A Globo hipócrita

A campanha de final de ano de 2010 da Globo reforça uns quantos estereótipos. É uma série de vinhetas de 30 segundos com artistas e jornalistas da emissora entregando presentes na casa de pessoas que escreveram cartas de Natal com seus pedidos.

Incentiva o imaginário popular de que basta acreditar muito que os sonhos se realizam, sem esforço, como se fosse mágica. Tudo muito fácil. “Realizar sonhos é mais simples do que você imagina”, dizem as vinhetas.

Segue a visão de que o povo precisa de alguém que consiga as coisas para ele. Dois equívocos são reforçados: primeiro, o de que não é capaz. Segundo e mais grave, o de que o que o povo precisa é de caridade e não de políticas públicas de redução das desigualdades.

Essa imagem afasta a população das decisões políticas, porque incentiva a ideia de que não vale lutar por distribuição de renda e justiça, porque as soluções parecem simples e rápidas. Fica difícil compreender a necessidade de planejamento e políticas de transformação social para mudar a realidade de todos, não de alguns escolhidos. Se a Globo pode realizar sonhos, decerto o governo não realiza porque não quer. Simplifica um problema bastante complexo, essa tal desigualdade social.

Tudo isso é feito com o objetivo principal de fortalecer a ideia da Globo boazinha, que esconde os verdadeiros e representativos atos da emissora, que surgiu para referendar a ditadura militar e ajudou a eleger governos corruptos e perpetuadores de desigualdade. A Globo hipócrita.

A Globo hipócrita

O Rio, os jornalistas e as opiniões

De cá de longe, dos pampas gaúchos, aprovo a operação da Polícia no Rio. Aprovo porque vejo o apoio da população, acho que pela primeira vez. E porque vi que ela não chegou atirando em qualquer um. Porque acho que não dá pra ignorar que esse é um momento de crise, embora o ideal seja levar o Estado para o morro no dia a dia, em serviços básicos de que a população precisa. Se fazer presente, para que o tráfico não ocupe esse papel.

Mas quem sou eu para saber alguma coisa? Não entendo de segurança pública, leio, mas não tenho conhecimento para falar de políticas públicas para a população. Dou aqui meus pitacos, sobre tudo um pouco. Mas sei que não tenho a razão, tenho apenas uma opinião, e quem disse que certa?

Por isso tento ouvir, tento ler, sempre. Para que os outros, os que sabem mais sobre cada assunto, me forneçam subsídios para que eu entenda um pouquinho melhor e formule minha opinião. Nesse caso do Rio mesmo, só formei a minha depois de alguns dias. E ainda assim duvido dela.

Sou jornalista, convivo com jornalistas e leio jornais. Por isso sei que é muito comum jornalista se achar dono da verdade, opinando sobre tudo sem considerar que pode estar errado. Mas ei, não é, viu. (e essa afirmação pode igualmente não ser verdadeira…)

Eu, particularmente, me policio diariamente pra não cair em tentação.

Claro que todos podem ter sua opinião, normal. Só é importante entender que nem sempre está certo. Até porque ainda não descobri um método infalível de determinar a posse da razão. Vale também sempre tentar construir a opinião com base em muita informação diversificada. Então, deixo alguns poucos links de alguns textos que li sobre os eventos desta semana no Rio de Janeiro – outros já não achei mais. E com a deferência aos que mantêm a cabeça aberta para construir suas opiniões a cada dia, pois me surpreendi com alguns, em blogs ou Twitter, que eu imaginava opinariam diferente, com base em discursos previamente construídos.

Rio de Janeiro, tragédia anunciada? – Blog do Tsavkko

A crise no Rio e o pastiche midiático – Luiz Eduardo Soares

Para além das UPPs, cidadania plena aos pobres do Rio de Janeiro – Maria Frô

A reportagem do New York Times sobre as UPPs – Viomundo

O Rio, os jornalistas e as opiniões

Por uma comunicação pública e plural no governo Tarso

Um grupo de profissionais ligados à comunicação entregou hoje de manhã um documento com propostas para o setor para o governador eleito Tarso Genro. As ideias contidas no texto são fruto de um debate plural, com 85 pessoas que participaram de duas plenárias para discutir propostas e encaminharam suas contribuições. Foram 18 contribuições por escrito recebidas pela equipe que estruturou o projeto. Aliás, vale mencionar o nome do pessoal que compõe esse grupo: Milena Weber, Vera Spolidoro, Ilza do Canto, Dica Sitoni, Pedro Osório, Bita Sória, Guaracy Cunha, João Ferrer, Marco Weissheimer, Celso Schröder e os representantes do PSB Daniela Miranda, Rodimar Oliveira e Daniel Lopes e do PCdoB, Clomar Porto.

Sobre o documento, ele faz o principal: dá a linha política que defendemos para um governo petista na área da Comunicação. É um setor estratégico, de extrema importância para o governo, mas, essencialmente, fundamental para a sociedade.

E foi isso que se tentou passar ali, que a comunicação tem que ser pública e plural. Que o governo deve ser o responsável por garantir o acesso da população à informação e aos meios de produção de conteúdo. Que deve implementar políticas públicas.

Para isso, ali vão sugestões de políticas a serem bancadas pelo governo através da Secretaria de Comunicação a ser criada por Tarso.

As mídias digitais ganham bom espaço no documento, o que demonstra uma preocupação com as mudanças na forma de se comunicar, mas é importante destacar que a visão 2.0 de comunicação tem que se espalhar por todo o governo. É preciso que cada secretário absorva a linguagem da internet e que veja a rede como uma possibilidade de ampliar a informação que chega ao cidadão, furando bloqueios.

O documento enfatiza também a relevância de se implementar um conselho de comunicação, não subordinado à Secretaria, para garantir sua independência, e com a participação da sociedade civil, através da representação de seus mais diversos setores.

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Foto: Caco Argemi

Por uma comunicação pública e plural no governo Tarso

Por que votar em Tarso para o governo do RS

Os motivos de votar em Tarso não estão muito distantes dos de votar em Dilma. Têm a ver com a coerência, a ética e acima de tudo com uma política voltada para a cidadania. A diferença principal é que aqui Tarso Genro não representa a continuidade de um projeto. Muito pelo contrário, o atual governo do RS afunda o nosso estado a cada dia, com uma política neoliberal, que retira investimentos das políticas públicas, dos órgãos do estado. Foi assim que Yeda criou o falso déficit zero, conseguido às custas de prejudicar o atendimento à população em serviços básicos, como saúde e educação.

As pesquisas mostram que Tarso ganha de Fogaça (PMDB) com larga vantagem na capital. Ambos foram prefeitos de Porto Alegre, o que faz com que o resultado tenha muito significado. Tarso foi ministro do governo Lula em três pastas diferentes, Educação, Relações Institucionais e Justiça. Dois grandes projetos que tomaram corpo sob sua responsabilidade se destacam, o Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com a implantação de Territórios de Paz. O detalhe pode parecer singelo, mas esse “com Cidadania” do nome do programa faz toda a diferença. Não é um programa qualquer de repressão à violência, é uma política de governo voltada para a melhoria da qualidade de vida proporcionando mais segurança.

Eleger Tarso significa redemocratizar o estado. Seu programa de governo prevê a utilização dos meios já tradicionais de participação, muitos deles criados pelo PT e praticamente desativados nos governos seguintes, como o Orçamento Participativo. Mas abrange também, de forma ampla, os meios digitais como ferramentas para proporcionar a participação e a transparência.

Tarso governador é voltar a investir os 12% constitucionais na saúde, por exemplo, com uma política inteligente de prevenção e regionalização do atendimento. É devolver aos gaúchos a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), criada pelo governo Olívio Dutra e sistematicamente sucateada durante os governos Rigotto e Yeda. É proporcionar uma educação democrática e humanizada, com valorização dos professores, para reverter o desmonte que o descaso atual causou. É investir em infraestrutura, distribuir renda, promover a agricultura familiar. Enfim, é inverter a lógica e voltar a investir no Rio Grande para que, com participação popular, seja possível atender as demandas dos gaúchos.

Seja possível olhar de fato para os gaúchos. Porque o grande diferencial está na vontade de melhorar a vida de cada cidadão, através de políticas de governo que se transformem em políticas de Estado. Que se consolidem e persistam.

Eleger Tarso é fundamental para dar alguma esperança de o Rio Grande do Sul voltar a crescer, consoante com o resto do Brasil. Durante o governo Olívio, de 1999 a 2002, a oposição foi intensa, as dificuldades de aprovação de cada projeto eram enormes. Ainda assim, o estado cresceu, se desenvolveu gerando qualidade de vida e tornando a população mais igual. Depois disso, tentou-se de toda forma destruir aquelas conquistas que não traziam lucro imediato para o RS. A UERGS, por exemplo, traz, a curto prazo, mais prejuízo. Mas, pensando no futuro, ela é uma baita oportunidade de promover o desenvolvimento regional, formando jovens especializados nas potencialidades de cada região do estado, sem precisar ir muito longe de casa. É bom para o jovem, para a família, para a comunidade e para a economia do estado.

É essa visão integrada e de futuro que faz com que Tarso Genro precise ser eleito governador do Rio Grande do Sul. É por isso que meu voto é dele.

Por que votar em Tarso para o governo do RS

Pela aprovação da PEC da Juventude

Vai à votação no Senado hoje a PEC da Juventude. O artigo a seguir, de Danilo Moreira, Marcela Cardoso e Murilo Amatneeks*, foi publicado no Jornal do Brasil ontem, dia 6. Selecionei alguns trechos:

PEC da Juventude: O Brasil precisa, a juventude quer!

“Sua aprovação é determinante para consolidação das políticas públicas de juventude na agenda nacional e contribuirá para a melhoria da qualidade de vida de 50 milhões de brasileiros e brasileiras situados na faixa etária de 15 a 29 anos.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC42/2008) insere o termo juventude no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição Federal. O objetivo é suprir uma lacuna em nossa carta Magna, que reconhece crianças, adolescentes, idosos, indígenas e mulheres, mas é omisso no que tange aos direitos da juventude. Esta emenda tramita no Congresso Nacional desde 2003, mas a luta pela sua aprovação ganhou impulso após a realização da 1ª Conferência Nacional de Juventude, finalizada em abril de 2008.

(…)

A aprovação desta emenda tem sentido simbólico e prático. Do ponto de vista simbólico seria a concretização de uma das principais bandeiras dos movimentos juvenis nos últimos dois anos. Foram inúmeros debates, atividades públicas, manifestações nas galerias do Senado, audiências com Senadores e até mesmo uma inovadora campanha via twitter com a tag #PECdaJuventude. Ainda no campo simbólico é importante destacar que 2010 foi apontado pela Organização das Nações Unidas – ONU como Ano Internacional da Juventude. O reconhecimento deste segmento populacional na Constituição Federal seria um sinal para o mundo que nosso País realmente aposta no presente e investe no futuro.

Do ponto de vista prático esta emenda constitucional dá ‘segurança jurídica’ e permite o avanço das políticas existentes, além de indicar a necessidade de um Plano Nacional de Juventude com metas que deverão ser cumpridas pela União, em parceria com estados, municípios e organizações juvenis nos próximos 10 anos.  Tal plano teria ações nas áreas de cultura, saúde, esporte, cidadania, trabalho, inclusão digital, educação etc. Em outras palavras, deflagraria um processo contínuo e articulado de investimentos em juventude. Vista de forma mais ampla, esta PEC contribuiria para a efetivação de um Estado Democrático de Direito, que não se realizará sem o devido reconhecimento à juventude brasileira.

(…)

É chegado o momento de alçar definitivamente a política de juventude à condição de política de Estado.

PEC da Juventude: O Brasil precisa, a juventude quer!”

* Danilo Moreira, historiador e presidente do Conselho Nacional de Juventude – Conjuve

Marcela Cardoso e Murilo Amatneeks, estudantes e coordenadores da Comissão de Parlamento do Conjuve

Pela aprovação da PEC da Juventude