que direcionada a nações que não tiveram culpa nenhuma, e a uma vontade de parecer superior a alguém, seja quem for. Não basta ser igual, tem que ser melhor.

É esse tipo de sentimento que perpetua a intolerância, o desrespeito e a desigualdade. Que incentiva a competição sem fim e leva a conflitos, guerras.

Se me pedissem para defender uma só política do governo Lula, sem medo de cometer injustiça, seria a política externa. A fraternidade mostra compreensão da igualdade entre todos os seres humanos, independente de fronteiras, e conduz à paz.

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Brasil pratica a solidariedade internacional

Recado da embaixada paraguaia à Globo

Puxado do Luis Nassif Online:

Embajada de la República del Paraguay

Brasilia – Brasil

Brasilia-DF, 2 de julio de 2010.

EP/BR/9/046/2010

Ref.: Publicación de SporTV.

Señor Director:

Me dirijo a Usted con el objeto de manifestarle nuestro desagrado por un video exhibido en una programación del Canal de Televisión SporTV, miembro del grupo periodístico de su Dirección, relacionado con la participación de la Selección paraguaya en el Mundial de Futbol Sudáfrica 2010.

Expresamos nuestro rechazo a la difusión de un material que, con un supuesto tono humorístico, denigra al pueblo paraguayo, ironizando sobre nuestros valores culturales y atractivos naturales.

No podemos comprender el objetivo de dicha publicación y menos aún cuando ello ocurre de parte de un medio periodístico prestigioso que no necesita recurrir a la infamia para ganarse mayor audiencia.

s muy satisfechos del lugar que actualmente ocupa nuestra selección en el Mundial de Sudáfrica y más aún por el hecho de ser una de las 4 selecciones de América, coincidentemente pertenecientes a los 4 Estados Partes del MERCOSUR, que han arribado a estas instancias en tan importante certamen deportivo.

Tenemos legítimo orgullo de nuestras costumbres y tradiciones, así como de nuestros recursos y atractivos turísticos, por lo que una publicación de indiscutible mal gusto, como la referida, no conseguirá menoscabar el lugar ganado con mucho esfuerzo en el deporte ni los valores de pueblo y naturaleza de nuestro país.

Por tratarse de una reiterada falta de respeto en el mismo medio televisivo, me permito solicitarle que la programación del grupo periodístico de su dirección, respete la dignidad del pueblo y gobierno de la República del Paraguay.

Atentamente,

Didier César Olmedo

Ministro de Embajada

Encargado de Negocios a.i.

Al Señor

Antonio Carlos Drumond,

Director de la Red GLOBO

Brasilia, DF.

Recado da embaixada paraguaia à Globo

SporTV pede desculpas aos paraguaios

A SporTV teve que se retratar. Pediu desculpas ao Paraguai pela matéria preconceituosa exibida essa semana. O link para o vídeo em que é feito o pedido está aqui. A matéria que gerou o bafafá, com meu comentário, aqui.

A fala do apresentador e o VT não anulam a matéria e são bem mais discretos que ela. E a SporTV não pede desculpas às mulheres. Ainda assim, há que se respeitar a postura da SporTV ao pedir desculpas ao país. Foi, sim, uma demonstração de humildade ao reconhecer o erro. Ganha um ponto.

SporTV pede desculpas aos paraguaios

Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional

Post atualizado em 02 de julho, às 23:45.

Cospe pra cima, cai na testa, dizia minha mãe. Foi o que aconteceu com a Globo hoje.

O jornal paraguaio La Nación diz que a Laranja Mecânica foi responsável por “acallar a la soberbia brasileña”. E por “brasileira” ele se refere à Rede Globo, não ao país como um todo, como fica claro logo nas frases seguintes. A crítica se dirige especialmente à SporTV, canal fechado que pertence à emissora e que divulgou um vídeo desrespeitoso à Seleção Paraguaia e ao Paraguai, a seu povo.

O desrespeito vai além do futebol, segundo o jornal: “ironizan sobre nuestras comidas y nuestras costumbres”, em linguagem debochada. O único valor paraguaio apresentado pelo vídeo é Larissa Riquelme, a “novia del Mundial”. Além de agressivo com os paraguaios, o curta é machista. Desvaloriza todo um povo e todo um gênero. As mulheres são vistas como objetos.

A matéria se coloca ao lado de Dunga pela resistência aos abusos da Globo. E completa: “La Naranja Mecánica se encargó así de hacer justicia y dar una gran lección a quienes tienen en el corazón una rabia innecesaria hacia una nación pobre pero digna”.

Mesmo que o grau de deboche fosse exagerado pelos paraguaios, chamaria a atenção que a Globo já vem recebendo críticas internacionais por conta da sua irresponsabilidade na forma de fazer jornalismo. Mas não é o caso, a ironia é de fato extremamente ofensiva. O vídeo trata o nosso vizinho como um país desprovido de quaisquer qualidades, feio, triste, pobre. É asqueroso.

Debochar de outros países extrapola os limites do esporte, do futebol, e avança no terreno político. São as relações internacionais brasileiras, são povos, são culturas. Pode haver diferenças, mas não há como definir melhores e piores. É aí que entra o respeito. Ou deveria entrar.

A Globo transferiu a ironia que dedica à política externa do governo Lula ao futebol. Fez mal, muito mal. E ficou bem feio.

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A dica da matéria do jornal paraguaio foi dada por Dodi (@dodi_vota13), pelo Twitter

A foto é de Reinaldo Marques/Terra.

Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional