Espaço fechado aos movimentos sociais é aberto à RBS

Ali onde os movimentos sociais foram impedidos de entrar pelas grades colocadas pelo governo do estado, na manhã de hoje (30) já se instalava o caminhão da RBS, de onde a emissora fará a cobertura da posse do novo governador. Eram cerca de 9h40min desta última quinta-feira de 2010 quando funcionários removiam as grades para que o estúdio móvel entrasse. Em seguida e muito rapidamente, eram recolocadas em seu devido lugar.

Importante lembrar que as grades foram instaladas para impedir a aglomeração de pessoas. Para impedir que o povo se manifestasse. Agora, serve para dar acesso privilegiado ao veículo de imprensa – monopolista e elitista.

Nada contra destinar espaço à imprensa nessas ocasiões, pelo contrário. É legítimo e importante para a sociedade, de preferência com uma profusão de veículos e profissionais diferentes, de forma a garantir a pluralidade da informação. O que salta aos olhos é a contradição de se abrir o espaço para a imprensa, que existe – ou assim deveria ser – tão somente para servir à sociedade, e impedi-la – a sociedade – de estar ali.

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Espaço fechado aos movimentos sociais é aberto à RBS

Quem forneceu a senha ao sargento, afinal?

Quando vai aparecer o nome do mandante da arapongagem no Piratini? O sargento César Rodrigues de Carvalho tinha acesso a uma senha master só disponível para altos escalões. Alguém a forneceu. Cadê os documentos? O assunto não pode sumir do noticiário sem ser esclarecido, por mais pressão política e da mídia que possa haver.

Quem forneceu a senha ao sargento, afinal?

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela

“Está muito claro que esse processo não é fruto de falta de controle do sistema ou da cabeça do sargento. Estamos convencidos de que esse é um processo que tem mandantes, como o próprio promotor já falou”, disse a deputada Stela Farias na coletiva chamada pela bancada do PT na Assembleia Legislativa do RS hoje (08) à tarde.

O sargento a que se refere é César Rodrigues de Carvalho, preso por praticar espionagem e cobrança de propina quando estava lotado na Casa Militar do governo do estado como segurança da governadora Yeda Crusius. Ele usou senhas da Secretaria de Segurança para acessar dados de parlamentares, delegados, jornalistas e até crianças, filhos de deputados. O promotor a que Stela se refere é Amílcar Macedo, que investiga o caso e alertou a deputada que fotos de seu filho de oito anos haviam sido encontradas. “Essa situação é inaceitável, absurda, não podemos calar”, disse.

Stela fez questão de destacar dois pontos importantes. O primeiro diz respeito à investigação de Yeda, Ricardo Lied (ex-chefe de gabinete da governadora), Sandra Terra e Walna Vilarin Menezes (assessoras de Yeda), entre outros ligados à governadora. “A imprensa faz confusão, parece que está tudo no mesmo saco. Esses estavam sendo investigados para se proteger de possíveis arapongagens”. O objetivo, segundo Stela e Raul Pont, também deputado estadual e que falava em nome da bancada do partido, era averiguar se havia algum processo ou qualquer tipo de investigação contra eles.

Esquema vem do centro do governo

“Estamos convencidos de que há uma arquitetura de espionagem que sai do centro do governo”, disse Stela. Afinal, a espionagem aconteceu em outubro de 2009, o período mais quente da CPI da Corrupção, liderada pela deputada. “E é muito possível que tenhamos mais nomes nos próximos dias, de outros deputados, pelo que me disse o promotor.”

Posição do Parlamento

Diante das denúncias, o PT pede um posicionamento firme da Assembleia enquanto instituição, rechaçando a atitude, já que pelo menos dois de seus membros tiveram sua intimidade violada. “Isso não é correto, não é republicano”, afirmou Raul Pont, “nós somos portadores de um mandato, fomos eleitos para representar a população.” A bancada petista pede da Casa providências jurídicas e políticas. Ela terá ainda um advogado para acompanhar a investigação. Quer saber quem foi que forneceu ao sargento a senha master, que dá acesso aos dados e é restrita aos altos escalões.

Utilização na propaganda política

Questionado sobre a utilização eleitoral do episódio, Raul Pont foi enfático. “Não vamos transformar o debate eleitoral, que tem que ser programático, propositivo, mas não vamos tratar isso como uma coisa banal”, disse. “No Brasil as coisas parecem banais na sua excentricidade, mas alguém tem que dizer que isso não está certo.”

Há mais espionados pelo governo gaúcho por aparecer, diz Stela

Até crianças foram espionadas no Rio Grande do Sul

Tarso Genro, Stela Farias, Marco Weissheimer, um menino de oito anos. O que eles têm em comum? Junto com mais dezenas de pessoas, foram espionados pelo esquema armado dentro do Piratini. O menino de oito anos a que me refiro é o filho da deputada estadual Stela Farias, do PT. Fotos dele e de seus dois irmãos apareceram na investigação.

Há nomes de diversos campos políticos, uma série de jornalistas – independentes e ligados a veículos -, delegados, filhos de deputados, de juízes. Não é um crime menor. É violação de sigilo, com fins políticos, para prejudicar grupos políticos. Olhando assim meio rápido, parece que Tarso Genro pode ficar chateado por ter sua vida devassada. Mas esse tipo de crime tem consequências muito maiores.

Primeiro, que expõe qualquer um de nós aos olhos de quem tiver poder para futricar nos dados sigilosos, o que não deveria acontecer. Depois porque, mesmo que a minha vida esteja protegida por não ter sido investigada, o fato de um grupo político se prevalecer de informações sigilosas para prejudicar outro pode influenciar estratégias políticas, distorcendo informações – especialmente por investigar jornalistas, como o Marco, do RS Urgente -, prejudicando eleições. O cidadão não tem uma política limpa e justa para escolher com clareza seus candidatos. O resultado pode ser sentido nas decisões políticas e, consequentemente, no cotidiano de cada um.

Espionagem e contra-espionagem

Vale destacar que nem todos os nomes da lista encontram-se nela por estarem sendo investigados. Alguns constam ali para se saber se eles sofriam algum tipo de investigação. Para protegê-los. Ou seja, o fato de Yeda estar na lista não a absolve. Aliás, muito pelo contrário, já que o sargento César Rodrigues de Carvalho, preso pela espionagem, estava lotado na Casa Militar do governo do estado como segurança da governadora. Sempre me ponho a pensar na repercussão que teria se a situação fosse exatamente a mesma, mas invertida, se o governador fosse do PT.

Silêncio na imprensa

Ainda assim, na noite de hoje, o assunto sequer aparecia na capa da Zero Hora.com. Pior, não estava na página de eleições do jornal. A imprensa gaúcha tenta esconder os escândalos recentes ligados ao governo do estado. Interessa mais catapultar os factóides que prejudicam Dilma – e não se trata aqui de tratar de duas formas assuntos iguais: não há ligação nem distante comprovada do PT com a espionagem na Receita Federal, ao contrário do que acontece no Rio Grande do Sul.

Até o Valor Econômico deu o esquema de espionagem hoje, com o título Servidor de Yeda Crusius é preso por acesso a dados (disponível só para assinantes). Na imprensa gaúcha, silêncio.

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Stela nem queria responder sobre o assunto, para não ser acusada de usar os filhos com motivação eleitoral. Mas sua indignação é grande e legítima. Que mantenha os filhos longe do assunto, mas uma resposta é necessária. Afinal, não foi ela que tomou a iniciativa de investigar crianças.

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A lista de investigados (seja para descobrir podres ou para proteger) já divulgada (do Blog da Rosane de Oliveira):

– Adão Paiani – Ex-ouvidor da Secretaria da Segurança

– Ana Claudia Mazzali – capitã da Brigada

– Coronel Bondan – Brigada Militar

– Coronel Quevedo – Brigada Militar

– Chefes dos Serviço de Inteligência do CPM e do V COMAR

– Claudio Manfroi – ex-presidente do PTB

– Edilson Paim – delegado de polícia

– Eliseu Santos – ex-secretário da Saúde (acesso feito depois do assassinato)

– Flávio Conrado – delegado de polícia

– Flavio Koutzii – ex-deputado do PT

– Heliomar Franco – delegado de polícia

– Jefferson de Barros Jacques – major da Brigada

– Lair Ferst – pivô do escândalo do Detran

– Luis Augusto Lara – deputado estadual do PTB

– Luis Carlos Busato – deputado federal do PTB

– Marco Aurélio Weisshmeimer – jornalista do site RS Urgente

– Maria Lúcia Streck – jornalista (ex-Zero Hora)

– Nereu Lima – advogado (a confirmar)

– Roberto Sirotsky Gershenson

– Políbio Braga – jornalista

– Rafael Colling – jornalista da Rádio Gaúcha (a confirmar)

– Ranolfo Vieira Jr. – delegado de polícia

– Ricardo Lied – ex-chefe de gabinete da governadora

– Sandra Terra – assessora da governadora

– Sérgio Zambiasi – senador do PTB

– Stela farias – deputada estadual do PT

– Tania Regina Silva Reckziegel – presidente do PTB Mulher

– Tarso Genro – ex-ministro e candidato do PT a governador

– Telma Cecília Torran

– Vanessa Guazzelli Braga

– Walna Vilarin Menezes – assessora da governadora

– Yeda Rorato Crusius – governadora do RS

Até crianças foram espionadas no Rio Grande do Sul