Os irresponsáveis sofismas de PSOL e PSDB

Não é difícil ouvir por aí, ou concluir por si próprio, que ser oposição é muito mais fácil que ser governo. Claro, não tem que fazer, o que já é bem menos trabalho, mas, principalmente, pode cobrar bastante sem a responsabilidade de colocar em prática. Sem ser cobrado.

E essa conclusão não desqualifica ninguém por ser oposição. Se está errado, tem que falar mesmo, tem que dizer por quê, e exigir que seja feito diferente. O que tem gente que não percebe é que oposição também tem responsabilidade. Oposição por oposição, qualquer um faz. Afinal, um governo não agrada a gregos e troianos, e sempre haverá descontentes. Mas exigir o que é impossível de ser feito é fazer política com má fé.

A discussão sobre o salário mínimo mostra a má fé de bastante gente. Dois sujeitos dessa história são mais notórios. Em primeiro e óbvio lugar, o PSDB, que arrochou os trabalhadores nos oito anos em que foi governo e, por conta de sua política econômica neoliberal, retirou o Estado da vida do cidadão. O que inclui diminuir a exigência, por parte do Estado, de um pagamento mínimo aos trabalhadores. O neoliberalismo deixa os mercados se virarem, e os mercados se viram melhor se o empregado ganha menos. Agora, na oposição, esquece sua história – é mais fácil pedir para esquecer o que escreveu, já que não traz resultados concretos à vida de ninguém – e cobra um valor que ele, PSDB, enquanto governo, dificilmente adotaria. E o fato de Serra ter prometido durante a campanha não quer dizer muito, porque era promessa de campanha (dã), porque ele não disse de onde ia tirar o dinheiro (provavelmente de outros benefícios sociais) e porque já teria herdado uma economia mais consolidada do que a que seu partido deixou no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores.

Pode até ser contraditório o Partido dos Trabalhadores defender um aumento modesto, mas é contradição muito maior – para não dizer hipocrisia – o PSDB se fazer de arauto das causas trabalhistas.

Mas eu citava dois sujeitos, e por enquanto só falei em um. O outro é o PSOL.

A oposição “de esquerda”

O PSOL não chega a ser contraditório nem hipócrita, só ridículo. É evidente que quanto maior o salário mínimo, melhor seria. Acredito que ninguém negue isso. Mas propor aumento para R$ 700 é irresponsável. É a tal da oposição pela oposição.

Cobrar uma política impossível é desonesto com o governo e com o cidadão. Não se pode exigir dos outros aquilo que não tem como ser feito. Na verdade, é uma mentira. É como dizer que dá, é enganar. O PSOL também não diz de onde viria o recurso para isso. Não explica como domaria o rombo no orçamento da União. Não fala nas consequências que um aumento desses traria para o povo brasileiro.Mostra que não tem uma diretriz que lhe permitisse governar e implementar as mudanças que, enquanto oposição, exige que os outros façam. Governaria sem planejamento e sem diálogo.

Além de tudo, não é nada inteligente. Com essa defesa, o PSOL demonstra claramente sua falta de critérios e se mostra um partido fraco e ridículo. Não que seus membros sejam ridículos, não é isso. Em mais de uma ocasião defendi aqui a importância de uma oposição de esquerda. Só que ela só dá resultado se for coerente e sensata. No fim, a linha política que conduzem, quando aplicada ao partido político, causa essa impressão.

E aí fica desacreditado e não contribui para uma construção coletiva que beneficie o cidadão. E uma esquerda sofista que valoriza mais o discurso do que resultado prático mal pode ser chamada de esquerda. É uma pena.

Os irresponsáveis sofismas de PSOL e PSDB

O que faz com que o governo Lula não seja neoliberal

A grande crítica ao governo Lula, e que levou parte da militância petista a abandonar o partido ainda no primeiro governo, é sua política econômica, tida como muito ortodoxa, sem mudanças significativas em relação ao governo anterior. Pois bem, é possível partir de um conceito para avaliar a sua aplicação.

Parto do neoliberalismo e por que ele não se aplica da mesma forma nos dois governos. A premissa é simples: inverteu-se a lógica. O neoliberalismo é baseado essencialmente na não-intervenção do Estado, não só na economia, mas em toda a sociedade. Não é só deixar os mercados regularem-se por si, é deixar de prestar serviços à população, transferindo-os à iniciativa privada. Deixar a sociedade se virar sozinha, resumindo. Parir a criança e não criá-la.

Assim, um governo neoliberal, que tem nos anos de Fernando Henrique Cardoso um exemplo, desenvolve menos políticas em prol da população. Privatizam-se as empresas públicas, que passam a agir pela ótica do mercado, ou seja, cobram do cidadão pelo serviço com vistas a obter lucro. Não é o fato de ser público ou privado que faz uma empresa prestar um bom serviço, é a boa gestão.

E vamos além, expandindo da questão das empresas públicas ou privadas e falando do papel do Estado no dia-a-dia do cidadão. Um Estado mínimo, característica do neoliberalismo, não teria adotado políticas sociais que melhoram a qualidade de vida do cidadão. O Estado mínimo deixa o sujeito se virar, não lhe dá ajuda. O Bolsa Família, com a amplitude que atingiu – hoje haveria 21,5 milhões de brasileiros a mais em situação de pobreza se não fossem os programas de transferência de renda -, não teria existido em um governo neoliberal, pois ali o Estado se afasta do cidadão.

Continua…

O que faz com que o governo Lula não seja neoliberal