Dilma nomeia Lula chefe de missão na África

Nada mais justo. A presidenta Dilma nomeou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chefe da missão especial do governo brasileiro para a XVII Assembleia Geral da União Africana, em Malabo, na Guiné Equatorial, de 28 de junho a 1º de julho de 2011.

O encontro reúne os países africanos para promover integração, cooperação, desenvolvimento e paz no continente. O tema este ano é “Empoderamento da Juventude para o Desenvolvimento Sustentável”, bastante perspicaz, condizente com o momento que vivemos.

Digo que é justo porque Lula foi o presidente que mais promoveu a relação do Brasil com a África, que ampliou consideravelmente o número de embaixadas, que aumentou os programas de auxílio e cooperação nos países africanos. Isso porque Lula desenvolveu em seu governo uma política externa extremamente inteligente e, acima de tudo, solidária. Que encontrou nas nações-irmãs do Sul do mundo a possibilidade de fortalecer os países “emergentes” e, com sua incrível capacidade de agregar, contribuiu de forma decisiva para inverter a lógica da geopolítica mundial e fazer o mundo inteiro virar os olhos para os países deste lado de baixo do mundo.

A relação de profunda cooperação com a África foi, pois, uma das partes mais visíveis de uma política externa coesa, altiva, estratégica e generosa.

Dilma nomeia Lula para agir no setor em que seu governo teve mais desenvoltura e menos erros. É um duplo acerto, ao prestigiar o ex-presidente e ao garantir a continuidade de um trabalho que dava certo. Que se reflita em todo o resto das relações internacionais de seu governo.

Anúncios
Dilma nomeia Lula chefe de missão na África

A visita de Obama e o retrocesso da política externa brasileira

Comentei aqui que era bastante significativo o fato de o presidente dos EUA vir ao Brasil depois de elegermos uma nova presidenta, e não o contrário, como seria de praxe. Disse ainda que eram eles, os quebrados americanos, que agora precisavam mais da nossa ajuda, e não nós da deles.

Não mudei de opinião. O que faltou foi o Planalto se dar conta disso e agir de acordo.

Diversas vezes, disse também que a política externa do governo Lula era a área que contabilizava mais acertos em todo o governo. Celso Amorim é reconhecido internacionalmente pela competência na execução da política. O mais fundamental foi a decisão do governo de recuperar a altivez do Brasil, valorizar sua soberania e conversar com o resto do mundo de igual para igual – como, aliás, deveria ser em todas as relações, de toda e qualquer nação.

Nos tempos de Lula e Amorim, nenhum representante do governo brasileiro foi submetido a constrangimentos, como o passado por Celso Lafer, o ministro de Fernando Henrique que tirou os sapatos para entrar nos Estados Unidos.

Agora o governo Dilma retrocede e, apesar da demonstração americana de interesse e respeito pelo Brasil ao vir para cá, baixa a cabeça para a comitiva de Obama. Guarda em casa a altivez conquistada por Lula. Antônio Patriota abre a lixeira para ir despejando aos poucos as conquistas de Celso Amorim.

Nossos ministros foram revistados por americanos em território brasileiro para participar de evento com Barack Obama. Em cima da hora, por medo de vaias, a comitiva de Obama desiste do discurso em público e o Theatro Municipal é obrigado a cancelar sua programação para receber o presidente americano. Moradores da Cidade de Deus são obrigados a sair de suas casas (!!) para a passagem de Obama pela favela. Isso sem falar que foi daqui que Obama ordenou a invasão à Líbia.

O problema não é demonstrar prestígio a um presidente de outra nação. Tampouco criar condições especiais para que uma cidade receba uma liderança assim com segurança e conforto, fazendo-lhe algumas de suas vontades. O problema está no nível das exigências feitas por essa liderança e a necessidade de o país se rebaixar para cumpri-las. Isso um governo soberano não pode deixar acontecer.

Humilhados moradores e ministros, Obama impõe a política agressiva de cunho imperialista a que os Estados Unidos estão acostumados há séculos e que o Brasil lutou de forma contundente por oito anos para mostrar que não se sujeitaria a ela.
É só ver os elogios ao governo destilados pela GloboNews e o resto de nossa imprensa conservadora e vassala que salta o alerta de que algo está errado.

Torçamos para que seja inexperiência ou mal-entendido, o que não parece. Se assim for, o mal existe, mas há tempo de consertá-lo. O problema é se essa for a orientação da política de relações internacionais do nosso Ministério. Aí vemos naufragar o motivo de maior orgulho que o Brasil pode ter de Lula frente ao restante do mundo.´

Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República / Divulgação

A visita de Obama e o retrocesso da política externa brasileira

A corda é mais fraca para Brasil ou EUA? Depende de quem conta

É comum, embora não recomendável, que os meios de comunicação se contradigam em suas diferentes edições, de acordo com as conveniências do momento. Mas, quando a contradição aparece no mesmo parágrafo de um mesmo texto, acaba virando descaramento.

A página 4 da Zero Hora de hoje (18) diz que o mais esperado seria que “um presidente brasileiro recém-eleito visitasse o vizinho mais poderoso”, de acordo com a “liturgia do poder”. Ou seja, é normal que o fraco puxe o saco do forte para não apanhar. Eis que aparece, na frase seguinte, a interpretação do que acontece este fim de semana no Brasil: Obama vem ao nosso país para poder definir a agenda. Ela conta ainda que é praxe que os visitantes definam o tema e o ritmo dos contatos.

Em apenas um parágrafo, a repórter Marta Sfredo diz que não temos saída: ou o Brasil é subserviente indo aos Estados Unidos babar sobre o presidente da ex-superpotência, mesmo definindo sobre o que e com quem conversar, ou é vassalo ao se submeter à agenda definida pelos americanos. A repórter não diz qual é a solução para a equação, mas a única alternativa que resta é romper relações ou se encontrar no meio do oceano – descarto a possibilidade de a conversa ocorrer em outro país porque a escolha do território do presidente x ou y pode ter um significado mais favorável ao Brasil, ou mais provavelmente, aos Estados Unidos.

Lula se elegeu e foi conversar com Bush em Washington. Dilma se elegeu e recebe a visita de Obama em Brasília. Uma inversão extremamente significativa. Pode não ter consequências práticas imediatas, quiçá até de médio e longo prazo. Mas representa uma mudança na correlação de forças da geopolítica mundial. Não há mais um país que domine todos os outros, e o Brasil não é mais uma nação emergente sempre mendigando para ganhar qualquer espaço. O cenário não é mais hegemônico, sequer bipolar. Vivemos hoje em um contexto de multipolaridade, que foi conquistado pelos emergentes por sua política externa altiva – com grande destaque para o Brasil – ao mesmo tempo em que a principal potência, mais a União Europeia, pisavam na bola nas suas estratégias.

Obama agora praticamente depende mais da boa vontade do Brasil do que o contrário, e vem tentar recuperar o posto de principal parceiro comercial de nossas terras tupiniquins. Por qualquer ângulo que se olhe – da esquerda à direita, passando pelo centro -, ele fracassou no governo dos EUA, o que se reflete em uma popularidade constantemente em queda, enquanto Dilma é eleita representando um governo com índices recordes de aprovação. Obama não vem em condições de fazer exigências, mas para negociar, como devem ser as relações entre quaisquer nações soberanas. E independente da vontade de Zero Hora.

———

Na Página 10 da mesma edição de Zero Hora, na coluna da Rosane de Oliveira, outro ponto que merece análise. Agora, não pela contradição, mas pela identificação política. Rosane tirou da foto aqui ao lado o deputado Edegar Pretto e o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, assim como todo o contexto da cena. Deixou apenas o rosto do governador Tarso Genro, chamando a atenção do leitor para o boné do MST que vestia. O comentário não foi sobre sua simpatia com a causa da reforma agrária, mas uma quase saudosa lembrança do “deus-nos-acuda” que se fazia quando um governante usava este símbolo. Como se ele estivesse cometendo um crime – ou defendendo que alguém o cometesse. A colunista parece pedir que voltem as críticas ao ato simbólico.

A corda é mais fraca para Brasil ou EUA? Depende de quem conta

Visita de Obama é um reconhecimento da força brasileira na geopolítica mundial

Uma diferença sensível marca esse começo de governo Dilma na comparação com o começo do governo Lula. Criticado por uns, elogiado por outros, Lula foi rapidinho conversar com o então presidente americano George W. Bush em sua casa. Washington recebeu muito bem o operário brasileiro – melhor, aliás, que a nossa imprensa, e olha que quem estava no governo era um republicano imperialista. Mas foi o Brasil que foi aos Estados Unidos.

Agora, os Estados Unidos vêm ao Brasil. Obama reconhece o status internacional alcançado pelo Brasil. Dilma mostra a força da soberania brasileira. A altivez da mulher que é uma das pessoas mais poderosas do mundo.

Mas engana-se quem tenta reduzir a diferença a um simples elogio a Dilma enquanto sopram críticas ao Lula. Como qualquer comparação, especialmente na política, é fundamental contextualizar, colocar cada momento em sua devida conjuntura.

Se Dilma hoje pode se dar ao luxo de recusar um convite para ir aos Estados Unidos é porque ela sabe que o país norte-americano vem ao Brasil. Por dois motivos cruciais: 1) os Estados Unidos não estão mais com essa bola toda; 2) o Brasil, ah sim, o Brasil é que encheu bem sua bolinha.

Não é mais necessário que o gigante latino-americano se esforce para manter boas relações com Washington, que deixou de lado aquele status de capital da única grande potência mundial. No nosso mundo cada vez mais multipolar, quem agora passa por um bom momento e causa inveja é a gente. E quem quer manter as relações numa boa com Dilma é Obama.

Mérito de Dilma por manter a cabeça erguida, claro. Mas mérito principalmente de Lula e sua política externa e interna. Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia têm dedo nisso. É a política de Lula que levou seu sucessor – no caso, Dilma – a navegar nesse mar de ventos a favor. Lula ajeitou as velas, acertou o prumo e definiu o rumo certo. O resultado é que, continuando com um bom capitão, o navio Brasil pode até passar por algumas turbulências, mas não tem mais que ceder a pressões de navios piratas.

————

Mas, para a imprensa brasileira, vale mais o silêncio do discurso de Obama do que a força de seus atos. Para nossos comentaristas, aliás, o que os Estados Unidos pensam ainda é parâmetro para definir se nossa política anda no caminho certo. A opinião do presidente americano vale mais do que a constatação de que o Brasil hoje vai melhor – considerado o atraso histórico – do que eles. Que o Brasil cresce, se desenvolve e distribui renda enquanto os EUA ainda estão atolados na crise. Miopia, com um tanto de astigmatismo, que turva a visão. A causa? Uma profunda e irreparável vontade de que o governo petista não dê certo, mesmo que isso, evidentemente, fosse ruim pro Brasil.

Visita de Obama é um reconhecimento da força brasileira na geopolítica mundial

Dilma e Tarso privilegiam relações com o Mercosul

Na coletiva que o governador Tarso Genro concedeu aos blogueiros gaúchos, ainda antes de assumir o governo, questionei a motivação de sua primeira viagem como governador eleito. Contrariando o definido no seu plano de governo, Tarso foi, com uma comitiva de integrantes de seu primeiro escalão, para a Espanha. Minha indagação se referia à validade de uma visita com o objetivo de atrair investimentos a um país em crise, mas principalmente com relação ao conteúdo simbólico de, como um de seus primeiros atos pós-eleição, viajar a um país do Norte e não aos vizinhos do Sul ou outro parceiro tido como prioritário no programa que o elegeu. Minha dúvida é se isso não poderia ser interpretado como uma orientação política do governo, prejudicando as futuras relações com os países do Sul.

As linhas do programa de governo dizem que a integração com o Mercosul é prioridade na política de Relações Internacionais. Tratam, em seguida, do fortalecimento das relações Sul-Sul, seguindo os passos do governo Lula, em uma perspectiva de cooperação e solidariedade internacional. Nesse contexto, são citados Índia, China, Rússia, continente africano e Oriente Médio como alianças estratégicas. Só no final menciona Estados Unidos, o resto da América do Norte e a União Européia.

O governador me respondeu que o fortalecimento do Mercosul passava também pelas relações com a Europa, principalmente com Espanha e Portugal, dado o enorme vínculo cultural que temos. E garantiu que sua primeira viagem internacional depois de empossado seria para a América Latina.

Faço justiça agora às palavras e aos atos do governador, sem esquecer também os da nossa presidenta Dilma. Ainda no fim do mês de janeiro, a primeira ida ao exterior de ambos será conjunta e para a Argentina, segundo a jornalista Rosane de Oliveira. Dia 31, ambos devem desembarcar em Buenos Aires, onde Dilma encontrará a presidenta argentina Cristina Kirchner. Tarso segue ainda para o Uruguai. Dilma já tem previsão de ir ao Peru em fevereiro e ao Uruguai em março.

A notícia da viagem de Tarso ocorre ao mesmo tempo em que é definido o nome do responsável pela área. O assessor de Relações Internacionais do governo gaúcho será o cientista político Tarson Nuñes.

Em política externa, ao menos por enquanto, Tarso e Dilma seguem o que afirmaram ao longo da campanha e orientam as diretrizes de acordo com a política do governo Lula. O fortalecimento dos países emergentes é fundamental para o estabelecimento de uma ordem global mais justa e igualitária. Fortalecer as relações entre eles é o primeiro passo. O Brasil é uma importante liderança para articular essa estratégia, como vem fazendo.

Dilma e Tarso privilegiam relações com o Mercosul

Tarso Genro se compromete com a democratização da comunicação e deixa a mídia gaúcha de cabelo em pé

Fotos: Eduardo Seidl / Agência Cel3uma

Na entrevista coletiva concedida pelo governador eleito Tarso Genro, teve um pouco de tudo. Assuntos diversos foram tratados, com crítica à oposição, à imprensa e à base aliada. Essas menos que aquelas, e identifico dois motivos para isso. Primeiro, o óbvio, de que os blogueiros eram de esquerda e, portanto, mais identificados ideologicamente. E outro fator de peso, o fato de o PT, até agora, ser oposição no RS. É muito mais fácil fazer perguntas críticas a quem é governo e já teve bastante oportunidade de errar do que a quem vai assumir, cheio de propostas para fazer tudo lindo.

A ideia de que a crítica deve orientar as perguntas é lógica, parte do pressuposto de que o fulano entrevistado não vai dizer por livre e espontânea vontade coisas de que não gosta. Cabe a quem está de fora perguntar. Mas acho que a ideia de uma entrevista coletiva não é fazer crítica. Como qualquer entrevista, ela vem com a proposta de obter informações. Assuntos pouco tratados podem ser aprofundados, temas nem tocados durante a campanha podem ser esclarecidos. E informações foram obtidas.

Tarso falou de economia solidária, relações internacionais, movimentos sociais, ambientalismo, economia, comunicação, corrupção, alianças, PPPs, transversalidade, saúde, agricultura, transição, educação, rádios comunitárias.

Tarso já tinha chamado a atenção durante a campanha e essa entrevista confirmou: além de um grande orador, fala com muito conteúdo, preocupado em acertar, com um discurso de fato de esquerda, sem ranço. E mostra, acima de tudo, que aprendeu demais durante seu período como ministro no governo Lula.

E, importante, aproveitou o evento para prestar uma deferência às novas mídias e fazer dos blogueiros o público para o anúncio de sua mais nova secretária, Vera Spolidoro, para a Comunicação e Inclusão Digital, além do jornalista Pedro Osório para a presidência da Fundação Piratini, que agrega TVE e FM Cultura. É um ato simbólico, a informação já tinha vazado, mas é significativo porque mostra que o governador está disposto a prestar atenção ao mundo da internet e, o fundamental, à democratização da comunicação de um modo geral.

Economia Solidária

Disse que economia solidária não é política social, mas política econômica. Usou uma expressão que se repetiu mais adiante com relação a mídia alternativa: não fará políticas paternalistas. Disse que é bem diferente de políticas sociais, que deverá implementar nesse segundo caso, mas que “paternalismo é humilhação”. Economia solidária, apesar de ter sido pouco valorizada no governo Lula, entrou no Pronasci, programa criado e desenvolvido por Tarso no Ministério da Justiça, e que terá atenção especial.

Relações Internacionais

Respondeu que a viagem feita à Europa não significa que os países do Norte serão privilegiados, como questionei, em detrimento da integração regional e do fortalecimento das relações Sul-Sul, mas que a integração regional tem que ser feita através de uma visão universal, e que as relações triangulares incluindo a Europa (principalmente Espanha e Portugal por causa da relação com os países da América do Sul) são fundamentais para o crescimento regional, até porque, com a crise, a relação se inverte e eles se tornam mais dependentes da gente do que a gente deles, segundo Tarso.

Movimentos sociais

Tarso deve ter deixado a imprensa tradicional de cabelo em pé ao afirmar que deve tratar o MST da mesma forma que trata a Farsul, com respeito, diálogo e negociação e que vai valorizar a agricultura familiar em detrimento de grandes empresas exportadoras que não gerem desenvolvimento e renda no estado, sempre respeitando o meio ambiente. Afinal, “o Brasil ainda deve uma reforma agrária”.

Comunicação

Mas deve ter arrepiado principalmente nas questões específicas sobre comunicação. Disse que vai trabalhar pela criação de um conselho de comunicação, embora tenha ficado devendo a especificação da atuação e da composição desse conselho, e pela democratização da comunicação. Classificou nossa imprensa de “mídia uníssona neoliberal, dentro da qual transitam valores que têm sido derrotados” com a eleição de Lula e agora de Dilma. Enfatizou que o conselho não fará controle da opinião ou da informação, mas um passo para a efetiva democratização das fontes de produção e de reprodução, em busca do equilíbrio. E afirmou que temos liberdade de imprensa, que deve ser intocável, mas que não temos o “direito de livre circulação da opinião”.

Tarso criticou a prisão de Assange mostrando a incoerência entre prendê-lo e deixar soltos os donos dos veículos que divulgaram os documentos. Todos fizeram a mesma coisa, divulgação, ou seja, “se foi crime, e eu não acho que foi, foi um concurso criminal”. E o mais incrível para Tarso é a falta de protesto da grande imprensa, “ninguém está reclamando”.

Especificamente sobre uma nota que gerou controvérsia, publicada na coluna de Rosane de Oliveira há alguns dias que dizia “Se for suspensa sem um argumento convincente, a revitalização do Cais Mauá corre o risco de se transformar na Ford de Tarso Genro” e sobre o tratamento que o governo dará à imprensa, Tarso disse que recebe esse tipo de informação “com respeito, mas com certa ironia”, porque a nota foi uma espécie de ameaça, que diz para se cuidar, senão vai ser massacrado como foi o Olívio. Acrescentou que essa é uma informação ideologizada e foi muito feliz ao criticar a postura da imprensa, crente que detém isenção e “pureza”, que fica distante da relação do Estado com a sociedade, como se assistisse de longe e não participasse, não sofresse influência do processo de formação ideológica que cada um sofre com sua vivência cotidiana. Mostrou-se sereno diante da crítica, afirmou respeitá-la, mas não orientar sua ação política por esse tipo de manifestação.

Onde faltou

Senti falta de uma resposta mais firme no questionamento sobre o Cais Mauá. Tarso falou que não é contra as PPPs, com a ressalva de que não podem ser uma atitude do estado para proporcionar acumulação privada, que a do Cais está sendo revista juridicamente, mas não se comprometeu a revisar o mérito da parceria, o projeto em curso. Fará isso apenas se houver algum impedimento jurídico, para não ter que quebrar contrato e trazer prejuízo econômico. Resta saber se o prejuízo ambiental e urbanístico trazido pela realização da obra não será maior que o econômico.

Também deixou a desejar na resposta à questão sobre o código florestal e o gerenciamento dos órgãos do estado voltados ao meio ambiente. Mostrou não ter domínio sobre o tema, afirmou não saber exatamente o conteúdo das mudanças no código florestal, não sabia que ele seria votado já em plenário na próxima terça-feira e ficou de se informar melhor.

Por fim, é importante não confundir, como aconteceu na entrevista com Lula (vide a matéria d’O Globo), blogueiro com jornalista. Pesem algumas ausências e algumas presenças, havia alguns jornalistas formados e que atuam como tal, mas havia pessoas de várias formações, perguntando sobre a área de interesse do seu blog.

Tarso Genro se compromete com a democratização da comunicação e deixa a mídia gaúcha de cabelo em pé