Anúncio do pibão evidencia partidarismo da imprensa

Não foi em tom de dúvida. O caderno Dinheiro da Zero Hora de domingo foi uma constatação, uma certeza de que o Rio Grande do Sul não tem chance. Uma frase atrás da outra montando um retrato de caos. As contas do estado não fechariam, o crescimento seria ínfimo, quase sem salvação. Quer dizer, salvação até teria, mas seria preciso “reinventar-se outra vez, encontrar um rumo, tomar as decisões certas”. Ou seja, não com o governo que aí está, esse sem rumo.

Essa é a mensagem, claríssima, de um jornal que assume, neste caderno mais do que nunca, sua posição de oposição ao governo do estado. Vale dizer o que for, mesmo que não seja bem verdade.

Nem me refiro a uma frase específica. Vários problemas de fato existem, mas eles são descontextualizados, parecem fruto exclusivamente da política atual e termina que a narrativa constrói uma história que não corresponde com a realidade. Os números usados são de 2011, mas isso aparece no cantinho do gráfico, escondidinho. Em nenhum momento o texto deixa claro que o caos que eles estão mostrando não é atual, pelo contrário. Mas aí não passou nem uma semana e veio o anúncio de que o PIB gaúcho no 2º trimestre foi de 15%. Quinze por cento! Padrão chinês de crescimento, acima de qualquer indicador nacional. Mas lá na matéria do Itamar Melo e do Nilson Mariano está: “continuaremos a crescer mais devagar do que o Brasil nos anos vindouros”.

E é assim em todos os veículos do grupo. Num dia (terça, 10), a Gaúcha fala em risco de desemprego por retração da indústria no estado. No dia seguinte, a Zero Hora tem que dar o PIB de 15% por causa da "supersafra de grãos e da produção industrial". Não é de hoje que a RBS se comporta como partido. E não é de hoje que repudia qualquer ação desenvolvimentista, mas agora consegue dar uma volta e criticar a política desenvolvimentista do governo Tarso por… falta de desenvolvimento!

Mas não faltam investimentos e o estado cresce, como ficou provado poucos dias depois. O relatório da Fundação de Economia e Estatística (FEE) mostra muito claramente o cenário e evidencia essa postura partidária do grupo de comunicação. Aliás, escancara a manipulação da informação.

E, assim, na boa, comparar crescimento e políticas de 2013 com a República Velha é risível.

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Anúncio do pibão evidencia partidarismo da imprensa

Déficit o quê mesmo?

Deixa ver se eu entendi… O governo Yeda não fez nada pelo RS, cortou investimentos, não fez concurso, ajudou a deteriorar os nossos serviços públicos, tudo em nome de um suposto déficit zero, e entregou o estado com uma dívida maior?

O que está escrito aí em cima:

Uma conta nefasta

Se nada mudar nos contratos de renegociação das dívidas dos Estados com a União, o Rio Grande do Sul seguirá cambaleando economicamente e, em 2028, ainda deverá o montante de R$ 26,4 bilhões ao Planalto.

A situação é alarmante porque em 1998, ano em que foram firmados os acordos, o passivo financiado pelo governo gaúcho era de R$ 11 bilhões. Mesmo pagando cerca de R$ 2,5 bilhões por ano ao governo federal, o Piratini viu a bola de neve aumentar devido à incidência de juros que retiram a capacidade de investimento e só fazem crescer a dívida. Essas informações constam no relatório final dos trabalhos da Comissão Especial da Dívida Pública, que será votado às 11h de amanhã, na Assembleia. Em tempos de queda da taxa Selic, os contratos se mostram um profundo contrassenso se considerarmos que o Estado precisa enviar aos cofres federais 13% da sua receita líquida real. O juro é de 6% ao ano, acrescido da correção do IGP-DI. Desde a renegociação, em 1998, o contribuinte gaúcho já bancou R$ 30 bilhões em pagamentos. O ano de 2011 foi fechado com um valor residual a ser quitado de R$ 38,7 bilhões. Estrangulado pela dívida, o governo estadual se torna um mero administrador de folha de pagamento. Esmagado pelo acordo, o Rio Grande do Sul não paga o piso dos professores, não investe os 12% previstos por lei em saúde, não soluciona o colapso do sistema prisional.

Os governadores que se sucedem têm, basicamente, três alternativas. A primeira é cruzar os braços e esperar o tempo passar. A segunda é apostar na austeridade, com cortes de gastos em todos os setores, promovendo alguma economia que possa se transformar em investimento. Esse foi o caminho seguido por Yeda Crusius. A terceira e última é a aquisição de empréstimos no BNDES e em organismos internacionais para investir em obras. Esse é o caminho seguido por Tarso Genro, que ainda tenta se livrar das amarras da burocracia para aplicar adequadamente os cerca de R$ 5 bilhões tomados em financiamentos.

É um escolha audaciosa, se propõe a aquecer a economia, mas também arriscada, pois eleva o endividamento em período de crise. O Piratini espera que os investimentos decorrentes dos empréstimos atraiam novos empreendimentos que incrementem a economia. Assim, poderão ser geradas mais riqueza e arrecadação, garantindo o pagamento dos financiamentos em longo prazo. Pode soar otimista demais, sobretudo em tempos de recessão e timidez do PIB. O fato é que já passou do momento de o governo federal repactuar os contratos e adotar juros compatíveis com a realidade. Os gaúchos seguem pagando uma dívida já quitada.

– Atualmente, o próprio governo federal disponibiliza financiamentos com pouco mais de 1% ao ano. Do jeito que estão os contratos, virou agiotagem, uma afronta ao pacto federativo – afirma o deputado estadual Giovani Feltes (PMDB), presidente da comissão.

Antes que os governos estaduais decretem falência, alguma coisa precisa mudar.

Déficit o quê mesmo?

Quando a crítica vira só má vontade

O melhor remédio pra quando se está há muito tempo sem postar é dar uma olhada nos jornais brasileiros. Rapidinho as mãos começam a coçar e escrever torna-se inevitável…

No caso, nem precisei buscar a edição de Zero Hora, à qual só teria acesso daqui de Londres se pagasse por uma assinatura que chegaria no Brasil. Recebi por e-mail e comento aqui.

A mim soa estranho quando um jornalista reclama de excesso de participação popular nas decisões de um governo. Uma coisa é questionar se o programa que o governo estadual vai lançar em novembro – “Governador Pergunta”, complementar ao já existente “Governador Responde”, que incentiva a contribuição dos indivíduos com ideias que devem passar a ser consideradas na implementação de políticas, vai de fato ser efetivo. Outra é desmerecer essa opinião dos cidadãos, como fez Rosane de Oliveira na edição de ontem (9/10) da Zero Hora, logo depois de uma matéria quase que exclusiva sobre o programa. Pior ainda é quando isso é feito com o único objetivo de criticar por criticar.

A jornalista disse que o secretário de Saúde do governo do RS, Ciro Simoni, por ser médico, entendia melhor que ninguém qual era o problema da saúde pública. Ok, o objetivo aqui não é questionar a competência do secretário. Ela deixou implícita a opinião de que o único problema é falta de vontade política. Além de desmerecer a participação cidadã, ela simplifica a questão, que é extremamente complexa. Para ela, o problema é estritamente financeiro. Sem dinheiro, sem médicos, sem saúde. Como o governo aplica 7% do orçamento em saúde, quando deveria aplicar 12% (e ela não menciona que o orçamento foi aprovado no governo anterior), não há solução. Ela ignora que é possível, com pouco ou muito dinheiro, investir bem ou mal. Parece não estar interessada em dar às pessoas a possibilidade de falar sobre onde elas acham que é mais necessário aplicar o dinheiro que, afinal de contas, é delas. Esquece que o governo existe, de forma bastante simplista e utópica, para organizar as questões sociais e fazer as coisas acontecerem, e não centralizar as decisões e tomá-las sozinho em nome de todos.

Rosane opta por simplesmente não avaliar as possibilidades positivas de mais um canal de participação popular. Ela decide negá-lo antes de que ele sequer exista. Críticas, ok, são boas para que se possa melhorar, aperfeiçoar sempre, em qualquer área. E eu as tenho também neste caso. Mas as minhas dizem respeito aos limites que esse modelo ainda impõe. A participação deveria e poderia ser mais ampla, apesar de eu achar de uma extrema vanguarda a utilização de canais digitais para incluir a sociedade no processo político do governo. Engraçado é quando a crítica é por participação demais, não de menos.

A coluna da página 10 ainda tenta confundir o leitor fugindo do foco. É evidente que o “norte do governo Tarso Genro” foi dado antes da eleição do ano passado, com a elaboração do programa de governo e a definição de uma linha política. Mas também é verdade que é possível manter uma linha política e abrir espaço para que sua implementação seja constantemente discutida e melhorada. Até porque a linha política do governo inclui a participação. A participação é parte do programa, não contraditória a ele.

Criticar é uma coisa; mas mudar de opinião para criticar por qualquer motivo, sem concender o benefício da dúvida, não passa de má vontade. Perigoso para o jornalismo em uma democracia. Especialmente aquele que se diz isento.

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A íntegra da coluna assinada por Rosane de Oliveira:

Risco de frustração

Todas as formas de participação popular são bem-vindas numa democracia, mas não se pode vender a ilusão de que quem decide os rumos do governo é o cidadão que vota pela internet numa lista de prioridades ou participa de uma assembleia. O norte do governo Tarso Genro foi dado por sua equipe ainda na campanha eleitoral. O plano de governo é o fio condutor dos programas que ganharam a etiqueta de prioritários. O poder da participação popular ainda é reduzido, apesar de todos os instrumentos criados no Piratini para popularizar o rótulo de governo digital.

O projeto Governador Pergunta – A Primeira Assembleia Digital do Brasil, que será lançado em novembro, tem tudo para se transformar em sucesso de marketing, no Brasil e no Exterior. É questionável, no entanto, a utilidade de se mobilizar a população, pela internet ou pessoalmente, para que diga como se pode melhorar o atendimento e o acesso à saúde pública. Os gestores sabem muito bem o que falta aos usuários do Sistema Único de Saúde. Por ser médico, o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, sabe melhor do que ninguém. Não precisa fazer pesquisa. Sabem, também, que para atender às demandas mínimas da população é preciso ter recursos.

Soa estranho o governo consultar a população para saber o que fazer para melhorar o acesso à saúde pública e se comprometer a “adotar as 50 propostas mais votadas”, se o Estado aplica menos de 7% da receita líquida em saúde, quando deveria aplicar 12%. Com dinheiro, Estados e municípios poderiam contratar mais médicos para programas de prevenção e mais especialistas para reduzir as filas, comprar equipamentos de última geração para oferecer diagnósticos mais precisos, aumentar a oferta de leitos, reduzir o tempo de espera nas emergências, oferecer melhor qualidade no atendimento à gestante e ao idoso, tornar realidade as maravilhas prometidas numa campanha eleitoral.

O excesso de canais para a sociedade se comunicar com o governo traz um risco ao futuro da consulta popular: o da frustração, se as demandas não forem atendidas por falta de dinheiro.

Quando a crítica vira só má vontade

Sem conteúdo, ZH finge que cobre a posse dos novos deputados gaúchos

Peço perdão aos leitores por estar sendo repetitiva. Mas não adianta, quando o jornal com maior vendagem do seu estado é a Zero Hora, há sempre algum comentário a ser feito. Quando não pela linha editorial dedicada a atender alguns interesses específicos – enquanto afirma ser detentor de uma impossível imparcialidade -, o jornal peca pela falta de qualidade. Ou as duas coisas junto.

A crítica de hoje é a uma matéria sobre a posse dos novos deputados estaduais gaúchos, ocorrida nesta segunda (31). Descrevo para os que não tiveram acesso ao conteúdo – fechado para assinantes no site. O título “Assembleia busca resgatar prestígio” aparece verticalmente centralizado, ocupando todo o espaço, de lado a lado, das páginas 4 e 5, espaço nobre dedicado à reportagem especial. A cartola é enorme e está pouco acima do título, na 4: “Posse dos deputados”.

Acima disso, um perfil com foto de seis parlamentares, um ao lado do outro. Abaixo do título, quase no centro, uma foto. Na página 5, três minirretrancas e uma propaganda. A matéria mesmo fica em uma coluna no lado esquerdo da página 4. São cinco parágrafos assinados por Elton Weber e Nilson Mariano.

A despolitização

Comecemos, pois, pelo título, que diz que o Parlamento anda desprestigiado. Concordo com o presidente da Assembleia, Adão Villaverde, quando disse em seu discurso de posse que há uma tentativa de “desmoralização da representação” e “despolitização da política”. Três chances para adivinhar quem é o principal incentivador dessa despolitização, através de suas ferozes e mal-feitas críticas a tudo que envolve qualquer representante e, por consequência, a representatividade como um todo.

A curtíssima matéria segue na mesma linha e, a rigor, não acrescenta muita informação. Fica nas obviedades de sempre e não presta o serviço ao leitor de explicar o funcionamento da casa. Não é algo simples e duvido que a maior parte dos leitores saiba. Que momento seria mais propício para esclarecer os pormenores da Assembleia, em todas as suas instâncias e suas atribuições? Fora que nem a cerimônia de ontem foi bem narrada. Não entra no mérito do discurso do novo presidente, que, afinal de contas, será o principal nome da Casa no próximo ano.

Apesar de sua importância neste mandato que se inicia – e de ter sido o personagem principal de ontem, com o discurso mais esperado -, Villaverde não aparece em destaque em lugar algum.

Lembra dos perfis na parte superior das páginas, que comentei antes? Villa sequer está ali!

São seis deputados de 55 no total. (Quase) Todos os seis têm um motivo para ali estar, algo que os diferencia dos demais. Mas o critério de escolha desses motivos que os levaram àquele posto é subjetivo. Portanto, questionável. Mas ok, faz parte.

O problema maior é quando chega no último dos seis. Paulo Borges (DEM) está ali como “A bancada de um homem só”. Epa, luz vermelha acende. Ele definitivamente não é o único nessas condições. O que o faz mais especial que Raul Carrion (PCdoB) e Carlos Gomes (PRB)?

A crítica ao Conselhão

Por fim, as minirretrancas. Salta aos olhos a do meio, intitulada “A rivalidade do Conselhão”, em referência ao órgão criado pelo governador Tarso Genro e comandado por Marcelo Danéris, com status de primeiro escalão. Zero Hora insiste na estratégia adotada há algum tema de gerar atrito entre os dois poderes. Um órgão de aconselhamento do governador – parece tão claro… – contribui para que suas decisões sejam tomadas com um critério, com base, com o respaldo de representantes da sociedade. É de se imaginar, pois, que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) seja uma forma a mais de participação, que não anula a representatividade do Parlamento. Pelo contrário, qualquer aumento de participação popular fortalece a democracia. Aproxima o governo da sociedade e ajuda a agir de acordo com os interesses de todos, da mais ampla parte dos cidadãos. Talvez, nesse caminho, contrarie o histórico de se governar visando os interesses de alguns. Será que é isso que os jornalões temem?

Esse tipo de crítica não é de hoje, como bem observou a professora-pesquisadora da Faculdade de Serviço Social da UERJ Vanda Maria Ribeiro Costa, que aponta o mesmo tipo de comportamento da mídia desde 2002 com relação ao Conselho Nacional. Vale a leitura das páginas do estudo, que aponta de que forma é possível observar essa atitude.

Mas desviei do foco da matéria da ZH justamente porque ela foge do assunto. Acabei entrando no tema do CDES porque o jornal não cita o Conselhão apenas como um contraponto ao Parlamento, na comparação que seria a mais lógica em um momento em que o assunto do texto é a nova legislatura. Em apenas dois curtos parágrafos – aliás, texto é o que menos tem -, o jornal se dedica a avaliar a suposta falta de representatividade do CDES, o que, convenhamos, não tem de fato nada a ver com o assunto.

Falta de conteúdo

Resumindo, a impressão que dá é que Zero Hora esqueceu de mandar um repórter para cobrir a posse. Sem alternativa, não falou na cerimônia. Mas, se fosse esse o caso, uma alternativa honesta seria fazer uma reportagem mais aprofundada sobre o papel do Parlamento, sua importância, de que forma ele atua no fortalecimento da democracia e que consequências isso traz para a sociedade.

Na dúvida, o jornal não fez nem uma coisa nem outra. Não fez nada. Um dos momentos mais significativos na política gaúcha no ano não é valorizado.

E aí, quem despolitiza o quê mesmo?

Sem conteúdo, ZH finge que cobre a posse dos novos deputados gaúchos

Para onde foi o dinheiro, Yeda?

Paradoxalmente, ainda que fosse verdadeiro, o déficit zero propagandeado pela ex-governadora Yeda Crusius seria uma falácia. Mesmo que o estado tivesse fechado o período sem dívidas formais a cumprir, com o caixa zerado, ele teria ainda deixado uma grave dívida social. Afinal, teria conseguido acertar as contas às custas de não cumprir com sua obrigação. Ou seja, de nada serviria.

Mas é pior. Se assim fosse, poderia existir alguma forma de justificar, talvez uma questão ideológica, uma visão neoliberal, que defendesse pouca presença do estado. Talvez. Mas não, nem isso. O secretário estadual da Fazenda, Odir Tonollier, apresentou hoje um relatório que diz que a ex-governadora deixou R$ 1 bilhão em restos a pagar, a serem administrados pelo novo governo. “Ao contrário do que disse o governo anterior, que o Rio Grande do Sul começaria o ano com R$ 3,6 bilhões em caixa, o que encontramos é um Estado com caixa negativo em R$ 4,6 bilhões e um déficit de R$ 150 milhões em 2010. Em 3 de janeiro, o saldo no caixa do Rio Grande do Sul era literalmente zero”, disse. Aqui se encontram mais detalhes.

Ou seja, Yeda não investiu no estado e o deixou quebrado. Yeda terminou o mandato e foi para os Estados Unidos. Resta saber para onde foi o dinheiro.

Para onde foi o dinheiro, Yeda?

Um começo frustrante para a política de juventude no RS

Por Leopoldo Vieira

Apesar de ter dado um exemplo de apoio à renovação e transição geracional, indicando o ex-diretor da UNE (2003-2005) Vinícius Wu, 29 anos, para ser seu chefe de gabinete, o desenho institucional para desenolver políticas públicas de juventude apresentado pelo governador gaúcho Tarso Genro gerou descontentamento generalizado, em todas as tendências do PT local e tende a se ampliar para outras juventudes partidárias da base de apoio e movimentos juvenis.

Pelo formato proposto, uma “Divisão de Juventude” ficaria subordinada a um departamento, por sua vez subordinado ao secretário de Justiça e Direitos Humanos. Neste departamento estariam outras “divisões”, como portadores de deficiência e igualdade racial.

Uma pasta de terceiro escalão, sem recursos humanos e financeiros e sem condições, portanto, de ser articuladora de políticas e relações com a sociedade civil, sem autoridade para realizar monitoramento e proposições de ações, projetos e programas voltados aos jovens e sem executar nenhuma iniciativa de peso, já que Pronasci, ProJovem e a versão “gaúcha” do Pronasci, que o governador vai criar, ficarão alocados em outras pastas. Sem contar que a associação de Juventude com “Justiça”, ainda mais quando a Secretaria em questão é a responsável pela gestão da versão da “FEBEM” do Rio Grande, e tem a maior parte do seu orçamento voltado para essa função, é extremamente ruim, ressuscitando o simbólico de “jovem problema” tão projetado no governo tucano de Yeda Crusius, que nada fez pelos jovens do estado, ao contrário: aprofundou índices negativos de exclusão sócio-cultural.

Uma experiência semelhante a que o governador quer fazer no Rio Grande do Sul já foi feita no Pará, no governo de Ana Júlia, e justamente pela mais completa condições de ação política da “área de juventude”, o resultado não foi dos melhores, basta saber que era impossível fazer material de juventude na eleição sem vincular o balanço de quatro anos com as propostas da reeleição – elaboradas criticamente pelo Comitê de Juventude -, sob o risco de emagrecer sobremaneira o “balanço positivo”.

Não imagino como “a vitória da Unidade Popular pode recolocar o Rio Grande na vanguarda da inovação em termos de governança democrática em escala global”, sem considerar o papel dos jovens – somado ao bônus demográfico – ao desenvolvimento econômico, cultural e político.

Assim o novo governo mal começa e já põe na ordem do dia um retrocesso, o que contrasta com a prioridade que Tarso deu à juventude em sua passagem pelo MEC e pelo Ministério da Justiça.

A sugestão de post foi do Murilo Amatneeks, da Executiva Nacional da Juventude do PT.

Um começo frustrante para a política de juventude no RS