Conselho de Comunicação do RS em debate, participe!

Ainda dá tempo pra participar de um importante momento da política estadual gaúcha. O governo do estado decidiu, por demanda popular, criar o Conselho Estadual de Comunicação, que por si só já representa um enorme passo rumo a uma democracia mais consolidada, já que vai permitir que todos os setores da sociedade participem do debate em torno da mídia. Um debate que, convenhamos, interessa a todo cidadão e toda cidadã. Afinal, só existe democracia de verdade se a imprensa é democrática, coisa que no Brasil nunca foi.

Mas o governo radicalizou o espírito democrático e colocou o texto do Projeto de Lei do Conselho em consulta pública. Ele só vai ser enviado para a Assembleia depois que a população opinar, já com as modificações propostas.

Dá pra participar até 10 de setembro opinando sobre o texto em si ou sobre a composição do Conselho. E nada de complicação, é só clicar no banner ali do lado e entrar onde diz Consulta Pública Conselho de Comunicação. Ali o texto do PL vai aparecer na íntegra. Vale ler com atenção, pra depois clicar em Participar e enviar a proposta. ——————>>>>

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Conselho de Comunicação do RS em debate, participe!

Cidadão gaúcho pode escolher prioridades do orçamento

O orçamento do estado do Rio Grande do Sul só vai a votação na Assembleia depois que o povo for consultado. Dia 4 de julho os cidadãos gaúchos vão poder votar nas prioridades para 2013. Os 442 projetos que vão estar em votação foram discutidos em audiências públicas regionais, assembleias municipais (uma curiosidade interessante é que o município de Canguçu foi pelo segundo ano o que mais mobilizou na assembleia municipal) e fóruns regionais, nas três primeiras etapas do processo. Agora, na quarta etapa, eles vão estar distribuídos em cédulas construídas de acordo com as demandas das regiões, discutidas nos debates realizados nos 28 Coredes, os Conselhos Regionais de Desenvolvimento.

E a votação pode acontecer presencialmente, através de cédulas impressas em urnas espalhadas pelo estado, ou online, e daí pode ser pela internet ou por dispositivos móveis. É possível votar por tablets, smartphones (m.rs.gov.br ou m.participa.rs.gov.br) e até de celular comum, por SMS. Só tem que colocar o número do título de eleitor e do RG. Os meios de votação online são a grande novidade no processo de 2013. A explicação de como se pode votar está no www.participa.rs.gov.br.

Na apresentação do projeto, na manhã desta quinta (28), o governador Tarso Genro pediu que a imprensa ajudasse a mobilizar a população pra ultrapassar os 1,2 milhão de votos do ano passado. “É um sistema novo para a consolidação democrática do governo”, disse.

Só depois de incluídos os resultados da votação, a proposta orçamentária vai ser fechada e enviada à Assembleia Legislativa, o que deve acontecer em 15 de setembro.

Garantir um sistema de participação popular em um estado é bem mais complicado do que em uma cidade, e possivelmente não seja possível garantir que a população esteja satisfatoriamente representada no processo através de uma única ferramenta. Por isso que é tão bacana o esforço que o governo Tarso está fazendo para transformar a democracia representativa em participativa. É a “combinação da democracia representativa estável, previsível, com a participação da cidadania”, como enfatizou o governador.

De fato, apenas Gabinete Digital, Coredes ou Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), outras ferramentas citadas por Tarso, não garantem (e sequer são responsáveis por alguma transformação mais radical para garantir) participação cidadã de fato. Mas tampouco só Orçamento Participativo dá conta fora do âmbito municipal. “O OP em nível estadual é limitante. Ele tem que ser instrumento chave no processo, mas tem que combinar com outras formas de participação.” Daí resulta esse sistema mais complexo e articulado entre as diferentes instâncias de participação. Sistema inédito, segundo o secretário de Planejamento, Gestão e Participação Cidadã, João Mota, já que antes todas as experiências giravam em torno de um programa só.

Resumindo, pode ser que o sistema tenha ainda muitos problemas, como acredito que tenha. Mas nunca antes houve no RS uma tentativa tão bem elaborada de garantir participação cidadã, embora o Olívio Dutra tenha feito esforços bastante consistentes na implementação de um Orçamento Participativo eficiente em nível estadual. Garantir participação é defender a democracia, em seu sentido mais amplo.

Foto: Caroline Bicocchi/Palácio Piratini

Cidadão gaúcho pode escolher prioridades do orçamento

Obama e o marketing na rede

E não é que o presidente dos Estados Unidos parou por 45 minutos para responder perguntas feitas pelo Twitter? Barack Obama pode não estar sendo exatamente um bom presidente, mas é esperto e já provou que sua equipe entende bem de marketing. Bom comunicador, ganha pontos quando fala com as pessoas.

Dá para dizer que ele apostou no carisma e no impacto. Sabia que a iniciativa repercutiria, como de fato repercutiu, inclusive no Brasil. Decidiu, então, jogar suas fichas na capacidade de empatia que lhe é natural para ganhar a simpatia daqueles tantos que estão insatisfeitos com o seu governo.

Uma breve olhada pelos tweets usando a hashtag #AskObama, usada para direcionar as perguntas ao presidente, mostra que os questionamentos ácidos e críticos foram bastante frequentes e que a quantidade de perguntas era imensa, atualizadas no TweetDeck com uma velocidade alucinante. Porém, no portal oficial por onde estava sendo feita a transmissão, http://askobama.twitter.com/, muito poucas apareceram na timeline. As perguntas foram selecionadas, como não poderia deixar de ser, mas poderia ter havido um sistema mais democrático e participativo de seleção. Um critério como o de quantidade de RTs, ou seja, maior número de pessoas endossando uma pergunta, poderia ter sido adotado. É possível ver no quadro abaixo que a pergunta mais retuitada foi sobre a descriminalização da maconha. Dificilmente uma brincadeira ou uma ofensa alcança grande popularidade e, mesmo que isso acontecesse, cabe o bom senso, sem qualquer dificuldade. Faltou extrapolar o show e proporcionar uma experiência efetivamente participativa.

Não saber o critério de escolha deixa o sistema turvo, e faz recairem-lhe suspeitas sobre o grau efetivo de participação. Da forma como foi feita, o presidente dá indícios de uma abertura ao que se passa nas redes sociais – como já ficara bastante evidente durante sua campanha –, uma postura não conservadora, mas não faz nada que vá muito além do que já é feito normalmente. Ele fala o que convém, responde algumas perguntas como já o faz com jornalistas, não permite acesso do público em geral ao presidente.

É claro que uma ou outra provocação apareceu, senão ficaria chato. Mas, de qualquer forma, de que adianta tentar mostrar-se progressista e democrático se na prática seu governo o contradiz?

Há que se parabenizar a equipe de marketing de Obama. E montar a torcida para que as próximas iniciativas desse tipo – que poderiam acontecer no Brasil também – ousassem um pouco mais, permitindo que a rede se movimentasse pelos seus caminhos e pudesse definir um pouco do desfecho da conversa. Afinal, falar com a rede é, sim, interessante e já é por si uma ousadia. Por que então fazê-la pela metade?

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Um interessante levantamento sobre os tweets usando a tag #AskObama hoje:

Obama e o marketing na rede

As eleições da internet

Alguns esperavam que 2010 teria uma eleição com muitos milhões de brasileiros conectados em rede, tendo na internet sua principal fonte de informação, trocando conteúdo descentralizado e influenciando diretamente no resultado das urnas. No fim do processo, a frustração com o papel menor que o esperado da rede fez com que boa parte dessas e de outras pessoas dissesse enfaticamente que essa ainda não foi a eleição da internet e menosprezasse seu papel.

O exemplo americano

O que leva a essa conclusão é principalmente a comparação com as eleições americanas que elegeram Barack Obama com a ajuda da internet como parte central da decisão. É preciso, em primeiro lugar, ressaltar que há diferenças substanciais no modelo americano e no brasileiro. A começar pelo voto obrigatório. Lá a internet foi usada principalmente para convencer prováveis democratas da importância de ir às urnas, para mobilizar a sair para votar.

Fica mais fácil de compreender exemplificando. Imagina a nossa classe média. Grande parte dela já começou a campanha decidida. Sem muita convicção, porém, mas sabia em quem votar. Sabia, mas se não fosse obrigatório preferia viajar, passear, ver TV, dormir. Essa classe média tem acesso a internet, boa parte frequenta redes sociais e praticamente toda usa e-mail.

E-mail x Redes sociais

E aí está outra questão a se levar em consideração. A campanha de Obama foi quase toda baseada em spams. A principal ferramente utilizada foi o e-mail, não Facebook, Twitter ou qualquer outra rede social. No Brasil, a febre das redes sociais fez com que se confundisse o potencial da abordagem no início do processo. Só no final do primeiro turno é que se compreendeu que o e-mail era mais eficaz e ele entrou com peso na campanha. De forma rasteira, diga-se, espalhando boatos, mentiras, mas com muito efeito.

2010: internet, participação, democracia

2010 vai entrar, sim, para a história como a primeira eleição da internet no Brasil. De fato, não foi com a mesma intensidade com que imaginávamos, mas a internet foi fundamental no processo político, na participação cidadã, no amadurecimento democrático.

Não se pode dizer, como se imaginava, que a rede influencia diretamente o voto das pessoas. Não é dizendo no Twitter que é importante votar na Dilma que o cara que me segue vai achar bacana e decidir seu voto. Até porque o Twitter, como as redes sociais em geral, é fechado em nichos. Salvo exceções, me segue quem concorda comigo, quem tem opiniões semelhantes. E a imensa maioria já chega com o voto definido, boa parte militante.

Continua…

As eleições da internet

Lula: O Brasil vai ter que discutir comunicação, pelo bem da democracia

Sempre critiquei a política de comunicação do governo Lula, de seus oito anos. Agora mantenho a crítica, mas observo sua astúcia política nas críticas que tem feito recentemente. Não encarou a bronca quando presidente, porque a disputa ia ser feia, podendo prejudicar outros projetos devido à resistência ainda maior que ia sofrer, na tentativa da mídia de manipular a opinião pública. Mas Lula agora aproveita sua popularidade nas alturas, quando já vai deixando a Presidência, para forçar a discussão. Ele pode fazer isso, vai ser ouvido pelas pessoas – que o respeitam e o admiram – e sem comprometer seu governo. E mais, ainda chama para si a raiva da imprensa, deixando Dilma mais livre nessa reta final de campanha. Chama para si, que é praticamente inatingível, que é um fenômeno de comunicação.

Aliás, é preciso dizer que a astúcia política de Lula nunca para de surpreender – na comunicação e em outros setores. Ele tem uma visão do cenário, da sociedade brasileira, que nunca vi em nenhum outro político. Cada um de seus atos é muito bem pensado, com clareza e lucidez. E, acima de tudo, com inteligência. Isso fica claro na entrevista que concedeu ao portal Terra e que foi publicada na quinta-feira passada (links no final).

Se Lula parecia não valorizar a Confecom e as demandas por uma comunicação mais democrática, ele agora retoma a necessidade de se discutir comunicação, porque a legislação data da década de 60, está caduca. E de a sociedade participar do processo, para que efetivemos as mudanças necessárias da forma mais democrática possível, com ampla participação.

Quem pode ter medo da democracia?

Quem tem o poder, claro. É quem tem o que perder. Para se ter justiça e igualdade, em qualquer setor, uns têm que ceder o que têm sobrando para os que não têm. No caso, o espaço, a voz. Eles estão nas mãos das nove ou dez famílias apontadas por Lula, que concentram os principais meios de comunicação. Quando se veem acuados, atacam. Atacam tentando inverter a lógica da pluralidade democrática, confundindo o leitor-espectador-internauta-ouvinte e acusando o governo de censura ou intimidação.

Comunicação no governo Dilma

O mais sensacional na entrevista de Lula é que parece claro que um próximo governo petista assume disposto a discutir o tema. Parece que a comunicação será, sim, um setor estratégico do governo Dilma, como pedi aqui. Fica explícito quando diz: “o Brasil, independentemente de quem esteja na Presidência da República, vai ter que estabelecer o novo marco regulatório de telecomunicações desse País. Redefinir o papel da telecomunicação. E as pessoas, ao invés de ficarem contra, deveriam participar, ajudar a construir, porque será inexorável”.

A crítica da crítica

Quando jornalistas como Merval Pereira, William Waack, Miriam Leitão dizem que Lula quer cercear a liberdade de expressão por conta de algumas declarações dele reclamando do papel da mídia – sem nenhuma interferência concreta do governo na sua atuação, diga-se –, eles estão cometendo o mesmo “crime” de que acusam o presidente. O crime de se manifestar livremente, de exercer sua liberdade de expressão na crítica a uma instituição.

Tudo isso – a atitude golpista da imprensa, a crítica de Lula a ela, a contracrítica da mesma imprensa e até a manifestação dessa que vos fala – é possível porque vivemos em uma democracia, ainda que algumas partes desse processo abusem da democracia de que usufruem – mentindo, deturpando, difamando. Bem disse Leandro Fortes no Twitter: “Nosso maior dilema republicano: quando Lula critica a mídia, é ataque; quando a mídia ataca Lula, é crítica”.

E como eu mesma disse no post anterior: a imprensa vem batendo na questão da comunicação, como se Lula tivesse fechado os principais órgãos de imprensa e feito a revolução. Infelizmente não fez, apenas exerceu seu direito democrático de criticar quem o critica.

Ou como disse o próprio Lula na entrevista ao Terra: “O que acontece muitas vezes é que uma crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática”. Onde está a democracia que vale para um lado e não vale para o outro? Democracia de uma perna só, capenga. Hipócrita. Felizmente, não é o caso brasileiro, em que todos se manifestam até demais.

O que acontece, na verdade, é que a imprensa mente, difama, desonra, acusa sem provas. Isso, em um Estado democrático, não é admissível. Lembra a máxima de que a liberdade de um termina quando acaba a do outro. A liberdade de expressão não pode se sobrepor à presunção de inocência, por exemplo.  Ou a outras liberdades do tipo. Ou seja, para a democracia existir de fato, é preciso fazer valer o controle social da mídia, sim. Afinal, dizer qualquer bobagem, causando danos à sociedade, não é saudável à nossa tão batida democracia.

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Os links da entrevista de Lula ao portal Terra. Vale especialmente a primeira parte, que trata mais da comunicação.

Lula: “nove ou dez famílias” dominam a comunicação no Brasil

Lula: Erenice jogou fora a chance de ser uma grande funcionária

Lula diz que tiveram “medo” de tentar derrubá-lo em 2005

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Fotos de Roberto Stuckert durante a entrevista.

Lula: O Brasil vai ter que discutir comunicação, pelo bem da democracia

Por que votar em Tarso para o governo do RS

Os motivos de votar em Tarso não estão muito distantes dos de votar em Dilma. Têm a ver com a coerência, a ética e acima de tudo com uma política voltada para a cidadania. A diferença principal é que aqui Tarso Genro não representa a continuidade de um projeto. Muito pelo contrário, o atual governo do RS afunda o nosso estado a cada dia, com uma política neoliberal, que retira investimentos das políticas públicas, dos órgãos do estado. Foi assim que Yeda criou o falso déficit zero, conseguido às custas de prejudicar o atendimento à população em serviços básicos, como saúde e educação.

As pesquisas mostram que Tarso ganha de Fogaça (PMDB) com larga vantagem na capital. Ambos foram prefeitos de Porto Alegre, o que faz com que o resultado tenha muito significado. Tarso foi ministro do governo Lula em três pastas diferentes, Educação, Relações Institucionais e Justiça. Dois grandes projetos que tomaram corpo sob sua responsabilidade se destacam, o Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com a implantação de Territórios de Paz. O detalhe pode parecer singelo, mas esse “com Cidadania” do nome do programa faz toda a diferença. Não é um programa qualquer de repressão à violência, é uma política de governo voltada para a melhoria da qualidade de vida proporcionando mais segurança.

Eleger Tarso significa redemocratizar o estado. Seu programa de governo prevê a utilização dos meios já tradicionais de participação, muitos deles criados pelo PT e praticamente desativados nos governos seguintes, como o Orçamento Participativo. Mas abrange também, de forma ampla, os meios digitais como ferramentas para proporcionar a participação e a transparência.

Tarso governador é voltar a investir os 12% constitucionais na saúde, por exemplo, com uma política inteligente de prevenção e regionalização do atendimento. É devolver aos gaúchos a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), criada pelo governo Olívio Dutra e sistematicamente sucateada durante os governos Rigotto e Yeda. É proporcionar uma educação democrática e humanizada, com valorização dos professores, para reverter o desmonte que o descaso atual causou. É investir em infraestrutura, distribuir renda, promover a agricultura familiar. Enfim, é inverter a lógica e voltar a investir no Rio Grande para que, com participação popular, seja possível atender as demandas dos gaúchos.

Seja possível olhar de fato para os gaúchos. Porque o grande diferencial está na vontade de melhorar a vida de cada cidadão, através de políticas de governo que se transformem em políticas de Estado. Que se consolidem e persistam.

Eleger Tarso é fundamental para dar alguma esperança de o Rio Grande do Sul voltar a crescer, consoante com o resto do Brasil. Durante o governo Olívio, de 1999 a 2002, a oposição foi intensa, as dificuldades de aprovação de cada projeto eram enormes. Ainda assim, o estado cresceu, se desenvolveu gerando qualidade de vida e tornando a população mais igual. Depois disso, tentou-se de toda forma destruir aquelas conquistas que não traziam lucro imediato para o RS. A UERGS, por exemplo, traz, a curto prazo, mais prejuízo. Mas, pensando no futuro, ela é uma baita oportunidade de promover o desenvolvimento regional, formando jovens especializados nas potencialidades de cada região do estado, sem precisar ir muito longe de casa. É bom para o jovem, para a família, para a comunidade e para a economia do estado.

É essa visão integrada e de futuro que faz com que Tarso Genro precise ser eleito governador do Rio Grande do Sul. É por isso que meu voto é dele.

Por que votar em Tarso para o governo do RS