Zero Hora já está em campanha para a Prefeitura de Porto Alegre

Metade da capa de sábado, 10, dividindo espaço apenas com a manchete (que, diga-se de passagem, é uma mensagem de dúvida em relação ao governo do estado, na medida em que manda recortar e guardar a promessa de investimentos em escolas para cobrar depois). Ali está uma foto grande, ainda que, na minha opinião, não muito apropriada, sob o título “O Centro reinventado”. Só é preciso saber juntar dois com dois pra perceber a mensagem (in)direta. Quem é o responsável pelo Centro de Porto Alegre hoje e nos últimos anos?

Nada contra divulgar melhorias, se o que a gente visse nas ruas do nosso bairro histórico fosse de fato tudo isso que a matéria diz. Pois vamos a ela. Lá está, nas páginas 4 e 5, a primeira reportagem que se enxerga ao abrir o jornal, uma “Reportagem Especial” assinada por Erik Farina e Lara Ely. Lendo o que está escrito ali, eu teria ímpetos de largar tudo o que estou fazendo e ir correndo para esse lugar tão legal. Até porque me lembro bem de uma outra matéria, um tempo atrás, no mesmo jornal, que mostrava como os ricaços gaúchos estão voltando a investir na região, não só profissionalmente, mas também comprando seus apartamentos lá (não encontrei o link). E tenho que dizer que não tenho nada contra o Centro. Na verdade, gosto bastante de andar por lá, mas isso desde adolescente. Pena que agora cada vez menos se possa “andar” por lá. E, justamente por isso, fico triste com o que vejo acontecer.

Uma das citações da matéria diz que “O Centro deve se tornar o principal local de convívio social nos próximos anos, atraindo novos negócios”. Duas constatações:

1) como um lugar que cada vez tira mais espaço de pedestres para colocar carros pode ser um espaço de convívio social, se convívio implica em coletivo e carro é um incentivo ao individual? A liberação de algumas ruas antes exclusivas aos pedestres e de mais áreas de estacionamento, como o Largo Glênio Peres, não são sequer lembrados na matéria.

2) a ideia toda da matéria, e que o entrevistado corrobora pela última parte de sua frase (“atraindo novos negócios”), vai de encontro à ideia de convívio social.

Explico: a mensagem toda do texto é extremamente positiva. Mas é um positivo num sentido classe média capitalista. A Zero Hora exalta a ideia de que o Centro está virando um shopping. Oras, shopping não é lugar de convívio social, é lugar de compras. Quem conhece o vendedor da gigante Renner do shopping, como conhecia o da loja de tecidos da esquina? Ninguém interage com o outro no shopping. Não se ampliam as relações sociais nesse ambiente.

Isso sem falar na falácia criada por um texto ardiloso de que as classes A e B estão passando a investir no Centro. Elas frequentam o Iguatemi, o Moinhos, o Barra. Não que eu ache que a presença dos ricaços seja símbolo de recuperação e qualidade, mas enxerguemos a falta de verdade da publicação. Que, aliás, se preocupa em dizer que eles estão frequentando o Centro justamente porque, para ela, os ricaços são, sim, símbolo da recuperação e da qualidade. São eles que levam sofisticação. Se eles não frequentam, está ruim. Mas ruim pra quem, cara pálida?

Acontece que a Zero Hora faz é um jogo de palavras, pra não ser pega na mentira, mas não deixar clara a verdade. Ela diz que as classes A e B estão “voltando a investir no centro histórico”. Mais adiante, fala mais em classe média frequentando os novos empreendimentos. Quer dizer, o dono da Renner está abrindo mais uma loja, mas quem frequenta é o trabalhador do Centro. Está escrito lá, mas de tal forma que numa leitura rápida o leitor entende que os ricaços estão passeando pela Rua da Praia. E aí, fruto de uma sociedade que inverte valores, ele passa a achar o Centro bacana, porque passam a circular carrões.

Ainda no exemplo da Renner, a matéria diz que toda essa retomada do Centro se dá “em harmonia com as características históricas e culturais da região”, em que pese a inauguração da nova super loja de departamentos onde antes ficava a belíssima Livraria do Globo. A justificativa para a afirmação é de que o prédio, tombado, vai ser valorizado. Mas não enxergar que a mudança de uma livraria histórica para uma loja gigante de roupas (daquelas que ficam tocando música e lá pelas tantas gritam que o vendedor Fulano ganhou a meta de vendas do mês) muda tudo é um tanto mal-caráter.

E outra: se o Café à Brasileira, na rua Uruguai, “nunca parou de crescer”, há 15 anos, como ele pode ser exemplo dessa recuperação do Centro que se dá pelas “obras de melhoria dos últimos anos”?

Isso sem falar na contradição entre a cartola e o título, que, desde a última reforma gráfica do jornal, têm quase os mesmos tamanho e destaque. Sob a frase “A volta do charme”, ela diz “Um outro jeito de ir ao Centro”. Como consegue ao mesmo tempo voltar a como era e fazer tudo diferente?

Não fala em “Prefeitura”, mas não precisa. A ideia toda está em criar uma atmosfera positiva em torno da cidade. Foi dessa forma indireta que, durante muitos anos, a mesma empresa de comunicação destruiu a imagem dos movimentos sociais em grande parcela da sociedade. Ela vai, aos poucos, construindo ou desconstruindo ideias, que se colam no imaginário do leitor cotidiano.

Zero Hora já está em campanha para a Prefeitura de Porto Alegre

Raul Pont pode ser o nome de consenso do PT ao Paço Municipal

Por Cristóvão Feil, no Diário Gauche

Na última segunda-feira (15/8) o deputado estadual Raul Pont (foto) participou de reunião na executiva municipal do PT de Porto Alegre para debater as eleições municipais de 2012. Na discussão, vários integrantes da executiva perguntaram ao presidente do PT gaúcho se colocaria seu nome à disposição do Partido para construção de uma candidatura de consenso à prefeitura da capital. Sem rodeios, Raul defendeu a candidatura própria e colocou seu nome à disposição para concorrer no próximo ano. “Não se trata de arrogância ou hegemonia. Seria um brutal retrocesso não ter candidato em Porto Alegre em 2012”, pontuou.

Na avaliação do ex-prefeito da Capital, Raul Pont, as condições estão dadas, e cabe ao Partido construir um nome de consenso. “Criamos a tese, cabe a nós agora apresentar alternativas e meu nome está à disposição para esta construção. Não podemos recusar dirigir esta cidade”, finalizou.

No início do mês de agosto, o PT de Porto Alegre aprovou resolução sobre as eleições 2012. Além da continuidade ao debate da Carta a Porto Alegre, a resolução busca, entre outras coisas, “a unidade partidária, através de um processo de debate e diálogo internos, para construir a nossa candidatura à prefeitura de Porto Alegre de maneira consensual, evitando a realização de prévias”.

——–

De minha parte, insisto na defesa da candidatura própria. Não consigo ver a militância petista atuante na campanha da mesma forma com um candidato de outro partido, e acredito que sem a militância não se ganha eleição. Além disso, como afirmou Raul Pont, seria um retrocesso o PT não ter candidato próprio. O partido cresceu muito, tem governo do estado e Presidência da República, e é a legenda com mais condições na esquerda porto-alegrense de sustentar o embate nas eleições e de governar com tranquilidade e competência.

Raul Pont pode ser o nome de consenso do PT ao Paço Municipal

Entidades apontam irregularidades no projeto de transferência de famílias da Vila Chocolatão

Hoje, prefeitura e União assinam termo de compromisso para formalizar remoções

Nesta segunda-feira, às 15h30min, a Prefeitura de Porto Alegre, o governo federal e o Ministério Público Federal assinam o termo de compromisso que formaliza o início das remoções dos moradores da Vila Chocolatão. O terreno onde 225 famílias estão, muitas delas há cerca de duas décadas, é do Centro Administrativo Federal de Porto Alegre. As primeiras 180 famílias devem ser transferidas a partir desta quinta-feira para casas já prontas no final da avenida Protásio Alves.

Outras 20 famílias serão incluídas em um loteamento na Restinga, dentro do Programa ‘Minha Casa Minha Vida’. Enquanto as casas não ficam prontas, os moradores receberão o aluguel social.

No local, deve ser construído um estacionamento para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e um novo prédio para o Ministério Público Federal. A Associação de Geógrafos Brasileiros, em parceria o SAJU da UFRGS, realizou Laudo Técnico Socioeconômico que apontou problemas. Segundo o documento, o projeto do Departamento Municipal de Habitação não prevê moradia para 25 famílias.

Além disso, na área de assentamento, faltam estruturas públicas de saúde, educação e assistência social, porque a região já tem alta densidade demográfica, com mais de quatro mil habitantes por quilômetro quadrado. Outra irregularidade é que o galpão de reciclagem que está sendo construído com estrutura para o trabalho de 50 pessoas e não as 650 que sobrevivem do reaproveitamento de resíduos.

O relatório constatou que a creche da área de assentamento ficará pronta somente em agosto. Até lá, cerca de cem crianças terão de ficar em um espaço provisório de 40 metros quadrados.

O Grupo de Assessoria Jurídica Popular, que faz parte do SAJU, trabalha na Vila Chocolatão há três anos. Conforme o integrante do grupo, Marcelo Azambuja, a falta de estruturas sociais e de geração de renda deve fazer com que a maioria dos moradores volte para o Centro.

“Nós já temos notícias de que existem pessoas da comunidade que já venderam as casas destinadas para elas no final da Avenida Protásio Alves. Uma população, que era moradora de rua e formou uma comunidade, se for retirada de onde se acostumou a obter seu sustento através de material reciclado, vai certamente voltar para o centro de Porto Alegre”, pondera.

A Associação de Geógrafos Brasileiros e o SAJU pediu, em ofício enviado à Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores, Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal para que não haja remoções com o uso da força policial, o que teria sido sinalizado pela prefeitura na semana passada. Além disso, as entidades enviaram pedido de esclarecimentos sobre a pressa da prefeitura em remover as famílias, já que as casas, creches e outras instalações públicas sequer estão prontas. Além disso, foi feita denúncia no Ministério Público do Trabalho a respeito da possibilidade de desemprego.

Fonte: Marjuliê Martini/Rádio Guaíba

Entidades apontam irregularidades no projeto de transferência de famílias da Vila Chocolatão

Zero Hora em campanha por Ana Amélia

Zero Hora esperou apenas a trégua dos 100 dias de início de governo para começar a campanha para as próximas eleições.

Depois de muito negar, a representante da RBS e integrante da bancada ruralista no Congresso nacional, Ana Amélia Lemos, admitiu a possibilidade de disputar a prefeitura de Porto Alegre ou o governo do estado.

O que era óbvio até para as pedrinhas da calçada, quanto mais para o grupo de comunicação que geriu a política Ana Amélia, foi finalmente admitido pela senadora e pelo jornal, na Página 10 de hoje (29). Favorecida pela imagem repetida à exaustão durante décadas na telinha, a política agora chega com fome para disputar com a esquerda e levar o PP e os interesses de seus principais representados, os latifundiários, para a cadeira do governador.

Zero Hora em campanha por Ana Amélia

Qual o futuro dos moradores da Vila Dique?

Do RS Urgente:

A geógrafa Lucimar Fátima Siqueira registra sua preocupação, no Blogue Blue, com a situação dos moradores da Vila Dique, em Porto Alegre, uma das áreas diretamente atingidas pela ampliação da pista do Aeroporto Internacional Salgado Filho. “Entulhos foi o que sobrou das casas dos moradores que agora estão reassentados, vivendo de aluguel social ou acomodados em casas de passagem no local do reassentamento porque a construtora não está cumprindo com o cronograma”, escreve. Ela registra, com certo espanto, a declaração do diretor geral do Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB), Humberto Goulart, sobre a área e os moradores: “Hoje ou amanhã a Infraero pode começar as obras. Mas não deixe para depois de amanhã, pois pode haver outra ocupação aqui”.

Essa declaração, observa Lucimar, destaca que o mais importante é o cumprimento dos acordos que viabilizam os negócios envolvendo a Copa do Mundo, não a questão habitacional e a preocupação com as condições de vida dos moradores da Vila Dique. “Se a área foi liberada e os moradores saíram, que importa em que condições vivem agora? E o que acontecerá com as famílias que ficaram na Vila Dique por não estarem na área das obras da pista? ” – pergunta a geógrafa.

Qual o futuro dos moradores da Vila Dique?

Copa 2014 justifica qualquer transformação em Porto Alegre

Ando muito focada nas questões do estado, mas Porto Alegre está pedindo socorro. Tem muita gente gritando a ameaça que nossa cidade vem sofrendo nos últimos anos e continuará sofrendo nos próximos. Muita gente gritando, mas nossa imprensa se porta tal qual aqueles três macaquinhos: não ouve, não fala, não vê.

Mudanças grandes na capital já estão sendo aprovadas, boa parte às escondidas, de modo que ninguém fique sabendo. Terrenos públicos transformam-se em terrenos privados sem o aval de seus donos, os porto-alegrenses. Foi o que aconteceu com o espaço em que será construída a nova arena do Grêmio, por exemplo. Arena, estacionamento, hoteis, shopping. Todos os novos projetos vêm acompanhados de shoppings, como se já não consumíssemos mais que o suficiente.

Tudo agora passa pela desculpa da Copa do Mundo de 2014. Tudo se justifica, até o que não tem nada a ver com futebol.

A Copa traz uma injeção de recursos enorme a Porto Alegre. Engraçado, né, vão acontecer uns dois ou três jogos, provavelmente não entre os países de mais tradição no futebol, e toda a cidade muda para se adaptar a esses dois ou três dias, que rapidamente passam e se esquecem.

Times de futebol ou empresas? Que interesses movem uma Copa do Mundo? Amor pelo esporte ou negócios? It’s just business, suponho.

Quem vibra, pula, comemora, brinda, se esbalda são as construtoras. A especulação imobiliária corre solta.

Em vez de aproveitarmos os recursos da Copa para investirmos em saneamento básico, em planejamento urbano de verdade – que inclua os moradores da periferia, não os jogue para mais longe -, usamos esses recursos para alargar avenidas sem avaliação das consequências para a cidade, para alterar índices construtivos sem discussão, para ceder a todos os interesses das grandes empresas, em suma.

A Vila Dique será removida para a ampliação do aeroporto. Perfeito, necessário. Mas alguém sabe para onde ela vai? Lá atrás do Porto Seco, ainda mais longe, é possível que tenham condições melhores de saneamento e de habitação, mas como se deslocarão para o trabalho? Onde encontrarão trabalho?

Não podemos usar as péssimas condições atuais dos moradores dessas áreas periféricas para justificar esse tipo de mudança. É como aquela história de que tínhamos que construir prédios no Pontal do Estaleiro porque o terreno estava abandonado. Quer dizer, o poder público deixa de cumprir com sua obrigação – no caso em questão agora, fornecer condições dignas para as pessoas – e usa sua inação como desculpa para aprovar projetos controversos.

Repito: é preciso incluir, não excluir ainda mais.

Várias remoções vão sendo feitas. Todas jogam as pessoas para mais longe. E aí eu pergunto: por que eu tenho direito de morar no Menino Deus, do lado do Centro, e o cara da Vila Dique tem que ir parar na putaqueopariu? O que me diferencia desse ser humano, tão ser humano quanto eu? Provavelmente nossa única diferença é que eu tive a sorte de nascer por aqui e ele não. Predestinação? Não, injustiça.

Mas nossa mídia louva as transformações que tornam os desiguais ainda mais desiguais. Principalmente quando ela tem interesse direto na especulação imobiliária. No Rio Grande do Sul, por exemplo, dificilmente uma RBS, a cujos donos pertence também a construtora Maiojama, vai criticar que a Câmara dos Vereadores e a Prefeitura liberem mais espaço para construção e com maiores índices construtivos.

É engraçado, contudo, que os mesmos que criticam as iniciativas de criação de um Conselho de Comunicação – que impediria, inclusive, essas distorções na informação baseadas em interesses privados, como os da RBS – são os que defendem incondicionalmente tudo o que diz respeito à “modernização” da Copa do Mundo. Todas as alternativas excepcionais que envolvem os jogos são aplaudidas. Inclusive a inconstitucional restrição à liberdade de expressão exigida pela Fifa, que proíbe intervenções de protesto contra os jogos enquanto eles acontecem. Não poderemos sequer vestir uma camiseta que contrarie a idolatria ao futebol, ao “progresso”, à CBF, à Fifa. Caso fizermos algo do gênero, rola prisão sem direito a fiança até o fim da competição. Quem censura, afinal?

Muita coisa envolve a Copa do Mundo de 2014, direta ou indiretamente. Temos um caminho longo até lá, mas as mudanças já estão acontecendo. É preciso estarmos atentos agora. Se deixarmos para nos preocupar às vésperas, as leis estarão mudadas e já não reconheceremos mais nossa cidade. O tema voltará por aqui, certamente.

————-

Charge de Eugênio Neves.

Copa 2014 justifica qualquer transformação em Porto Alegre

Mercado Público de Porto Alegre desencoraja o uso da bicicleta como transporte

Post atualizado dia 30/11, às 19:36:

O resultado da falta de visão do governo Fo-Fo é o absurdo relatado pelo blog Massa Crítica. Ao mesmo tempo em que dá seguimento a uma política de construção desenfreada, defendendo que sejam erguidos grandes complexos onde o trânsito não tem mais por onde escoar, desencoraja o uso da bicicleta como meio de transporte. Vejam bem, não é que não incentiva, é pior: quer que os poucos corajosos desbravadores das ruas de Porto Alegre parem de usar o meio de transporte mais eficaz e ecologicamente correto para distâncias não muito longas. Segue o relato:

Na última quinta-feira, dia 25 de novembro, fomos como de costume fazer compras no Mercado Público de Porto Alegre em nossas bicicletas. Porém, como havia uma feira no largo Glênio Peres, não pudemos acorrentar nossas bicis nos postes da área e decidimos, na falta de local mais adequado, prendê-las nos portões do Mercado.

Fizemos nossas compras tranqüilamente e quando retornamos para pegar nossas bicicletas veio a surpresa: além da nossa corrente, havia outra corrente prendendo-as ao portão. No final das contas descobrimos que o cadeado era da equipe de segurança do Mercado e que eles possuem a ordem de acorrentar as bicicletas para desencorajar a prática. Indignados, mandamos um e-mail para a coordenação do Mercado Público, com cópias para vários e-mails da SMIC (Secretaria Municipal de Indústria e Comércio) e recebemos a seguinte resposta, no qual a responsável nos diz para deixar nossas bicicletas para momentos de lazer ao ar livre e não para utilizá-la como transporte para ir até o Mercado Público:

Em 29 de novembro de 2010 15:47,
<…@smic.prefpoa.com.br> escreveu:

Boa tarde.

Entendemos sua indignação mas, em uma cidade como Porto Alegre, onde não é habitual usar bicicletas como meio de transporte, uma situação como o ocorrido não é de surpreender.
Não estamos preparados para receber ciclistas e nem há previsão de bicicletário no Mercado Público. Não existem avisos por ser considerar-se óbvio que, em local público, não seja esperada a visitação acompanhada por bicicletas ou animais domésticos não havendo, portanto, um local que seja adequado ou seguro para deixá-los.
A orientação de prender ou apreender bicicletas é utilizada para desencorajar e advertir a prática, pois não podemos ser responsáveis por possíveis danos ou mesmo roubo que possam  ocorrer.
A partir de seu contato, pensaremos em soluções adiantando que tais  projetos precisam de um prazo razoável de avaliação.
Pedimos que considere as medidas tomadas não como grosseria, mas como um meio de proteger seu patrimônio pessoal.
Não deixe de vir ao Mercado  para prestigiar Eventos, fazer compras ou passear. Deixe sua bicicleta para aproveitar momentos de lazer ao ar livre. Já conseguimos progressos em construir ciclovias. Como vê, estamos “chegando lá”.
Esperamos sua compreensão.
Att
Coordenação de Próprios / SMIC

Alô, Prefeitura! Alô, Mercado Público! Ninguém quer que vocês se responsabilizem por possíveis danos a nossas bicicletas, só queremos um local apropriado para deixá-las enquanto fazemos nossas compras.

“Deixar nossas bicicletas para momentos de lazer ao ar livre”? É essa a visão da Prefeitura Municipal de Porto Alegre?

Se por acaso, alguém que vier a ler esse post, e também ficar indignado com isso, por favor, clique aqui para mandar um e-mail manifestando a sua opinião para nossos, assim chamados, “dirigentes”.

——————-

A seguir, as respostas fornecidas pela Prefeitura de Porto Alegre. Vale ressaltar que, entre uma e outra houve diversos comentários e reclamações. Para acompanhar a discussão, leia o post original.

Que feio, pessoal.

Sou responsável pela resposta ao e-mail e estou segura de não ter cometido abusos. O entendimento “desencorajar a utilização da bicicleta como meio de transporte” não é verdadeira. Já retifiquei e a expressão “desencorajar” se refere a deixar bicicletas de maneira incorreta “estacionadas” no interior do Mercado não havendo aquí um biciletário. Nunca, em tempo algum, houve intenção de desrespeitar direitos, mas é necessário haver regulamentos. Nada impede, porém, sejam feitos ajustes após avaliação da viabilidade que conforme já citado não poderá ser de imediato. Mobilizar a opinião pública de forma distorcida, não é correto. Há meios de se conseguir se fazer entender e exercer nossos direitos de cidadão requisitando para o Poder Público o que nos é necessidade.

E qualquer acusação tem por direito a defesa. Eis aquí, a minha.

Atenciosamente

Angélica

Bom dia, Fred.

Perdoe. Minhas palavras foram colocadas de modo incorreto. A dimensão do entendimento foi superior ao que tentei passar. A Prefeitura não é, em absoluto, contra a utilização de bicicletas. Quiz dizer da dificuldade do Mercado no momento, por ainda não possuir bicicletário e do prazer e segurança em se utilizar ciclovias. Estamos trabalhando para que não aconteçam mais transtornos aos frequentadores do Mercado. Esta polêmica será válida para que se reformule o regulamento. Logicamente, está assegurado o direito de ir e vir utilizando o meio de transporte que mais lhe convenha.

Lamento ter sido infeliz na resposta.

Att.

Angélica Paiva Pereira

Senhores Munícipes:

Tomei ciência da resposta dada por uma servidora do Mercado Público acerca da questão das bicicletas. Apresso-me em desculpar-me com todos os que escreveram à SMIC, alguns indignados, informando que foi uma posição pessoal da colega, que não representa a visão da Secretaria, nem do Governo. A seguir, compartilho nossa visão:

A) É necessário sim o estimulo a transportes alternativos, tanto no diz respeito à qualidade de vida, especialmente no que concerne ao meio ambiente. No caso das bicicletas também uma melhor saúde;

B) De fato o Mercado Público não dispõe de uma estrutura que acomode as bicicletas. Já determinei que providências sejam tomadas no sentido de disponibilizar o mais breve possível um bicicletário;

C) Vale lembrar, sem querer apontar culpas ou responsáveis, que o Mercado tem 141 anos, e que até hoje governos de todas as matizes ideológicas ainda não haviam se apercebido desse lapso, que o presente episodio ajuda a aclarar;

D) Importante registrar também que a origem desse problema de agora, deveu-se ao fato de que uma bicicleta foi acorrentada em um dos portões do Mercado Público, o que também não é correto. Mas compreendemos que certamente isso ocorreu pela indisponibilidade do equipamento adequado para a guarda das bicicletas;

E) Eu próprio, como vereador e líder em 2009, fiz incluir na ordem do dia da Câmara de Vereadores a votação – e trabalhei pela aprovação – do Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre;

Reiterando nossas escusas, lamento somente o teor de alguns e-mails, que se valem de adjetivos e excessos que certamente não contribuem para a construção de caminhos positivos, imputando ao Governo, como disse anteriormente, o equivoco de uma servidora, que também não pode ser condenada por isso. Precisamos exercer a virtude da tolerância.

Por último, dizer que é visão desta secretaria e sob, o comando do Prefeito Fortunati, prestarmos um serviço público eficiente, ouvirmos o cidadão, corrigirmos equívocos e a cada dia tentarmos melhorar nossa cidade.

Atenciosamente,

Valter Nagelstein

Secretário Municipal da Produção, Indústria e Comércio.

Mercado Público de Porto Alegre desencoraja o uso da bicicleta como transporte