Estaria Ana Amélia de olho no governo do estado?

Ficaram pendentes algumas observações sobre o resultado das eleições:

– O maior medo pós-eleição é um provável fortalecimento da ideia de Ana Amélia se candidatar ao governo do RS em 2014, ainda mais depois que a Zero Hora já deu destaque para o fato de ela “não pensar no Piratini”. Motivo extra para o PT fazer um baita governo no estado. E para comemorarmos o primeiro lugar de Paulo Paim na corrida ao Senado.

– A eleição de Manuela é surpreendente. Sei que ela tem um carisma muito grande e uma campanha muito forte, mas achei que já tivesse passado a onda mais alta e agora ela fosse simplesmente se eleger bem. Mas ela fez um número extraordinário de votos, mais de 480 mil. Apesar de ela ter conteúdo e ser uma boa política, com desempenho reconhecido, boa parte dessa votação é por impulso e sem conotação política. Ela tem tudo para vir com boas chances para a disputa para a Prefeitura daqui a dois anos.

– A eleição para o Senado é a tal da “eleição de 200%”. O número de votos é o dobro do dedicado aos outros cargos. Tem também mais candidatos concorrendo às mesmas vagas. Ainda assim, chama a atenção o fato da desconhecida Abgail Pereira, que entrou na disputa apenas para garantir a vaga de Paim, ter feito mais votos que a atual governadora, que concorria à reeleição. Foram 1.551.151 de votos para a candidata do PCdoB ao Senado, e 1.156.386 para Yeda. Quase 400 mil votos a menos. Resultado de um dos piores governos, quiçá o pior, da história do Rio Grande.

– Sobre a composição do governo do estado, está certo Tarso ao não dar a opção de o PMDB, o PSDB, o DEM e “partidos que tiveram uma posição nítida oposicionista” de comporem o governo. Como disse o governador eleito, “isso não quer dizer desrespeito nem ausência de diálogo, mas não acho que sejam partidos passíveis de uma composição conosco”. Dessa forma, Tarso deixa longe de seu governo o oportunismo do PMDB, mostrando com elegância que o partido adversário saiu derrotado.

– Ainda no domingo à noite, Serra deu entrevista em que passou bastante tempo agradecendo Marina. De fato, ele tem muito a agradecer, foi graças à candidatura verde que se concretizou o segundo turno que o tucano queria. No frigir dos ovos, o PSDB foi o único que colheu frutos com a entrada da Marina na disputa. O que só confirma a tese de que sua candidatura serviu muito mais à direita do que à esquerda.

Estaria Ana Amélia de olho no governo do estado?

Ainda há quem panfleteie por ideologia

Panfleteando às vésperas das eleições, cruzamos muitas vezes com outros panfleteadores de ideias. Alguns, panfleteadores de nomes, só. O mais engraçado é quando a pessoa pega o santinho e diz “vou pegar pra te ajudar”. Se houvesse mais tempo, se o ônibus não estivesse chegando, se a eleição não estivesse tão perto, dava vontade de chamar a pessoa pra um chope pra conversar. Não, amigo, não precisa pegar o panfleto “pra ajudar”. Não quero esse tipo de ajuda porque não estou sendo paga para me livrar daqueles papéis entregando para o maior número possível de pessoas e quanto antes eu terminar mais cedo vou para casa.

Fico triste de pensar que hoje muita gente não entende que se panfleteie por ideologia, que só se entrega papelzinho de candidato em troca de um dinheiro no fim do turno. Que eu posso estar na muvuca do Centro de Porto Alegre no fim da tarde de sexta-feira, quando uma penca de gente se aglomera para voltar para suas casas e curtir o fim do dia, da semana, e outros tantos buscam o ônibus que os levará para o interior, para votar em sua cidade natal.

Se eu estou lá distribuindo a colinha dos meus candidatos a deputado (Ivar Pavan federal e Marcelo Sgarbossa estadual), senador (Paim e Abgail), governador (Tarso) e presidente (Dilma), é porque acredito neles. É porque vejo neles a possibilidade de continuar construindo um país mais justo e mais igual. Gostaria de acreditar que cada um que lá está pegasse o seu folder e o lesse com atenção. Sei – porque ajudei a construir linha por linha das que lá estão – que tudo o que está dito é verdadeiro. Se está lá é porque é possível fazer e porque o meu deputado irá lutar pra fazer.

Sei disso porque uma vírgula fora do lugar era motivo de comentário do coordenador da campanha: “mas isso não dá pra fazer, não adianta. Não, tem que colocar desse jeito”. Às vezes, os textos ficavam grandes demais. Como explicar tantas propostas em tão pouco espaço? Mas me orgulho de dizer que trabalhar ao lado de Ivar Pavan é contribuir para o exercício coerente e honesto da política.

E é por isso que panfleteio de coração, porque minha consciência manda que eu faça o máximo, que eu me dedique a fazer o que estiver ao meu alcance para eleger um deputado federal comprometido com as necessidades do povo que representa. Que vai lutar por ele e que tem capacidade para garantir muitas conquistas.

Por isso, amigo, não pega o panfleto para “me ajudar”. Pega e lê com carinho, com o cuidado de quem tem o poder de escolher. Com a certeza de que quem distribui esse material o faz por convicção. Que não é como tantos vinte e cinco alguma coisa, quarenta e cincos, quinzes que me dizem “eu pego um teu e tu pega um meu pra terminar mais rápido”. Ali, não há quem o faça por certeza de um futuro melhor. Aqui há.  E é por isso que nesse último dia pré-eleição arranjei um tempo para explicar por que voto em Ivar Pavan e Marcelo Sgarbossa. Está no próximo post.

Ainda há quem panfleteie por ideologia

O poder do homem

O Lula disse “votem no Paim”. Já tinha dito a mesma frase para Dilma, Tarso e tantos outros candidatos do PT. Já deve ter se tornado uma coisa natural, parte do cotidiano, mas às vezes, deitadinho, com a cabeça no travesseiro, ele deve parar pra pensar no poder que tem. É só ele dizer “vota nesse cara” que não importa quem seja o cara, a pessoa vota. Porque o Lula pediu.

Esse é o resultado de mais de 90% de aprovação. De um governo com a cara do povo, de um governante com quem as pessoas se identificam. E, principalmente, em quem confiam. É a confiança que lhe dá essa influência sobre a opinião da população. Poder.

Ele deve de vez em quando parar para pensar “tchê, eu sou foda”. Ok, sem o “tchê”, mas ele é o cara. Pra maioria do povo brasileiro, ele é.

O poder do homem

A “familiaridade” de Ana Amélia com a imprensa

“A primeira pesquisa do Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV confirma a previsão de que Ana Amélia Lemos (PP) cresceria com a exposição em dois veículos de comunicação com os quais tem mais familiaridade do que os seus adversários.” – Rosane de Oliveira, na Página 10 da Zero Hora de sábado.

Dois comentários:

1. “tem mais familiaridade” é um baita eufemismo pra “tem a imprensa bancando a candidatura”. Sua familiaridade não é exatamente com as mídias TV e rádio, mas de modo especial com os que controlam a principal TV e a principal rádio do estado. Não com os meios, mas com o poder exercido.

2. Campanha do Paim (PT), vamos lá que não podemos deixar eleger Ana Amélia e Rigotto (PMDB). Disse Juremir Machado esses dias: é o melhor senador do Brasil, e sua reeleição é importantíssima.

A “familiaridade” de Ana Amélia com a imprensa

As diferenças entre os institutos de pesquisa

Apenas para registro: a primeira vez que apostei minhas fichas publicamente em uma vitória de Dilma no primeiro turno foi no dia 25 de junho deste ano.

Mas ainda via apenas como uma possibilidade. Concreta, mas não certa. Agora, depois da última pesquisa Ibope e antes de começar o horário eleitoral na TV e na rádio que vai torná-la conhecida por todos como a candidata do Lula, afirmo com convicção: se não houver um erro muito grande na condução da campanha petista ou uma sacanagem como a de 1989, Dilma se elege em 3 de outubro.

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Agora, o que me pegou de surpresa e me deixou chateada foi a pesquisa Datafolha para o Senado no RS, divulgada pela Zero Hora, que mostra Rigotto em primeiro, com 43% e uma diferença razoável para Paim e Ana Amélia, que têm 35% e 33% respectivamente. O que me chamou mais a atenção, na verdade, foi a discrepância

De cara, fiquei preocupada. Porque a tendência é que Ana Amélia, a candidata da RBS, conhecida mais por seu rosto do que por seu nome, cresça com a propaganda na TV. Eu apostava em uma vitória de Paim e Ana Amélia a qualquer um que me perguntasse, embora torça por qualquer coisa menos a eleição da candidata do PP.

Mas aí vi a capa do Correio do Povo e fiquei tentando entender os motivos de tanta diferença. Pela pesquisa do Instituto Methodus, Paim está em primeiro com 48,5%, Rigotto tem 47,7% e Ana Amélia vem um pouco mais longe, com 39,4%. Os três aparecem com porcentagens maiores do que no Datafolha, mas o que mais impressiona é a diferença nos números do petista entre os dois institutos.

As diferenças entre os institutos de pesquisa

A estratégia do PT para o Senado no RS

Será que o PT errou na estratégia para o Senado no RS?

Confiou no potencial de Paulo Paim, o que não é errado. Ele tem um eleitorado certo, difícil de perder. O problema foi jogar fora o segundo voto do eleitor, o que pode, inclusive, comprometer a eleição certa de Paim.

Se metade dos eleitores do petista dedicar seu segundo voto a Germano Rigotto (PMDB) e a outra metade a Ana Amélia Lemos (PP/RBS), ele corre o risco de ficar fora. Isso porque o Rigotto, por exemplo, deve contar com o voto de seu eleitor, que votaria nele em primeiro lugar, mais o segundo voto de Ana Amélia, mais o segundo voto de parte do eleitorado de Paim. O mesmo acontece com a candidata da RBS.

Paim caiu de 46% para 39%, segundo a última pesquisa Ibope, divulgada ontem (08) e encomendada pela RBS, em comparação com outra realizada pelo instituto no início de julho (lembrando que Rigotto teve exatamente os mesmos percentuais nas duas pesquisas e Ana Amélia também caiu).

Fico pensando se não teria sido melhor investir em outro nome forte para puxar votos, mesmo que não elegessem os dois. Seria o sacrifício de uma candidatura a outra vaga, mas em nome de um resultado importante. E ainda, dependendo de qual fosse esse segundo nome, poderia eventualmente (com uma boa campanha e sorte), eleger os dois.

Mas isso são conjecturas. Se…

A estratégia do PT para o Senado no RS