Porto Alegre e as opções para outubro

O Rio Grande do Sul, estamos cansados de saber, é um universo à parte na política partidária (e em que tantas outras coisas, diga-se!). Aqui, PT e PMDB são adversários ferrenhos. PMDB é sabonete, como no resto do Brasil, mas muito mais identificado com a direita do que em nível nacional, em que tem mais facilidade de transitar pelas diferentes esferas.

Mas há anos o PDT de Brizola anda de mãos dadas com esse PMDB, que agora já confirmou apoio ao candidato trabalhista (sic), José Fortunati, que assumiu o paço quando o peemedebista Fogaça pulou fora pra se candidatar (e sequer ir ao segundo turno, caindo no ostracismo prematuramente) ao governo do estado. Fortunati não só apoiou o retrocesso promovido por Fogaça (formando a queridíssima dupla Fo-Fo) como o aprofundou quando assumiu o barco. Porto Alegre, hoje, não tem mais o protagonismo que tinha no cenário mundial em termos de cidadania e participação popular. E pior, a capital dos gaúchos malemal mantém serviços básicos, totalmente defasados.

Brizola revira-se, coitado!

Enquanto isso, a comunista Manuela D’Ávila corteja o Partido Progressista de Ana Amélia, a senadora da RBS. Se vai levar ou não, ainda não sabemos (embora o PP esteja dividido, a tendência é que indique, sim, o vice na chapa com o PCdoB). O que importa, na verdade, é que os comunistas querem muito dar as mãos à ex-Arena. Tudo isso enquanto vangloria-se da história de 90 anos do Partido Comunista.

Diante da incoerência, quem se revira, agora, é Luis Carlos Prestes e todos os outros tantos líderes do partido (muitos mais do que no PDT de Brizola), muitos dos quais morreram nas mãos da Arena.

E são essas duas coligações esdrúxulas que aparecem na ponta das pesquisas eleitorais. Amarguemos, pois.

Sobre a coligação comunistas-Arena, deixo-vos com Latuff, bastante mais claro e contundente que eu:

Anúncios
Porto Alegre e as opções para outubro

Ao que tudo indica, Manuela deve ser candidata à Prefeitura de Porto Alegre em 2012

Embora todos os partidos envolvidos neguem, fica difícil de acreditar que a disputa para a Prefeitura de Porto Alegre de 2012 não entre na mesa de negociação de cargos do governo Tarso Genro no Rio Grande do Sul. E o PDT é um fator importante nesse cenário, a ser observado.

Cito o PDT porque tem o comando da Prefeitura hoje e porque é um partido ainda um tanto forte, cujo apoio em 2012 é importante para o PT voltar ao Paço municipal. Já se falou em apoiar a reeleição de Fortunati em troca do apoio ao governo Tarso, já que o PDT é dono de importantes votos na Assembleia Legislativa, o que acredito que não deve acontecer.

Apesar de os jornais já terem cotado inúmeros nomes para praticamente todas as secretarias, é possível tirar algumas tendências das negociações em curso. Os partidos trabalhistas, que não ajudaram a eleger Tarso, estão mordendo boa parte do alto escalão do governo. O PTB chegou pedindo 19,3% dos cargos, e o PDT, quatro secretarias importantes. O fato de eles pedirem não significa que vão levar, mas o novo governador dá sinais de que não vai deixar o PDT na mão.

Enquanto isso, o PSB e o PC do B, parceiros do PT desde o início do processo, disputam cargos menores. O PSB já tem o vice e Tarso já indicou Beto Albuquerque para uma pasta importante, de grande orçamento. Mas o PC do B leva por enquanto a pequena Secretaria do Turismo e parece que não vai contar com fatia muito significativa do governo.

Ou seja, o PT não concederia ao PDT tantos cargos mais a cabeça de chapa para a disputa à Prefeitura daqui a dois anos. Ao mesmo tempo, projeta-se como um nome forte da coalizão que elegeu Tarso a recordista em votos, reeleita para a Câmara Federal e jovem Manuela D’Ávila. Assumir a ponta da disputa seria o caminho mais natural, tendo em vista a lealdade e a dedicação dos aliados a Tarso e a disposição do PT de abrir mão do nome do prefeito da Frente ou Unidade Popular.

Considerando que o PDT está abocanhando, ao que tudo indica, um número significativo de secretarias e, portanto, ficaria fora da indicação do prefeito, e que o PC do B vem amargando um leve escanteamento na composição do governo, a tendência é que seja o partido a indicar o candidato que o PT vai apoiar em 2012 mesmo.

Mas claro, a política é imprevisível e muitos fatores ainda hão de ser considerados até a escolha definitiva do nome. O que vemos são tendências…

Ao que tudo indica, Manuela deve ser candidata à Prefeitura de Porto Alegre em 2012

Estaria Ana Amélia de olho no governo do estado?

Ficaram pendentes algumas observações sobre o resultado das eleições:

– O maior medo pós-eleição é um provável fortalecimento da ideia de Ana Amélia se candidatar ao governo do RS em 2014, ainda mais depois que a Zero Hora já deu destaque para o fato de ela “não pensar no Piratini”. Motivo extra para o PT fazer um baita governo no estado. E para comemorarmos o primeiro lugar de Paulo Paim na corrida ao Senado.

– A eleição de Manuela é surpreendente. Sei que ela tem um carisma muito grande e uma campanha muito forte, mas achei que já tivesse passado a onda mais alta e agora ela fosse simplesmente se eleger bem. Mas ela fez um número extraordinário de votos, mais de 480 mil. Apesar de ela ter conteúdo e ser uma boa política, com desempenho reconhecido, boa parte dessa votação é por impulso e sem conotação política. Ela tem tudo para vir com boas chances para a disputa para a Prefeitura daqui a dois anos.

– A eleição para o Senado é a tal da “eleição de 200%”. O número de votos é o dobro do dedicado aos outros cargos. Tem também mais candidatos concorrendo às mesmas vagas. Ainda assim, chama a atenção o fato da desconhecida Abgail Pereira, que entrou na disputa apenas para garantir a vaga de Paim, ter feito mais votos que a atual governadora, que concorria à reeleição. Foram 1.551.151 de votos para a candidata do PCdoB ao Senado, e 1.156.386 para Yeda. Quase 400 mil votos a menos. Resultado de um dos piores governos, quiçá o pior, da história do Rio Grande.

– Sobre a composição do governo do estado, está certo Tarso ao não dar a opção de o PMDB, o PSDB, o DEM e “partidos que tiveram uma posição nítida oposicionista” de comporem o governo. Como disse o governador eleito, “isso não quer dizer desrespeito nem ausência de diálogo, mas não acho que sejam partidos passíveis de uma composição conosco”. Dessa forma, Tarso deixa longe de seu governo o oportunismo do PMDB, mostrando com elegância que o partido adversário saiu derrotado.

– Ainda no domingo à noite, Serra deu entrevista em que passou bastante tempo agradecendo Marina. De fato, ele tem muito a agradecer, foi graças à candidatura verde que se concretizou o segundo turno que o tucano queria. No frigir dos ovos, o PSDB foi o único que colheu frutos com a entrada da Marina na disputa. O que só confirma a tese de que sua candidatura serviu muito mais à direita do que à esquerda.

Estaria Ana Amélia de olho no governo do estado?

O maior derrotado no RS foi o PMDB

O principal adversário do PT na disputa pelo governo do estado saiu profundamente derrotado. O PMDB viu ruir seu modo conservador e fisiológico de fazer política. Se for inteligente, poderá aprender que uma campanha vazia de conteúdo não traz resultados, nem eleitorais nem políticos.

Fogaça não só não foi para o segundo turno, como fez um percentual eleitoral baixo e mostrou-se tão apático ao longo da campanha que ficou desacreditado. Rigotto perdeu a corrida para o Senado que acreditava piamente ter nas mãos. Os dois candidatos são muito parecidos. Ambos apresentam o discurso de pacificação, que não quer dizer nada quando não estamos em uma disputa polarizada e que não traz propostas concretas para o estado. Pacificar só não é suficiente. É preciso ter um projeto para desenvolver o Rio Grande. Perderam-se ambos no vazio de suas plataformas.

O PSDB perdeu também, mas esse não tinha tradição de força política no estado e conquistou o Piratini na eleição passada por força das circunstâncias. E, considerando o péssimo governo de Yeda, até que saiu razoavelmente bem nos planos de tentar a reeleição. Apenas voltou ao papel que não deveria ter abandonado, o de coadjuvante.

Mas o PMDB sempre teve força por aqui. Ao adotar a política da “imparcialidade ativa”, perdeu o rumo. Teve depois que voltar atrás e liberar os integrantes do partido a demonstrarem seu apoio a alguma das candidaturas à Presidência. O PMDB fracassou até em seu fisiologismo. Calculou mal, achou que se mantendo neutro poderia depois migrar para qualquer lado. Dificilmente os quadros do partido no RS terão espaço em um futuro governo Dilma.

Além do mais, essa neutralidade abriu espaço para que Lula e Dilma se empenhassem na eleição de Tarso e tornasse ainda mais estrondosa a derrota do PMDB nas urnas. Afinal, não é que gaúcho não goste de quem não se posiciona, ninguém gosta de quem não diz o que defende e o que pretende.

No fim das contas, Fogaça e Rigotto saíram derrotados das urnas. Rigotto já não pela primeira vez. Isso sem contar Eliseu Padilha, raposa velha e experiente, que não se reelegeu deputado federal. Mas todo o partido perdeu, a ponto de Pedro Simon renunciar ao cargo de presidente do PMDB estadual.

Outro que apostou errado e perdeu feio foi o PDT, mas pelo menos herdou a prefeitura e ainda pode integrar o governo de Tarso Genro, que disse estar de portas abertas. Ressalvas para o ex-governador Alceu Collares, que aderiu à campanha petista.

O maior derrotado no RS foi o PMDB

PMDB, PDT e suas oportunas coincidências

Recebi hoje no meu endereço eletrônico a newsletter do PDT. Achei divertido o assunto do e-mail: “PDT articula encontro da dobrada Dilma-Fogaça”.

Hein? Dobrada?

Engraçado que não faz muito tempo era possível ler nos jornais sobre a postura, digamos, interessante do candidato a governador do RS pelo PMDB, José Fogaça. A tal “imparcialidade ativa” que não diz porcaria nenhuma, mas naquele momento serviu para o sem-sal ex-prefeito da capital assumir que não assumia nada (“Inação de Fogaça ultrapassa as fronteiras do ridículo”). Que, pra variar, ficava em cima do muro. Que fazia o que fez em seus seis anos como prefeito: patavinas.

Ao contrário do resto do país, no RS Dilma demorou um pouco mais para ultrapassar Serra nas pesquisas. Não era tão óbvia a vantagem de vincular o nome ao da candidata petista. Cobiçado por PT e PSDB, o PMDB, dividido, decidiu ficar em cima do muro, na época em que cabia fazer as alianças com um lado ou outro.

O insólito da história é que agora que Dilma apareceu na frente na última sondagem do Ibope no estado dos gaúchos, o PDT, vice na chapa de Fogaça, fala em “dobrada”, força uma aproximação. Coincidência, apenas. Claro.

PMDB, PDT e suas oportunas coincidências

Vice de Fogaça está entre os possíveis ficha-suja do RS

Lembra dos cristais do cérebro do presidente da Assembleia Legislativa do RS, Giovani Cherini (PDT)? Aquele deputado simpático, que defende uma “visão holística” de mundo, que parece bem intencionado, está na lista das candidaturas impugnadas pela Procuradoria Regional Eleitoral do RS. Corre o risco de não alçar voos mais altos, como pretendia. A campanha a deputado federal fica no aguardo.

Mais grave ainda, do ponto de vista de representatividade do cargo ao qual concorre, é a possível impugnação do vice na chapa de José Fogaça ao governo do estado. O ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, do PMDB, que largou a administração municipal na metade do segundo mandato, tem-se mostrado orgulhoso da coligação que lutou arduamente para conseguir, com o mesmo PDT de Cherini (o primeiro dos sob suspeita citados). Pois escolheu mal o seu vice e corre o risco de ter de riscar o nome de Pompeo de Mattos da cédula. Fica feio, já no meio da campanha, mas quando a política é feita por interesses e não por afinidade político-ideológica, correm-se riscos.

Não é só Fogaça a registrar esse mal. A política interesseira, chamada já afetuosamente de politicagem, tem dessas coisas. Ela é bem ampla, atinge praticamente todos os médios e grandes partidos. Está presente na maioria das coligações, em tudo que é estado, em praticamente qualquer nível. No caso de Fogaça, talvez ele tivesse continuado apostando em Pompeo. Aliás, como de fato continuou, pois não é segredo o envolvimento do candidato (?) a vice com albergues ilegais, utilizados para captar votos (coisa feia!), o mesmo mal de Cherini.

E assim vai-se levando. Outro nome dos candidatos mais graúdos a ser colocado na berlinda e ver sua candidatura ameaçada é o petista Daniel Bordignon. Esse por causa das contas de quando foi prefeito de Gravataí, que não fecharam. Aliás, por ridículos R$ 6 mil, que, se para mim fariam toda a diferença, em campanhas políticas desse nível são uma miséria.

Duvido que a coisa vá longe. Aliás, pago pra ver. Saberemos no dia 19 de agosto, quando encerra o prazo do TRE para julgar os recursos. Mas interesses poderosos estão em jogo, principalmente no caso de Pompeo. Que, como bem lembra Marco Weissheimer, é vice de um candidato do PMDB, o mesmo partido do senador Pedro Simon, enfático defensor da lei que agora ameaça minar as pretensões de Fogaça. O mundo dá voltas…

—————–

A lista completa dos 28 candidatos cuja candidatura é contestada, puxada da Zero Hora:

Ausência de quitação eleitoral
André Bittencourt (PMN), candidato a deputado federal
Antonio Carlos Machado (PTB), candidato a deputado estadual
Flavio Luiz Silva de Souza (PDT), candidato a deputado federal
Jeovane Weber Contreira (PPS), candidato a deputado federal
João Eduardo Quevedo Reymunde (PTB), candidato a deputado federal
Jorge Luiz Drumm (PSDB), candidato a deputado estadual
Jorge Romeu Fonseca da Silva (PV), primeiro suplente de senador
José Oseas da Costa (PTB), candidato a deputado estadual
Luiz Filipe Vieira Correa de Oliveira (PV), candidato a deputado estadual
Mauro Pereira (PMDB), candidato a deputado federal
Ricardo Guimarães Moura (PSDB), candidato a deputado federal
Vera Beatriz Soares (PT), candidato a deputado estadual
Vilson Fernando Xavier (PTC), candidato a deputado federal

Rejeição de contas de gestores públicos
Claudio Jose de Souza Sebenelo (PSDB), suplente de vereador da Capital e candidato a deputado estadual
Daniel Bordignon (PT), deputado estadual e candidato à reeleição
Luiz Carlos dos Santos Olympio Mello (PSDB), apresentador de TV e candidato a deputado estadual
José Francisco Ferreira da Luz (DEM), candidato a deputado federal
Luiz Carlos Tramontini (PP), candidato a deputado federal
Luiz Carlos Repiso Riela (PTB), candidato a deputado federal

Abuso do poder econômico com sentença de inelegibilidade
Adroaldo Loureiro (PDT), deputado estadual e candidato à reeleição
Aloísio Classmann (PTB), deputado estadual e candidato à reeleição
Gerson Burmann (PDT), deputado estadual e candidato à reeleição
Giovani Cherini (PDT), presidente da Assembleia e candidato a deputado federal
Pompeo de Mattos (PDT), deputado federal e candidato a vice-governador

Condenação por improbidade administrativa
Reinaldo Antônio Nicola (PDT), candidato a deputado estadual
Sérgio Moraes (PTB), deputado federal e candidato à reeleição

Condenação criminal em decisão colegiada
Adão Moacir Gegler (PTC), candidato a deputado estadual

Demissão do serviço público
Simone Janson Nejar (PTB), ex-servidora do Tribunal de Justiça e candidata a deputada estadual

Fontes: Procuradoria Regional Eleitoral e TSE

Vice de Fogaça está entre os possíveis ficha-suja do RS