Ousadia e vanguarda em transporte

Centro de um dos maiores impérios que já existiram, coração do maior mercado financeiro da Europa, sede da monarquia mais famosa do mundo, destino de milhares de imigrantes, palco de todo tipo de atividade cultural, cidade da diversidade. Ao contrário de muitas cidades em que a história está em cada esquina, Londres mantém-se viva. Não vive do passado, mas de um sem número de pessoas que por aqui chegam todos os dias de olho no futuro. Mas também não esquece a história e faz o possível para preservar seus patrimônios. Seus imponentes, exuberantes patrimônios.

Cidade com história, cidade antiga. Ou seja, urbanizada quando ainda não existiam carros, ônibus, trens. Ou seja, ruas e prédios não planejados para toda seus mais de 7 milhões de habitantes e os tantos milhares de turistas que passam por ela todos os dias. Tampouco para as nossas necessidades tão contemporâneas e as máquinas que fomos criando com o tempo. Isso inclui os carros.

São muitos. O que faz de Londres uma cidade demorada no trânsito. É comum um trajeto levar uma hora ou mais. O centro da cidade é muito antigo, não tem ruas geometricamente planejadas nem grandes avenidas. E é lá que tudo acontece. Isso significa não simplesmente um bairro, mas toda uma grande zona central. Londres é dividida em zonas concêntricas, a mais antiga e principal no meio e outros cinco anéis ao redor. Como na maioria das grandes cidades, geralmente a periferia é a região mais pobre. Quanto mais central, mais fácil de viver. E mais caro.

Resumindo, o transporte tem tudo para ser caótico e, em muitos pontos, realmente o é. O ponto negativo reside basicamente no trânsito. Um inferno. No centro, principalmente ônibus vermelhos e táxis pretos avançam devagar tentando levar pessoas de um canto a outro. Por outro lado, mesmo que a velocidade não seja grande, é muito difícil parar completamente. Isso porque a cidade tem tradição em transporte e é ousada no tema.

Em 2013, a primeira linha de metrô do mundo vai fazer 150 anos. Hoje ela é parte da Hammersmith & City, no centro de Londres. O underground merece um capítulo a parte, que fica para mais adiante. Por enquanto, fica o registro do papel de vanguarda da capital da Revolução Industrial.

Mas não é só. Diante dos problemas de trânsito, a cidade adotou uma medida polêmica. Todo carro tem que pagar uma taxa diária bem alta para circular no centro. É por isso que o que não se veem tantos automóveis particulares nas ruas quanto no Brasil.

Ainda nas ruas está outro dos principais símbolos de Londres. Os ônibus vermelhos de dois andares são mesmo charmosos. Com calefação, têm o conforto suficiente para atender bem seus passageiros, ainda que geralmente estejam sujos – como a cidade em geral. Mas são razoavelmente frequentes – não tanto quanto o metrô – e muito bem sinalizados.

Cada parada (ou ponto, para os não-gaúchos) tem uma letra ou duas que a identificam. Com ela, é possível ir ao mapa afixado ali do lado e visualizar as outras paradas por perto. Isso se torna especialmente útil por causa da lista de destinos logo abaixo, onde o passageiro pode localizar para onde quer ir e descobrir qual ônibus pegar e em qual parada. Do lado, um poste indica os números das linhas que passam por ali, com o itinerário resumido e a frequência. Uma mão na roda para turistas e nativos.

Continua…

Ousadia e vanguarda em transporte

A mídia e o pensamento classe média – assunto: impostos

A forma como a imprensa trata a questão dos impostos, não é de hoje, é irresponsável. Não há palavra que se ajuste melhor que irresponsabilidade. Tudo bem, não se pode tirar do brasileiro dinheiro excessivo, que ele não tenha condições para pagar, que vá prejudicar sua vida, o sustento da família.

Para cobrar os devidos impostos, é preciso dar salários dignos, empregos para todos, formação. É preciso também fornecer serviços públicos de qualidade, como saúde, educação, lazer, infraestrutura de transporte e energia, grauitamente, para diminuir os gastos mensais do cidadão.

Mas como esperar que o governo banque todas essas coisas sem cobrar impostos? É importante notar que a cobrança de impostos e o fornecimento de serviços públicos de qualidade são coisas complementares, uma não faz sentido, não existe sem a outra. Só há bons serviços se há impostos para bancá-los, e só pode haver cobrança de impostos se os serviços forem de qualidade.

Não defendo supertaxação, mas é preciso que a discussão seja feita abrangendo todas as suas nuances, com profundidade e de forma completa, explicando de onde vêm e para onde vão os recursos. É preciso discutir, por exemplo, por que pedagiar rodovias quando o brasileiro já paga pela sua manutenção.

Vale questionar de que forma a cobrança é feita, se não se está cobrando demais de quem pode menos e tirando pouco de quem ganha muito. Mas quando se fala em taxar grandes fortunas a imprensa chia. Então, que tipo de questionamento é feito?

Os verdadeiros interesses

Decerto o que a nossa mídia deseja é a política neoliberal que se tentou implementar no Brasil e já se viu que não dá certo. Querem eliminar da responsabilidade do Estado a execução de serviços públicos, passando a cobrar diretamente da população por eles.

A discussão vem torta. Numa página, criticam-se os impostos de um modo geral, quaisquer que sejam, generalizando-os. Vira-se a página e vê-se a notícia sobre a BR-386 e a BR-116. Refiro-me à Zero Hora de hoje, que mancheteou a carga tributária brasileira e depois quer-nos fazer engolir como mágica a duplicação das rodovias, como se acontecessem por obra divina.

É louvável quando a imprensa se coloca no papel de discutir a eficácia da execução da política, dos governos. E questionar a forma como a cobrança de impostos é feita é parte do processo. Mas questionar a existência de impostos pura e simplesmente é como dizer que todo político é corrupto e é preciso eliminá-los todos. Discurso de e para a classe média, que despolitiza a discussão e passa bem longe de resolver o problema.

A mídia e o pensamento classe média – assunto: impostos