Vitória do povo contra a manipulação

A vitória de Dilma Rousseff é uma vitória da democracia. Evidentemente, qualquer candidato que fosse eleito, seria de forma democrática, pelo voto de cada cidadão. Mas falo da democracia de uma forma mais ampla, mais abrangente.

Em 2010, tivemos, como em poucas vezes na história recente do Brasil, uma forte campanha da mídia corporativa em prol do candidato do PSDB. Campanha da mídia dessa forma, só em 1989. Mas naquele ano, 21 anos atrás, a mídia elegeu seu candidato. Collor fez uma campanha profissional, usando fortemente o marketing eleitoral como ninguém mais fizera. Mas não ganhou sozinho; a edição do debate da Globo, por exemplo, foi fundamental para sua vitória.

Em 2010, temos a mídia de um lado, mas o resultado das eleição não a agrada. Porque o povo decidiu que sabe decidir. Foi às urnas e votou em quem quis, tendo consciência de que pode escolher o que é melhor para sua vida. Ainda que seja uma consciência ingênua, sem um conhecimento mais profundo do jogo político, sem compreender como as coisas se dão. Mas a consciência do dia a dia, da vida que melhorou.

O povo não se deixou manipular. Votou contra o que lhe diziam para escolher. Ou seja, não há mais um reduzido grupo de pessoas a dizer como uma grande massa deveria agir. Quando cada cidadão conquista a independência de suas ideias, a autonomia de seu pensamento, o poder sobre sua decisão, chegamos mais perto daquilo que se chama democracia.

E, principalmente, conferimos maior legitimidade ao governante que elegemos, porque o fizemos com consciência, com vontade própria, com autonomia. Lula já havia conquistado esse grande feito duas vezes. Por ser o primeiro, por vir do povo, foi histórico, foi bonito. Mas não foi contra uma imprensa tão raivosa quanto a enfrentada por Dilma. Talvez porque em 2002 e 2006 sua vitória já fosse tão inevitável que não valesse a pena lutar contra. A campanha de 2010 começou, meses atrás, ainda antes da campanha oficial, com Serra bem à frente nas pesquisas e com boas chances de vencer as eleições. Essa perspectiva deu um novo ânimo a essa imprensa parcial, que sempre esteve ao lado do PSDB, mas à qual convinha parecer apoiando Lula. Afinal, as possibilidades de se conseguir alguma vantagem com o partido governista são sempre melhores.

Dessa forma, Dilma começa seu governo sem rabo preso, sem dever seus votos a ninguém a não ser o projeto político que orgulhosamente representa, comandado por Lula. Um projeto que tem muitos erros e muitos acertos. Que defendo como a melhor alternativa que temos para o Brasil. Mas que, independente do que lhe digam, foi o povo que escolheu. Sozinho.

Vitória do povo contra a manipulação

Linguagem popular de Lula escandaliza a elite

Do Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães:

Novamente, Lula choca a elite com seu linguajar popularesco, com sua identidade brasileira, com a espontaneidade com que se pronuncia. Sobre a proibição de país aplicarem qualquer tipo de castigo físico aos filhos, Lula sintetizou o que pensa de uma criança apanhar de seus responsáveis legais: “Dói pra cacete”.

Escândalo! Infâmia! Incompatível com o cargo! Como um presidente pode usar “cacete” como superlativo? Ainda se fosse como substantivo, referindo-se a um bastão, poderia ser aceito, no limite da boa vontade com o vernáculo. Mas no sentido superlativo, não. “Pra cacete” lembra outra expressão mais popular ainda e tragicamente chula, pois diz respeito ao órgão sexual masculino.

Vocês, homens e mulheres comuns, de carne e osso, falam assim. Mas não na condição de presidentes da República, dirão os almofadinhas empertigados da imprensa, que se acham verdadeiros lordes, cada um deles se acreditando mais erudito, mais visionário, mais capacitado do que qualquer outro ser humano. Verdadeiros presentes para a humanidade.

É o cacete! Lula é povo, meus caros. É um de nós, que dizemos palavras como “cacete” e “merda” sem acharmos que, com isso, estaremos chocando alguém. Porque no Brasil brasileiro, as pessoas falam assim. Inclusive esses almofadinhas, depois da segunda dose. Daí esqueceram a pose – eles precisam de álcool para virarem seres humanos.

Ah, então presidente não pode dar uma declaração pública usando a palavra “cacete”? Danem-se! Quem decide se a forma de o presidente se manifestar foi adequada ou não é o povo, são os eleitores, e eles acham que presidentes podem falar “cacete”, sim senhor, contanto que lhes melhorem a vida e que estejam próximos ao povo, como Lula.

Essa gente odeia o povo. Não gosta da cor, não gosta do cheiro, não gosta dos traços físicos, não gosta das vozes, não gosta de nada que seja popular, porque o “must”, para esses babacas, é a cultura européia, são as músicas americanas, são aqueles convescotes insossos em que se entra com fome e se sai com fome. E entediado até a raiz dos cabelos.

Eles não entenderam nada. Eles não sabem o que o povo quer. Eles pensam que sabem, mas nem imaginam. O povo quer fazer aquele churrasco cheio de colesterol e tomar a sua cachacinha depois de uma semana de trabalho duro. Quer trocar a geladeira da patroa e quer ver seus filhos entrarem na universidade.

O povo está realizando sonhos, e está realizando porque tem um de seu meio governando o país. Alguém que o povo entende o que fala e que se um dia encontrar irá lhe dar um abraço sem torcer o nariz. Que se deixará tocar e que tocará. Que não se enjoa com colônias baratas e que não sente dor de cabeça ao ouvir vozes um tom que seja acima do sussurrante.

Eles não entendem nada disso. Em troca de realizar sonhos, oferecem ao povo leis draconianas contra fumantes, os quais não incomodam em nada quem tem que se espremer de segunda a sexta por duas horas num coletivo ou num trem de subúrbio cheio de axilas com desodorante vencido.

Lula até poderia se portar como se estivesse no Palácio de Buckingham, se quisesse. Mas não quer e não precisa. O povo gosta de se ver na Presidência. Por isso, talvez nunca mais surja outro político como Lula. O que se espera é que, depois dele, para chegar ao poder os políticos é que tenham que se amoldar ao povo. Não só na linguagem, mas também nos interesses.

Linguagem popular de Lula escandaliza a elite

Zero Hora tenta ridicularizar Lula

Faz tempo que eu digo entre meu círculo de amigos que o destaque que a RBS dá para o Túlio Milman é de envergonhar qualquer gaúcho. Tudo bem que ele se adapta à perfeição ao perfil do grupo. Faz um jornalismo superficial, criminaliza os movimentos sociais, distorce as notícias que não interessam às elites, fala gauchês como ninguém (naquele estilo Zero Hora de catar gaúchos em todas as notícias de todas as coisas que acontecem no mundo).

Mas ele é fraco mesmo nisso. Outro dia entro mais a fundo na questão; o que importa agora é que ele foi bastante eficiente ao menos uma vez. No Informe Especial da Zero Hora de amanhã, ele conseguiu ser preconceituoso no ponto certo, com a sutileza de quem diz claramente o que quer dizer sem parecer, agradando bem direitinho aquela classe média conservadora tão comum no Brasil.

Está lá na página 3 do jornal de domingo, dia 13. “Grandes líderes e suas frases lapidares” é o título da notinha, no pé da página. Fala Gandhi (“Guiarei meu povo até a independência”), Moisés (“Levarei meu povo à terra prometida”), Churchill (“Conduzirei meu povo à vitória”) e Lula (Tirarei meu povo da merda”).

O objetivo da nota é claro como água para quem quer ver: Túlio Milman tenta mostrar quão rude e ignorante Lula consegue ser, comparando-o a outros líderes, de outros tempos. Tenta ridicularizá-lo. Pouco importa para ele que, desses, apenas Lula e Gandhi tenham realmente pensado no povo e tentado tirá-lo da merda. Pouco importa também que a Zero Hora fale merda todos os dias, contribuindo, inclusive, para manter na merda o povo.

Pouco importa para a Zero Hora o que pensa o povo. Se o que o povo mais quer é realmente sair da merda, o que um presidente tem que fazer é tirá-lo de lá. Aliás, pouco importa a forma com que diz isso. Importa, isso sim, a forma com que faz. E convenhamos, se Lula não é o presidente dos sonhos, é de longe o que mais fez para tirar o povo da merda. A mesma merda em que a imprensa tenta atolar o povo cada vez mais, empurrando-o para baixo com força. Só que a força dela está diminuindo. E isso assusta.

Zero Hora tenta ridicularizar Lula

O povo no poder

Alguns depoimentos no twitter confirmam: a vitória de Pepe Mujica, da Frente Ampla, é o povo no poder.

@BetoAlbuquerque: chegando em Montevideu.Impossível chegar ao Hotel.Nas ruas festa da Frente Ampla.Vitória de Mujica Presidente!Bandeiras e militantes.

@DrRosinha: Frase final do discurso de Mujica: ‘Ai daqueles q pensam q o poder está em cima. O poder está no coração das grandes massas’

@DrRosinha: Chove forte e venta muito em Montevidéu. Mujica termina o discurso. Centenas de bandeiras. Uma bela imagem aqui de onde estou.

@DrRosinha: A vitória de Jose ‘Pepe’ Mujica é, definitivamente, a vitória da esquerda e da integração do Mercosul.

O povo no poder

Latino-americanos

Lendo sobre a história da América Latina a gente percebe como realmente o povo daqui sempre foi explorado. Não é uma generalização simplória, não se trata de uma parte da história da região. Desde que os europeus descobriram essa terra que ela se constitui de um sistema de classes de diferenças abruptas. Se em alguns momentos mudam as coisas de lugar, os colonizadores são mandados embora, os caudilhos perdem o poder, os governos caem, é só para substituir por outra forma de exploração. Principalmente os índios e negros, também os mestiços ou mamelucos.

Não importa a forma de governo, mas a sociedade sempre foi, em todos os países, baseada em uma elite de um lado e uma massa dominada de outro. Dominada e explorada, mal-tratada, dizimada. E dominada não por ter se deixado dominar. Ao contrário do Brasil, que teve uma independência pacífica e de mentirinha, no resto da América Latina ela foi fruto de muita luta. Tudo bem, servia aos interesses das elites naquele momento. Das elites e da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Mas o fato é que essas lutas e o caudilhismo que veio depois deixaram como herança uma sociedade de muita luta. Muita violência, muitas revoltas. Lendo tudo isso se torna ainda mais emocionante pensar na conquista que é ter representantes do povo no poder. Principalmente um índio, representante de um povo tão sofrido e tão explorado, como presidente da Bolívia. Não importa nessa divagação o que ele está fazendo no governo, o que todos os bolivarianistas e outros representantes do povo fazem nos seus países. Importa é que o povo chegou lá. E não foi para substituir uma elite por outra. É, de verdade, o povo no poder. Estará acontecendo a segunda independência da América Latina – a independência de verdade – por que clamou o jornalista, poeta e revolucionário cubano José Martí no século XIX?

torres garcia

Latino-americanos