A obscena fortuna de Eike

Se alguém me dissesse que tem na conta quase 700 milhões de reais, eu acharia o mundo injusto.

Perguntado por Marília Gabriela sobre o valor pago ao imposto de renda no ano passado, o empresário Eike Batista respondeu: “eu assinei um cheque de 670 milhões”. Não foi possível pagar no Rio de Janeiro porque o sistema não comportava o número de zeros. Teve que ir a São Paulo.

Nesse caso, já não é uma simples injustiça. É obsceno.

Emir Sader disse em mais de uma ocasião que só há pobres porque há ricos. É a oposição entre os extremos que perpetua a desigualdade. A culpa não é especificamente do Eike. Ele fez o jogo direitinho, se apropriou com inteligência das ferramentas que teve à disposição e acumulou muito dinheiro. Isso não faz dele uma má pessoa, mas demonstra que as coisas estão erradas, estão tortas.

Um sistema de sociedade justo deveria impedir que essas distorções ocorressem. O governo Lula vem conseguindo diminuir as distorções para menos, reduzindo a pobreza. Dilma fala agora em acabar com a miséria no Brasil. Mas não se fala em corrigir as distorções para mais.

Tudo bem, eles fazem o mais importante e urgente. Dar condições dignas de vida a todos é imperativo. Mas isso seria inclusive facilitado se alguma providência fosse tomada também com relação às grandes fortunas.

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A obscena fortuna de Eike

Gabi ocupa lugar de Heródoto na Cultura

Por Brizola Neto, em seu Tijolaço:

Nada a ver com os méritos –  e nem com a independência, coisas que ela tem de sobra – de Marília Gabriela para ser a nova  apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. Mas é estranho que o afastamento do jornalista – que o apresentava desde fevereiro de 2009 e, antes, em 94 e 95 – tenha acontecido logo depois de ter insistido com o candidato José Serra na questão dos preços dos pedágios paulistas. Vejam no video que republico aí em cima.

Não é desconhecido entre os jornalistas de São Paulo o terror provocado por certos telefonemas a altas horas para as redações pedindo cabeças. Barbeiro, de quem nunca se falou ser um profissional hostil a Serra, contou sua própria experiência como usuário das rodovias e recebeu como resposta que “o pedágio não é caro, não” e que isso era “trololó petista”.

Curiosamente, hoje, Geraldo Alckmin, candidato tucano ao Governo de São Paulo, defendeu a revisão do pedágio das rodovias paulistas na região de Campinas. Deve ser por causa do trololó.

Gabi ocupa lugar de Heródoto na Cultura