De dar inveja a Murdoch

Olha como funciona a imprensa no Brasil (e foco no Brasil porque é o objeto em questão, mas não é excluisividade nossa):

Um jornalista, funcionário de uma revista que, apesar de antiética e mentirosa, é a que mais vende no Brasil, invade a privacidade de um político e de um monte de outras pessoas que não têm nada a ver com a história. No caso, trata-se de ação que atenta não apenas contra a ética, mas contra a lei.

Como fruto de sua ação ilegal, descobre que este político recebe outros políticos em seu quarto de hotel. Ao contrário do que fez a revista, nada ilegal. Tampouco antiético.

Em seguida, ela publica a grande descoberta como uma grande denúncia. Não fica muito claro o que está sendo denunciado, mas como o tom é grave todo o mundo acredita que o político fez coisa muito feia.

O escândalo vem à tona, e as maracutaias pra conseguir a informação são descobertas e provadas.

Aí, ao contrário do que aconteceu eu outro dos países que têm uma imprensa tão podre quanto a nossa, os seus pares (concorrentes, diga-se) iniciam uma operação de abafa. A ponto de acontecer o que pode ser lido neste link da Zero Hora. O jornal gaúcho tenta explicar o que ele chama de “Caso Dirceu”. E faz isso sem mencionar a invasão ao quarto de hotel do ex-ministro José Dirceu pelo repórter Gustavo Nogueira Ribeiro, da revista Veja. Torna-se, pois, cúmplice, se não da perspectiva legal, ao menos da perspectiva moral.

O jornal cita a revista para lembrar que Dirceu atuou no mensalão, teve seus direitos políticos cassados e responde a processo, quase como que justificando o que fez o repórter, mais ou menos como um “ladrão que rouba ladrão”… O jornal mantém o tom de denúncia, mas o conteúdo permanece vazio. A denúncia de nada ilegal, de nada antiético, sequer a afirmação da capa (de que Dirceu conspira contra o governo) se consegue provar. Não vai além de suposições furadas, como mostra Conceição Lemes no Viomundo. O que se vê é um jornalismo covarde e mau-caráter, que não só pratica como protege a prática de atitudes antiéticas.

Aí fica até engraçado. A revista usa meios ilegais para tentar forçar uma acusação fraca de nada consistente pra enfraquecer o governo. Critica nos outros ações que incluem mau-caratismo e atitudes criminosas nos outros mas, no fim das contas, só ela pratica. E o resto da imprensa finge não ver. Murdoch adoraria.

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De dar inveja a Murdoch

Com telhado de vidro, não se deve jogar pedra

Fazia tempo que não me divertia tanto com alguma coisa encontrada num jornal. Juro, estou #rindolitros em casa. Eu já nem chamaria de hipocrisia, uma palavra quase simpática, o que li no editorial da Zero Hora de hoje, intitulado “O limite da notícia”; na verdade, é uma demonstração de absoluta e enorme cara-de-pau.

É esse jornal que, com total desfaçatez, critica hoje não apenas a postura do cidadão que operou as escutas ilegais do News of the World (NoW) de Rupert Murdoch na Inglaterra, mas “a empresa de comunicação que explorava e estimulava a conduta antiética, caracterizada pelo desrespeito e pelo desrespeito à privacidade das pessoas”. É quase um pecado usar a famosa parábola sobre a ética do jornalista de Cláudio Abramo para sustentar esta posição.

A empresa jornalística ora em questão, a gaúcha RBS, é aquela que em 2010 tinha cerca de dez profissionais (não se sabe quais e nem se teve notícia de demissões na empresa por causa disso) vinculados a ela com acesso a um sistema sigiloso e ilegal do governo do estado de obtenção de informações sobre determinadas pessoas sem mandato judicial ou investigação oficial em curso. Marco Weissheimer era um dos jornalistas investigados, por exemplo. Curiosamente, ele fazia oposição ao governo Yeda, aquele que forneceu as senhas aos jornalistas. O filho pequeno da então deputada estadual e hoje secretária de Administração do governo Tarso teve suas fotos vistas por toda essa galera. Mas gente de dentro do governo e da grande imprensa também estava na lista, já que era possível descobrir se corria algum tipo de investigação sobre elas.

Está dando pra pegar a ironia da coisa? O jornal Zero Hora quase se diz ofendido com a atitude de seus pares europeus no que tange a privacidade, justamente o quesito desrespeitado em outubro do ano passado.

Aí ela diz que foi “a imprensa sadia” que denunciou o NoW. Eu diria que foi a concorrente que denunciou, dentro dos mais nobres princípios da competição de mercado. Ou, no caso de jornais do mesmo grupo – News Corp. –, da necessidade de salvar sua pele diante do barco afundado.

Não digo que todo jornalismo é mau. Muito pelo contrário, há muita gente boa por aí peleando. Mas tampouco há santos.

Mas o pior de tudo, não só no jornalismo, é a contradição consciente. A postura de dizer uma coisa e fazer outra sabendo que não age daquela maneira. Não adianta, a palavra para isso é mesmo hipocrisia. Mas sempre tem aqueles casos mais feios dela. Esse é dos piores.

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P.S.: Quando Zero Hora diz que “os cidadãos já controlam a mídia pelo direito de escolha”, finge ignorar que o cidadão tem o direito de escolher entre as restritas opções – especialmente restritas no caso do Rio Grande do Sul – que lhe são apresentadas, e tem poucas oportunidades de questionar sua qualidade ou mesmo propor alternativas, devido a limitações financeiras. “Controle social da mídia” é exatamente a cobrança pela sociedade da observância de “um comportamento ético, responsável e construtivo” por parte dos veículos de comunicação e de regulamentação. Justamente aquilo que o jornal termina dizendo ser importante. Ah, a contradição…

Com telhado de vidro, não se deve jogar pedra

Clima, arquitetura, transporte, cultura: as primeiras impressões na terra da rainha

Londres é não é exatamente uma cidade boa de viver. Às vezes não consigo entender como foi possível que gente se estabelecesse aqui e ainda construísse as bases de um lugar que teve tanto poder ao longo da história. É estranho que pessoas queiram viver em uma cidade tão instável. Não dá vontade de se estabelecer em um lugar em que chove quase todo dia, em que a gente nunca sabe se vai sentir calor ou frio, se tem que levar casacão ou pôr manga curta, além da capa de chuva, claro (o céu azul da foto é exceção absoluta).

Mas pra passar um tempo é um lugar interessante. Depois de estabelecida a civilização aqui, até dá pra entender por que o povo vem pra cá. A arquitetura é realmente muito bonita, muito diferente do nosso padrão. As ruas são organizadas, o transporte é organizado (mais adiante, um post específico sobre isso), e o povo, em geral, é muito educado e demonstra muito respeito.

Dá pra aprender quase qualquer idioma em Londres, pelas línguas que a gente ouve nas ruas. Praticamente mais que inglês. Mesmo no bairro em que eu moro, que não é turístico. Se um perdido qualquer cai por acaso no Centro de Londres (e olha que não estou morando no Centro), acho que não consegue identificar, pela língua falada pelas pessoas ao redor, onde está. E aquele acento britânico então…

(É engraçado como a cultura é importante na definição de como são as pessoas, do que importa pra elas e de como elas agem. Hoje passei por uma família que falava inglês. Eu mal conseguia ouvir o que diziam, quanto mais discernir o sotaque. Mas tive certeza, pelas roupas que usavam e pelo jeito que gesticulavam, que eram americanos. Talvez australianos até, não conheço tanto assim. Mas definitivamente não eram britânicos. Quando sentaram, nos bancos do metrô, puxaram direto um mapa e passaram a decidir que lugar visitar. Ou seja, turistas.)

Rudolph Murdoch é capa de todos os jornais, e o escândalo das escutas envolvendo seus veículos na Grã-Bretanha está em todos os telejornais. A coisa está feia, mas não é exatamente inesperado. Algumas pessoas demonstram surpresa justamente por não ter acontecido nada assim antes, nenhuma descoberta de algo ilegal ou imoral, nenhum escândalo por ação antiética. Porque todos sabem que acontece.

As pessoas são, de um modo geral, bem informadas. Não só pela famosa BBC e as notícias da TV, mídia que estamos acostumados a ter como a que chega a todos, de “massa”. O metrô é o meio de transporte mais fácil e muito usado, não só por gente pobre ou estudantes, mas por grande parte da população (é inclusive muito comum vermos iPhones – que o pessoal do resto da Europa também tem – e gente lendo livros no seu Kindle – um francês me disse que viu um pela primeira vez em Londres). E no metrô, todos os dias, dois jornais são distribuídos gratuita e massivamente. Em todas as estações há pilhas deles, que as pessoas pegam quando entram e largam dentro do vagão ou na saída, ou levam consigo. E é impressionante o número de pessoas lendo enquanto vai de um lugar a outro.

Como qualquer lugar do mundo, Londres tem suas coisas boas e suas coisas ruins. Algumas vemos logo de cara, outras vamos descobrindo com o passar do tempo. Talvez algumas eu nem chegue a saber. O tempo pode ser demais para algumas coisas, mas seis meses não são suficientes para absorver uma cultura de tantos séculos.

Clima, arquitetura, transporte, cultura: as primeiras impressões na terra da rainha

O magnata encabula-se

Está feia a coisa pelas bandas de cá. Se contassem uns tempos atrás, acho que poucos acreditariam, mas o magnata das comunicações Rupert Murdoch está realmente constrangido e acuado. Capa da maioria dos jornais, o escândalo – que já inclui prisão e morte – atinge forte o todo-poderoso do setor. É assunto das rodas de conversa, o principal na TV. E não é só Murdoch que se constrange. Parece que todo um modelo de se fazer o que eles chamam ainda de jornalismo está sendo desmascarado, e ninguém está muito confortável ao noticiar o fato.

É aquela sensação de ter que apontar o dedo para não parecer cúmplice, porque a coisa estourou, mas sem muita segurança sobre se de repente não se está criticando um modo de fazer que também é seu. O fato é que o jornalismo mudou. Ele se “adaptou” aos tempos. Tempos em que especular vale mais do que comprar efetivamente. E comprar vale mais do que viver. E, bem, trapacear para conseguir qualquer coisa é ser esperto. Ética, pra quê? A visão do poder suplanta esse tipo de bobagem.

A Inglaterra ri e chora de seus figurões. Figuras que já não são mais de um país só, mas magnatas globais, com investimentos ao redor do mundo. Como se fosse bonito ter um estrangeiro se ocupando de informar das coisas de nossa terra, qualquer que seja ela.

Mas não que a gente possa olhar de longe e dizer que no Brasil tudo é diferente. Pobre, mas limpinho. Well, nós temos as nossas fichas falsas na capa do jornal mais vendido, jornalistas acessando senhas que davam informações de investigações sigilosas de governo, entre outros. Ninguém parece muito santo.

Talvez a Inglaterra possa servir de exemplo por fazer disso notícia e encabular-se. Na nossa pátria amada… bem, deixa pra lá.

O magnata encabula-se

Líderes políticos britânicos unidos contra Rupert Murdoch

The Independent, publicado na Carta Maior

Os três principais partidos políticos se unirão hoje, em ataque sem precedentes contra o homem que os mesmos partidos vivem, há décadas, de cortejar incansavelmente: Rupert Murdoch. Os líderes dos três principais partidos políticos britânicos instruíram seus deputados para que votem a favor de uma moção que exige que Murdoch, depois do escândalo dos telefones grampeados, desista da proposta que apresentou para comprar a BSkyB.

Esse show de pensamento único é consequência de intervenção dramática de David Cameron. A decisão foi tomada depois que Cameron percebeu que poderia perder a votação na Casa dos Comuns para a oposição (partidos Trabalhista e Liberal Democrata). Dizia-se ontem que o clima, na residência do primeiro-ministro em Downing Street, era “sombrio”.

A moção – que agora será garantidamente aprovada por vasta maioria – aumenta muito significativamente a pressão sobre a empresa News Corp para que desista completamente de tentar comprar a BSkyB – num momento em que não param de surgir denúncias de crimes e erros de má administração na News International, subsidiária britânica da News Corp, de Murdoch.

As ações da BSkyB caíram mais 3%, depois que a City concluiu que a pressão da opinião pública torna o negócio praticamente impossível, pelo menos nesse momento. Ao longo do dia de ontem, o affair teve os seguintes desdobramentos:

* Dois dos mais graduados comandantes da Polícia britânica acusaram a empresa News International de mentir e prevaricar no curso do primeiro inquérito policial;

* A Scotland Yard admitiu que, até agora, só notificou 170 das pessoas cujos celulares podem ter sido grampeados, de um total de 4.000 nomes que aparecem nos arquivos de Glenn Mulcaire;

* Uma comissão da Câmara dos Comuns convocou Rupert e James Murdoch a comparecer pessoalmente ao Parlamento na próxima 3ª-feira, com Rebekah Brooks, para serem interrogados publicamente pelos deputados sobre o escândalo; e

* David Cameron, Ed Miliband e Nick Clegg reuniram-se privadamente para discutir os termos de referência para uma investigação pública sobre o escândalo.

Ficou acertado entre os três que Cameron anunciará hoje a instauração de comissão de inquérito, comandada por juiz especial, para tratar de dois tópicos: o fracasso da Polícia (que não investigou devidamente as denúncias de invasão de telefones celulares) e temas mais amplos da ética na mídia. As testemunhas a serem ouvidas nessa comissão falarão sob juramento. Espera-se que o primeiro-ministro, no mesmo ato, nomeie o juiz que presidirá os trabalhos da comissão de inquérito.

(…) Uma fonte do governo disse que, depois de aprovada a moção conjunta, a empresa News Corp só poderá comprar 100% das ações da BSkyB, se vender os três jornais que ainda controla – The Sun, The Times e The Sunday Times. “A moção conjunta altera todo o jogo” – disse.

(…) Em New York, os altos executivos da News Corp estão sendo pressionados a separar-se dos problemas atuais na Grã-Bretanha, para que a empresa possa concentrar-se nas partes do negócio que têm maior potencial de crescimento: a televisão a cabo nos EUA.

Na tentativa de tranquilizar os acionistas, Murdoch anunciou que destinará 5 bilhões de dólares dos lucros da News Corp para ‘segurar’ o preço das ações. A companhia informou que o dinheiro seria gasto ao longo dos próximos 12 meses para recomprar as ações da empresa – medida que reduz o risco de a cotação despencar. Com essa medida, Murdoch espera obter a simpatia dos investidores, enquanto tenta encontrar meio para impedir que o escândalo britânico contamine todo o império de $45 bilhões.

Murdoch sabe que, se nada fizer, os acionistas poderão concluir que ele próprio e a família, que controla o negócio, estariam ‘segurando’ o dinheiro investido. O próprio Murdoch e vários diretores já são alvo de processo movido por acionistas rebeldes, que alegam que os executivos da empresa puseram os interesses da família acima do interesse dos demais investidores.

A jogada de Murdoch parece estar dando certo. O preço das ações estabilizou-se e vários grandes acionistas já manifestaram apoio aos Murdochs. O príncipe saudita Alwaleed bin Talal – principal acionista da News Corp, depois da família Murdoch – deu várias entrevistas, dizendo que o fechamento do jornal News of the World bastava, para encerrar o escândalo. E que a empresa News Corp continuava sólida. “A News Corp é muito mais que um jornal” – disse o príncipe.

Mas ontem começaram a aparecer sinais de que os problemas da empresa News Corp na Grã-Bretanha podem contaminar outras partes do negócio. Em depoimento aos deputados, dois altos oficiais de Polícia acusaram a empresa de deliberadamente encobrir provas de que muitos telefones estavam sendo grampeados e invadidos, durante o tempo em que a News International foi dirigida por Les Hinton – braço direito de Murdoch há décadas, que hoje é diretor de Dow Jones nos EUA. É provável que também seja convocado para prestar depoimento no inquérito público, sobre se teria autorizado ou não, que seus jornalistas sonegassem provas e produzissem as provas falsas que foram entregues à Polícia.

Tradução: Vila Vudu

Líderes políticos britânicos unidos contra Rupert Murdoch

Após grampos e prisão de jornalistas, Cameron promete regras para imprensa britânica

Do Opera Mundi

A polícia britânica prendeu nesta sexta-feira (08/07) o ex-editor do jornal News of the World Andy Coulson e o ex-repórter do tabloide britânico Clive Goodman, responsável pela cobertura da família real britânica. Coulson é acusado de ter ligação com o escândalo de grampos telefônicos realizados pelo jornal na época em que comandou o tablóide, entre 2003 e 2007. Já Goodman é acusado de pagar propina a policiais.

Coulson trabalhou como porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e renunciou ao cargo no começo do ano, após fortes pressões que enfrentava pelas investigações no caso dos grampos. Horas antes da prisão, Cameron disse que contratar Coulson foi uma decisão pessoal e que ele assumia total responsabilidade. “Eu dei a ele uma segunda chance. O povo é quem pode julgar se eu errei ao fazer isso”, afirmou. O governante assumiu que ficou amigo de Coulson durante o tempo em que eles trabalharam juntos e que essa amizade ainda existe, embora os dois não tenham tido muito contato nas últimas semanas.

Culpa

Cameron anunciou hoje que as denúncias sobre os grampos serão investigadas por dois inquéritos públicos independentes. Um deles será coordenado por um juíz e vai começar logo após o fim dos trabalhos policiais. O governo quer saber porque a polícia falhou no primeiro inquérito sobre o caso. A outra investigação será conduzida por um corpo misto e terá como alvo a cultura, a prática e a ética da imprensa britânica. O objetivo é entender como os jornais são regulados e fazer recomendações para o futuro.

O primeiro-ministro afirmou que “a imprensa é livre, mas não está acima da lei”. Para ele, “o jeito como a imprensa é regulada no Reino Unido já não funciona mais”, O primeiro-ministro disse que o problema é coletivo. “Estamos todos juntos nisso. A imprensa, os líderes, os partidos, incluindo eu mesmo”, completou o líder britânico.

O líder da oposição no parlamento, Ed Miliband, havia pedido que o primeiro-ministro admitisse os próprios erros de julgamento por ter contratado Coulson. Miliband disse achar que outra ex-editora do News of the World, a atual chefe do grupo News International, Rebekah Brooks, também deveria ser responsabilizada pelo uso dos grampos telefônicos. A News International é um conglomerado de mídia que controla o tablóide inglês e faz parte do grupo News Corporation, do magnata Rupert Murdoch.

Interesse comercial

O fechamento do News of the World foi considerado uma ação para que Murdoch possa assumir o controle sobre a rede de TV Sky. A News Corporation é dona de 39% do capital da empresa atualmente. A negociação precisa ser aprovada pelo Departamento de Cultura do Reino Unido e era considerada quase certa até o começo desta semana.

Nesta sexta-feira, um porta-voz disse que o secretário de Cultura, Jeremy Hunt, “vai considerar todos os fatores relevantes para o caso, incluindo o fechamento do News of the World” e que “a decisão vai demorar o tempo que for necessário”. O processo de consulta pública para a compra da Sky termina hoje. O número de respostas de interesse durante a consulta subiu de 40 mil para cerca de 100 mil após  a divulgação das mais recentes denúncias sobre o escândalo dos grampos.

Desempregados

O caso das escutas telefônicas levou ao fechamento do News of the World após 168 anos de existência. O veículo é o jornal mais lido do mundo em língua inglesa e emprega 200 pessoas, que só devem trabalhar até domingo (10/07), quando será impressa a última edição.

O editor de política David Wooding, que trabalha no News of the World há um ano e meio, disse à BBC que “dos 200 funcionários atuais, há dois ou três que trabalhavam no local na época dos grampos. Muita coisa aconteceu com um editor diferente e com outros empregados”.

“Fomos trazidos para limpar a imagem do jornal, mas a lama acabou espirrando em nós”, afirmou Wooding.

Após grampos e prisão de jornalistas, Cameron promete regras para imprensa britânica