Tudo tem limite

Concordo, tem que lutar contra certos abusos, defender suas causas, reivindicar, criar organizações, movimentos, agregar pessoas.

Mas tudo tem limite, e às vezes as pessoas ultrapassam o bom senso. Essa de processar o Gabriel García Márquez por apologia à prostituição infantil por ele ter vendido os direitos de Memória de Minhas Putas Tristes para fazer um filme é demais. A iniciativa foi da ONG Coalizão Regional Contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e Caribe (CATW-LAC).

É preciso cuidado pra não ficar cego tentando enxergar demais.

A informação é da Folha de S.Paulo.

Tudo tem limite

Assessoria de imprensa

O mundo dá voltas, né? Agora está todo mundo falando no Paulo Feijó e no Rubens Bordini. Um tempo atrás, comecei a trabalhar na assessoria de imprensa do Banrisul e, confesso, nunca tinha ouvido falar do tal Bordini. Quando leio as matérias da Zero Hora falando de todo esse fuzuê do vice-presidente do Banrisul e do vice-governador, fico pensando sempre na trabalheira que seria se eu ainda estivesse trabalhando no banco. O corre-corre, as ligações de jornalistas, minha chefe enlouquecida.

Não preciso de muito mais que dois neurônios pra saber que o tesoureiro da campanha da Yeda santo não é. Mas é engraçado que dentro do Banrisul, por mais que se soubesse disso, ninguém nunca ousava falar, nem aos cochichos com o colega mais próximo. Durante as conversas, mesmo as particulares, todos os diretores do banco eram tratados como super sérios, equilibrados, responsáveis, alguém a se defender com unhas e dentes. Certo, o papel da assessoria de imprensa é essa, e minha chefe não teria sido contratada se não levasse essa responsabilidade a sério. Mas o resto dos profissionais era de estagiários e funcionários públicos. Os estagiários passam por ali, ficam um tempo e não criam esses laços com o lugar. Alguns mais, outros menos, mas é possível manter um distanciamento e um espírito crítico. Mas os funcionários públicos… Não consigo entendê-los direito. Estão lá há anos, décadas. Passaram por diversos governos. PMDB, PT, PMDB de novo, PSDB. Já viram de tudo. Será que foram sempre assim? Fico me perguntando se em todos os governos eles eram a favor, os melhores amigos do presidente atual do banco. Um concurso público anula o espírito crítico das pessoas?

Além disso, tem todo o papel da assessoria de imprensa de um modo geral. Que me desculpem os assessores, mas isso não é Jornalismo. Isso não é sequer Relações Públicas. A menos que essa profissão – não falo dos profissionais, que aí temos muitos, nas mais diversas áreas, mas da profissão mesmo, de seus objetivos – se configure por uma prostituição. Porque para camuflar todo o seu pensamento, sua ideologia, sua forma de ver o mundo, em prol de informações forjadas, releases construídos, notícias manipuladas, o profissional tem que ter um desapego muito grande de si mesmo. Tem que se detestar, entregar o que tem de mais íntimo. É ou não uma prostituição? E o pior é que muitos se entregam dessa forma sem nem terem consciência do que estão fazendo. É tão… triste.

Assessoria de imprensa