Unesco avalia qualidade do jornalismo no Brasil

O que é qualidade no jornalismo?

Em busca da resposta a essa pergunta e de pôr em prática as conclusões, a Unesco publica estudos voltados para a qualidade no jornalismo praticado no Brasil e a visão dos jornalistas a respeito do tema. Indicadores de qualidade são apontados, ao mesmo tempo em que a instituição defende um marco legal para a profissão, que encontra resistências que precisam ser ultrapassadas, segundo a Unesco.

“O objetivo de desenvolvimento do Brasil é proporcionar a todos os brasileiros o acesso à informação de qualidade e ao conhecimento, em ambiente pluralista, com liberdade de imprensa e de expressão.”

Os arquivos podem ser baixados em pdf através dos seguintes links:

Qualidade jornalística: ensaio para uma matriz de indicadores, de Luiz Augusto Egypto de Cerqueira

Sistema de gestão da qualidade aplicado ao jornalismo: uma abordagem inicial, de Josenildo Luiz Guerra

Jornalistas e suas visões sobre qualidade: teoria e pesquisa no contexto dos “Indicadores de Desenvolvimento da Mídia” da UNESCO, de Danilo Rothberg

Indicadores da Qualidade no Jornalismo: políticas, padrões e preocupações de jornais e revistas brasileiros, de Rogério Christofoletti

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Unesco avalia qualidade do jornalismo no Brasil

Direto da Carta Capital, a matéria sobre o terreno da Fase

Minha matéria sobre o imbróglio do terreno da Fase, do jeitinho que saiu na Carta Capital. A íntegra? Mais adiante… Aguardem.

Os craques da especulação

RIO GRANDE DO SUL | Estudo aponta riscos socioambientais na desapropriação de área no entorno do Beira-Rio

POR CRISTINA P. RODRIGUES

Espremida entre um conjunto de prédios de luxo passa a avenida-símbolo da Copa do Mundo de 2014 para os gaúchos. O bucólico lago Guaíba, historicamente chamado de rio, a menos de 200 metros de distância, sumirá da vista. Se tudo correr como planeja o governo estadual, esse será o cenário da avenida Padre Cacique, espécie de versão rio-grandense da espalhafatosa Dubai.

O projeto de transformação da avenida movimenta lobbies e forças poderosas. Em uma das margens, justamente na área hoje ocupada pelo estádio Beira-Rio, a Câmara de Vereadores aprovou a construção de empreendimentos de até 42 metros de altura. Na outra, o governo tenta repassar à iniciativa privada um terreno no qual caberiam 93 campos do tamanho do estádio vizinho.

Com uma área de mais de 720 mil metros quadrados, o terreno e algumas construções são um patrimônio ambiental e cultural da cidade. À necessidade de preservação ambiental de vegetação nativa e de um prédio construído por D. Pedro II soma-se o direito legítimo de cerca de 4 mil famílias que moram no local. Tudo isso em uma das regiões mais valorizadas da capital gaúcha.

Um estudo encomendado pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) à Fundação Zoobotânica, ambos órgãos do governo estadual, recomenda a preservação ecológica da área. A maior evidência de que há interesses maiores por trás da história está nesse relatório. Não só pelo seu conteúdo, mas pela atitude do governo ao proibir seus funcionários de divulgar as informações. Apesar da tentativa de ocultação, CartaCapital teve acesso ao trabalho.

O relatório proibido revela que mais da metade do espaço ainda está bastante conservada, mantendo as características de mata e campo nativos, e que a área é uma das últimas a possuir resquícios de vegetação original e característica dos morros de Porto Alegre. O terreno abriga 17 espécies vegetais com status de conservação em ambiente natural, algumas ameaçadas de extinção, nascentes e cursos d’água. De acordo com a bióloga Andréia Carneiro, da Fundação Zoobotânica, “a área é da população e é muito nobre. Se houver algum tipo de construção, vai alterar a paisagem da cidade”, com prejuízos aos bairros do entorno.

Um dos prédios ocupados pela sede da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), a antiga Febem, é patrimônio histórico e cultural. Foi construído no século XIX por dom Pedro II para abrigar uma escola, cujo nome, Santa Thereza, em homenagem à esposa do imperador, batizou o morro e o bairro em que está localizado. O projeto original do prédio é do arquiteto francês Granjean de Montingny, um dos introdutores do estilo neoclássico no Brasil.

Em dezembro de 2009, a governadora Yeda Crusius encaminhou um projeto de lei à Assembleia Legislativa com o supostamente nobre objetivo de descentralizar a Fase. O terreno no número 1.372 da avenida abriga seis sedes da instituição, com atendimento a 588 crianças e adolescentes. O Projeto de Lei 388/2009, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia gaúcha já obteve parecer favorável do deputado Iradir Pietroski (PTB) e visa permitir “alienar ou permutar imóvel”. Segundo Pietroski, não há impedimento legal. “Aqui não discutimos o mérito, apenas a constitucionalidade, e o PL não é inconstitucional”, afirma.

O deputado estadual Raul Carrion (PCdoB) não concorda. “O projeto precisa ser refeito. Mesmo do ponto de vista legal, há problemas, porque há famílias que, pelo Estatuto da Cidade, têm direito a morar lá.” As informações sobre a quantidade exata de ocupantes varia de 10 mil a 20 mil, de acordo com o interlocutor. Para o diretor do departamento de Direitos Humanos da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social do estado, Plínio Zalewski, mal chegam a 10 mil. “Quero resolver o problema da Fase e das famílias. Se precisar vender a área para isso…”

A justificativa apresentada pelo governo é a adequação da Fase ao Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), uma complementação do Estatuto da Criança e do Adolescente que tem como objetivo conceder mais dignidade no tratamento aos menores.

Mas o texto do PL não explica de que forma isso será feito. A presidente da Associação dos Funcionários das Fundações Estaduais de Proteção Especial e de Atendimento Sócio-Educativo, Elizabeth Arruda, defende um projeto de descentralização que garanta o atendimento aos jovens em locais próximos de suas residências, para facilitar a reinserção na sociedade, o que não acontece no Rio Grande. “Mas é preciso discutir a forma com a sociedade. Com esse projeto, não temos garantia de continuidade do trabalho, não se sabe se vai ter infraestrutura, equipamentos, manutenção. Estou temerosa, provavelmente pessoas se beneficiem em nome dos adolescentes, que são uma cortina de fumaça nessa história”, adverte. “Nós não gostaríamos que fosse feita a permuta.”

Em frente ao estádio que vai abrigar a Copa do Mundo, a cerca de 10 minutos do centro, no caminho para o turístico Museu Iberê Camargo e para o recente BarraShoppingSul, o terreno está em área de enorme valorização imobiliária. Praticamente na beira do Guaíba, tem uma vista deslumbrante e é uma das regiões mais cobiçadas pelas construtoras. O imóvel se insere no regime urbanístico como área especial de interesse institucional, por possuir órgãos públicos, e como área especial de proteção ambiental. Pelo Plano Diretor de Porto Alegre, isso quer dizer que não há restrições claras quanto à ocupação do terreno ou à altura das edificações. Qualquer projeto deve passar por um estudo de viabilidade urbanística.

Segundo Zalewski, não cabe ao governo fixar o valor do imóvel, a cargo do processo licitatório. Estima-se que a área valha entre 80 milhões e 360 milhões de reais. “O estádio dos Eucaliptos (antiga sede do Internacional, a poucas quadras de distância) tem dois hectares e está à venda por 20 milhões”, compara Nádia Pacheco, da Associação de Moradores da Padre Cacique, uma das cinco vilas que ocupam o terreno. Se for levado em conta esse valor, a área em questão valeria 720 milhões de reais.

Uma audiência pública realizada em 11 de março pela Comissão de Serviços Públicos da Assembleia Legislativa decidiu criar um grupo de trabalho para esclarecer várias informações. Entre elas, o valor real do imóvel. Mas nenhum representante do Executivo compareceu à primeira reunião, em 5 de abril, quando integrantes do Legislativo, de movimentos sociais, de sindicatos e dos moradores da área apontaram as falhas no projeto e pediram a sua reformulação.

Direto da Carta Capital, a matéria sobre o terreno da Fase

Publiquei na Carta Capital, viu?

Momento auto-propagandístico. Um texto assinado por essa que vos fala ocupa as páginas 34 e 35 da edição de Carta Capital que chega às bancas hoje. É sobre o terreno da Fase, que o governo estadual está querendo cometer o crime de entregar para a iniciativa privada. Fico muito feliz e agradeço muitíssimo à Carta por me ceder o espaço. Fiz apenas uma tentativa de contato e eles abriram as portas para mim, uma ilustre de conhecida, de cara.

Mas vou ter que fazer algumas ressalvas, até para me resguardar (ok, ninguém lê o Somos andando, comparando com o número de leitores da Carta Capital, mas pelo menos fica um registro oficial).

O texto era muito grande e entendo que fosse diminuído. De um modo geral, isso até foi bem feito. Perdeu um pouco, é claro, mas não tem como ser diferente. Em momento oportuno, publico na íntegra nesse espaço em que cabe tudo conhecido como internet.

Só que algumas questões são importantes de destacar. O primeiro parágrafo do texto, embora eles tenham aparentemente tentado manter a ideia original, mudou bastante, inclusive o sentido do que eu digo. Algumas informações ficaram erradas, e são as que vou destacar aqui, apenas para registro.

Quando diz que “caberiam 93 campos do tamanho do estádio vizinho”, tem que ficar claro que no terreno caberiam 93 campos, sim, do tamanho do campo do Beira-Rio, mas não do tamanho do estádio. Só do campo, aquele delimitado pelas quatro linhas brancas.

De resto, o texto ficou bacana. Conseguiu manter o estilo do original, em uma edição bem feita. Os outros dois detalhes estão na legenda das fotos e no olho. Uma chama Plínio Zalewski de secretário, dando-lhe mais poder do que dispõe o diretor do Departamento de Direitos Humanos da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social. O detalhe do olho fica por conta do termo “leiloar”. Em nenhum momento falei em leilão, mas em permuta ou alienação, como fica claro no texto.

Mas insisto, agradeço muito à revista pelo espaço concedido não apenas a mim (que fico feliz de assinar um texto naquela que considero uma das melhores, senão a melhor publicação do país), mas ao estado do Rio Grande do Sul, que ganha divulgação para um fato grave que a mídia daqui não dá.

Quer ler mais? Vai comprar a revista, ora bolas…

Publiquei na Carta Capital, viu?